Capítulo 2

“Esse nunca foi o Alexander!”

Tentei desesperadamente me enganar. Mas, no segundo seguinte, uma dor lancinante explodiu no meu couro cabeludo.

“Vadia, achou que ia fugir?”

O sequestrador, ainda sangrando por causa do ferimento na coxa, tinha dado a volta e se aproximado por trás sem que eu percebesse.

Antes mesmo que eu pudesse lutar, um golpe brutal acertou a nuca. Minha visão se dissolveu em preto, e a consciência escorregou para longe num instante.

Quando acordei, eu tinha sido jogada dentro de um depósito úmido, mofado, com os pulsos amarrados com força atrás das costas por uma corda grossa de cânhamo.

Pá!

Um tapa violento, de mão aberta, fez estrelas explodirem diante dos meus olhos.

“Fala! Onde diabos você escondeu a Lágrima da Sereia?!”

Um homem grande, de máscara, pressionou a bota com força contra a minha rótula. A agonia atravessou meu corpo, obrigando-me a me contorcer e me encolher por instinto.

“Eu não faço ideia… É uma lembrança da minha mãe, seus ladrões!”, gritei com a voz rouca.

“Ainda tá respondendo?” O homem soltou um resmungo frio e me chutou com selvageria na lombar, sem a menor piedade.

Uma dor aguda e paralisante explodiu no meu ventre. Eu senti um líquido quente e espesso escorrer pela parte interna das minhas coxas, juntando-se numa mancha escarlate gritante no chão de concreto imundo.

Minha filhinha… Por favor, alguém salve a minha filha.

“Chefe, essa vadia tá prestes a abortar. Tem sangue pra todo lado, porra, que nojo. Vamos lá fora fumar e depois a gente resolve com ela. Ela não tem pra onde correr.”

A porta de ferro bateu com um estrondo ensurdecedor.

A dor implacável embaçava minha visão, mas uma onda feroz de instinto materno acendeu minha vontade de sobreviver. Eu não podia morrer ali. Eu nunca deixaria minha criança perecer nas mãos desses monstros.

Arrastando-me pelo chão encharcado de sangue, centímetro por centímetro, meus dedos roçaram num caco de lâmpada quebrada.

Sem hesitar, pressionei o vidro serrilhado contra a corda de cânhamo que prendia meus pulsos. A borda afiada cortou fundo a minha palma, banhando minha mão em sangue fresco, mas eu não senti nada.

No instante em que a corda arrebentou, reuni cada última gota de força para me pôr de pé.

Tendo crescido lado a lado com Alexander desde a infância, eu conhecia cada passagem secreta escondida naquela mansão como a palma da minha mão.

Cambaleando pelo corredor abandonado das criadas, fui tropeçando até o segundo andar — o quarto principal do Alexander.

Se eu conseguisse pôr as mãos no telefone fixo particular ao lado da cama dele, eu poderia pedir ajuda.

Eu podia sobreviver a isso.

Eu tremia ao empurrar a pesada porta de carvalho. Eu mal tinha me lançado na direção do telefone quando latidos furiosos e gritos estrondosos ecoaram do corredor lá fora.

“Aquela vadia desgraçada escapou! Revistem cada quarto! Ordens do Velho Sterling — sem sobreviventes!”

Passos caóticos se aproximaram do quarto a uma velocidade aterrorizante.

O pânico se fechou ao redor da minha garganta, deixando-me mal capaz de respirar. Sem ter mais onde me esconder, puxei a porta do guarda-roupa e me enfiei lá dentro.

A porta mal tinha estalado ao se fechar atrás de mim quando a porta do quarto foi chutada com violência, saindo do batente.

Espiando pela fresta estreita entre as portas do guarda-roupa, senti o sangue congelar nas veias.

O homem que entrou não era um dos capangas contratados que me caçavam. Era meu marido — Alexander Sterling.

E, aninhada com segurança em seus braços, a cintura presa com brutalidade sob as palmas dele, estava a mulher ruiva que tinha dado lance contra mim no leilão — sua secretária pessoal, Victoria.

— Alexander… vai devagar… — Victoria ofegou, num gemido fingido e sensual, o corpo inteiro grudado ao dele.

Os lábios dos dois se prenderam num beijo ardente enquanto eles cambaleavam para trás, direto na direção do guarda-roupa onde eu me escondia.

Tum!

Os corpos deles bateram com força na porta do guarda-roupa.

— Alexander — Victoria arfou, passando os braços ao redor do pescoço dele num tom manhoso —, hoje no leilão uma mulher maluca ficou brigando comigo pela Lágrima da Sereia.

Ela não só me desrespeitou, como me olhou como se eu fosse lixo. Fiquei tão chateada.

Cada gota de sangue no meu corpo ficou gelada no instante em que as palavras dela fizeram sentido.

Apertei uma mão trêmula sobre a boca para abafar meus arquejos irregulares, lágrimas quentes escorrendo sem controle pelas minhas bochechas.

Separado de mim por nada além de um painel fino de madeira, o mesmo homem que um dia se ajoelhou sob um outdoor na Times Square para me pedir em casamento, que jurou me proteger com a própria vida, soltou uma risadinha baixa, condescendente.

— Quem foi? Alguma idiota sem cérebro. — A voz de Alexander ficou gelada e desdenhosa. — Em toda Manhattan, ninguém tem o direito de tirar nada da minha garota.

Se ela te aborreceu, então merece sumir deste mundo de vez.

— É mesmo? — Uma risada triunfante escapou dos lábios de Victoria enquanto ela desenhava círculos lentos no peito firme dele com a ponta dos dedos. — Não se preocupa. Eu já mandei alguém dar um jeito nela.

Sem hesitar nem por um segundo, Alexander segurou o queixo dela e a beijou com ferocidade e possessividade, o tom carregado de indulgência imprudente.

— Você é uma diabinha tão perversa. Meu Deus, eu adoro esse seu lado cruel.

Do lado de fora do guarda-roupa, os ofegos obscenos e os corpos enroscados esfolavam minha alma, me torturando aos poucos.

Dentro do guarda-roupa escuro e apertado, o meu mundo inteiro desmoronou em ruína.

Um espasmo violento rasgou meu baixo-ventre, sangue fresco infiltrando-se pelo meu casaco e tingindo o tecido de um vermelho profundo e implacável.

Em meio aos sons nauseantes da devassidão deles, o último fio da minha força se rompeu por completo.

Tomada por um ódio sem fundo e por desespero, desabei com peso na escuridão, escorregando mais uma vez para a inconsciência.

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