Capítulo 2
Ponto de vista de Vorian
—Volta pra cama, Vorian. Por favor!
A voz dela veio da cama, melosa de desejo. Grudenta, a coisinha, mas ela sabia o acordo. Sem amarras. Sem promessas. Só diversão. Era assim que eu gostava.
Servi mais um copo de uísque e encarei meu reflexo no espelho: olhos azul-gelo afiados como lâminas, cabelo castanho-escuro mais comprido na frente e aparado nas laterais, maxilar definido o bastante pra cortar vidro, a sombra de barba nas bochechas que, pelo visto, deixava as mulheres com as pernas bambas. Eu sempre consegui o que quis. Ainda consigo.
Meu celular tocou antes que eu respondesse a ela de novo. O som irritou. Ela não tinha usado meu título. Isso seria resolvido em breve. Mas primeiro, a ligação.
Atendi com um toque.
—Fala.
—Tenho uma coisa pra você. Hoje à noite.
—Hoje à noite? —repeti, erguendo uma sobrancelha.
—O Rogue tem tocado o terror. Gente. Propriedade. Eu tenho a localização dele. Quero isso resolvido agora. O pagamento vai refletir a urgência.
Girei o uísque no copo, impassível.
—Manda as informações. Vou precisar de uma hora e aí eu caço.
Clique.
Sem despedida. Só negócios. Silenciei o telefone e voltei para a mulher enroscada nos meus lençóis de seda vermelha. Pele pálida como creme contra o carmesim e as pernas longas e nuas sob as cobertas escuras. Ela se sentou quando me viu chegar, a seda escorregando dos seios como uma provocação lenta. Os mamilos endurecidos encontraram o ar. Meu pau já estava meio caminho andado só com a visão.
As unhas dela deslizaram pelo meu abdômen, prendendo na borda da cueca boxer. Três rodadas e eu ainda estava duro. Mas, já que ela convenientemente “esqueceu” como devia se dirigir a mim, podia mostrar o pedido de desculpas com a boca.
—O que foi que você me chamou? —minha voz saiu baixa. Controlada.
Os olhos dela se arregalaram. Um lampejo de medo.
—A-Alfa Vorian! Eu só pensei… que a gente se conhecia bem o bastante e que talvez um deslizezinho não—
Ela tentou salvar com um olhar insinuante. Quase funcionou. Quase.
Apontei para baixo.
—Conserta.
Ela não hesitou. Minha cueca saiu em segundos, e a boca dela me envolveu como se tivesse nascido pra isso. Língua girando, mandíbula trabalhando, uma mão bombeando o que não cabia, a outra massageando minhas bolas com cuidado. Eu não estava brincando quando disse que fui feito grande — e não só pros padrões de um lobisomem.
Ela engolia como uma profissional. E devia mesmo: é a esquentadora de cama designada da matilha, sempre dando um jeito de se aproximar do status de Luna. Mas eu deixei bem claro: eu não preciso de uma Luna. Só de um corpo quente. Alguém ansioso pra agradar.
Segurei a nuca dela e empurrei mais fundo. Mais forte. Os olhos dela lacrimejaram, mas ela não recuou. Só quando eu soltei um gemido e gozei na garganta dela. Amanhã ela ia sentir. Lábios machucados. Garganta ardendo. Um tipo de dor que só os dignos mereciam.
—Boa menina —murmurei. —Agora se veste. Eu tenho um trabalho pra fazer.
Virei as costas e entrei no chuveiro, ignorando quando ela reclamou, chorosa:
—Eu não posso ficar? Eu mantenho sua cama quente até você voltar!
Deixei a água quente queimar minha pele, levando embora o suor, o sexo e os rastros rosados da brutalidade da noite. Eu nem lembrava de ter tirado sangue, mas não me surpreendeu. Eu não faço com delicadeza.
Depois de me secar, me equipei com minhas roupas de matar: botas táticas pretas, calça de combate ajustada, camisa de manga comprida. Minha pele morena contrastava sob o tecido, mas eu sempre usava um boné preto e uma balaclava no serviço. Nem sempre eu precisava. Ninguém nunca vivia pra me descrever. Ainda assim, precaução fazia parte do jogo.
Me chamam de “O Assassino Presa-de-Sombra”.
A ironia? Minha matilha é a Matilha Presa-de-Sombra.
Só duas pessoas sabem a verdade: meu beta e meu gama. Amigos de uma vida. Parceiros de segredos. Eles ajudam a rastrear alvos, juntar sujeira e limpar a bagunça.
Fiz um vínculo mental com meu beta.
Arrumei um trabalho. Volto até de manhã.
Precisa de alguma coisa? —ele respondeu, com a voz sonolenta.
Não. Se eu me atrasar, cuida do treino.
Fechado. —Ele encerrou o vínculo.
Uma notificação apitou no meu celular. Caixa de entrada segura. Digitei meu código e passei os olhos pela mensagem:
Alvo: Tavian Callahan
Masculino, 24
Localização: 35 milhas a oeste de Jordan, Montana.
Cabana isolada perto do reservatório de Fort Peck.
Ocupantes: uma menor, 13. Refém. Resgate agendado para a manhã.
Crimes: incêndio criminoso, múltiplos homicídios, 9 mortos confirmados.
Pagamento: US$ 150 mil após a conclusão. Bônus de US$ 15 mil se a menor permanecer intocada.
Havia uma foto anexada. Um desgraçado imundo. Barba ensebada, dentes faltando, olhos de lama. Parecia que não tomava banho havia semanas. Eu quase conseguia sentir o fedor de podridão daqui.
Hora de caçar.
