Capítulo 2 2
Doran Narrando,
Depois que minha humana estava bem alimentada seu pai veio ao nosso encontro e pediu para que o acompanhassem, entramos em uma sala grande aonde tinha uma enorme messa e parecia ser usada para reuniões, ele se sentou e respirou fundo antes de falar alguma coisa, eu sentei ao lado da minha humana que segurou a minha mãe e tinha os dedos gelados.
Pai da Hana: Filha primeiro quero me desculpar pela maneira que falei com você quando fui te visitar, segundo quero te agradecer por ter vindo sua irmã realmente está furiosa e não foi um convite dela, eu mesmo te convidei eu queria que viesse e eu quero que assuma o trono sei que é capaz, e é a unica que pode fazer esse reino continuar sendo o que é, sua irmã é gananciosa e o marido dela também, vão acabar com o reino com toda certeza.
Hana: Porque não me contou tudo isso quando foi me ver, sinto que ainda não me contou toda a verdade.
Pai da Hana: Você sempre sabe de tudo, puxou isso da sua mãe, filha eu estou doente e não me resta muito tempo, eu sei que está grávida e sei quem é seu marido e sei também que está em boas mãos, sei que pode ser difícil, mas você sabe de tudo principalmente como comandar um reino.
Hana: Papai, não sei se vou conseguir.
Pai da Hana: Meu rapaz, posso confiar em você para cuidar da minha filha e do meu neto, e ajudá-la a comandar todo o reino sei que comandava a sua matilha, sei que seria o próximo líder e que largou tudo para proteger a minha filha.
Eu amo a sua filha, e darei a minha vida para proteger ela e meu filhote.
Pai da Hana: Posso morrer em paz então, e que se precisar se transforme e arranque a cabeça de quem ousar tocar nela, e um conselho fique sempre por perto e não deixe que outros preparem a sua comida, eu ainda acho que estou sendo envenenado.
Hana: isso é muito sério papai.
Pai da Hana: Sei que sim, mas eu não quero investigar, pois se eu não morrer de envenenamento vou morrer de desgosto. - E ali eu entendi que ele sabia bem quem estava tramando contra ele, enganasse eles que acham que vão fazer a mesma coisa com a minha humana, arranco a cabeça de todos.
Doran Narrando,
Eu fiquei pensando em tudo que o pai da minha humana falou, ele não podia se entregar a morte assim, mesmo que o desgosto fosse grande ele tinha que estar aqui para lutar ao lado da Hana para que o reino seja governado por mãos limpas, assim que minha humana dormiu eu sai para a floresta ao redor, era bom estar na minha forma animal correndo sentindo esse vento gelado bater nos meus pelos, eu conhecia muitos matos e ervas da floresta e era isso que eu vim buscar, eu iria preparar um chá para o pai da Hana beber para se curar do envenenamento, os encantos da florestas são imensos mas isso só serve para quem realmente sabe usar, assim que achei tudo que precisava voltei para o castelo, voltando para a minha forma humana e vestindo as minhas roupas que deixei escondido, preparei o chá e fui até aonde ele dormia.
Posso entrar?
Pai da Hana: Claro, aconteceu alguma coisa com a minha filha?
Não, eu te preparei um chá ele vai tirar o veneno do seu sangue, eu sei que talvez você não quer isso, mas eu sei que a minha humana precisa de você e nosso filhote também.
Pai da Hana: Achei que não houvesse cura.
Você vai se curar, e seu organismo vai criar uma proteção por conta das ervas, eles não vão te envenenar mais. - Ele me olhou com os olhos cheios de lágrimas e bebeu todo o bule de chá.
Pai da Hana: Obrigado, achei que não fosse ver o futuro príncipe nascer.
Vai ver ele assim como os outros também, agora descansa. - Ele fechou os olhos e eu sai do quarto com a sensação de alivio no peito, se precisar eu vou proteger ele também.
Hana Narrando,
Voce está tão pensativo, aconteceu alguma coisa que não quer me contar?
