Capítulo 2

Então eu lhes dei o rosto que queriam.

Deixei minha voz ficar suave e magoada. — Você acha que eu faria mal a ele? Eu adoro a criatura. Nunca deixaria que o menor mal a atingisse — eu só quero fazer o que é certo por ela.

O rosto de Theron relaxou.

Então eu disse: — E Lady Elowen o abençoou para mim do próprio leito de enfermidade. O mínimo que posso fazer é agradecê-la. Vou aos aposentos dela agora.

Ele segurou meu braço na mesma hora. — Elowen está muito doente. Não chegue perto dela. Você pode pegar a doença.

Da última vez, ele dissera as mesmas palavras. Não me deixou vê-la uma única vez enquanto ela respirava. Só a vi depois que eu estava morta — sua alma saindo à deriva daquele unicórnio, afundando de volta no próprio corpo frio. A coisa pálida e consumida se tornou brilhante e quente num piscar de olhos, uma garota de vinte anos de novo, radiante com a luz que roubara de mim. Ela sorrira para ele como se o mundo inteiro tivesse acabado de ser entregue em suas mãos.

Mantive o rosto sereno. — Você mesmo está disposto a se sentar ao lado do leito dela. Como eu, de todas as pessoas, poderia deixar de lhe prestar minhas homenagens?

Tirei a mão dele do meu braço e me virei para sair.

— Você não vai. A voz dele desabou dura pelo salão. — Vai ficar longe dos aposentos dela. E ponto final.

Um homem que eu havia erguido do nada, me dando ordens diante da corte inteira. Na vida passada, eu teria baixado os olhos e obedecido, porque eu o amava. Eu o amara o bastante para morrer por ele.

Baixei os olhos agora também. Deixei que pensasse que eu tinha cedido.

Ele saiu a passos rápidos e me deixou sozinha com Grub. Nós dois ficamos nos encarando.

As criadas começaram de imediato, em vozes baixas e apressadas.

— O capitão é tão gentil, e ergueu a voz por Lady Elowen. Deve se importar muito com ela.

— Ele só quer impedir que nossa senhora incomode a pobre moça. É só isso.

— Quieta. A senhora vai ouvir.

Escutei em silêncio. — Eu não sabia que meu próprio povo tinha línguas tão soltas — eu disse. — Se soubesse, teria mandado todas vocês embora e encontrado outras mais silenciosas.

Elas enrijeceram e se calaram. Ótimo. Um servo assustado é um servo honesto.

Foi aí que Grub viu sua chance. Deu um passo na minha direção, baixando a cabeça, manso e insinuante — a imagem perfeita de uma coisinha doce que só queria ser amada.

No instante em que o focinho roçou minha manga, a tração gelada começou sob minha pele, e eu me afastei com um puxão.

— Mantenham isso longe. Levei a mão à têmpora, como se o chão tivesse inclinado. — A magia dele embaralha a minha. Posso sentir minha própria luz vacilando tão perto dele. Levem-no para um estábulo afastado. Agora.

As criadas, ainda sob o efeito da minha reprimenda, correram para obedecer.

Grub ficou rígido. Então algo feio lampejou em seu olhar, e ele perdeu a coragem. Veio para cima de mim rápido — muito mais rápido do que eu podia me mover — atirando-se contra mim, desesperado para encostar a pele dele na minha.

Eu não consegui impedi-lo. Suor frio escorreu pelas minhas costas. Girei para o lado, mas ele agarrou meu braço mesmo assim e jogou todo o peso sobre mim, olhando para cima com dois olhos triunfantes.

Na vida passada, eu aprendera a verdade tarde demais. Um toque era tudo de que ele precisava. Uma noite com aquela criatura enroscada em mim, e meu cabelo amanhecera grisalho.

As criadas voltaram trazendo um cabresto e um pedaço de corda.

Franzi a testa, estalei a língua e soltei, como se fosse uma ideia de última hora: — Olhem o estado do pelo dele. Imundo, embolado. Alguém devia dar uma boa esfregada nele.

Um jovem tratador se animou, ansioso para agradar. — Para um pelo nesse estado, minha senhora, o ideal é uma escova dura de cerdas de javali e barrilha barata. Esfregue com força — até chegar bem na pele. Aí ele fica limpo.

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