Capítulo 6 - Um novo amigo.

O Jardim era seu novo lugar favorito. Especialmente com o livro que ela tinha que ler. Havia algo tranquilo e calmante em estar na presença da natureza, sem ninguém por perto além das flores e do som da água pingando. Até agora, ela tinha aproveitado o jardim dos Wrights mais do que imaginava e, a cada poucas horas do dia, escapava para o jardim e cheirava as rosas por um tempo. Era descrito como um jardim de rosas formal. Tinha rosas que iam do vermelho ao branco, mas isso não era tudo sobre o jardim. Mas as rosas a interessavam mais.

Havia uma pequena área de estar no jardim com uma sombra, como um cantinho para relaxar.

Tudo era mantido de forma impecável e incrivelmente bonito. Ela duvidava que alguém da família Wright, além de Damon, o visitasse. Certamente sempre parecia abandonado na maior parte do tempo. Exceto pelo jardineiro, que cuidava muito bem do jardim, fazendo-o parecer bem cuidado e amado.

Sua mente voltou à conversa que teve com Damon no outro dia enquanto virava uma página e sorriu ao lembrar de como estava nervosa quando ele entrou no quarto sem avisar. Mas ele não se importou com isso e acabou que, quando se tratava de livros, eles tinham muito mais em comum.

Ela ainda estava em seus pensamentos quando Rachel chamou seu nome.

"Caelia!!! Você tem trabalho a fazer!"

"O que você está sempre fazendo aqui?"

Rachel perguntou francamente, um pouco irritada e se perguntando por que Caelia continuava arriscando seu emprego por algum tempo no jardim.

Ainda perdida na tranquilidade que sempre sentia quando ficava no jardim, ela ignorou Rachel por um momento.

"Eu não consigo realmente explicar."

Foi a resposta que saiu dela. Era uma mentira. Ela sabia exatamente por quê, mas Rachel não entenderia.

"Eu me sinto sufocada em todos os lugares desta mansão. Este é o único lugar onde posso respirar." Provavelmente teria irritado ainda mais Rachel.

"Você passa tempo demais aqui. Você tem muita sorte que a Sra. Margaret tem estado ocupada ultimamente, ou sua curiosidade teria percebido isso."

Rachel respondeu rapidamente, emitindo um aviso.

Caelia concordou com a cabeça e elas caminharam rapidamente de volta para a casa.

Por mais que ambas tivessem conseguido entrar na casa discretamente, infelizmente não puderam escapar dos olhos atentos da Sra. Margaret.

"Caelia, onde você esteve a manhã toda? Não a vi hoje."

Ela perguntou, sentindo que algo estava errado.

"Ela comeu alguns camarões estragados ontem."

Rachel respondeu rapidamente, usando sua experiência para causar efeito.

A Sra. Margaret se virou para Rachel, visivelmente irritada com a resposta.

"Rachel, tenho certeza de que você sabe que não deve falar fora de hora."

Ela fez uma pausa para voltar ao seu eu normal, frio.

"Confio que isso não se repetirá."

Virando-se para Caelia, ela lhe deu um olhar severo.

"Não estou impressionada com você desde que se mudou para esta casa."

Ela disse claramente, sem a irritação que tinha no tom ao falar com Rachel.

Talvez percebendo que foi muito dura, ela esclareceu.

"Você trabalha duro, mas não age de maneira educada."

Rachel e Caelia, ambas sentindo os efeitos de suas palavras, expressaram seu remorso em coro.

"Desculpe, senhora."

Pegando as caixas embrulhadas ao lado da mesa à sua esquerda, ela as entregou a Caelia.

"Leve isso para nossa vizinha. Você deve entregar pessoalmente à filha deles, Samantha."

Ela colocou os biscoitos caseiros, embalados com cuidado, nas mãos de Caelia.

"Eu?"

Caelia perguntou, confusa. Rachel não mostrou nenhuma reação.