Doran: Eu fiquei pensando em seu pai e em tudo isso que está acontecendo, então eu fiz uma coisa, sai pra caçar na minha forma animal, busquei por ervar nas montanhas, eu conheço todas acredite, fiz um chá e dei ao seu pai, ele tomou tudo e agora está descansando, o chá vai tirar o veneno do sangue, e criar uma imunidade caso eles derem mais veneno a ele, seu pai vai continuar reinando e vai ver o nosso filhote nascer.
Amor, você fez isso mesmo, salvou o meu pai.
Doran: Eu espero que tudo dê certo e que ele se recupere logo, eu também te preparei um chá pra imunidade é mais fraco e não vai fazer mal ao nosso filhote, é uma forma de te proteger caso eu não esteja por perto. - Eu concordei e logo bebi todo o chá, eu confiava nele e confiava que iria nos proteger.
Obrigada por nos proteger, e proteger meu pai.
Doran: Eu entendi que ele quis te manter longe não por saber que você não é totalmente humana, mas sim para te proteger, no fundo ele já sabia o que aconteceria aqui.
Agora eu consigo entender dessa forma, pelo que soube a minha mãe foi a mulher que ele amou de verdade, mas o antigo rei meu avô não permitiu que eles ficassem juntos, acho que foi um dos motivos dele me mantes longe, sabia que se eu estivesse aqui não estaria mais viva.
Doran: Que bom que entendi, assim podemos apoiar e cuidar do seu pai, todo cuidado agora vai ser pouco, e eu não vou medir esforços para cuidar e proteger vocês, seja na forma humana ou no animal.
Obrigada, eu amo você, realmente te amo.
Doran: Eu te amo humana.
Hana Narrando,
Estávamos sentados a espera do desjejum, minha irmã e seu agora marido tinham um sorriso presunçoso no rosto de uma forma bem estranha, observavam atentamente os serviçais servirem o meu pai.
Doram: Não se preocupa, nada mais vai fazer efeito no organismo dele, eu preparei a sua refeição como faço todos os dias, mesmo te dando o chá eu não quero correr nenhum risco.
Obrigada por ser sempre tão cuidadoso. - Eu comi pois estava com bastante fome, meu pai comeu tranquilo como se soubesse que aquele momento chegaria, e que se não fosse o Doram talvez seria a sua última refeição.
Pai: A refeição estava deliciosa, me sinto renovado.
Que bom papai, eu estava preocupada com o seu bem estar.
Irmã: O papai estava sendo muito bem cuidado.
Imagino que sim, mas agora estamos aqui e vou ajudar a cuidar dele. - Ela fechou a cara e meu pai riu olhando cumplice para o Doram, muitas coisas aqui ainda tinham que ser resolvidas, depois de estar bem alimentada fui andar pelo jardim, os guardas e alguns empregados todos pareciam suspeitos e assustados de mais.
Doram: Não encara eles assim, eles já perceberam que você sabe que tem alguma coisa errada, consigo ouvir o desespero nos sussurros deles.
Só espero que tudo isso acabe, e que meu pai fique bem.
Doram: Ele vai ficar, já a sua irmã e o marido dela eu não tenho tanta certeza.
O que quer dizer com isso?
Doram: Uma guerra vai começar no castelo, ela fez promessas de mais a pessoas que aceitaram matar o rei, e isso vai se voltar contra ela e o atual marido.
Pai da Hana Narrando,
Eu caminhei de volta para meu quarto tranquilo, eu sentia que estava sendo seguido não que fossem fazer algum mal, mas para terem certeza que eu cairia morto antes mesmo de chegar no meu quarto, vi minha filha e seu marido vindo do jardim Hana com toda certeza será uma rainha excelente para todo o reino, ela se preocupa e governará como jamais foi governado em décadas.
Hana: Se sente bem pai?
Graças ao seu marido sim, eu me sinto bem e vivo.
Hana: Alguns serviçais estavam te acompanhando até o quarto?
Não, estavam olhando se eu ia morrer antes de chegar aos meus aposentos.
Doram: Estão muitos decepcionados.
