Capítulo 8
William esfregou a testa, frustrado e ao mesmo tempo preocupado. O fato de ela não atender o deixava ainda mais ansioso.
Em nítido contraste com o pânico de William estava a serenidade de Rebecca. Com toda a calma, ela pegou a taça de vinho e deu um pequeno gole; depois cortou o foie gras macio e pegou do prato um pouco da deliciosa sopa de frutos do mar.
— William.
Rebecca enxugou os cantos da boca e então sorriu de leve para ele. — Vai. Se acontecer alguma coisa com ela, nós dois vamos nos arrepender pelo resto da vida.
William fechou os punhos. Ele já tinha ligado oito vezes, e Celeste simplesmente não atendia.
Três meses antes, quando Celeste recebeu o diagnóstico de câncer terminal, ficou arrasada e tentou se suicidar várias vezes. Por sorte, foi impedida em todas. William sabia que ela era muito capaz de fazer alguma besteira.
Além disso, a mensagem que Celeste tinha acabado de enviar dizia:
[William, você só tem ficado do meu lado por culpa. Você não precisa mentir pra mim dizendo que está fazendo hora extra. Se eu não tivesse visto alguém postar nas redes sociais que te encontrou com a Rebecca no Zenith, eu teria esquecido que hoje era o aniversário de casamento de vocês. A cena do pedido romântico com o drone foi muito bonita, mas não era pra mim. Eu não devia pedir mais nada, William. Minha mágoa, minha dor... que tudo isso acabe hoje à noite. Adeus para sempre.]
— Rebecca, me desculpa. Vou só passar no hospital pra ver como ela está. Assim que eu souber que ela está bem, eu volto imediatamente. Você pode me esperar no quarto?
— Tá bom, dirija com cuidado.
Rebecca concordou.
William estendeu a mão e puxou Rebecca para perto, pela cintura; inclinou-se e a beijou. — Já volto.
— Tá bom.
William saiu a passos largos. Rebecca olhou para a cadeira vazia à sua frente, sabendo muito bem que ele não voltaria — como nos últimos três meses; não, como nos últimos cinco anos. Ele nunca correu de volta só porque ela estava esperando.
Ela esperou por ele durante cinco anos. Hoje, não esperaria mais.
Terminou o vinho, pegou o casaco e apanhou a bolsa. Mas então mais um prato apareceu diante dela.
— Sra. Spencer, este é o último prato: amêijoas ao vinho.
Rebecca teve de se segurar para não rir. O garçom pareceu um pouco confuso com a reação dela. — O que houve?
— Nada, parece delicioso. Mas esse prato chegou tarde demais. Eu não vou comer.
Rebecca passou pelo garçom e foi embora.
Talvez tivesse bebido um pouco demais, porque Rebecca estava ligeiramente cambaleante. Assim que entrou no elevador, perdeu o equilíbrio e esbarrou em alguém. Tocou a testa e disse depressa:
— Desculpa, desculpa.
— Você está bêbada?
Aquela voz? Rebecca se recompôs um pouco. Ergueu os olhos e deu de cara com aquele rosto totalmente detestável que tinha acabado de zombar dela!
— Por que tem que ser você de novo?
Rebecca estava realmente enojada. Enquanto falava, fez um gesto displicente com a mão, como se o homem à sua frente fosse um fantasma.
Tanto acenar a mão também fez o corpo dela balançar. — Esses saltos malditos! Nem dá pra ficar em pé direito com eles!
Dito isso, Rebecca tirou os dois sapatos.
Os olhos de Everard Whitaker se estreitaram um pouco. Na verdade, ele a achou meio fofa — especialmente bêbada.
Ele cruzou os braços. Estava prestes a sair do elevador, mas então encostou com calma na lateral e perguntou:
— Térreo? Ou estacionamento?
— E o que você tem a ver com isso? Cuida da sua vida!
Por mais bêbada que estivesse, Rebecca ainda continuava em alerta.
