Capítulo 5 A segunda reunião

Três dias depois da visita ao escritório de Sean, os trigêmeos colocaram o plano em ação.

Eles já tinham entrado escondidos no escritório dele uma vez. Podiam fazer isso de novo.

Mas, dessa vez, Molly quase os pegou.

— Aonde vocês três estão indo? — ela perguntou quando eles tentaram sair sorrateiramente do apartamento enquanto ela se arrumava para o trabalho.

— Ao parque — Alex mentiu depressa. — Com as outras crianças da escola.

— O parque fica na direção oposta — disse Molly. Ela olhava para os três com desconfiança.

— Nós mudamos de ideia — disse Ben. — Queremos ir ao outro parque. O maior.

Molly olhou para cada um deles com atenção. Tinha criado aquelas três crianças sozinha. Conseguia ler seus rostos como um livro.

— Vocês estão escondendo alguma coisa — disse ela.

— Não, não estamos — disse Claudia, e seu lábio inferior começou a tremer. Ela era a pior mentirosa dos três.

Molly suspirou. Estava cansada demais para insistir. Tinha trabalhado quatorze horas no dia anterior e teria que trabalhar mais dez naquele dia.

— Está bem — disse ela por fim. — Mas vocês vão ficar juntos. E estarão de volta aqui às quatro horas. Nem um minuto depois. Entenderam?

— Sim, mamãe — responderam os três ao mesmo tempo.

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Entrar no Edifício Anderson pela segunda vez foi mais fácil.

O segurança na entrada era outro. Ele não sabia das crianças pequenas que tinham causado uma cena três dias antes. Eles passaram direto por ele.

O elevador subiu até o último andar.

Quando as portas se abriram, Margaret, a assistente, levantou os olhos. Ela os reconheceu imediatamente.

— Vocês não podem estar aqui — disse ela, levantando-se. — Vou chamar a segurança.

— Espere — disse Alex. — Nós só queremos falar com ele. Por favor. Somos filhos dele.

A expressão de Margaret suavizou um pouco.

— Eu sei quem vocês são — disse ela em voz baixa. — O Sr. Anderson tem estado... diferente desde que vocês saíram daqui da última vez. Ele tem estado triste. Trabalho para ele há oito anos, e nunca o vi triste.

Ela olhou em volta para se certificar de que ninguém estava observando.

— Vão. Entrem. Mas sejam rápidos.

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Sean estava à mesa, olhando alguma coisa no computador. Quando as crianças entraram, ele não levantou os olhos.

— Não estou surpreso em ver vocês — disse ele. — Eu sabia que voltariam. Crianças inteligentes sempre voltam quando estão procurando respostas.

— Queremos que você conheça a mamãe — disse Alex. — Ela é nossa mãe. E você deveria conhecê-la. Vocês nos fizeram juntos.

— Eu não me lembro dela — disse Sean, ainda sem olhar para eles. Mas sua voz não estava zangada dessa vez. Estava triste.

— Ela também não se lembrava de você — disse Ben. — Nunca nos contou nada sobre você. Encontramos seu nome nos papéis dela por acidente.

Sean finalmente olhou para eles.

— A mãe de vocês nunca tentou entrar em contato comigo? Nunca me pediu nada?

— Não — disse Claudia. — Ela nunca sequer disse seu nome. Ela só trabalhava, trabalhava e trabalhava para cuidar da gente.

Algo no rosto de Sean mudou. Foi como se uma parede estivesse rachando. Como se tudo o que ele vinha guardando dentro de si estivesse forçando passagem para sair.

— Preciso contar uma coisa a vocês — disse Sean. — Preciso contar o que aconteceu com a mãe de vocês.

As crianças se sentaram, embora ninguém tivesse pedido que se sentassem.

— Sua mãe e eu nos conhecemos há seis anos — Sean começou lentamente. — Eu era muito solitário. Trabalhava demais. Eu não era uma boa pessoa. Era frio, cruel, e não me importava com ninguém. E então eu a conheci.

Ele fez uma pausa e olhou pela janela para a cidade lá embaixo.