Vão ficar ainda mais, pois já enviei um comunicado para todo o reino, me desculpe Hana por ter feito sem te consultar, mas eu preciso deixar tudo pronto caso eles usem de outro meio para me matar.
Hana: O que ouve papai.
Eu te nomeie rainha, estou abdicando do trono e passando a coroa a você, a cerimônia será daqui dois dias, eu ainda vou governar enquanto eu estiver vivo, mas não posso deixar que sua irmã comande todo o reino, ela me provou que não será capaz de cuidar do meu reino.
Hana: Sei de todas as suas preocupações papai, eu aceito a coroa e enquanto estivermos aqui vamos te proteger, Doram já deixou claro que seja na forma humana ou animal ele irá nos proteger.
Vou adorar subir essas montanhas com você em sua forma animal, deve ser uma aventura em tanto.
Doram: Quando quiser é só me avisar.
Será que meu neto vai poder se transformar.
Doram: Eu acredito que sim.
Vai ser lindo de ver. - Conversamos mais um pouco e eu fui para meus aposentos abri uma gaveta escondida aonde tinha um desenho da mãe da Hana, como ela era linda e como eu tenho saudades, meu primeiro e único amor.
Irmã da Hana Narrando,
Eu não poderia ter outro sentimento em mim a não ser raiva, minha irmã nunca viveu aqui e de repente aparece casada e grávida e é o xodó do meu pai, isso só me deixa mais irritada está tudo dando errado, o veneno parece não fazer efeito no meu pai incrível como ele parece ter melhorado da noite pro dia, já estava quase morrendo como pode estar tão bem assim.
Me lembro muito bem que antes da minha mãe morrer, ela me contou tudo que havia feito para se casar com o meu pai, ele nunca a amou mas naquela época ele foi obrigado a se casar, ele chegou a abdicar do trono por conta da mãe da Hana a mesma já tinha nascido mas minha mãe deixou claro que a mãe dela foi levada pra longe foi vendida como escrava, eu não sei se ela ainda está viva, desejo que tenha morrido pois esse era o desejo da minha mãe, e ela me fez prometer que eu não deixaria nada e nem ninguém me tirar o trono, eu serei a Rainha e nem meu pai e muito menos a bastarda da Hana ira me impedir nem que pra isso eu tenha que matar todos.
Vou governar terei meu poder e esse reino nunca mais será o mesmo.
~ A ganância é a destruição do proprio ser humano.
Hana Narrando,
Apesar de toda confusão e eu sei que isso ainda não é tudo, muitas coisas vão acontecer e eu sinceramente tenho medo do fim da minha irmã, ela tem tudo e anseia por mais e isso só tem um triste fim.
Mesmo assim hoje eu estou feliz, pela primeira vez senti meu bebê mexer e depois da primeira vez ele não parou mais, vai ser bem agitado o Doram disse que ele será um lobinho bem travesso o que me fez rir e me desesperar ao mesmo tempo, eu que achava que jamais iria viver algo parecido estou hoje aqui amando e sendo amada e vivendo como sempre deveria ter vivido, meu pai avisou hoje será o anúncio real na qual ele me nomeara rainha o mesmo não comentou com a minha irmã sobre qual seria o motivo para o tal anúncio, ele achou melhor assim pois ela não teria tempo de pensar em mais uma armadilha.
Doram não sai do meu lado, o mesmo disse que tem muito medo da ira da minha irmã e estando ao meu lado irá me proteger, assim como quando meu pai não está em seus aposentos ele fica ao nosso lado, Doram é nosso escudo e eu sei que ele irá até as últimas consequências para nos defender.
E sei que depois desse anúncio, minha irmã vai vim com tudo para nos derrubar.
O Anuncio da nova ♕Rainha♕
— Tudo estava indo conforme o rei havia planejado, as matriarcas dos outros reinos estavam presentes, reis rainhas príncipes e princesas, duques e até mesmo quem não fazia parte da realeza, quando o anúncio foi feito e Hana não é mais uma princesa e sim Rainha de todo o reino, e assim que recebeu a coroa e fez o seu discurso não longe dali sua irmã bebia uma taça atrás da outra engolindo junto sua raiva, inveja e todos os pensamentos ruins que tinha sobre o pai e a irmã.
