Capítulo 7 Forçado ao casamento
O tom de Julian era calmo, mas carregava a autoridade de um homem acostumado a ser obedecido. Os médicos e enfermeiros se retiraram imediatamente, deixando o quarto para os dois membros mais poderosos da família Watson.
A velha matriarca — Madam Yoon — ergueu a cabeça e estudou o neto. Julian era seu orgulho, seu herdeiro escolhido, aquele que tinha virado o império Watson do avesso.
Desde que assumira como CEO, ele aumentara o valor de mercado da empresa em vinte e um por cento e devolvera a inovação a uma família há muito acusada de estagnação. Para o mundo, era um homem de precisão e controle — o Sr. Watson. Mas diante dela, ainda era apenas um neto.
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— Vovó, por que a senhora está aqui? — a voz de Julian suavizou quando ficaram a sós. — Se não estava se sentindo bem, podia ter mandado os médicos irem à sua casa. Por que se dar ao trabalho de vir ao hospital?
— Não venha brincar comigo. — O sorriso de Madam Yoon era radiante, a voz borbulhando de empolgação. — Quando se trata da quinta geração da linhagem Watson, como eu não viria pessoalmente?
A expressão de Julian se endureceu. — Quinta geração? A senhora está enganada. A Dina não está pensando em casamento tão cedo, então de que criança a senhora está falando?
Madam Yoon estendeu a mão e deu-lhe uma batidinha leve na cabeça. — Pare de fingir! Se aquela garota não quer se casar com você e insiste em correr atrás da carreira, deixe. Mas eu não vou deixar a linhagem da família Watson esperar mais.
— Vovó — Julian disse, ríspido, com a mandíbula se contraindo —, a senhora não está sugerindo que a mulher lá dentro dê à luz essa criança, está? Isso é impossível. De jeito nenhum!
Os olhos dela esfriaram. — Ainda esperando a Dina? — disse com calma. — Julian, eu venho tolerando seus sentimentos por aquela garota há anos. Mas encare a realidade: ela te mantém preso por um fio esse tempo todo. Você tem trinta e dois anos. Até quando pretende esperar?
O tom dele ficou mais duro. — A senhora me prometeu que, quando eu virasse CEO, não se meteria na minha vida privada.
— E você me prometeu que estaria casado aos trinta! — a voz dela se elevou, a autoridade da matriarca cortando a resistência dele. — O que aquela Dina tem de tão especial? Anos esperando, e ela ainda não te dá um lar nem uma família.
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Do lado de fora, as vozes deles ecoaram pelo corredor. Dentro da suíte, Cora se remexeu.
Seus olhos se abriram devagar para um quarto luxuoso que ela não reconhecia — sanca ornamentada, cortinas de seda, móveis com detalhes dourados. Onde eu estou? Teria sido tudo um sonho? Por um instante, ela achou que tinha ouvido alguém dizer “Dina”. Isso não podia estar certo. Dina estava em Milão.
Quando tentou se sentar, a voz de uma enfermeira veio de fora.
— A jovem madame acordou. Preparem para o presidente do conselho.
Antes que Cora conseguisse entender, a porta se abriu.
Uma senhora idosa, elegante, entrou com compostura régia, seguida por um pequeno séquito de médicos e enfermeiros.
Cora congelou, totalmente perdida. Ela se lembrava de ter desmaiado no trabalho — tinha uma reunião, não tinha? Meu Deus, ela tinha perdido a reunião!
Começou a se levantar, em pânico, mas a velha refinada a deteve com delicadeza, sorrindo com satisfação.
— Não se mexa — disse a mulher, calorosa. — Deixe os médicos examinarem você de novo. Agora você é uma benfeitora da família Watson — deixe que os outros façam o trabalho.
Cora piscou, confusa. — Desculpe… senhora, quem é a senhora? E por que estou aqui?
A mulher riu baixinho. — Eu sou a presidente do Grupo Watson. A avó do Julian. E você é?
— Cora — ela gaguejou. — Meu nome é Cora. Presidente, eu… eu não quis causar problema nenhum. Por favor, não me demita. Eu volto ao trabalho agora mesmo. Eu prometo que nunca mais vou cometer outro erro!
A matriarca ergueu um dedo, silenciando-a. Cora se calou, de olhos arregalados.
— Descanse — disse Madam Yoon, a voz gentil, porém impositiva. — Enquanto eu estiver aqui, ninguém na empresa vai ousar te demitir.
O olhar dela suavizou, cintilando de satisfação quando acrescentou:
— Desde que você dê à luz o herdeiro Watson em segurança, será muito bem recompensada.
Ela se virou e saiu com passos firmes, deixando uma Cora atônita sentada na cama.
Dar à luz… uma criança?
Que criança?
