Tarde Demais Para Implorar: A Ex-Esposa Gênia

Tarde Demais Para Implorar: A Ex-Esposa Gênia

Kiera Storm · Concluído · 339.3k Palavras

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Introdução

No dia em que meu filho chamou outra mulher de “mamãe”, eu assinei os papéis do divórcio e fui embora.

Cinco anos depois, já como uma das cientistas mais renomadas, meu ex-marido me encurralou numa gala. Eu tentei afastá-lo, mas ele apertou ainda mais minha cintura, e o bafo quente dele roçando na minha orelha fez um arrepio subir pela minha espinha.

— Para de fingir — ele rosnou. — Seu corpo ainda se lembra de mim.

Eu soltei uma risada de deboche.

— Ex-marido, tenha um pouco de dignidade.

Na mesma hora, meu celular tocou, com os soluços desesperados do meu filho do outro lado.

— Mamãe! A mulher má me machucou... Por favor, vem me salvar! O papai disse que você não quer mais a gente...

Capítulo 1

Na festa de aniversário do filho, ele estava chamando outra mulher de “mãe”.

Às seis da tarde, Evelyn Thomas finalmente recebeu uma mensagem do marido dizendo que a festa de aniversário tinha sido adiantada para as cinco.

Ela saiu do laboratório na mesma hora e correu pela chuva pesada para buscar o bolo.

Quando empurrou as portas do salão de festas, o cabelo comprido estava encharcado, deixando-a com um ar bem desalinhado.

Para a surpresa dela, o salão estava em plena agitação. Os convidados já estavam comendo. Na mesa principal, entre o marido e o filho, havia outra mulher sentada, segurando a mão do menino e rindo enquanto se encostava no marido de Evelyn.

Evelyn parou onde estava. O sorriso no rosto dela foi se apagando aos poucos, até desaparecer por completo, restando só frieza.

Ela tinha se convencido a aguentar aquilo por cinco anos, mas, naquele instante, todas as esperanças se dissolveram no ar, deixando apenas desespero.

Sem fazer alarde, ela largou o bolo que estava segurando em cima de uma mesa próxima, pegou alguns guardanapos e foi secando o cabelo devagar.

Evelyn usava um vestido preto discreto, com decote quadrado — elegante e moderno. O cabelo preso de qualquer jeito deixava à mostra o pescoço longo, de cisne. Mesmo sem maquiagem, ela se destacava mais do que todos os convidados.

Alguns minutos depois, alguém a reconheceu.

“Não é a senhora Miller?”

“Aquela sem vergonha que quer a todo custo entrar pra família Miller? A que forçou um casamento com uma gravidez? Acho que o senhor Miller disse que ela não tem nível pra ser esposa dele.”

Toda vez que Evelyn aparecia em público com Luke Miller, ouvia comentários assim.

Antes, esses sussurros machucavam. Agora, ela já estava anestesiada.

Ela sorriu para os dois convidados, que desviaram o olhar, constrangidos. Então Evelyn pegou o bolo de novo e caminhou, passo a passo, até o filho, Andy Miller.

“Meu amor, feliz aniversário.”

A dor lancinante daquele parto difícil ainda estava viva na memória. Evelyn se agachou diante de Andy e sorriu para ele. “Eu trouxe um presente pra você.”

Inesperadamente, o menino que estava tão animado instantes antes agora mostrou no rosto redondo um nojo que não combinava com a idade.

Ele encarou Evelyn e jogou as batatas fritas que estava comendo bem nela. “Quem mandou você vir? Eu não te convidei!”

“Andy.” A voz grave de Luke veio em seguida, com um toque de irritação.

Mas ele estava repreendendo Andy por outra coisa. “Não fique jogando comida. Tenha educação.”

Luke não achou que Andy tivesse feito algo errado ao desrespeitar Evelyn.

Ela tinha ensinado com paciência, usando os métodos mais “científicos” de criação — como ainda assim tinha criado um filho desse? Evelyn se levantou. “Andy, eu sou a sua mãe!”

“Evelyn, criança fala sem pensar. Não leva pro lado pessoal.” A mulher sentada entre Andy e Luke se levantou.

Ela usava um vestido vermelho tomara-que-caia, e o cabelo castanho, caindo suave perto das orelhas, deixava um ar bem delicado.

Era Maggie Smith, a assistente sênior de Luke na empresa.

“Eu só estava brincando com o Andy antes, falando pra ele te provocar um pouquinho. Não leva a sério.”

Evelyn viu o desafio no olhar dela.

“Então meu filho não tem educação e desrespeita a própria mãe porque você mandou.” Ela riu. “Bem à altura de uma funcionária do Grupo Miller.”

“Evelyn.” Luke se levantou.

