Capítulo 4

Pela manhã, toda a corte tinha comparecido ao cortejo.

Eles se alinharam na estrada branca, com suas melhores roupas, e, à frente de tudo, eu subi no lombo de Grub diante de todos e cada um deles. Eu já tinha montado naquela coisa rumo à minha morte uma vez. Desta vez, minhas mãos não tremiam — eu me certifiquei disso.

Theron observava do seu cavalo, bem perto, os olhos sem nunca me largar.

Senti o puxão no instante em que me acomodei na sela — Grub alcançando a minha luz, ganancioso como sempre.

Desta vez, porém, a minha luz voltou para mim, deslizando de volta para casa, morna sob a minha pele, onde estivera fria por um ano.

Então eu lhes dei o espetáculo. Inclinei-me na sela, apaguei meu brilho até não restar nada e percorri a estrada branca parecendo uma mulher que definhava aos poucos. Grub me carregou por toda a extensão dela, altivo e orgulhoso.

A multidão suspirou por mim — a grande Lady Eldraine, murchando sob o peso do próprio dom. Theron pareceu o mais satisfeito de todos.

— Está vendo agora — murmurou ele, cavalgando até ficar ao meu lado. — Isso azeda sua magia porque ela te ama. Você não deve escondê-la.

— Você tem razão. — Deixei os ombros cederem. — Não vou me separar dela de novo. Vou montá-la todos os dias, se for isso que é melhor.

Era tudo de que ele precisava. Ao meio-dia, já tinha ido embora — chamado para fora da capital por alguma reunião antiga sua, do tipo que mantém um homem longe por uma semana ou mais.

Uma semana. Sete dias limpos para acertar o que era devido.

Wren veio a mim no instante em que os portões se fecharam atrás dele.

— Os carroceiros estão prontos, minha lady. O que fazemos com ela?

Fui até o vidro e deixei o glamour cair. Meu próprio rosto me encarou de volta — vivo e inteiro, minha luz ardendo como ardia antes que qualquer um deles sequer a tocasse.

Atrás de mim, Grub lutava contra a corda, batendo os cascos e empacando, como se algo tivesse dado errado e ele não conseguisse dar nome.

Fui até ele e acariciei seu pescoço trêmulo, suave como se fosse a coisa mais natural do mundo.

— Arranjei para você um trabalho honesto — murmurei. — Sete dias dele. Não está animado?

Sete dias depois, a carruagem de Theron parou nos portões.

A casa inteira estava coberta de branco. Ele desceu franzindo a testa e agarrou o braço do criado mais próximo.

— O que é isto?

Eu me ajoelhei ao pé do esquife, curvada, grisalha e antiga, chorando na minha manga.

— Você mal ficou fora um dia — soluçei — quando a pobre Elowen piorou de repente. Ela definhou na cama antes que alguém pudesse alcançá-la. O corpo dela se foi tão depressa que não conseguimos preservá-lo — mandei queimá-la. Eu lhe dei todas as honras, eu juro. Ela já está na terra.

A cor sumiu do rosto dele.

— E o unicórnio...?

Wren o conduziu para dentro.

Ele veio tropeçando pelas pedras com as pernas finas como corda, o pelo empastado de sujeira preta, as feridas da canga ao longo das costas esfoladas em carne viva. Seja qual fosse o brilho que um dia tivera, estava se apagando como uma vela sufocada, e o que aparecia por baixo era cinzento, mirrado, hediondo.

Enxuguei os olhos e deixei o luto escorregar só um pouco.

— A pobre criatura imundou meus salões, então eu a mandei para onde bestas imundas pertencem. Há sete dias ela puxa as carroças de esterco pela cidade baixa — a cidade inteira a viu passar. — Sorri para ele. — E veja. Toda aquela luz emprestada finalmente está apodrecendo fora dela.

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