Capítulo 3
~TORIN~
Tinha sido preciso cada gota de autocontrole que eu tinha pra não tacar fogo naquele clube de merda depois que tirei a Marlowe de lá.
Cada gota do caralho.
Eu sabia o que ela fazia. Porra, eu vinha evitando aquele corredor fazia semanas por causa disso. Fiquei me dizendo que não era problema meu. Que ela já era adulta. Que querer ela não me dava o direito de me meter.
Mentira. Cada uma delas.
Naquela noite, quando voltei da estrada, empoeirado, aceso e meio morto de tanto barulho, eu devia ter ido direto pro meu quarto. Devia ter fechado a porta. Devia ter deixado tudo como estava.
Em vez disso, entrei naquela sala e pedi por ela.
Só uma vez. Foi o que eu disse pra mim mesmo.
Um show. Tirar isso do meu sistema. Provar pra mim que eu conseguia sentar ali e aguentar como homem.
Deus, como eu fui idiota.
Na hora que ela parou na minha frente, toda perna comprida e fogo nos olhos, eu soube que tinha calculado tudo errado. Ela não era mais uma menina. Não era mais minha sombra. Não era mais a garota que me fuzilava com o olhar quando eu mandava ela entrar pra casa.
Ela era uma mulher, e se mexia como quem sabia exatamente o que estava fazendo.
O tesão bateu rápido e forte. Eu queria ela fazia anos. Tinha enterrado isso. Negado. Escondido atrás de irmandade, lealdade e um monte de desculpa furada sobre idade e momento.
Mas ver ela se mexendo pra mim? Aquilo arrancou todas as máscaras.
Fiquei duro tão rápido que doeu. Inchei a ponto de achar que o zíper ia estourar. Minhas mãos fecharam em punho, porque se eu encostasse nela, eu não ia parar. E aí era o limite. Eu não ia ser mais um homem tirando alguma coisa dela.
Não daquele jeito.
Eu tinha ficado a segundos de puxar ela pro meu colo e foder a vida dos dois quando senti que tinha alguma coisa errada.
Movimento demais. Destravada demais. As pupilas dela estavam mais dilatadas do que a luz do quarto justificava. Os movimentos… inconsequentes. Não era só confiança. Não era só ousadia. Era imprudência.
Em sã consciência, ela nunca teria implorado pra mim, e ela implorou. Com o corpo, com as palavras.
“Me toca.” Do jeito que ela disse. Não foi provocando, não foi brincando… foi desesperada. Foi aí que caiu a ficha.
A raiva veio quente e cegante.
Não dela. Dele. Do Stye. Aquele pedaço de lixo tinha drogado a própria filha pra ela dançar mais. Pra puxar lances mais altos. Pra homem pagar mais por uma fantasia que nem tinha sido colocada à venda ainda.
Eu sabia do que ele era capaz. Cresci dentro daquela podridão. Vi como a ganância esvazia um homem por dentro. Mas aquilo? Aquilo era um nível novo de baixo.
Ele ainda não tinha prostituído ela. Eu sabia disso porque o Dillon fez questão de me manter informado. Stye estava guardando. Construindo valor. Esperando o comprador certo.
Filha do prez. Virgem. Intocada.
O preço no leilão ia ser obsceno.
Só de pensar, alguma coisa em mim se partiu, e antes mesmo de eu entender direito o que estava fazendo, empurrei ela pra trás de mim e escancarei a porta.
Darius tentou me barrar.
Escolha errada.
“Sai da porra do meu caminho”, eu rosnei.
“Stye não vai gostar—”
“Foda-se o Stye”, eu sibilei. E eu estava falando sério.
Eu puxei ela pros meus braços, porque se não fizesse isso, eu podia muito bem ter voltado lá e matado o pai dela na mesma hora.
Ela pareceu leve demais. Quente demais. Confiando demais. Isso me destruiu.
Ela nem entendia o que estava acontecendo ainda.
Quando cheguei com ela no meu quarto, minha cabeça já estava quilômetros à frente.
Ela ia despencar. Feio.
O que tinham colocado no sistema dela não era dose única de festa. Era manutenção. Condicionamento. Mantém dócil. Mantém obediente.
Estavam preparando ela. E eu tinha ficado sentado na arquibancada, sem ver, porque querer ela deixava tudo complicado.
Chega.
Tranquei a porta, sentei ela na cama e dei um passo pra trás antes de fazer alguma merda. Antes de deixar a raiva decidir por mim. Mas eu tinha terminado de tolerar ver ela sendo vendida em pedaços debaixo do meu nariz.
Virei de costas antes que ela visse o que tinha no meu rosto. Porque se visse, ia saber. Ia saber há quanto tempo eu queria ela. O quanto. E eu precisava que ela ficasse com raiva de mim. Não que soubesse do que eu sentia.
Eu precisava de distância pra conseguir pensar. Planejar. Pra poder queimar aquela operação inteira até o chão sem arrastar ela junto.
Limpar ela era o passo um. Tirar ela do alcance do Stye pra sempre era o passo dois.
Depois disso? Guerra.
Eu também já sabia que o Dillon tinha mentido pra mim. Ele sabia das rotas. Dos compradores. De até onde aquela merda tinha se espalhado. E se ele e o Stye achavam que iam vender o sangue deles pro maior lance? Calcularam errado, porque a Marlowe não era só a filha do Stye ou a irmã do Dillon… ela era minha pra proteger.
