Capítulo 6
O Zenith fica na área mais movimentada do centro, com uma vista imbatível da cidade à noite. A disposição e o design do restaurante são de um bom gosto impressionante.
A área de jantar na seção principal conta apenas com mesas junto às janelas.
Acima do restaurante há um hotel de luxo, e William já tinha reservado uma suíte.
As salas de jantar privativas não eram totalmente fechadas, mas ofereciam bastante privacidade.
Depois que William e Rebecca se sentaram, o garçom recomendou vários pratos. Rebecca disse que queria provar todos, e William, naturalmente, atendeu ao desejo dela.
— Tudo bem, mas, Sra. Spencer, este prato de mexilhões ao vinho é a especialidade de hoje. Acabamos de ficar sem os ingredientes, mas ingredientes frescos já estão a caminho, então vai demorar um pouco mais.
— Tudo bem, eu posso esperar. E você? — Rebecca olhou para William.
William sorriu com ternura.
— Rebecca, meu tempo esta noite é inteiramente seu. O que quer que você queira esperar, ficarei feliz em esperar com você.
Rebecca devolveu o menu ao garçom, que sorriu como se entendesse tudo.
— Muito bem, Sra. Spencer, Sr. Spencer, tenham uma noite maravilhosa.
Uma elegante música de piano tocava na sala privativa. Rebecca seguiu o som e olhou na direção do piano do lado de fora.
— Gostaria de tocar?
William realmente tinha concentrado toda a sua atenção nela naquela noite. Embora ela tivesse apenas lançado um olhar para o piano, ele já tinha percebido o que ela estava pensando.
— Faz muito tempo que eu não toco.
— Também faz muito tempo que eu não ouço você tocar. Considere isso o seu presente para mim esta noite. — William continuou a incentivá-la.
Rebecca assentiu. Tirou o casaco, ficando apenas com o vestido vermelho. Sua pele clara ficava totalmente à mostra, e as duas pequenas pérolas pendendo de seus lóbulos eram delicadas e lustrosas, ressaltando sua presença elegante.
— Com licença, posso usar este piano?
Ela perguntou suavemente à pianista do restaurante.
— Claro, fique à vontade.
Rebecca sentou-se no banco do piano e avaliou o instrumento antigo, mas bem conservado, à sua frente. Dava para perceber que o dono do restaurante entendia ao menos um pouco de pianos.
As pontas dos dedos dela tocaram as teclas, pressionando suavemente algumas notas antes de produzir uma sequência dispersa de sons de teste. Mesmo só pelo teste, sua habilidade extraordinária era evidente.
Rebecca ergueu levemente os pulsos. Lançou um olhar para William, que também a observava, e isso fez seu coração acelerar involuntariamente.
Quando a música começou, a atmosfera do restaurante mudou com ela. Os clientes que estavam comendo foram pouco a pouco atraídos pela melodia, depois cativados pela aparência e pela presença da intérprete.
— Ela parece tão familiar. Tenho a impressão de que já a vi em algum lugar.
Os sussurros começaram.
— É só pesquisar na internet, não é?
Mas, mesmo tirando fotos de Rebecca e pesquisando online, era difícil encontrar qualquer resultado. Em vez disso, alguém de olhar aguçado notou William sentado na sala privativa.
— Olhem, aquele não é William, do Grupo Spencer?
Essa pergunta atraiu vários olhares.
— William pode ser o CEO do Grupo Spencer, mas mantém um perfil discreto na vida privada. Tenho um amigo que conhece ele.
— Então o CEO do Grupo Spencer é tão bonito assim? Na vida real, eu só vi o dono do Zenith que consegue se comparar a ele.
— Aquela mulher tocando piano é a namorada dele?
— Não, acho que vi notícias sobre ele e a namorada dele alguns dias atrás. Não era ela.
— Pesquisa, pesquisa na internet!
E assim a fofoca se espalhou.
— Olhem, com certeza não é essa mulher.
— Parece que William pode manter um perfil discreto, mas a vida privada dele é bem complicada.
— William é casado!
"Casado?"
"É, mas ele nunca menciona o casamento em público e raramente é visto levando a família a eventos. Ouvi de uma amiga que a esposa dele é só dona de casa."
"Então isso significa que a mulher tocando piano também não pode ser esposa dele. Se alguém tivesse uma esposa tão bonita e talentosa assim, não ia ficar exibindo ela o tempo todo?"
Esses comentários soltos logo foram abafados pela música de Rebecca. As notas dançavam rápidas sob as pontas de seus dedos e, sem perceber, o coração das pessoas começou a subir e descer com a melodia. Aos poucos, a atenção dos clientes deixou a fofoca ociosa sobre a vida privada e se voltou para a música em si.
"Ela toca tão bem!"
"Sério, essa apresentação está quase no nível de um mestre. Ela só está um pouco enferrujada, provavelmente porque não está acostumada com esse piano."
A clientela do Zenith era formada principalmente pela elite de Emerald City, então naturalmente havia pessoas capazes de apreciar música.
"Já que estamos tão curiosos, por que não vamos até lá cumprimentá-lo? O William geralmente é difícil de abordar mesmo, então talvez essa seja uma boa chance de criar uma conexão."
"Melhor não. Isso aqui é o Zenith, as pessoas vêm para viver romance. Está claramente sendo um momento privado entre um casal. Não seria rude interromper?"
Rebecca estava imersa na música, com as pontas dos dedos voando com agilidade pelas teclas. A música era arrebatadora.
Quando a peça terminou, os dedos de Rebecca ainda acariciavam as teclas. Depois que a exaltação passou, ela sentiu uma sensação de vazio.
De repente, lembrou-se da ligação de Aurora alguns dias antes, e seu coração voltou a se inquietar.
Ela ainda ansiava pelo palco.
Nesse momento, aplausos soaram de repente. Um homem de camisa preta e calças bem cortadas se apoiava no piano, aplaudindo para ela. Rebecca ergueu os olhos e encontrou o olhar do desconhecido. Supondo que ele só estivesse apreciando sua música, ela sorriu, levantou-se e fez um leve aceno com a cabeça. "Obrigada."
Mas, no instante em que terminou de agradecê-lo, ouviu aquele homem bonito se inclinar para perto dela e dizer em voz baixa: "Dona de casa solitária, fada da meia-noite... você realmente muda bastante. Quase não te reconheci."
Por que aquela voz soava tão familiar? E aquele tom provocador?
Ela piscou e, quando percebeu quem ele era, o homem já tinha ido embora. Rebecca só pôde bater o pé de frustração. Era aquele médico que tinha escutado escondido a conversa dela com William no corredor naquele dia!
Bem quando estava se sentindo irritada, outra figura surgiu atrás dela. A mão de William envolveu seu ombro liso. Ele tinha se aproximado sem que ela percebesse.
"Quem era aquele? Você conhece ele?"
Rebecca limpou a garganta. "Não, não conheço."
"O que ele disse para você?"
"Nada demais, só elogiou meu jeito de tocar."
Rebecca realmente não queria mencionar aquele homem estranho. Pensar nele a fazia lembrar da humilhação que sofreu no hospital naquele dia e da discussão com a família Brown.
Ela não queria pensar em nada desagradável esta noite.
William lançou um olhar na direção em que o homem tinha ido, estreitando levemente os olhos, mas não insistiu mais.
Todos os pratos já tinham sido servidos, exceto os mexilhões ao vinho.
"Está gostoso?"
William tinha cortado o bife em pedaços perfeitos com tanta consideração. Como Rebecca poderia dizer que não estava bom?
"Se você gostar, podemos vir aqui com frequência."
Rebecca hesitou e não respondeu.
William olhou a hora, com os lábios se curvando num leve sorriso. "Rebecca,"
"Hmm?"
"Olhe lá fora."
Rebecca olhou para fora da janela, curiosa, e então viu incontáveis luzes cintilantes surgindo aos poucos no céu escuro da noite.