— Ela era gentil. Era verdadeira. Era a única pessoa honesta que eu já tinha conhecido. E, por uma hora, senti que eu era realmente humano. Como se eu tivesse algum valor.

— E depois o que aconteceu? — perguntou Alex.

— Então eu fiz uma escolha — disse Sean. — Eu estava com medo. Estava com medo do que sentia. Estava com medo de que alguém tão boa descobrisse que eu era ruim. Então decidi esquecê-la. Convenci a mim mesmo de que aquilo nunca tinha acontecido. Afastei-a tanto para dentro da minha mente que ela se tornou como um fantasma.

Ele olhou para as crianças.

— E eu nunca soube que ela estava grávida de vocês. Nunca soube que minhas escolhas tiveram consequências que afetaram três crianças lindas. Se eu soubesse, eu teria... não sei. Gosto de pensar que teria feito a coisa certa. Mas nunca vou saber, porque fui um covarde.

As lágrimas escorriam por seu rosto agora.

— Eu mereço não conhecer vocês — disse ele. — Mereço não conhecer a mãe de vocês. Mas eu quero. Se vocês permitirem, quero conhecer todos vocês. Quero ser o pai de vocês. Quero conhecer Molly de novo.

— A mamãe vai ficar brava — disse Claudia. — Vai ficar brava porque viemos aqui sem contar a ela.

— Sim — disse Sean. — Ela vai. E tem razão em ficar. Sua mãe tem todo o direito de estar brava comigo.

Alex ficou em silêncio por um longo momento. Então disse:

— Você precisa ir ao nosso apartamento. Precisa dizer à mamãe que se lembra dela. Precisa dizer que quer ser nosso pai.

— Ela não vai querer me ver — disse Sean.

— Talvez não — disse Alex. — Mas você tem que tentar. É isso que os pais fazem. Eles tentam.

Sean assentiu lentamente.

— Está bem. Eu vou. Quando?

— Hoje à noite — disse Ben. — Depois que a mamãe chegar do trabalho. Por volta das sete horas.

Sean anotou o endereço que as crianças lhe deram.

E, quando elas já estavam saindo, ele disse algo que as fez parar.

— Digam à sua mãe... digam a ela que sinto muito. Digam que me arrependo há seis anos, mas eu não sabia disso. Digam que nunca a esqueci. Só fingi esquecê-la porque estava com medo.

As crianças saíram do escritório dele.

E Sean voltou a ficar sozinho, segurando o endereço da mulher que ele amara e esquecera.

Ele tinha seis horas para descobrir o que dizer.

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Naquela noite, Molly chegou em casa às seis e meia.

Estava exausta. Suas costas doíam. Seus pés doíam. Ela só queria se sentar e não se mexer por um bom tempo.

Mas percebeu imediatamente que havia algo errado.

Os trigêmeos estavam vestidos com roupas bonitas. Seus cabelos estavam penteados. Estavam sentados bem quietos no sofá, e pareciam nervosos.

— O que está acontecendo? — perguntou Molly.

— Mamãe, precisamos te contar uma coisa — disse Alex.

E, antes que ela pudesse impedi-los, as crianças contaram tudo.

Contaram sobre terem encontrado o nome nos papéis do hospital. Contaram sobre terem ido ao escritório. Contaram sobre Sean Anderson. Contaram que ele era o pai deles.

O rosto de Molly ficou pálido como papel.

— Vocês fizeram o quê? — sussurrou ela.

— Nós encontramos nosso pai, mamãe — disse Claudia. — E ele está vindo aqui hoje à noite. Ele quer te conhecer.

Bateram à porta.

As crianças se entreolharam. Eram exatamente sete horas.

Molly se levantou, e suas mãos tremiam tanto que ela mal conseguiu abrir a porta.

E, quando abriu, viu-o.

O homem do seu sonho. O homem da névoa. O homem cuja cicatriz ela sentira sob a ponta dos dedos anos atrás.

Sean Anderson estava parado na porta de seu pequeno apartamento, parecendo não pertencer a lugar nenhum onde estivesse.

Mas os olhos dele... os olhos dele olhavam para ela como se ela fosse a coisa mais importante do mundo.

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