Capítulo 2 Você tem um mês
Dante
Confiar em uma mulher foi o pior erro que cometi na minha vida! Pensei que merecia ser feliz e entreguei o meu coração para Scarlett, uma renomada cirurgiã plástica. Logo nos casamos, e minha esposa começou a ficar ciumenta e possessiva. O gosto amargo do café sem açúcar lembra a minha vida vazia e amarga. Achei que um bebê poderia salvar o nosso casamento. Eu não podia estar mais errado.
Scarlett queria tudo do jeito dela. Se eu não a acompanhava em todos os eventos, ela armava um escândalo dizendo que eu estava com outra. Era um inferno! Acredtei na ilusão de que quando o bebê chegasse, tudo iria mudar. Um dia, estava em uma importante reunião e não atendi as suas ligações. Após a reunião, fui informado de que ela estava no hospital. Havia sofrido um aborto espontâneo. Dei todo o meu apoio. Contudo, Scarlett me culpou pelo ocorrido. Pediu o divórcio e revelou que o filho que esperava não era meu.
Meu coração ficou destruído! Os olhares julgadores me obrigaram a ficar fora do país por um ano. Já se passaram três anos, e nunca mais tive relações com mulher nenhuma. Tentei, e não consegui. Os corpos perfeitos das acompanhantes de luxo não provocam nenhum desejo em mim.
Como não pretendo ter filhos, estou preparando meu sobrinho para assumir o império Montgomery. Entretanto, Rodrigo é mimado e irresponsável. Espero que ele amadureça. Não iria descansar em paz vendo a minha empresa falir.
Minha secretária entra, me entregando um documento. Assino, e como de costume, ela tenta me seduzir, abrindo os botões da blusa, deixando os seios quase de fora. Sorrio. Ela é determinada!
- Que calor, senhor. Sabe como posso acabar com o meu fogo?
Seu tom de voz é meloso.
- Sorvete ou um bom banho gelado.
O sorriso dela morre.
- O senhor pode me ajudar no banho?
- A senhorita já é bem grandinha. Pode se retirar.
Seus olhos queimam de raiva. Ela sai furiosa e bate a porta ao sair. Lorena é gostosa demais. Faço um esforço para sentir atração, mas falho miseravelmente. Parece uma maldição da minha ex-esposa.
Já que não fui dela, não vou ser de mais ninguém.
...
Meu sobrinho entra na minha sala sem bater na porta.
- Que falta de educação, Rodrigo...
- Desculpa, tio. Vim te dizer que minha namorada terminou comigo, então o jantar que iria pedir a mão dela não vai mais acontecer.
- O que fez, moloque?
Ele senta em frente a mim e coloca os pés na mesa.
- Angélica não queria transar comigo, então precisei me aliviar. O senhor sabe como é.
- Não, eu não sei!
- é mesmo O senhor não transa.
- Um homem de verdade não trai sua mulher, Rodrigo.
Ele ri.
- Homens têm necessidades, tio. A culpa é dela que não abriu as pernas.
Bato na mesa com força.
- Não gosto do jeito que trata as mulheres... Elas merecem respeito.
- O senhor foi infeliz no casamento e está me dando conselhos amorosos. É hilário.
- Se continuar assim, não herdará o império Montgomery.
- Sou seu único herdeiro.
- Eu posso te deserdar e ter um novo herdeiro.
Vejo pânico nos seus olhos.
- Volte para o trabalho.
Ele me obedece e sai do meu escritório.
Só quero colocar
medo nele. Não pretendo ter um filho. Seria um péssimo pai!
- O senhor tá me expulsando?
Olho para o meu pai, incrédula.
- O dinheiro que ganha vendendo as suas porcarias não dá para nada!
Faço uma careta ao sentir o hálito forte de bebida invadir minhas narinas.
- Se não gastasse o seu salário quase todo com bebidas e mulheres daria, e ainda sobrava!
- Você matou o único amor da minha vida. É sua obrigação me ajudar a pagar as contas.
- Estou cansada do senhor esfregar na minha cara todos os dias que matei a minha mãe. Eu já sei que se eu não tivesse nascido, ela estaria viva.
- A sua mãe era incrível! Todos a admiravam. Pedi tanto para interromper a gravidez, mas ela queria salvar a sua vida, vagabunda ingrata.
- Ela não iria gostar nada de ver o senhor me expulsando de casa. Não tenho para onde ir. Dou todo o meu dinheiro para o senhor.
- Isso não é problema meu! Ou arruma um emprego de verdade que pague bem ou terá que morar em outro lugar. Te dou um mês.
- Não pode estar falando sério. Emprego está difícil até para quem fez faculdade... Imagina para mim, que só completei o ensino médio.
A bebida só pode estar afetando seu juízo. Se eu conseguir um emprego, vou ganhar só um salário mínimo. Com os meus lanches, tenho muito mais lucro!
- Estou sendo generoso. Vá atrás de outro homem rico se não quiser trabalhar.
- Eu vou cozinhar que ganho mais.
Dou as costas para ele, indo para a cozinha.
A casa que Sebastião herdou do pai é grande e espaçosa. Era só o que me faltava: peguei meu namorado me traindo e agora meu pai quer me colocar na rua. O que fiz para merecer tudo isso?
Só de lembrar de Rodrigo com aquela mulher, meu sangue ferve. Aquele canalha prometeu que iria esperar até eu estar pronta. Sempre quis ter a minha primeira vez com alguém que me amasse de verdade. Não queria perder a virgindade só para dizer que perdi. Mas não penso mais assim. Vou perder a virgindade com alguém que o Rodrigo conhece. Quero que o babaca sinta o mesmo gosto de decepção que senti.
Ouço passos. Me viro, e Rodrigo está parado na minha frente com um buquê de rosas e uma expressão de cachorro que caiu do caminhão de mudanças.
- Como entrou?
- Dei grana para seu pai.
Sebastião é capaz de me vender para o açougue por uma boa grana.
- Eu não tolero traição, Rodrigo.
- Foi só uma vez, docinho. Estava na seca, precisava alegrar meu pau. Eu sou homem, entenda. Tenho necessidades. Já que não deu para mim, encontrei outra qualquer para foder.
O encaro enojada, sem acreditar nos absurdos que acabaram de sair da sua boca.
- Você é um homem nojento! Como fui burra.
- Docinho, case comigo. Prometo que terá uma vida de rainha.
Cuspo em sua cara.
- Prefiro morrer. Saía da minha casa, imbecil, e não me procure mais.
Seu rosto fica vermelho de raiva, e seus olhos se tornam assustadores.
- Vai se arrepender, piranha maldita. Farei da sua vida um inferno. Irá implorar por misericórdia.
Diz, e enfim, sai do meu campo de visão.
...
Suspiro aliviada e começo a preparar os sanduíches que vou vender amanhã, e preparo a sobremesa: brigadeiro de paçoca com recheio de doce de leite. Meus clientes amam! Doce sempre me deixa feliz e relaxada.
Tomo um banho e vou procurar um emprego. Posso muito bem vender meus lanches de manhã e trabalhar de garçonete à noite. Decido ir nos bares que são frequentados por pessoas bem-sucedidas. O salário é maior, e as gorjetas também.
Os proprietários me encaram com desdém. Essa é nova. Não sabia que para ser garçonete, tem que usar roupa de grife. Olho para as garçonetes que parecem modelos desfilando de salto alto. Como elas conseguem? Até de chinelo, eu perco o equilíbrio.
Mantenho a esperança e sigo para o último bar da minha lista. E escuto mais um "não". Pelo menos o dono foi educado.
Quando estou saindo do estabelecimento, meu corpo colide com uma parede de músculos. Só não tenho um encontro com o chão por causa das mãos que seguram a minha cintura com firmeza. Meu herói é Dante Montgomery! O tio de Rodrigo. Seus olhos são intensos, parecem que enxergam a minha alma. Seu rosto é muito bonito! Que homem gostoso! Muito melhor que o sobrinho mimado.
Ficamos nos encarando por vários minutos. Meu coração bate acelerado. Fecho os olhos, esperando o beijo que,
infelizmente, não vem. Ele me solta, e sinto falta do seu toque.