— Onde está seu marido? Hoje não é o aniversário de casamento de vocês? Agora há pouco vocês estavam todos melosos, com flores, piano, pedido com drone e tudo mais. Como é que você está bêbada e sozinha agora? Com essa cara de tão solitária?
Everard estava apenas perguntando por curiosidade, mas, aos ouvidos de Rebecca, aquelas perguntas soaram incrivelmente cruéis.
Ela apontou para Everard.
— É você! Toda vez que eu esbarro em você, eu tenho azar! Toda santa vez que eu te vejo, a minha situação fica muito constrangedora!
Everard arqueou uma sobrancelha.
— Está brincando comigo? Você não consegue segurar o coração do seu marido, mas a culpa é minha, que sou um estranho?
— Sim! A culpa é sua! Sua energia é ruim!
Everard ficou completamente sem palavras.
— Sai da frente! Não bloqueia o meu caminho!
Rebecca empurrou Everard para o lado.
Rebecca parecia magra, mas tinha bastante força. Foi até os botões do elevador e apertou o térreo.
Everard tinha pensado em simplesmente ignorá-la, mas as portas do elevador se fecharam, então ele continuou encostado de lado, observando para ver que outra idiotice ela faria.
Rebecca tirou o celular da bolsa e ligou para Natalie, que atendeu rapidamente.
— Rebecca? O que foi?
— Natalie, vem me buscar.
— Te buscar? Você não ia comemorar seu aniversário de casamento com o William hoje?
Ao ouvir isso, o autocontrole de Rebecca desmoronou por completo. As lágrimas começaram a cair, e ela soluçou de forma descontrolada.
— Ele é um mentiroso, Natalie. E você também não é confiável. Você disse que eu tinha charme, que, se eu o seduzisse, ele ficaria caidinho. Você sabia que a Celeste fez só uma ligação e ele foi embora? Ele simplesmente foi embora!
— Rebecca, onde você está? Eu vou te buscar.
Rebecca olhou para o elevador e então seu olhar caiu sobre Everard.
— No hospital. Encontrei de novo aquele médico intrometido que ficou escutando a minha conversa.
Everard apontou para si mesmo e revirou os olhos para o teto.
— Hospital? Por que você está num hospital? Você tem certeza?
Rebecca estava falando sem nexo, e Natalie parecia confusa.
Everard não aguentou mais. Ele pegou o celular de Rebecca. Rebecca protestou e tentou arrancá-lo de volta, mas o corpo dela se inclinou, e ela caiu bem nos braços de Everard. Ele segurou firme o ombro dela. Rebecca ainda tentou se debater, mas a voz baixa dele a interrompeu, em tom de ordem.
— Para de se mexer!
Depois de resmungar isso, Everard falou ao telefone:
— Sua amiga está no Zenith agora. Está bêbada. Quanto tempo você leva para chegar aqui?
— Quem é você?
— O dono do Zenith, Everard Whitaker.
Everard era uma pessoa educada, embora não gostasse muito de revelar sua identidade a estranhos.
— Minha amiga está bem? Se eu for até aí, vou demorar pelo menos uma hora. Agora está em horário de pico.
— Nesse caso, vou conseguir um quarto para ela lá em cima. Ela está bêbada desse jeito, então precisa de um lugar para descansar.
Natalie ficou muito agradecida.
— Tudo bem, tudo bem. Muito obrigada, Sr. Whitaker. Vou para aí agora mesmo.
Depois de desligar, Everard olhou para Rebecca, que estava encostada nele e de repente tinha ficado quieta. Ela não estava mais fazendo escândalo de bêbada como antes — apenas chorava em silêncio. As lágrimas dela já tinham encharcado a camisa de Everard.
O elevador tinha chegado ao térreo. Everard apertou o botão de outro andar, e as portas se fecharam de novo, voltando a subir.
Rebecca estava bêbada, mas não tinha perdido a consciência por completo. Ela ouvira tudo o que Everard dissera a Natalie. Talvez por isso tivesse parado de se debater descontroladamente.
Mesmo usando a bebedeira como desculpa, devia haver limites.
