Capítulo 5

A água corria morna sobre a minha pele, levando embora o suor, a vergonha. Eu chorei o tempo todo. E não era um choro bonito. Não, eram soluços feios, entrecortados, que sacudiam meu interior e deixavam minha garganta em carne viva. Mas Torin não se afastou; ele manteve um braço firme em volta da minha cintura, como se tivesse medo de que eu fosse desmoronar se ele me largasse. A outra mão se movia devagar, com cuidado, enquanto ele lavava meu cabelo; ele não apressava nem a mim nem a si mesmo.

Quando ele me virou, deixando minhas costas apoiadas contra o peito dele, o calor do corpo dele se infiltrou no meu, e o meu corpo, traidor que era, reagiu na mesma hora. Mesmo exausta e fraca, meu fôlego falhou quando as mãos dele passaram pelas minhas costelas, pela minha barriga e a palma se abriu sobre o meu seio, sem apertar, sem tomar posse, só lavando. Eu não consegui evitar um pequeno som de prazer. Não era para aquilo parecer íntimo, mas parecia.

Atrás de mim, ouvi a respiração dele ficar mais pesada. As mãos dele pararam, só por uma fração de segundo, e depois continuaram: lentas, deliberadas. A polpa do polegar roçou a parte de baixo do meu seio e o meu corpo respondeu, enrijecendo, os mamilos endurecendo sob o calor da água.

Com a minha reação, um tremor percorreu o corpo dele e ele soltou o ar com força pelo nariz, como se estivesse tentando controlar alguma coisa.

— Torin… — comecei, a voz quase inexistente. Mas ele virou o meu rosto com delicadeza entre os dedos e se inclinou, pousando os lábios nos meus. O beijo não foi bruto. Não foi faminto. Foi contido: os lábios pressionando os meus como se ele tivesse medo de perder o controle por completo e, Deus me ajude, foi justamente essa contenção que me desmontou mais do que qualquer outra coisa.

Meus dedos se fecharam nos ombros dele, sentindo-o contra mim: duro, impossível de ignorar, mas ele não avançou. Não pressionou. Não tomou posse. Em vez disso, se afastou. Depois, com a testa encostada na minha, a respiração áspera, murmurou:

— Não.

Eu não sabia se a ordem era para ele mesmo ou para mim.

— Eu preciso de você — sussurrei, porque era verdade. Não das drogas. Não do entorpecimento. Dele.

O maxilar dele se contraiu.

— Não assim — disse, baixo, mas com aço na voz. Então me virou de volta para debaixo da água e terminou de me lavar como se nada quase tivesse acontecido. Como se as mãos dele não tivessem tremido. Como se as minhas não tivessem se agarrado a ele.

Quando terminou, ele desligou o chuveiro, mas não se afastou. Em vez disso, enrolou uma toalha em mim e começou a secar meu cabelo com outra. Gentil. Metódico.

Um arrepio atravessou meu corpo e ele me puxou contra o peito, me segurando ali até passar. Sem urgência, sem exigência… só calor, respiração e controle, e quando finalmente me carregou para o quarto dele, não foi para me devorar, foi para me deitar.

Depois, ele deslizou para a cama ao meu lado, ainda úmido e ainda respirando rápido demais. Puxando-me contra ele, encaixou minhas costas no peito dele e, então, lentamente passou o braço em volta da minha cintura, me ancorando ali, a mão espalmada sobre a minha barriga.

Eu sentia a excitação dele, mas ele não se mexeu e, instintivamente, eu me ajeitei contra ele, mas ele me imobilizou com uma mão firme.

— Dorme — murmurou contra o meu ombro.

Horas depois, acordei com o calor e com a boca de Torin pressionada na curva do meu ombro. Por um segundo, não me mexi, só respirei.

Os lábios dele se moveram de novo, lentos, deslizando pela minha clavícula e subindo pelo lado do meu pescoço; ele não tinha pressa, preferia explorar devagar.

