Capítulo 2 Apresentação dos Personagens
PH — PEDRO HENRIQUE
O dono do morro
Fala, meus queridos! Meu nome é Pedro Henrique, mas, aqui na minha quebrada, quase ninguém sabe disso. Para os meus manos, sou simplesmente PH. Até minha fiel me conhece assim, e, sinceramente, prefiro que continue desse jeito.
Sou o dono do morro. Assumi essa responsabilidade depois que meu pai morreu durante uma invasão. A perda dele mudou minha vida, e eu fiz o que achei necessário para acertar as contas com o passado. Minha mãe? Nunca conheci. Talvez tenha sido melhor assim, porque não sinto falta daquilo que nunca tive.
Atualmente, tenho uma fiel, a Cássia. Ela apareceu por aqui, chamou minha atenção e acabou conquistando o posto de patroa. Bonita ela é, não vou mentir! O problema é que, ultimamente, parece mais preocupada com joias, roupas caras e o próprio status do que com qualquer outra coisa.
E, antes que alguém venha me dar sermão, vou logo avisando: nunca fui exemplo de fidelidade. Cássia sabe muito bem com quem se envolveu. Só não esperava que administrar a própria paciência fosse virar um trabalho de tempo integral!
Mas existe uma história que pouca gente conhece.
Quando eu era moleque, tinha uma menina que vivia correndo pelo morro com a gente. Minha Mandinha! Quer dizer, Amanda. Só eu podia chamá-la assim, e ai de quem tentasse roubar meu posto!
Ela era linda, esperta e tinha uma língua afiada que me deixava maluco. Eu vivia atrás daquela garota, embora fingisse que não estava nem aí. Nosso primeiro beijo aconteceu uma semana antes do meu aniversário de quinze anos. Eu estava criando coragem para pedi-la em namoro quando o pai dela a levou embora.
Foi o pior aniversário da minha vida.
Depois daquele dia, nunca mais comemorei como antes.
Agora, anos depois, estou aqui, mais velho, mais experiente e muito menos paciente. Achei que tivesse esquecido aquela menina, mas parece que o destino resolveu rir da minha cara.
Porque Amanda está voltando.
E, se ela continua sendo metade da encrenca que era na infância, estou oficialmente perdido.
Sou PH, meus amigos. E essa história ainda vai dar muito o que falar!
CÁSSIA
A fiel que ama o luxo
Oi, gente! Meu nome é Cássia, tenho 19 anos e sou a fiel do PH.
Antes que alguém pergunte, vou esclarecer uma coisa: não me apaixonei apenas pelo homem. Apaixonei-me também pela vida que ele pode me proporcionar. Afinal, quem não gosta de andar bem-vestida, morar confortavelmente e ter dinheiro para comprar aquilo que deseja?
Saí da casa da minha mãe porque ela insistia que eu arrumasse um emprego e começasse a ajudar nas despesas. Só de pensar em acordar cedo, enfrentar ônibus e passar o dia inteiro trabalhando, já me dava vontade de voltar para a cama.
Eu gosto de conforto, e não tenho vergonha de admitir!
O problema é que nem todo mundo aqui no morro gosta de mim. Algumas pessoas dizem que sou metida, outras reclamam porque não faço questão de ser simpática com ninguém. Sinceramente, não vivo para agradar os outros.
Mas existe uma coisa que me tira do sério: as mulheres que vivem rondando o PH.
Ele pode dizer que nunca prometeu exclusividade, mas eu não pretendo abrir mão da posição que conquistei. Não depois de tudo o que essa relação me proporciona.
Só que, ultimamente, tenho percebido uma coisa estranha. PH anda distraído, passa tempo demais olhando para o celular e parece estar esperando alguma notícia.
E eu conheço aquele homem o suficiente para saber que, quando ele fica quieto demais, alguma coisa está acontecendo.
Se for outra mulher, espero que ela tenha juízo.
Porque eu posso até gostar de luxo, mas não sou nenhuma boba!
TH — THIAGO
O braço direito e o rei das provocações
Fala, família! Para quem não me conhece, sou Thiago, mas aqui ninguém perde tempo com nome completo. É TH e acabou!
Sou subdono e cresci ao lado dos meus parceiros PH e LC. Nós três fomos o terror dessa quebrada quando éramos moleques. Se existia uma confusão, pode ter certeza de que pelo menos um de nós estava envolvido.
E, para completar o bonde, ainda tinha a Amanda, nossa pequena Mandinha.
Pequena mesmo! Eu e LC vivíamos chamando a menina de anã, e ela ficava uma fera. Mas era só aparecer alguém de fora para mexer com ela que a gente virava uma muralha de proteção.
Só o PH tinha autorização para chamá-la de Mandinha. Até hoje não entendo como aquele convencido conseguiu esse privilégio.
Meu pai morreu no mesmo dia que o pai do PH, e aquela perda marcou minha vida. Também nunca conheci minha mãe, então aprendi cedo a contar comigo e com os meus parceiros.
