Capítulo 9
Além disso, as pernas dela estavam fracas e sem força naquele momento, e ela estava tonta, com a cabeça leve — não estava em condições de passar por mais nenhum problema.
Everard tinha planejado ajudá-la a andar, mas, vendo o quanto ela parecia miserável, balançou a cabeça, pegou-a no colo e seguiu a passos largos rumo ao quarto do hotel.
Assim que entraram no quarto, Everard a colocou na cama. Quando ele estava prestes a se levantar, um par de mãos se enlaçou em seu pescoço.
Everard ficou ligeiramente imóvel. Ao encontrar o olhar escuro de Rebecca, quase sedutor, com as respirações dos dois quase se misturando, ele estreitou os olhos.
— O que você está fazendo?
Como se estivesse possuída, Rebecca abriu a boca e perguntou:
— Eu sou bonita?
— Eu te fiz uma pergunta. Por que você não está respondendo?
— Você é bonita. Mas eu já vi mulheres mais bonitas do que você. Seu marido te abandonou e agora você perdeu a confiança?
— Se eu sou tão bonita, então por que ele não me quer? — Rebecca perguntou de novo.
— Isso você vai ter que perguntar ao seu marido.
Rebecca balançou a cabeça.
— Eu não vou conseguir uma resposta dele.
Mais do que não conseguir uma resposta, o mais correto seria dizer que ela não conseguiria uma resposta que pudesse aceitar.
— Hoje é meu quinto aniversário de casamento, mas ele foi ficar ao lado de outra mulher. Eu não sou patética?
Everard assentiu.
— Bem miserável, de fato.
O leve cheiro de álcool no hálito de Rebecca carregava um poder encantador, fazendo até Everard se sentir um pouco atordoado. Ele a encarou daquela distância curta, vendo as lágrimas se acumularem nos olhos dela, junto da tristeza e da sedução.
Ele conseguia sentir o que ela queria fazer — fazer um homem adulto perder o controle aos poucos, para provar que era uma mulher atraente.
Os braços de Rebecca puxaram de repente com força, e os lábios de Everard se pressionaram contra os dela. Os olhares se encontraram, e a expressão de Everard passou do choque ao perigo, enquanto a de Rebecca mudou de um leve desconforto para determinação. Ela fechou os olhos e aprofundou o beijo de forma ativa.
Everard observou aquele rosto bonito e delicado se aproximar do seu. A pele era clara, as sobrancelhas finas e arqueadas, os cílios não eram particularmente grossos, mas eram muito longos. Agora estavam úmidos, e os olhos dela estavam vermelhos — uma visão lastimável que, de algum modo, amoleceu seu coração, despertando inexplicavelmente um pouco de compaixão.
Ela insistiu em aprofundar o beijo, com os lábios ardendo de tão quentes. Naquele momento, ela era como uma bola de fogo, determinada a reduzir a cinzas tanto a si mesma quanto a ele.
— Sua amiga vai chegar logo.
Everard soltou os lábios dela, já inchados, e, com os dedos, acariciou-os de leve enquanto sussurrava rouco ao pé do ouvido dela.
Rebecca abriu os olhos.
— Você não disse uma hora?
— Uma hora não é suficiente. — Os lábios de Everard tocaram a orelha dela, tão quentes que fizeram o corpo de Rebecca estremecer. Quando ela percebeu o que ele queria dizer, o rosto inteiro corou num vermelho ainda mais intenso.
— Rebecca, lembre do meu nome: Everard Whitaker.
— O que você quer extravasar é seu ressentimento e sua raiva, mas você encontrou a pessoa errada. Rebecca, você acendeu esse fogo hoje à noite, então você me deve. Eu quero que me pague quando estiver disposta.
Dito isso, Everard abaixou a cabeça e mordeu com força o pescoço de Rebecca.
Então, as roupas desalinhadas foram arrumadas, aqueles vestígios de paixão foram suavizados, e em seguida veio o som da porta se fechando.
