Capítulo Três

POV da Vivienne

Meu pai, Nathaniel e Grayson correram para o banheiro. A visão de Delilah em uma poça de sangue fez os três entrarem em pânico.

— Rápido! Pro hospital! — Meu pai pegou Delilah no colo e saiu correndo.

A unidade médica mais próxima era uma clínica pequena perto da fazenda — quinze minutos de carro. Depois de examiná-la, o médico deu o veredito: ferimentos superficiais, lesões leves, fazer curativo e liberar.

Delilah abriu os olhos “fraquinha”. Ao ver a família reunida ao redor da cama, as lágrimas desceram sem parar. — A culpa é toda minha... Me desculpem... Por favor, não culpem ela...

Minha mãe apertou a mão dela com força. — Minha menina, você me deu um susto de morte! E ainda está pensando nos outros!

— Isso é culpa da Vivienne! — Nathaniel deu um soco na parede. — Ela vazou pra imprensa pra empurrar a Delilah pro limite! Como eu posso ter uma irmã tão cruel?!

O rosto do meu pai estava pálido como cinza. — Quando ela voltar, vou ensinar uma lição que ela nunca vai esquecer!

Meu espírito flutuava no canto do quarto do hospital, querendo gritar — eu não fiz nada! Mas eu não conseguia falar. E eu sabia que, mesmo que conseguisse, ninguém acreditaria em mim.

Como em todas as vezes nos últimos quinze anos.

Grayson chegou depois de lidar com a imprensa, entrou às pressas e viu Delilah com os pulsos enfaixados; dor e culpa inundaram os olhos dele.

— A culpa é minha. — Ele segurou a mão de Delilah, a voz tremendo. — Eu devia ter resolvido essa notícia antes. Não devia ter deixado você ver aqueles comentários maldosos.

Delilah balançou a cabeça, fraca. — Não é culpa sua... Eu só sou frágil demais...

Grayson se virou, com os olhos queimando de fúria. — Onde a Vivienne está escondida? Como ela tem coragem?! — Ao olhar de novo para Delilah, o tom amoleceu, firme. — Eu prometo que não vou deixar isso acontecer de novo.

Meu espírito travou. Ele nunca tinha falado comigo daquele jeito.

Grayson saiu do quarto, discando o meu número. Ninguém atendeu. Ele deixou um recado na caixa postal, a voz carregada de raiva:

— Vivienne, que porra você tá fazendo?! Vazando pra imprensa, quase matando a Delilah — a reputação de duas famílias, a segurança da sua irmã — você se importa com alguma coisa disso? Eu sempre achei que você fosse boa. Nunca imaginei que o ciúme te levaria a isso!

Ele puxou ar, e a voz ficou ainda mais fria: — Eu estava planejando te levar pras Maldivas depois disso, como viagem antes do casamento. Cancelado. Você não merece. E se acontecer qualquer coisa com a Delilah por sua causa, o nosso noivado acaba.

Eu ouvi as acusações, exausta demais para sentir qualquer coisa.

Eu devia ter sabido.

No último Natal, eu estava com quarenta graus de febre. Ele disse que ia vir cuidar de mim, mas quando Delilah ligou dizendo que tinha se perdido no shopping, ele foi buscar ela na hora, me deixando queimando de febre por dois dias.

Três meses atrás, no meu aniversário, ele prometeu jantar comigo, mas mandou mensagem depois que eu esperei uma hora no restaurante: “A Delilah tá mal. Eu preciso ficar com ela. Feliz aniversário. Eu compenso depois.” Esse “depois” nunca veio.

Eu briguei por causa dessas coisas incontáveis vezes, só pra ouvir: “Você tá exagerando. A Delilah é sua irmã — é família.” A indiferença dele me fazia sentir uma maluca possessiva.

Mas eu o amava profundamente. Eu achava que ele podia ser só meu.

Eu estava errada. Errada demais.

Eles voltaram para a casa da fazenda, e Grayson acompanhou Delilah para dentro, para ela descansar. Meu pai, minha mãe e Nathaniel conversavam em voz baixa no corredor.

Eu flutuei por perto, ouvindo minha mãe suspirar: — Que pena o Grayson não estar casando com a Delilah. Um homem tão bom, tão atencioso com ela... ele devia mesmo era ficar com a nossa Delilah.

Meu espírito ficou rígido.

Meu pai assentiu. — Dá pra ver que a Delilah também gosta dele. Se ao menos eles tivessem se conhecido primeiro...

Minha mãe ficou pensativa. — Não é uma coisa totalmente impossível de mudar. Mesmo que o Grayson case com a Vivienne, ele ainda pode paparicar a Delilah. A Vivienne é antipática desde criança — mais cedo ou mais tarde o Grayson vai se arrepender.

Nathaniel interrompeu: — Agora, a prioridade é encontrar a Vivienne e dar uma lição nela. Ela tem que pagar pelo que aconteceu hoje.

Ele puxou o celular, discando o meu número.

Na noite silenciosa, um toque de telefone ecoou de repente ao longe — vindo da direção do estábulo.

Os três congelaram.

Nathaniel desligou. O toque parou. Ele ligou de novo. O toque veio do estábulo mais uma vez, claro demais no meio da escuridão.

— Ela... tá no estábulo? — Minha mãe franziu a testa.

Os três seguiram o som em direção ao estábulo. Quanto mais se aproximavam, mais pesado ficava o fedor de sangue no ar.

Nathaniel empurrou a porta do estábulo, e o facho da lanterna do celular cortou a escuridão lá dentro —

Um cadáver feminino encolhido ao lado do monte de feno.

Coberto de feridas, com sangue seco manchando o vestido fino de um preto escuro. Ao lado, um celular com a tela estilhaçada brilhava fraco, exibindo: “Nathaniel chamando”.

O rosto de Nathaniel ficou branco.

— Vivienne? — A voz saiu do fundo da garganta, cheia de incredulidade e terror.

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