Capítulo 5 Capítulo - 05 - Thomas Kuhn
A primeira coisa que eu fiz, depois de conhecer Bella McNight, foi colocar todos os meus homens de confiança investigando a vida daquela garota. Eu queria saber cada detalhe, do momento em que Bella nasceu, até o segundo antes de estar em frente a mim.
Assim que coloquei meus olhos sobre ela, eu sabia para onde isso iria dar, então eu a guiei para longe dali, pedindo licença a todos e dando a desculpa de sempre, que ela precisava de um pouco de ar. Mesmo que a verdade fosse que eu a queria um pouco mais, apenas para mim. Eu queria saber mais sobre ela, sobre o que aquela mulher que era tão diferente da foto que minha mãe me mostrou, pensava, mas Bella parecia apreensiva.
Era como ver um animal acuado, morrendo de medo, sem saber onde poderia pisar e o que poderia falar, então… eu tive que medir minhas palavras e meus gestos. Bella era algo frágil que eu tinha que cuidar e proteger, manter ao meu lado, até que ela já não pudesse mais respirar sem olhar pra mim.
Sim.
Ela seria minha e eu faria com que amasse isso, mas antes, eu precisava que ela confiasse em mim, então precisava saber… até onde ela odiava a ideia de ser minha futura esposa.
Eu tinha beleza, charme e carisma ao meu lado, mas se houvesse alguém no coração de Bella, eu teria que arrancar antes que criasse raízes. Do contrário, ela jamais seria completamente minha.
E para meu desgosto, ao fim da investigação, eu descobri exatamente o que ela me falou: que minha doce Bella tinha um infeliz que ela considerava seu namorado.
Charles.
Esse era o nome do desgraçado.
Um serzinho mediano e medíocre que nitidamente não era nada perto de mim e muito menos perto de Bella.
Aquele garoto era tão medíocre, que eu me perguntava como ele teve a ousadia de se aproximar da minha noiva, mas, aparentemente, pessoas como ele estavam sempre desesperadas para subir de patamar e ele faria de tudo para estar onde Bella poderia levá-lo.
Obviamente aquele infeliz não sabia nada sobre o submundo, sobre a máfia ou sobre a verdadeira identidade de Bella, mas ele sabia do que importava: que a família McNight era poderosa.
Idiota.
Ele provavelmente nem gostava da garota, e agora, ela estava preocupada com ele.
Estalei a língua no céu da boca e quando Brian terminou de folhear o dossiê que eu tinha preparado com tanto cuidado, ele riu.
— Sério, você é maluco — ele disse com descaso, colocando os pés sobre a mesa de mogno que eu tinha no meu escritório e eu o fuzilei com os olhos.
— Eu estou cuidando do que me pertence.
Brian sorriu.
— Te pertence? Não era você quem estava puto por ter que se casar com uma criança? — ele perguntou, zombando de mim e das minhas atitudes do passado, mas eu estalei a língua no céu da boca, ignorando as provocações de Brian.
— Bella não é uma criança.
Ele me encarou.
— Ela está pra fazer dezenove, eu sei.
Ergui uma das minhas sobrancelhas.
— Como sabe?
— Bom, a gostosa da prima dela está no meu círculo de amizades e o idiota com quem sua noiva namora é uma espécie de amigo — ele fala piscando, o que me faz encará-lo com descaso.
— Então agora você faz amizade com uns merdas que pegam a mulher dos outros?
Brian me ignorou, e girando uma caneta entre os dedos, ele apontou pra mim.
— Você não deveria estar mais preocupado com o fato da sua noivinha estar indo para uma festa na casa do namorado dela? — ele perguntou e em seus lábios eu vi aquele sorriso cheio de sugestão.
— Ela não faria isso, Henry pode não ter ligado de início para esse relacionamento, mas eu duvido que ele permita…
Brian riu.
— Quem disse que garotinhas rebeldes ouvem o papai? — ele zombou. — Qual é, Tommy… acha mesmo que ela vai pedir permissão? Sua noivinha já tem dezoito.
Sibilei.
Fazia dois meses desde que a nossa festa de noivado havia acontecido, e enquanto eu levantava o dossiê da Bella, também me perguntei se não deveria me aproximar, mas Bella era como um animal selvagem que fugiria na menor aproximação suspeita, e eu não ia correr o risco de ter uma relação como a dos meus pais.
— E o que você sugere? — perguntei e Brian sorriu.
— Sugiro que você seja mais educado — ele pisca pra mim — e tenha um cugino[1] educado e sociável, que obviamente foi convidado pra festa.
Ergui uma das minhas sobrancelhas.
— Ótimo, eu vou com você.
Ele bufou.
— Eu não te convidei, convidei?
Sorri.
— Você quer o bordel que acabamos de conquistar, não quer?
Brian me encarou com descrença e eu me aconcheguei à minha poltrona, cruzando as mãos enquanto relaxava na minha cadeira, porque eu conhecia aquele desgraçado a tempo suficiente para saber exatamente o que ele queria e no momento! Brian queria muito aquele bordel. Ele queria provar que podia ser mais do que esperavam dele e eu tinha certeza disso.
