Capítulo 3

POV da Diana

Eu tapei a boca dela num reflexo, com o coração disparado.

Celeste vinha andando na nossa direção.

— Diana! Que coincidência te encontrar por aqui.

Eu abracei Vera com força e sussurrei no ouvido dela:

— Lembra do que a gente combinou?

Vera assentiu, murmurando baixinho para si mesma:

— Tá... eu não posso chamar ele de papai...

Leonard também nos notou, com uma expressão meio estranha.

— Você também está aqui.

— Sim, a Vera adora balé. — Eu me esforcei para manter a calma.

Celeste se agachou para ficar na altura de Vera.

— Oi, linda. O que você ia falar?

Meu coração veio parar na garganta.

Vera olhou para mim, depois para Leonard, e então disse:

— Eu ia dizer... que a apresentação foi muito incrível!

Celeste sorriu.

— Foi mesmo espetacular. Você também faz balé?

— Um pouquinho.

— Então você deve ser muito talentosa. — Celeste se levantou, olhando para Leonard, pensativa. — Leo, essa menina não te lembra você quando era pequeno?

Meu sangue quase congelou.

Leonard ficou tenso.

— Eu... eu acho que não.

— Mas lembra sim. — Celeste continuou observando Vera. — Principalmente os olhos. Ela tem exatamente os mesmos olhos que você.

Leonard disse, nervoso:

— Muita criança tem olhos parecidos.

Celeste olhou para ele, confusa, e depois se virou para mim.

— Você trouxe ela sozinha para ver o espetáculo? Cadê o pai dela?

— A gente é divorciado. — eu respondi, com calma.

Quando Leonard ouviu isso, o rosto dele escureceu na hora.

Celeste levou a mão à boca.

— Meu Deus! Me desculpa, eu não devia ter tocado nesse assunto.

— Tudo bem. Isso já ficou no passado.

Um silêncio constrangedor caiu sobre nós.

— Diana, já que a gente se encontrou, por que a gente não janta todo mundo junto? — Celeste passou o braço no de Leonard. — Leo, vamos pagar o jantar pra elas, tá?

Leonard estava claramente contrariado, mas, com a insistência de Celeste, não teve como recusar.

Ele me olhou e disse, a contragosto:

— Só uma refeição, sem formalidade...

Eu ia recusar quando Vera falou.

— Obrigada, doutor Kane.

O jeito como ela se dirigiu a ele deixou Leonard atônito.

— O que foi que você me chamou... — Ele começou a dizer, mas parou no meio da frase.

Vera ergueu o rosto, com os olhos bem abertos.

— Doutor Kane. O senhor É o doutor Kane, não é?

O rosto de Leonard empalideceu.


O clima no restaurante estava sufocante de tão tenso.

Leonard sentou de frente para mim, lançando olhares de vez em quando para mim e para Vera. Celeste conversava animada com Vera, completamente alheia a qualquer coisa estranha.

— Docinho, qual é a sua cor preferida?

— Rosa. — Vera respondeu baixinho, mas era evidente que a cabeça dela estava longe daquela conversa.

Eu me levantei para ir ao banheiro. Assim que saí, Leonard veio atrás.

— Diana, a gente precisa conversar.

Ele segurou meu braço. Eu me soltei na mesma hora.

— Não encosta em mim.

— Eu preciso explicar—

— Explicar o quê? — Eu encarei ele, fria. — Explicar por que você é tão frio com a sua própria filha?

O rosto de Leonard escureceu.

— Você sabe que a situação é complicada. Eu não posso deixar a Celeste desconfiar de nada.

— Então a Vera tem que aguentar isso tudo?

— Eu vou arrumar um tempo pra conversar direito com ela.

Eu soltei uma risada amarga.

— Leonard, o seu tempo sempre fica reservado pra Celeste.

Leonard ainda quis dizer mais alguma coisa, mas eu já tinha virado as costas e voltado para o restaurante. Ele só pôde ir atrás.

Quando eu cheguei à nossa mesa, eu vi uma coisa que fez meu coração parar.

Vera estava encolhida na cadeira, com o rosto vermelho, tossindo desesperadamente.

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