Capítulo 2 A Escrava do Rei - Parte II
Seus olhos verdes fitam os meus olhos escuros e dentro de mim há um desejo voraz de não ser dispensada, algo como um orgulho. Pode ser loucura, mas ser selecionada como alguém que não serve é algo que não almejo. Um orgulho insano toma conta de mim e encaro o rei de volta. Não abaixo a cabeça; lágrimas não rolam de meus olhos; minhas mãos não tremem e minhas pernas se mantêm firmes.
Ele passa por mim em silêncio, não me dispensa e vai para a próxima. Então é isso que ele quer. Quer uma mulher corajosa e que o enfrente. O que há na mente deste rei sádico?
Tharion passa para a próxima e depois outra, e outra, até chegar ao fim da fila de mulheres. Quando ele termina me dou conta de que há apenas cinco mulheres, todas as outras foram tidas como inadequadas ao rei.
Agora sua seleção muda de caminho, realmente é indecifrável o tipo de escrava que ele quer.
— Qual o seu poder? — Ele questiona à mulher que está na ponta da fila.
Todos nós usamos uma coleira que inibe nossos poderes. Será que ele deseja usar nossos poderes? É isso que deseja de nós? Uma escrava pessoal que lhe sirva com seu poder?
— Água, majestade — A garota responde.
Ele segue para a próxima que lhe responde ar, a seguinte lhe responde água novamente e então chega a minha vez. Encaro-o.
— Qual o seu poder, mulher? — Seu olhar frio parece penetrar a alma.
— Elowen — falo corrigindo-o. Ele me chamou de mulher e este não é meu nome.
— O quê? Está me desafiando? — Seus olhos injetados de um ódio sem motivos aproximam de mim.
— Não senhor, apenas respondendo que meu nome é Elowen e não mulher. Meu poder é fogo, majestade — respondo e ele me analisa.
Não preciso explicar que tipo de fogo. Meu fogo não é flamejante, vermelho, laranja e amarelo, meu fogo é negro com uma base azul. Mas ele não perguntou que tipo de fogo e passou para a próxima que lhe respondeu cura.
Ele se afasta e nos analisa, deve estar pensando o que mais lhe agrada ou o que é mais útil para ele.
Não sei qual critério usa. Gostaria de dizer a ele que não servirei para nada por algum tempo, pois estou ferida e nossos poderes não funcionam quando estamos feridos. É uma forma de defesa do nosso corpo, para concentrar a magia totalmente na recuperação.
Seus olhos percorrem nossos corpos enquanto ele passeia na nossa frente, nos analisando. O rei vai até o fim da fila e volta, parando bem na minha frente.
— Você — Ele aponta para mim e acho que vai me dispensar. — Escolho você.
Um arrepio feroz percorre meu corpo dos pés ao último fio de cabelo, mas não abaixo a cabeça. Não fui rejeitada. Meu orgulho está intacto, porém, nada mais que isso estará em algumas horas. Esse homem sádico me fará em pedaços, eu sei disso.
Dou um paço a frente com o queixo erguido. O rei se aproxima mais me analisando, andando ao meu redor e eu me mantenho séria e de queixo erguido. Seja lá o que for que passarei nas mãos deste louco será desta forma, até o dia em que ele me matar ou me descartar.
— Demonstre seu poder. — Ordena o rei.
Encaro-o. Ele deve estar louco.
— Não posso. — respondo friamente.
— Retire o colar dela. — Ele ordena ao servo, acreditando que é por este motivo. Nem se estivesse sem o colar de contenção, eu não poderia usar meu poder devido a minha condição física.
— Mesmo que retire o colar, não poderei usar meu poder — falo ainda com meu orgulho intacto.
Ele me olha furioso.
— Mentiu para mim? — Aproxima-se, deixando seu nariz encostar no meu.
— Não senhor, se não sabe, uma bruxa ferida não é mais que uma humana, e estou ferida.
Seus olhos percorrerem meu corpo novamente, provavelmente procurando as feridas e não as encontrando.
— Mostre-me — ele ordena.
Viro-me de costas e afasto a manga da camisa, mostrando o lado superior das minhas costas onde já é possível ver a marca do chicote em minha pele.
Ele se aproxima e rasga o tecido, arrancando um som de espanto das pessoas que observam e me fazendo arregalar os olhos em espanto e vergonha, mas me mantive inabalável.
— Levem-na aos meus aposentos, coloquem uma roupa digna de minha companhia. — Ele ordena ao servo que vem ao meu encontro e cobre minhas costas com um manto.
O rei caminha na frente sem nem mesmo olhar para mim mais uma vez, após ver o estrago que seus servos fazem conosco. Sou acompanhada até o castelo do rei alfa, onde algumas mulheres me aguardavam e me vestiram com uma roupa branca.
— Você servirá ao rei e dará a ele um filho — a serva explica, me fazendo estremecer.
