Capítulo 2
POV da Evangeline
Eu me desvencilhei à força das mãos dos empregados e cambaleei na direção do Gabriel.
Agarrei a manga do paletó dele, chorando sem conseguir parar. “Gabriel, me ajuda!”
Ele claramente se assustou ao ver meu rosto manchado de lágrimas; franziu a testa enquanto me olhava de cima a baixo.
“Evangeline, o que aconteceu? Você disse que tinha uma boa notícia pra me contar. O que está acontecendo?”
Fui eu que chamei o Gabriel pra voltar pra casa.
Nas duas primeiras vezes em que engravidei, meus sogros me obrigaram a abortar, então desta vez eu tinha sido cuidadosa — avisei ele com antecedência.
Eu sabia que o Gabriel se importava comigo. Dentro desta casa, tirando meu marido, que estava longe, na Cidade de Valen, ele era o único que realmente me tratava bem.
Com alguém em quem eu podia me apoiar, eu soltei a acusação entre soluços: “Gabriel, a mãe e o pai estão me obrigando a abortar o bebê...”
Ao ouvir aquilo, a raiva atravessou o rosto dele.
Ele olhou para meus sogros, com um tom hostil. “Pai, mãe, como vocês podem tratar uma mulher grávida assim? A Evangeline está carregando o sangue da família Sinclair!”
Depois ele se virou pra mim, com um olhar quente e firme. “Não tenha medo. Eu estou aqui. Ninguém vai encostar em você nem no bebê.”
Aquelas palavras me trouxeram um alívio enorme.
Mas Marcus apenas soltou um riso de deboche, frio, fazendo sinal para Clarissa entregar o celular ao Gabriel.
“Olha isso primeiro.”
Na tela, Ophelia estava ajoelhada na capela, com uma expressão triste, as mãos unidas em oração.
Gabriel ficou encarando a tela, e o rosto dele foi escurecendo aos poucos.
Clarissa falou baixo, ao lado. “Mesmo grávida, essa criança não pode ficar.”
No instante em que aquelas palavras foram ditas, os olhos de Gabriel mudaram.
Ele guardou a raiva e o calor de antes; a voz saiu baixa e distante. “Evangeline, aborte o bebê.”
Eu senti como se um raio tivesse me atingido, fiquei paralisada. Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo. “Gabriel... o que você disse?”
Clarissa aproveitou a chance e agarrou meu braço, num tom que não aceitava discussão. “Para de enrolar. Vem com a gente pro hospital.”
Eu me soltei dela com violência e tirei do bolso o laudo do pré-natal, tremendo enquanto estendia o papel na frente do Gabriel.
“Gabriel, olha direito. O bebê está completamente normal! Amniocentese, exame de DNA — tá tudo feito. Ele está perfeitamente saudável!”
Eu encarei ele, com os olhos vermelhos. “O bebê não vai competir com você pela herança, eu prometo! Por favor, me ajuda...”
Mas Gabriel apenas desviou o olhar, com a voz fria e dura. “Eu disse que essa criança não pode ficar.”
Naquele momento, uma fúria selvagem acendeu dentro do meu peito.
Eu me virei e saí correndo para os fundos da mansão.
“Se aquela capela é a fonte dessa maldição, então eu vou botar fogo nela!”
Todo mundo se chocou, correndo para me impedir.
Eu lutei com todas as forças, mas os empregados me seguraram, me imobilizando.
No segundo seguinte, um tapa ardido acertou meu rosto. Ele tinha mesmo me batido.
“Para com essa histeria.” Gabriel olhou pra mim de cima, com os olhos frios. “Se comporta e vai pro hospital. Tira essa criança.”
Eu encarei ele sem reação, com o coração virando cinza.
Os dois primeiros abortos forçados — eu nunca tinha contado ao Gabriel.
Eu tinha medo de que, se ele soubesse, colocasse a culpa na Ophelia, e isso abrisse uma rachadura entre os dois.
Então eu aguentei aquela dor sozinha, sem dizer nada pra ninguém.
Desta vez, sem ter pra onde correr, eu finalmente tinha pedido ajuda a ele.
Eu achei que ele ia me defender. Eu achei que ele ia me proteger — a mim e ao meu bebê.
Mas ele não só não me ajudou... como se juntou a eles.
Eu acariciei a barriga, com lágrimas descendo pelo meu rosto.
Pelo canto do olho, eu vi a porta aberta e disparei.
Mas meus sogros estavam preparados e bloquearam a passagem rapidamente.
Ao me ver resistir de novo e tentar fugir, Marcus perdeu toda a paciência.
“Alguém!” ele ordenou, num tom cortante. “Amarrem ela!”
Dois empregados correram e me prenderam com cordas. Eu gritei desesperada, e enfiaram um pano na minha boca, me calando.
“Levem ela pro hospital”, Marcus ordenou, frio.
Eu fui arrastada em direção à porta, com as lágrimas embaçando toda a minha visão.
A dor excruciante de ter meus dois primeiros filhos arrancados do meu corpo ainda estava viva na minha memória. Aquela agonia que rasga por dentro — eu nunca ia esquecer pelo resto da vida.
Meu terceiro filho estava condenado ao mesmo destino?
Quando eu já caía no desespero absoluto, um carro preto veio em alta velocidade e freou cantando pneu na entrada da mansão.
A porta do carro se abriu, e uma figura conhecida avançou depressa.
Cabelo castanho-escuro, olhos cinza-azulados cheios de ansiedade.
Era Damien. Meu marido tinha voltado pra casa. Finalmente, eu estava salva.