— Doram estava ali ao seu lado, mas farejando tudo ao redor mesmo na sua forma humana ele conseguia sentir quando algo de errado estava acontecendo, Hana estava feliz e seu pai sorria como a muito tempo seu povo não via, mas ali em meio à multidão...
— Doram estava ali ao seu lado, mas farejando tudo ao redor mesmo na sua forma humana ele conseguia sentir quando algo de errado estava acontecendo, Hana estava feliz e seu pai sorria como a muito tempo seu povo não via, mas ali em meio à multidão sua irmã apareceu meio caindo pela bebida rindo descontroladamente erguendo um arco e flecha na direção da sua irmã, o Rei de imediato entrou na frente da filha, e Doram na frente deles pois além do sogro da mulher que ele amava havia o seu filhote, e ele jamais permitiria que mal algum acontecesse com a sua família, ela ria ainda mais descontrolada pois sabia que seu marido jamais entraria ma frente de uma flexa por ela, os guardas se posicionaram prontos para eliminar ela sem muito pensar, a princesa se rebelou contra o rei e a rainha e isso era o pior dos crimes, mas ela não tinha se dado conta e perdeu totalmente a noção quando se deixou levar pela raiva e falou tudo que ela mais tentava esconder.
Pai da Hana Narrando,
Não acreditei que minha filha fosse capaz de tamanha crueldade, contra mim eu não esperava mais nada, mas contra sua irmã e sobrinho eu jamais imaginei que ela seria capaz, ela não se deu conta quando começou a falar o que sua mãe tramou contra a mãe de Hana e muito menos sobre o envenenamento, um alto confissão em público ela se entregou contou a todos os reinos presentes e ao povo que ajudou a sua mãe a se livrar da mãe da Hana e que me envenenou para que ela e seu marido se tornasse rainha e rei, diante disso nem se eu quisesse diminuir a sua pena não conseguiria e com isso ela e seu marido foram levados à forca, deram um chá a ela para que estivesse sóbria antes do ocorrido e quando ela já estava normal ainda perguntaram se ela se arrependia, e para a minha maior decepção ela apenas sorriu e disse que se arrepende apenas de não ter nos matado antes, e com isso o chão falso se abriu dando a ela seu último suspiro, o que era para ser um dia feliz veio carregado de descobertas e feridas na alma na qual não seria tão cedo curadas, minha unica vontade agora era encontrar e mãe da Hana e torcer para que ela esteja viva.
Vou até o fim do mundo para ter ela de volta.
Hana Narrando,
Algumas semanas havia se passado após a morte da minha irmã, meu pai saiu com os cavaleiros em busca da minha mãe no dia seguinte, semanas e mais semanas iam se passando, eu não tinha notícias do meu pai mas Doran sempre me dizia que ele estava bem e que iria encontrar a minha mãe, eu sei que pode ser palavrar para me confortar, mas também pode ser o que ele sente, eu amanheci com dores e ele não saiu do meu lado disse que o bebe iria nascer ainda hoje, preparou a banheira com água quente e me fez ficar lá até que a agua estivesse morna, fez massagens nas minhas costas assim como nas pernas, ele deixou claro que o nosso lobinho estava pronto e a qualquer momento as dores ficariam mais fortes, e assim aconteceu as dores foram ficando cada vez mais fortes e ele preparou tudo disse que ele mesmo faria o meu parto, e eu só confiava nele naquele castelo.
Não sei quantas horas se passaram e nem quantos gritos eu dei até ouvir o choro do meu lobinho que tinhas os olhos acinzentados assim como o do Doram, me dando ainda mais certeza que ele iria se transformar como o pai, eu tinha o meu maior tesouro nas mãos e isso me trouxe uma força absurda na qual eu jamais imaginei sentir em mim.
A força do amor de mãe.