Hoje, sou solteiro, bonito e, segundo dizem, convencido. Eu prefiro chamar isso de autoestima bem desenvolvida!
Relacionamento sério? Nunca foi minha prioridade. Tem muita gente por aí interessada no que um homem pode oferecer, e eu não estou disposto a entregar meu coração para qualquer pessoa.
Mas confesso que tenho curiosidade para saber se existe alguma mulher capaz de me fazer mudar de ideia.
Só não contem isso para o PH, porque aquele sujeito vai passar o resto da vida me lembrando dessa declaração!
Agora, com Amanda voltando, tenho certeza de que a paz acabou. E, se ela continuar com aquela língua afiada, vou precisar de férias para recuperar minha tranquilidade.
Isso é TH, meus amigos. E a diversão está só começando!
LC — LUCAS
O mais tranquilo do bonde
Diga aí, meu povo! Meu nome é Lucas, mas quase ninguém me chama assim. Para meus parceiros, sou LC. Só minha mãe tem autorização para usar meu nome completo quando quer me dar uma bronca.
Diferentemente dos meus amigos, nunca conheci meu pai. Ele apareceu na vida da minha mãe apenas o suficiente para deixar uma lembrança e depois desapareceu. Mas isso nunca me impediu de crescer com orgulho da mulher que me criou.
Minha mãe é minha rainha, minha guerreira e a pessoa por quem eu faria qualquer coisa. Já a vi dormir com fome para garantir que eu tivesse comida. Por isso, hoje faço questão de que ela tenha conforto e nunca precise passar pelas dificuldades que enfrentou.
Sou o mais tranquilo do grupo. Pelo menos, é o que digo até TH começar a falar besteira e PH resolver que precisa provar alguma coisa para alguém.
Aí, meus amigos, nem a minha paciência de santo dá conta!
Estou solteiro e, ao contrário desses dois conquistadores de plantão, gostaria de encontrar uma mulher de verdade. Alguém que goste de mim pelo que sou, que queira construir uma vida comigo e que não esteja interessada apenas no dinheiro ou na posição que ocupo.
Pode parecer difícil encontrar alguém assim por aqui, mas continuo acreditando.
Quem sabe o destino não resolve me surpreender?
Enquanto isso, vou cuidando dos meus parceiros, tentando evitar que eles se metam em confusões desnecessárias e esperando que a próxima mulher a entrar em nossas vidas não seja mais uma dor de cabeça.
Embora, conhecendo essa turma, eu esteja começando a achar que pedir tranquilidade é pedir demais!
AMANDA
A menina que voltou para casa
Oi, meus amores! Tudo bem com vocês?
Meu nome é Amanda, tenho 18 anos e estou prestes a descobrir que voltar para o lugar onde cresci pode ser muito mais complicado do que eu imaginava.
Nasci e cresci na Rocinha, onde fui criada pela minha madrinha depois que minha mãe faleceu durante o parto. Só conheci meu pai aos doze anos, porque ele nem sequer sabia que eu existia.
Apesar das dificuldades, minha infância foi cheia de momentos especiais. Eu tinha meus amigos, brincava pelas ruas e vivia me metendo em confusão. Claro que, naquela época, eu era muito menor e não tinha a menor ideia de como a vida poderia mudar tão depressa.
Meu melhor amigo era Pedro Henrique, o famoso PH.
A gente vivia junto! Ele implicava comigo, eu implicava com ele, e nossos amigos só assistiam à bagunça. O que ninguém sabia era que, por trás das provocações, existia um carinho diferente entre nós.
Foi com ele que dei meu primeiro beijo.
Não vou mentir: foi estranho! Eu não sabia onde colocar as mãos, ele parecia ter esquecido como se falava e, depois, nós dois agimos como se nada tivesse acontecido.
Uma semana depois, meu pai me levou para Londres. Não tive tempo de me despedir direito dos meus amigos, e aquela partida deixou um vazio que tentei preencher ao longo dos anos.
Em Londres, estudei nas melhores escolas, fiz aulas de canto, dança, piano, luta e aprendi outros idiomas. Também trabalhei como modelo e tive oportunidades que jamais imaginei quando era criança.
Por fora, minha vida parecia perfeita. Por dentro, sentia falta da minha madrinha, das minhas raízes e daquela sensação de pertencer a algum lugar.
Há dois meses, perdi meu pai para o câncer. Ele me deixou uma herança, mas nenhuma quantia de dinheiro é capaz de preencher o espaço de alguém que amamos.
Por isso, decidi voltar ao Rio de Janeiro.
E não estou vindo sozinha! Minhas duas melhores amigas, Isabela e Larissa, estão embarcando comigo nessa aventura.
As duas são completamente malucas. Isa fala antes de pensar, Lari transforma qualquer conversa em motivo para rir e eu, que deveria ser a mais responsável, geralmente sou a primeira a entrar na confusão.