Um olhar da Sra. Margaret mudou rapidamente sua resposta.

"Sim, senhora."

Ela murmurou.

...........

Caelia enxugou as mãos suadas no uniforme enquanto examinava a casa dos Dortmund com um pouco de ansiedade. Ela não sabia por que Margaret havia decidido enviá-la, ela nunca tinha saído da casa desde que chegou. Tarefas como fazer compras e recados eram frequentemente realizadas por Greta e Margaret. Ela nem sabia que a mansão ao lado tinha pessoas morando lá. Sempre assumiu que estava isolada.

A mansão era tão grande quanto a dos Wrights, exceto que parecia mais antiga e assustadora. Ao contrário da casa dos Wrights, que sempre tinha uma aparência impecável, o gramado da mansão dos Dortmund parecia não ter sido cortado há uma semana. Mas enquanto ela estava em frente ao belo portão de ferro forjado e pressionava o interfone, uma voz doce respondeu apenas alguns segundos depois, perguntando quem ela era, e Caelia respondeu ansiosamente.

"Tenho um pacote da casa dos Wrights para a Srta. Samantha Dortmund."

Ela disse enquanto lia do pequeno cartão que Margaret lhe havia dado.

"Ah, certo. Pode entrar."

O portão de ferro forjado se abriu com um clique e Caelia começou a caminhar pelo curto caminho que levava à mansão. O caminho era ladeado por árvores altas com galhos imponentes e folhas farfalhantes. Quando ela chegou ao pátio, a grande porta de mogno foi aberta por uma mulher pequena, com sapatos baixos e um uniforme cinza escuro.

Ela tinha longos cabelos pretos, quase como os de Caelia, em uma longa trança, e seu rosto enrugado parecia gentil.

"Bom dia, senhora. Eu vim da casa dos Wrights. Fui enviada para entregar isso para a Srta. Samantha."

Caelia disse em um tom que faria a Sra. Margaret se orgulhar por ser profissional.

Olga, no entanto, não ficou impressionada. Ela parecia totalmente impassível com essa introdução.

"Entre."

Ela resmungou.

"Há quanto tempo você trabalha para os Wrights?" Olga perguntou com curiosidade no rosto.

"Sou relativamente nova aqui."

Caelia escolheu uma resposta mais vaga.

"Me dê um minuto."

Olga se desculpou para chamar a Srta. Samantha.

Subindo uma escada enquanto Caelia se sentava humildemente, como uma boa empregada, como a empregada que a Sra. Margaret gostaria.

Fiel à sua palavra, Olga voltou muito rapidamente. Ela tinha uma espécie de graça ao seu redor. O uniforme não parecia diminuir sua presença, mas sim acrescentar a ela.

"A Srta. Samantha virá em breve. Vou pegar algo para você beber."

Olga informou Caelia, mas antes que ela pudesse sair para pegar a bebida, o som de passos pesados e correria de Samantha a interrompeu.

Samantha Dortmund não era nada do que Caelia esperava, pelo menos era o que Caelia pensava. Ela tinha longos cabelos loiros e um pequeno sorriso em seu rosto rosado. Suas roupas eram pequenas e masculinas, como se estivesse deliberadamente tentando parecer mais jovem do que sua idade.

"Oi. Eu sou Samantha Dortmund."

Ela estendeu um sorriso e sua mão para Caelia.

Na mesma respiração, ela acrescentou sem o sorriso.

"Mas não me chame de Samantha. Apenas Sam!"

"Qual é o seu nome? Você deve ser nova."

"Eu sou Caelia. E sim, sou nova na residência dos Wrights."

Caelia respondeu.

"Fui enviada para entregar isso a você."

Ela apresentou a caixa a Sam, que a recebeu com um olhar sarcástico.

"Eu me pergunto por que os Wrights sempre sentem a necessidade de me presentear quando parece uma obrigação."

Ela pensou em voz alta.

Ela entregou o presente a Olga, seus olhos focados em outra coisa, em Caelia.

