Capítulo 5

Ponto de vista de Vorian

“Senhor Vorian, senhorita Delphine. Devo acompanhá-los até o seu escritório?”

“Não, obrigada, Calista. Como está a situação esta noite?”

“O governador está sentado na Seção Três. Alguns funcionários do governo estão na Seção Um. O prefeito está na Seção Cinco. O VIP e o convidado dele ainda não chegaram.”

“Convidado?” disparei, irritado. “Ninguém me disse que ele traria alguém.”

“Nem a mim. Ele ligou cerca de uma hora atrás para informar que viria acompanhado e solicitou um espaço completamente privado. Eu o transferi para a sala de conferências. Não se preocupe, está tudo organizado exatamente de acordo com os seus padrões”, disse Calista, com uma leve inclinação.

Soltei o ar, controlando minha reação. Interessante. Ainda assim, eu confiava que Calista daria conta disso com perfeição. “Certo. Peça a um garçom que leve o nosso prato especial ao meu escritório para a senhorita Delphine. Ela vai comer lá enquanto eu faço minha ronda. Mais alguma coisa que eu precise saber?”

“Não, senhor. Está tudo adiantado — preparo da comida, serviço de vinho, o básico. Até agora, todo mundo parece satisfeito. Mas talvez o senhor queira começar pelo prefeito. Ele acha que é a atração principal desta noite e insiste em ser cumprimentado imediatamente.” Calista imitou o tom afetado demais dele, fazendo aspas no ar com um sorrisinho.

Devolvi o sorriso com um aceno e segui para o meu escritório. O prédio, uma construção de tijolos de dois andares que eu mesmo havia reformado, já tinha sido lar de comida gordurosa e fritura — e pouco mais do que isso. Agora abrigava meu restaurante de alta gastronomia, um refúgio sofisticado que eu esperava que se tornasse o endereço preferido de autoridades de alto escalão e da elite influente.

“Aquela menina merece um aumento”, comentou Delphine, acomodando-se numa cadeira diante da minha mesa.

Meu escritório não era modesto. A parede inteira do fundo era de vidro fumê de mão dupla, permitindo que eu observasse o restaurante sem ser visto. Uma mesa em L dominava o centro do cômodo, enquanto um bar completamente abastecido se estendia pela parede oposta. Uma área de estar aconchegante tinha sido temporariamente afastada para dar lugar a uma mesa de jantar posta com beleza para dois — embora eu não tivesse a intenção de jantar ali. Eles não precisavam saber disso.

“Eu disse a ela que, se esta noite corresse bem, eu a promoveria a gerente. Ela é esperta. Mais importante: confiável. Agora se comporte. Tenho que fazer minha ronda”, falei, virando-me e saindo.

Comecei pela sala de conferências, confirmando que Calista tinha deixado tudo arrumado com perfeição. Satisfeito, fui para a cozinha. Verifiquei mais uma vez a apresentação da equipe, assinei alguns documentos de entrega e apaziguei uma pequena discussão na cozinha. Rotina.

Depois de cumprimentar o prefeito, eu estava no meio da conversa quando o olhar dele se desviou para trás de mim. Curioso, virei.

E a vi.

Alta. Impressionante. Aquele corpo. Aquele cabelo — ondas escuras e ricas, emoldurando um rosto tão deslumbrante que quase me roubou o fôlego. Ela carregava uma aura. Imperiosa, magnética. Meu pau se mexeu só de vê-la. E, mais fundo do que a luxúria, alguma coisa antiga dentro de mim reagiu — coração e instinto atraídos por ela como pela gravidade. Antes que eu me desse conta, eu já estava me movendo.

“Com licença, senhor”, disse secamente, e fui direto até ela.

Ela ficou na fila, esperando ser notada pela anfitriã, que ainda atendia alguns clientes à frente. Quando atravessei o salão, um estrondo ecoou da cozinha.

Vidro se quebrando.

As cabeças se viraram. A minha também.

Então vi um lampejo de cabelos ruivo-claros e a fúria subiu feito uma onda dentro de mim.

Quando voltei a olhar, a mulher misteriosa tinha sumido.

A equipe lidou bem com a confusão, acalmando o ambiente rapidamente. Eu invadi a cozinha.

Delphine estava berrando. Com Calista.

Vinho tinto encharcava a frente do vestido de grife de Delphine. Um prato estilhaçado jazia aos pés dela.

Agarrei as duas pelos braços e as arrastei para uma sala nos fundos.

— Explique — ordenei, lançando um olhar fulminante para Calista.

— Eu entreguei o prato especial no seu escritório, como o senhor mandou. A senhorita Delphine não estava lá, então deixei e fui procurá-la. Ela estava socializando com os convidados. Eu a acompanhei de volta, mas, quando chegamos, a comida já tinha esfriado. Ela entrou na cozinha pela porta de saída gritando por causa da comida fria. Cyrus estava passando com vinho e não conseguiu parar a tempo. O copo derramou.

— Eu não sou criança! Você não me guia pra lugar nenhum! — Delphine retrucou, erguendo a mão.

Peguei o pulso dela no ar e a prendi com um olhar mortal.

— Você socializou com o meu convidado? — rosnei. Minha presença de Alfa adensou o ar. Calista tremeu sob ela. Delphine empalideceu.

— Tinha gente que eu conhecia! Eu só...

— Eu não tô nem aí pro que você achou. Eu mandei você ficar no meu escritório.

— Mas o meu vestido...

— Você tem sorte de isso ter sido a única coisa que aconteceu! Você podia ter causado um acidente grave entrando com tudo por uma porta de serviço! Calista, mande trazerem meu carro pros fundos. Vou levar ela pra casa. Vou tentar voltar antes do VIP ir embora.

— O quê? Não! — Delphine gritou quando apertei o pulso dela e a conduzi pela saída dos fundos. Calista assentiu e, em silêncio, voltou às suas funções.

— NEM. MAIS. UMA. PALAVRA. — Meu comando de Alfa não deixou espaço para desobediência.

Delphine se encolheu no banco, lágrimas descendo em silêncio pelas bochechas enquanto acelerávamos em direção à propriedade da família dela.

— Se eu perder essa reunião — falei entre dentes —, acabou.

Pouco antes de chegarmos ao portão, meu telefone tocou.

— Ele chegou, senhor Vorian. Ele e o acompanhante já pediram. Ele mencionou que está com pressa; duvido que o senhor consiga voltar antes de eles irem embora. Eu mesma vou supervisionar tudo.

— Obrigado, Calista. — Encerrei a ligação.

— Vadia idiota — Delphine resmungou, quase inaudível.

Meus olhos brilharam em carmim.

Parei o carro, desci e arranquei ela do banco.

O pai dela apareceu na porta da frente, a confusão estampada no rosto.

— Ela arruinou a minha inauguração. Pra mim, acabou — eu disse a ele, e então me virei para ela. — Apaga meu número.

— Minhas desculpas, Alfa Vorian — disse o pai dela, solene. — Eu a eduquei melhor do que isso. Eu vou resolver.

Fiz um aceno duro e saí da propriedade. Mas, antes que eu pudesse ir longe, meu telefone tocou de novo. Era Calista.

— Está tudo bem? — atendi, com o coração já disparando.

A voz dela estalou no alto-falante, ofegante. — Não! Volta logo, h—

Depois, silêncio.

A chamada caiu.

Meu pulso disparou quando pisei fundo, correndo com o carro — e com o meu medo — para ver qual de nós chegava ao restaurante mais rápido.

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