— Vai fazer isso mesmo?
Assenti.
— Ninguém foi destinado ao lugar, se você me levar na festa do namorado da Bella… eu te dou carta branca para liderar o bordel. Você só precisa seguir as regras — expliquei e o sorriso nos lábios dele se tornou tão largo quanto se era possível ser.
E foi assim que me vi tendo que trocar os meus ternos caros por roupas casuais e até mesmo deixar meus cabelos mais bagunçados que o comum. E mesmo assim, era impossível que eu não me destacasse, mas no instante em que entrei naquele casebre que o tal Charles chamava de casa, eu vi Bella.
A minha Bella.
*Bella McNight
Tínhamos conseguido, e tínhamos chegado até o carro da Jenny para ir até aquela festa. Mas assim que chegamos até lá, e eu vi aquele quintal enorme com apenas uma simples grama cortada, que tinha um pequeno caminho de pedra até a entrada, eu me toquei que eu nunca tinha vindo até a casa do meu namorado; tanto que quando eu entrei… aquilo veio como um tapa na minha.
Eu logo me deparei com a sala, que como tudo ali parecia ser bem humilde. Possuía um sofá enorme e duas poltronas na cor cinza, que combinavam com a cor do sofá, no canto da sala tinha uma TV de led em cima de um rack na cor preta, na prateleira de cima tinha várias fotos em família, o que dava um ar até que… aconchegante ao lugar.
Mas eu não fiquei muito tempo por ali, já que eu apenas queria alguma coisa para beber, alguma coisa que me deixasse alegre como aquelas pessoas que estavam dançando e sorrindo sem simplesmente se importarem com o amanhã.
— BELLA! — Ouvi uma voz masculina gritar o meu nome, o que me fez virar junto a um sobressalto que quase me fez derrubar a cerveja que eu havia pegado.
— Thomas... — Fiquei espantada ao vê-lo, logo aqui, na casa do Charles. — Que surpresa. O que veio fazer aqui?
Perguntei enquanto os meus olhos percorriam por ele, por aquele rosto que possuía uma barba impecável — como de costume — e cabelos jogados para trás.
— Sou eu que estou surpreso por encontrá-la aqui — ele falou ao se aproximar, um sorriso brotando em seus lábios rosados enquanto ele me puxava pela cintura.
— Thomas, aqui não somos nada. — Eu o empurrei ao dizer, até porque nós realmente não tínhamos obrigação de agirmos como um casal. Estávamos em uma festa, completamente fora dos olhos da mídia e das nossas famílias.
— Isso é o que você pensa, querida — ele falou ao pegar a minha mão, depositando com isso, um beijo na mesma ao se aproximar ainda mais —, porque os homens do seu pai podem não estar aqui, mas os do meu estão.
Pisquei.
— Como é? — eu questionei, não querendo acreditar que logo quando eu achava que ia ter um momento de sossego, uma bomba dessas caía no meu colo.
Desse jeito eu não conseguiria conversar com Charles, e muito menos… ter qualquer interação que fosse com ele.
— Isso mesmo que ouviu, então sim… nós temos algo aqui também — ele soltou de um jeito despreocupado, um que me deu inveja.
— Só porque eu achei que tinha conseguido chegar até a casa de Charles sem… tudo isso — suspirei ao jogar os meus fios para trás, os meus olhos indo até o chão enquanto eu me apoiava no balcão da cozinha.
— Quem é Charles? — ele perguntou, apenas para fazer aquela expressão de quem tinha descoberto a América. — Oh… creio que eu entendi.
— Você veio em uma festa sem saber quem era o anfitrião? — falei com uma das minhas sobrancelhas arqueadas. — Céus…
— Meu amigo apenas me chamou, não me culpe. — Ele deu de ombros, apenas para eu ver Charles caminhando em minha direção.
— Bella! Você veio! — Ele me abraçou, mas quando ele foi me beijar, eu tive que dar um jeito de desviar e apenas dar um breve beijo em sua bochecha como forma de "cumprimento". — E quem é esse? Você conhece? — Ele simplesmente olhou Thomas de cima a baixo ao dizer aquilo, o que me forçou a dar um sorriso forçado, completamente social.
— Eu também não sei, ele ia se apresentar quando você chegou — menti de forma descarada para o meu namorado, apenas para Thomas estender a própria mão, os lábios dele com isso se arqueando.
— Thomas, muito prazer.
Eu vi os dois darem um aperto de mão breve, um que parecia deixar claro a diferença que aqueles dois tinham.
E ela… era gritante.
— O prazer é meu, mas… você veio com alguém? — Charles não evitou de questionar, a sua testa se franzindo. — Você tem um aperto de mão forte, né?
— Sério? Sempre achei que fosse normal. — Ele parecia ter dito com certo sarcasmo, mas ao mesmo tempo… isso podia ser apenas coisa da minha cabeça. — E sim, eu vim com o Brian.