"Há quanto tempo você trabalha com eles?"

Samantha perguntou diretamente.

"Há cerca de um mês ou mais."

Caelia disse ainda tentando ser um pouco vaga.

"Seus olhos são reais?"

"Sim."

Caelia respondeu rapidamente, ciente dos olhos de Sam percorrendo seu corpo. Ela se sentiu exposta.

"Você tem uma cintura muito pequena! Qual é o tamanho da sua cintura?"

Seus olhos estavam firmes no corpo de Caelia.

Caelia ignorou a pergunta, sinalizando que iria embora.

Olga, observando atentamente, sussurrou algo no ouvido de Samantha.

"Oh!!!"

"Caelia, espere! Desculpe. Eu comecei a fazer vestidos recentemente. Às vezes me empolgo."

Caelia ficou um pouco aliviada.

"Isso faz mais sentido agora, mas desculpe. Eu preciso ir."

Samantha assentiu compreensivamente.

"Venha a qualquer outro momento que quiser. Tenho uma coleção de vestidos muito impressionante que você adoraria ver!"

Samantha era definitivamente uma personagem muito interessante, pensou Caelia enquanto subia as escadas. Ela estava de volta à residência dos Wright e de volta às suas tarefas. O Sr. Wright finalmente havia saído do escritório e ela precisava limpá-lo antes que ele se trancasse lá novamente. Enquanto carregava um balde cheio de produtos de limpeza que provavelmente não precisaria, ela se perguntava quando teria tempo para terminar de ler o livro que Damon lhe deu. Ela estava de plantão na cozinha naquela noite e o jantar na casa dos Wrights estava se tornando cada vez mais estressante, pois às vezes tinham convidados.

"Deixe-me ajudar com isso."

Damon ofereceu enquanto pegava o balde de uma Caelia surpresa. Ela se sentiu consciente de si mesma de repente e passou as mãos pelo cabelo em uma tentativa inútil de alisá-lo. Sentia que parecia um desastre. Damon, por outro lado, estava tão deslumbrante como sempre. Ele estava vestindo uma camisa de flanela e jeans pretos casuais enquanto levava o balde de suprimentos até o topo das escadas com facilidade. Havia algo tão simples e elegante nele que o fazia parecer mais jovem do que era. Ele também tinha um grande sorriso no rosto.

"Obrigada."

Caelia murmurou, abaixando os olhos enquanto também chegava ao topo das escadas.

Depois de um breve momento de olhares silenciosos, ele reuniu coragem para fazer uma pergunta.

"Como está seu dia?"

Ele disse muito casualmente.

"O livro. Como você está gostando?"

Ele acrescentou, caso a primeira pergunta não rendesse uma resposta frutífera.

Caelia, sempre tão tímida ao redor dele, respondeu.

"O livro é realmente bom."

Sabendo que sua resposta não era suficiente, ela continuou a explicar.

"Quase todo mundo já leu Orgulho e Preconceito, eu já li várias vezes, mas esta edição especial oferece verdadeiros insights sobre Jane Austen e o significado mais profundo do que ela escreveu."

Ela fez uma pausa para olhar para ele, preocupada se agora tinha ido longe demais. Seu rosto era gentil, isso foi a primeira coisa que ela notou, seguido por seus encantadores olhos azuis.

Seu rosto e olhos a encorajaram a continuar.

"Sinto que é quase um novo livro que estou lendo. Um nível mais profundo."

Damon ficou impressionado com sua dedicação.

"Tenho a série de livros perfeita para compartilhar com você."

Caelia observou sua empolgação.

"É minha favorita."

Ele disse.

"Eu posso perceber."

"Poucas coisas na vida igualam o prazer de compartilhar seus livros favoritos com alguém."

Caelia expressou sua compreensão com ousadia, então olhou para longe. Parecia que sua coragem só durou aquela frase.

"Sim. Exatamente."

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo