Capítulo 7
— Drones?
— Parece que alguém vai se declarar de novo hoje!
Em Zenith, usar drones para uma declaração de amor já não era exatamente algo raro, mas, sempre que alguém realmente gastava tanto dinheiro para criar um romance urbano daqueles, ainda fazia os outros morrerem de inveja.
Rebecca ficou atônita. Os pontos de luz no céu noturno, depois de um cálculo cuidadoso, continuavam se reorganizando na imagem de uma família de três pessoas.
“Você e Oliver sempre serão as pessoas mais importantes da minha vida.”
Os olhos de Rebecca arderam, e lágrimas escorreram por seu rosto. Tudo aquilo a deixava ao mesmo tempo emocionada e apavorada, irreal como um sonho.
— William, depois de tudo o que você fez, posso entender que esse relacionamento não é mais só um desejo unilateral da minha parte?
— Rebecca, pelo que aconteceu naquela época, nós dois tivemos culpa, mas me casar com você... disso eu nunca me arrependi. Nestes últimos anos, se você não tivesse cuidado da família e do Oliver, como eu poderia ter dedicado toda a minha energia ao trabalho? Nunca foi só um desejo seu.
William segurou a mão de Rebecca e lhe entregou um lenço para que ela enxugasse as lágrimas.
— Espero que você possa confiar em mim.
— Eu confio em você. Sempre confiei.
— Eu sei que isso pode estragar o clima, mas você pode me prometer uma coisa?
Antes de hoje, ela sentia que seu casamento era frio. Naquela noite, porém, os esforços dele para agradá-la, sua consideração, sua humildade, tudo superava qualquer coisa anterior.
— Pode falar.
— Celeste só tem mais um mês de vida.
A expressão de Rebecca mudou no mesmo instante.
— E daí?
Seu tom ficou frio quase imediatamente, e todas as emoções que sentira momentos antes desapareceram pela metade.
A expressão de William estava realmente constrangida. Era evidente que ele era alguém decidido nos negócios, mas Rebecca já tinha visto, naquele dia, lados demais dele que não deveriam lhe pertencer.
— Não me diga que você está provando exatamente o que eu disse no caminho para cá?
Rebecca ergueu a taça de vinho e tomou um pequeno gole. Vendo a reação de William pelo canto do olho, o vinho pareceu especialmente amargo. Ela soltou uma risada amarga e disse:
— Sério?
— Rebecca, embora eu só tenha sentimentos de família pela Celeste agora, quando éramos jovens, nós realmente tivemos sentimentos um pelo outro. Se não fosse por...
As palavras de William foram interrompidas quando Rebecca continuou por ele:
— Se não fosse por aquela noite, cinco anos atrás, se não fosse por aquele acidente, se não fosse pelo meu aparecimento, vocês dois deveriam estar juntos. Todas as palavras bonitas e perfeitas seriam usadas para descrever vocês dois. Não é isso?
— Rebecca, Celeste não tem muito tempo de vida.
A testa de William se franziu levemente. Rebecca olhou para ele, observando-o em silêncio por um tempo. Justo quando William achou que ela recusaria, Rebecca concordou de pronto.
— Tudo bem. Não tenho objeções.
Ela ergueu a taça e tilintou a dela na de William. “Esse é o meu jeito de agradecer por tudo o que você fez esta noite. Eu devo continuar sendo uma esposa generosa.”
William se sentiu aliviado. “Obrigado. Por este mês, não importa o que as pessoas digam, espero que você entenda, no fundo do coração, que é tudo só de fachada.”
“Eu entendo.”
William se sentiu ainda mais tranquilo agora, porque essa Rebecca bem-humorada era a Rebecca que ele conhecia — a que sempre cuidava muito bem dele e de Oliver em casa. A Rebecca do hospital, no outro dia, toda espinhosa e na defensiva, tinha sido só um desvio.
Rebecca manteve um sorriso discreto no rosto. Ao ver o alívio de William, seu sorriso se aprofundou ainda mais.
Ela realmente devia agradecer a William por esta noite, agradecer por ele ter arranjado tudo isso, por ter realizado todas as fantasias daquele amor platônico da juventude, e por tê-la deixado ver essas fantasias completamente estilhaçadas.
Naquele momento, o celular de William tocou de novo. Ele olhou para a tela, franzindo a testa. Silenciou o aparelho e o virou com a tela para baixo. Rebecca viu, mas agiu como se não tivesse visto, comendo a culinária premium do Zenith.
Mas o celular de William não parava de tocar, ligação atrás de ligação, e cada uma deixava William mais irritado. Rebecca limpou a boca. “Atende. Laços de juventude são mais preciosos do que qualquer coisa, não são?”
O tom de Rebecca era suave, tão suave que William não percebeu a zombaria misturada ali. Ele só achou que Rebecca tinha ficado genuinamente tocada com o que ele fizera hoje e, por isso, o compreendia.
É claro que ele também ficou ainda mais certo de uma coisa — Rebecca ainda era como antes, de coração mole e gentil, fácil de controlar.
Ele atendeu. Rebecca olhou pela janela, já conseguindo ouvir o choro de Celeste vindo do telefone junto à orelha de William.
“O que foi?”
“William, eu estou sozinha no hospital e com medo.”
“Sozinha? Onde estão seus pais?”
“Aconteceu uma coisa em casa, então eles voltaram. Fiz outra ressonância hoje, e agora estou me sentindo péssima. Você pode vir me fazer companhia?”
William lançou um olhar para Rebecca e disse com firmeza:
“Celeste, me desculpa, hoje eu realmente não posso ir.”
“Você está trabalhando?”
“Hoje tem muita coisa acontecendo na empresa. Eu realmente não consigo sair. Vou te ver amanhã, tudo bem?”
“Desculpa, William. Estou atrapalhando seu trabalho. Continua o que você estava fazendo, vou desligar agora.”
Celeste desligou assim, de imediato.
William baixou o celular. No instante em que ergueu os olhos, o olhar frio de Rebecca se encontrou com o dele, deixando-o inquieto. Quando ele olhou de novo, só viu calma e gentileza.
“Não vai fazer companhia para ela?”
“Nós concordamos que ninguém podia nos atrapalhar hoje.”
William tomou a iniciativa de encher a taça de Rebecca outra vez. Assim que terminou de servir, uma mensagem apareceu na tela do celular dele. Ele deu uma olhada rápida e, então, pegou o aparelho, alarmado, e fez uma ligação às pressas.
“A Celeste vai fazer alguma loucura de novo!”