— Ah, o Brian é um dos meus melhores amigos — Charles afirmou, agora tudo parecendo fazer total sentido para ele. — Bem que eu estranhei, eu tinha certeza de que nunca tinha te visto.
— Claro que não. — Thomas apenas soltou, um sorriso de canto brotando em seus lábios. — Mas isso acabou de mudar, certo?
Arqueei uma das minhas sobrancelhas.
Novamente, era impressão da minha ou ele… não, não tinha como isso ter acontecido, era Thomas.
Não tinha sentido ele esnobar de Charles, certo?
— Bom, eu… vou para o toilette. — Acabei dizendo depois daquilo, até porque… ficar entre o meu namorado e o meu suposto noivo, que trouxe a vigília para essa festa, estava me fazendo sentir sufocada.
— Está bem, volta logo — Charles falou de um jeito fofo, e Thomas, por outro lado, apenas acenou com a cabeça.
Eu quase não conseguia sentir o ar nos meus pulmões naquele momento, e quando eu finalmente consegui entrar em um dos banheiros que aquela casa possuía, e me vi realmente respirando.
— Isso não pode estar acontecendo, não é? — Respirei fundo, os meus olhos vidrados no espelho que estava à minha frente. — Fala sério, quais são as chances?
Bom, não importava.
Eu tinha que me recuperar logo, eu não podia… ficar surtando por tanto tempo, ainda mais… com os homens dos Kuhn. Isso tudo podia pôr Charles em perigo.
Sendo assim, eu saí do banheiro depois de ter arrumado o meu cabelo e ter ensaiado tantos sorrisos falsos, que agora as minhas bochechas doíam.
— Bella? Já está passando mal? — Eu me deparei com Jenny assim que eu abri a porta, enquanto ela tinha um sorriso no rosto e zombava da minha cara.
— Eu ainda nem bebi para isso acontecer. — Ela riu quando falei e a minha vontade naquele momento? Era apenas de enfiar o meu rosto em qualquer lugar que eu pudesse. — E tente adivinhar quem está aqui.
— Eu não faço ideia — Jenny falou com certa curiosidade em seu olhar, e apreensão. — Mas pela sua cara… não é algo bom.
— O Thomas — falei de modo sucinto.
— O... quem? — Ela cuspiu a bebida que tinha acabado de colocar na boca, com uma das minhas mãos limpei os respingos que vieram em minha direção.
— Isso mesmo que você ouviu — suspirei —, fiquei tão incrédula quanto você.
— Desde quando ele conhece o Charles? — ela me perguntou com nítida surpresa, confusão.
— Eles são amigos em comum, de um tal de Brian — falei com certo descaso ao massagear as minhas têmporas — E agora? Tem homens dos Kuhn por toda parte.
— Isso é sério? — Ela respirou fundo, até deixando a cerveja que ela estava na mão de lado. — Assim você…
— Não vou conseguir falar com o Charles? É, eu sei. — Eu nem queria pensar muito no assunto, para ser bem honesta, mas como eu poderia, certo?
Ainda mais quando nada naquele lugar me deixaria fazer isso, muito menos a minha cabeça, que agora estava em estado de alerta.
— Onde eles estão agora?
— Os dois estão na cozinha conversando, acabei deixando-os lá, falando que vinha até o banheiro.
— O pior de tudo é se os dois virarem amigos. — Eu não sabia se Jenny estava tão preocupada quanto eu, ou apenas tentando brincar naquele instante. — As coisas ficariam complicadas assim.
— Eu sei, vou pedir para o Thomas se afastar, vai ser melhor para nós três — afirmei, com o meu corpo logo se movendo para ir até a cozinha. — Pelo menos até eu contar tudo para ele.
— Deixa isso pra depois, vem dançar, você precisa se distrair — Jenny falou ao me impedir e me puxar pelo braço, com isso me levando até a sala.
Música eletrônica estava tocando e ecoando pela casa, e Jenny havia conseguido algumas cervejas para nós duas, o que apenas me fez virar a garrafa assim que eu a abri. Eu realmente precisava relaxar, até porque… aquilo era uma festa, e eu não ia deixar todo aquele casamento me atrapalhar.
Eu já tinha perdido a oportunidade de falar com Charlie, então… eu não deixaria que eles me tirassem outra coisa.
Jenny apenas riu como de costume quando fiz aquilo — óbvio —, e começou a dançar comigo, enquanto eu sentia a música para a minha cabeça ir para qualquer outro lugar.
Porém, enquanto eu dançava, eu senti alguém se colocar atrás do meu corpo, as mãos vindo até a minha cintura, o que me fez pensar que quem estava fazendo isso era Charles. Afinal, era o comum a se pensar, certo? E isso me fez continuar ali, colocando as minhas mãos em cima das que estavam em cima da minha cintura, o meu corpo e o de Charles se encaixando, até que eu senti uma barba no meu pescoço.
[1] Primo