Estamos prontas para reencontrar velhos amigos, conhecer pessoas novas e aproveitar tudo o que a vida tem para oferecer.
Só não contava com a possibilidade de reencontrar um certo moreno tatuado que costumava roubar meus chocolates e que, pelo visto, cresceu bastante desde a última vez que o vi.
Pedro Henrique continua sendo o mesmo convencido?
Será que ele ainda se lembra de mim?
E, mais importante, por que meu coração parece querer sair pela boca só de pensar nesse reencontro?
Bom, meus amores, essa sou eu: Amanda. E podem preparar o coração, porque minha volta promete muito mais do que malas espalhadas pela casa e festas com minhas melhores amigas!
ISABELA — ISA
A amiga que transforma tudo em aventura
Oi, gente! Podem me chamar de Isa, por favor. Isabela é nome de quem está prestes a levar uma bronca, e eu prefiro manter minha ficha limpa sempre que possível.
Tenho 18 anos, sou espontânea, um pouquinho impulsiva e completamente apaixonada por aventuras.
Conheci Amanda na escola, aos doze anos, e nossa amizade aconteceu quase imediatamente. Bastou uma conversa para descobrirmos que tínhamos muitas coisas em comum e que juntas seríamos um perigo para qualquer pessoa que gostasse de silêncio.
Meus pais nunca me deixaram faltar nada material. Roupas, viagens, presentes e uma boa educação sempre estiveram disponíveis. O problema é que eles vivem viajando, trabalhando e resolvendo seus próprios compromissos.
Às vezes, sinto falta de simplesmente sentar à mesa com eles e conversar sobre meu dia.
Mas não gosto de ficar lamentando a vida. Prefiro aproveitar as oportunidades que aparecem.
Quando Amanda anunciou que voltaria para o Brasil, não pensei duas vezes. Arrumei minhas malas e decidi que iria com ela.
Meus pais nem fizeram tanta questão de discutir a decisão. Isso doeu um pouquinho, confesso, mas não vou deixar que essa tristeza estrague a oportunidade de viver uma experiência nova.
Agora, imaginem só: três amigas, uma cidade cheia de lugares para conhecer e uma comunidade inteira que ainda não sabe o tamanho da encrenca que está chegando!
Quero conhecer gente nova, dançar, rir até a barriga doer e colecionar histórias que vamos recordar durante anos.
Romance? Se aparecer alguém interessante, podemos conversar. Mas o sujeito vai precisar ter personalidade, senso de humor e muita paciência.
Porque eu não sou mulher de aceitar qualquer conversa bonita!
E, se os amigos da Amanda forem tão divertidos quanto ela promete, já estou prevendo muitas gargalhadas.
Segurem-se, porque Isa está chegando!
LARISSA — LARI
A romântica que vive reclamando
Oi, meus amores! Sou Larissa, mas, por favor, me chamem de Lari. Tenho 18 anos e sou a terceira integrante do trio que promete transformar a vida de Amanda em uma sequência de histórias inesquecíveis.
Conheci as meninas aos doze anos, na escola, e desde então não nos desgrudamos mais. Se Amanda está planejando alguma coisa, provavelmente eu e Isa já estamos envolvidas. E, se uma de nós tem um problema, as outras duas aparecem prontas para ajudar, mesmo quando não fazem a menor ideia do que está acontecendo.
Sou divertida, adoro conversar e tenho um talento especial para reclamar das coisas mais absurdas.
Meu irmão, por exemplo, parece ter esquecido que tem uma irmã. Desde que começou a namorar, vive ocupado com a própria vida e mal percebe quando estou por perto.
E não me façam falar da namorada dele! Não tenho nada contra a moça, mas ela poderia tentar ser um pouquinho mais simpática.
Agora, chega de reclamações, porque estou prestes a realizar um dos meus maiores desejos: morar no Rio de Janeiro com minhas melhores amigas!
Quero conhecer lugares novos, ir a festas, dançar até os pés pedirem socorro e viver experiências que não caberiam nas minhas antigas rotinas.
Quanto à vida amorosa, ainda não encontrei ninguém que tenha feito meu coração bater mais rápido. E tudo bem! Não estou com pressa de me envolver com alguém só para dizer que estou namorando.
Se for para me apaixonar, quero que seja por alguém que me faça rir, me respeite e esteja disposto a conhecer a pessoa que sou de verdade.
Enquanto esse príncipe não aparece, vou aproveitar minha liberdade.
E, conhecendo a Amanda e a Isa, alguma história maluca vai surgir antes mesmo de desfazermos as malas!
Preparem-se, porque Lari chegou!
E assim começa a história de Amanda, Pedro Henrique e todos aqueles que terão suas vidas transformadas por um reencontro inesperado. Entre amizades antigas, sentimentos escondidos, ciúmes, confusões e muitas risadas, ninguém sairá dessa aventura exatamente como entrou.