Ele estava, de maneira incomum, com um terno prateado que chamava atenção sob as luzes. Os ombros retos passavam imponência, e os lábios pálidos e os olhos fundos traziam a mesma sensação de distância.

Quando Evelyn entrou, ela tinha visto um vestígio de sorriso gentil no rosto dele, mas agora, diante dela, ele tinha voltado à frieza de sempre.

“Eu sei que você está chateada.” Ele falou. “Fui eu que mudei o horário da festa e esqueci de te avisar — a culpa é minha. Não desconte nos outros.”

Maggie era a assistente dele e também sua amiga de infância, que tinha crescido ao lado dele.

Ela sempre dava um jeito de controlar a agenda dele, como se mandasse na vida dos dois.

Na noite do casamento, foi Maggie quem marcou uma conferência internacional para Luke, deixando Evelyn sozinha na suíte nupcial. Luke não viu nada de errado nisso.

Se a mudança de horário da festa de aniversário não tivesse sido coisa da Maggie, aquilo seria impossível.

Mas Evelyn já não se importava mais.

— Tudo bem. — Ela ergueu o queixo na direção de Luke. — Só acho meio triste.

Luke franziu levemente a testa. Não entendeu o que ela queria dizer, mas também não perguntou.

— Eu não quero esse bolo feio! — De repente, Andy viu a caixa de bolo na mesa ao lado de Evelyn e deu um tapa nela, jogando-a no chão.

A fita arrebentou, e o bolo virou uma meleca.

— Eu quero o bolo que a Maggie comprou pra mim! — Andy levantou o rosto, cheio de expectativa.

— Aquele bolo é sem glúten. — Evelyn olhou para o chão sem o menor arrependimento e disse, fria: — Se você comer outro bolo, vai ter alergia.

— Tudo bem, o bolo que eu comprei pro Andy é todo orgânico. Ele com certeza não vai ter alergia. — Maggie sorriu para Evelyn, falando com a maior delicadeza.

— Você pelo menos me comprou um presente? Você não prometeu que ia me dar aquele carrinho de corrida de edição limitada? — Andy empurrou Evelyn com força de novo. — Se não tem presente, vai embora! Você não serve pra nada, nem chega aos pés da Maggie!

Evelyn cambaleou com o empurrão. Deu um passo para trás, criando distância daquela “família de três”.

Ele estava sendo grosseiro com ela, então ela não ia dar presente nenhum. As palavras de Andy a feriram profundamente.

Se não fosse por tanta gente olhando, ela provavelmente teria colocado o menino de castigo ali mesmo.

No instante seguinte, ela ouviu Luke dizer:

— É aniversário do Andy, e você vai ficar guardando rancor dele por isso? Não descarregue suas frustrações na criança.

A voz dele estava calma, como se a errada fosse Evelyn.

Luke deu um passo à frente e baixou a voz.

— A família da Maggie passou por uma situação difícil. Ela realmente precisa de ocasiões assim pra sentir o calor de uma família, então eu deixei ela passar mais tempo com o Andy. Não fica chateada com isso.

— Então você sabia que isso ia me chatear, mas trouxe ela mesmo assim.

O sorriso de Evelyn veio carregado de ironia.

— Luke, e se eu disser que, se você não fizer a Maggie ir embora, a gente vai se divorciar? O que você escolhe?

Ao fazer a pergunta, os olhos dela ficaram presos no rosto de Luke, sem perder nenhuma mudança, por menor que fosse, na expressão dele.

O choque apareceu por um instante e sumiu, e os traços duros dele ganharam um toque de impaciência.

— Evelyn, para com isso. Se você tem reclamações, a gente conversa em casa.

— Eu não tô brincando, Luke. Eu realmente acho triste. — Evelyn olhou para ele com sinceridade, concluindo o que tinha começado a dizer antes.

— Como seu marido, eu sentia orgulho de te levar comigo pros lugares. Mas, infelizmente, no fim das contas a gente não consegue fazer esse relacionamento dar certo.

Ela queria dizer que ele arranjasse um tempo para conversarem sobre o divórcio, mas Maggie se aproximou para apaziguar as coisas, com aquela voz doce que dava enjoo em Evelyn. Evelyn se virou e saiu na hora.

Antes de ir embora, ela disse a Andy:

— De agora em diante, a Maggie vai ser sua mãe.

Dentro da bolsa dela estava o carrinho de corrida de edição limitada para Andy. Evelyn saiu do salão de festas passo a passo, com o caminhar leve, mas com algo líquido escorrendo no peito — ela não sabia se eram lágrimas ou sangue.

Deixar os dois parecia arrancar um pedaço de carne do coração dela.

Mas ficar com eles faria ela definhar no ciclo diário de dar e ser ignorada.

Já que era assim, o melhor era que se soltassem um do outro.

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