Meus dedos se enfiaram no cabelo dele sem a minha permissão, e ele soltou um som baixo na garganta. Não era bem um gemido, nem bem um aviso.

Com uma delicadeza que quase me quebrou, a palma da mão dele deslizou pela minha cintura, passou pelo meu quadril e subiu de novo… testando.

Sem conseguir me controlar, virei de frente pra ele, nossos olhos se encontrando. A fome nos olhos dele, dessa vez, não estava escondida… era crua, sem filtro. Daquelas que se acumulam ao longo de anos. De olhares roubados em garagens. De noites fingindo não sentir algo grande demais.

Ele me beijou de novo, dessa vez mais fundo. Ainda não era desesperado, mas estava menos contido. A mão dele se espalmou na minha coxa, subindo devagar, até parar, a contenção claramente intencional.

Dolorosa.

— Torin — eu sussurrei.

O polegar dele desenhou círculos por dentro do meu pulso, em vez de ir onde eu queria.

— Eu sei — murmurou, mas não me deu mais. Ele nos virou até que eu ficasse por cima dele. Meu cabelo caiu ao redor da gente como uma cortina. Então, com as mãos apertando meu quadril, sem me empurrar, só me segurando, o olhar dele percorreu meu corpo devagar, como se estivesse memorizando.

— Você não faz ideia do que me causa — disse em voz baixa.

Não soou sujo. Não soou vulgar. Foi honesto, e o calor se acumulou baixo na minha barriga. Mexi um pouco o quadril, sentindo ele sob mim, sólido e muito consciente.

Ele fechou os olhos por um segundo, depois os abriu de novo.

— Se a gente começar — disse, a voz rouca —, eu não vou parar.

As palavras dele caíram pesadas entre nós. Minha respiração ficou rasa, uma parte de mim querendo que ele perdesse o controle. A outra parte sabia exatamente o que significaria se isso acontecesse. Ele era um homem que tomava decisões com cuidado e, quando se comprometia? Ele incendiava tudo.

Devagar, ele me tirou de cima dele, puxando meu corpo de volta contra o peito dele. A mão dele deslizou pro meu cabelo.

— Não vou te ter quando você mal consegue ficar em pé — disse baixinho. — Não enquanto seu corpo ainda tá lutando.

Não era rejeição, era proteção.

~~

Na manhã seguinte, acordei numa cama vazia. A confusão me inundou enquanto eu descia do colchão e saía do quarto do Torin em direção ao meu.

Depois de fechar a porta atrás de mim, com cuidado, fui até a cômoda e peguei uma calcinha limpa, uma regata e um shorts. Já vestida, saí apressada do meu quarto e segui pra cozinha. Ao entrar no espaço amplo do cômodo, fiquei aliviada de ver que a única pessoa ali era a Crystal.

Por cima da borda da xícara de café, ela me observou, a diversão e um ar sabichão estampados no rosto. Sorrindo, me cumprimentou com uma risadinha na voz:

— Bom dia, Marlowe. Noite agradável?

— Bom dia, Chrys — respondi, lançando um olhar curioso ao ver os lábios dela tremerem, segurando o riso.

Que que deu nela?, pensei, balançando a cabeça de leve.

O som de motos acelerando chegou até a cozinha enquanto eu me mexia, preparando uma xícara de café pra mim. Sempre tinha algum tipo de barulho e movimento no compasso, e parecia que hoje não era diferente de qualquer outro dia. Eu ouvia o zumbido e o ranger das ferramentas elétricas sendo usadas nas oficinas. Também dava pra escutar o som de uma discussão bem-humorada lá no pátio. Mas, mesmo com os barulhos de sempre, estava mais silencioso do que o normal.

— Por que tá tão quieto? — perguntei.

— Os caras saíram pra uma corrida. Algo sobre os Proofers tentando meter o bedelho em parte do nosso território — Crystal respondeu, despreocupada.

Torin nem tinha me acordado pra se despedir.

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