No quarto amplo, restou apenas Rebecca, respirando com dificuldade.
Depois que seu coração foi se acalmando aos poucos, ela cobriu os olhos.
— Rebecca, você realmente enlouqueceu! Em que você é diferente do William? Diferente da Celeste?
Quando Natalie chegou, Rebecca já tinha tomado banho.
— Rebecca! Você está bem?
Ao ver a expressão preocupada de Natalie, Rebecca deu um sorriso fraco e deu de ombros.
— Agora que você chegou, estou bem.
Vendo que ela ainda estava bastante lúcida, Natalie finalmente relaxou e se aproximou para abraçá-la.
— O que aconteceu? Me conta.
— Entra primeiro.
Então Rebecca resumiu brevemente como William tinha sido tão carinhoso e depois como ele fora chamado às pressas por uma ligação de Celeste. Os punhos de Natalie se cerraram enquanto ela ouvia.
— Que par de desgraçados! Crystalview Hospital, é? Eu vou para lá agora mesmo!
Natalie se levantou de um pulo e foi em direção à porta, assustando Rebecca. Rebecca rapidamente a segurou.
— Natalie, se acalma.
— Eu não tenho o seu sangue-frio, não! Não consigo me acalmar de jeito nenhum! Vou dar dois tapas na cara da Celeste! Eles acham mesmo que é fácil te humilhar, que você não tem ninguém para te defender?
Rebecca conhecia o temperamento de Natalie — quando ela ficava com raiva, realmente não havia quem a parasse. Vendo Natalie quase na porta, Rebecca disse depressa:
— Eu decidi me divorciar!
Os passos de Natalie finalmente pararam. Ela se virou para olhar para Rebecca.
— Natalie, eu decidi me divorciar do William.
Rebecca foi até ela, puxou Natalie de volta para o sofá e até serviu um copo d’água, como se não fosse ela a injustiçada daquela noite.
— Você sempre me aconselhou a não me prender só à família Spencer, a não viver só em função do William e do Oliver, mas eu não te ouvi. Sempre achei que, desde que eu cuidasse dos dois e fosse uma boa dona de casa, poderia ter a felicidade que queria. No fim, eu só me perdi e me tornei um acessório com o qual os outros nem se importavam.
— Antes, eu pensava que, desde que amasse William, conseguiria suportar qualquer coisa. Mas, por mais que eu o tenha amado, cinco anos foram suficientes para me fazer acordar. Eu o amo, ele é tudo para mim — mas, se eu não o amar, o que você acha que a família Spencer tem que possa me fazer ficar lá?
Natalie ouviu Rebecca explicar tudo com calma, observando seu olhar lúcido e decidido — completamente diferente da confusão que tinha visto na semana passada.
— Oliver.
Natalie disse:
— Só o Oliver poderia te prender lá agora.
Rebecca balançou a cabeça, com o olhar ainda mais firme do que antes.
— Nem o Oliver consegue me manter na família Spencer. Eu vou levá-lo comigo.
— Você quer a guarda do Oliver?
Natalie estava claramente surpresa.
Rebecca assentiu.
— Oliver é o filho que eu sofri tanto para trazer ao mundo, aquele de quem cuidei com todo carinho nesses quatro anos. Como eu poderia deixá-lo com William? Além disso, William pode se casar com Celeste no futuro. Se eu deixar Oliver na família Spencer, será que ele vai ter uma vida boa?
Natalie se surpreendeu ao ver que Rebecca já tinha pensado tão longe.
— Divórcio? Você consegue mesmo fazer isso?
Rebecca soltou uma risada leve.
— O que há para relutar em abrir mão daquilo que nunca me pertenceu? Cada dia que esse casamento continua é mais um dia de sofrimento.
Natalie abriu os braços e abraçou Rebecca com força, dizendo, emocionada:
— Essa é a Rebecca que eu conheço!