Pai da Hana Narrando,
Foram muitas galopadas e informações erradas, eu já estava a ponto de desistir quando no meio do nada uma cabana bem no auto da montanha, meus homens foram na frente eu já estava exausto e minha idade não me permitia mais tamanhas aventuras, a porta se abriu e uma mulher de cabelos ruivos apareceu, uma pele clara, mas avermelhada pelo sol os olhos mesclando de cor eu conhecia esse olhar, fui andando devagar e ela me olhou me analisando como se quisesse confirmar que eu era o mesmo eu do passado aquele por quem ela se apaixonou.
Eu te procurei por muito tempo.
Mãe da Hana: Eu te esperei por muito tempo, entra devem estar cansados. - Meus homens montaram o acampamento ali, e eu entrei em silêncio vendo-a preparar comida para todos nós, mostrou aos meus homens aonde ficava uma cachoeira aonde eles poderiam tomar banho, e me mostrou aonde eu poderia tomar banho, eu comi e ela disse para que eu descansasse, pois, a nossa conversa séria longa.
Mas precisamos conversa, eu esperei tempo demais.
Mãe da Hana: Sei que sim, mas a unica coisa que quero saber antes de qualquer coisa é, Hana está viva?
Sim, ela é rainha ta casada e a essa hora já deve ter dado à luz ao seu filhote. - Vi um sorriso contido nos lábios dela e fui dormi feliz pois tinha certeza que ela nunca esqueceu da nossa filha, e agora elas poderão ficar juntas finalmente.
Hana Narrando,
A maternidade me proporcionou muitos momentos mágicos como também muitos desafios, meu pequeno lobinho ainda não sabia se transformar, mas rosnava para tudo e todos que ele achava ser uma ameaça, com seu quase 1 ano ele já andava e não deixava o papai quieto que amava ir com ele explorar a floresta.
Alguns messes atrás alguns soldados do meu pai retornaram e com eles uma linda carta, eu sei que eles precisam de um tempo só pra eles, perderam muitos anos e é preciso recuperar todos eles, disseram que em breve estarão de volta e eu confesso, não vejo a hora disso acontecer eu vou conhecer a minha mãe e vamos novamente ser uma linda família.
Agora não havia mais mentiras nem segredos apenas amor e recomeço...
Sentada no jardim tomando um chá que Doram preparou, pois ainda sim ele prepara as minhas refeições assim como as do pequeno, ele ainda tem medo de ter algum soldado ou serviçal que possa nos trair, foram muito mandados embora principalmente os que servia fielmente a minha irmã, não queriamos correr o risco, por mais que Doram conhecesse muitas ervas ir contra o tempo nem sempre é uma boa opção.
Por conta dessa nova fase, resolvemos viver o nosso amor a cada dia como se fosse o último sempre sendo sinceros, amigos parceiros.
Nossos lobos nos escolheram, e seremos para sempre um do outro até o nosso último suspiro.
Hana Narrando,
O encontro mais lindo aconteceu, numa madrugada chuvosa meus pais retornaram ao castelo e eu conheci e abracei e chorei junto com a minha mãe, eram muitos anos desejando ter o abraço dela em ter seus conselhos e ensinamentos, longos anos perdidos, mas que agora não iriamos desperdiçar mais.
Eu nunca vi meu pai tão feliz, ele abraçava e brincava com o neto enquanto minha mãe cantava uma música de ninar, era muito mais que eu imaginei ou desejei ter algum dia.
Doran: Eu consigo sentir o quanto está feliz, eu quero que sempre fique assim já passou por momentos tristes de mais.
Eu realmente me sinto muito feliz, e completa, mas isso só sinto porque tenho você aqui, eu aprendi a te amar, e não consigo mais viver sem você, sem vocês nosso filho que cresce saudável e feliz e esse outro que em breve vai chegar, está crescendo saudável dentro de mim.
Doran: Quando foi que aprendeu a camuflar seu cheiro, eu vou ter outro filhotinho, você não imagina o quanto estou feliz eu te amo tanto que daria a minha vida e todas as outras a você.
Eu sabia que não existia outro lugar melhor para se ficar do que ao seu lado, eu aprendi que o amor vem em diversas formas, e as diferenças faz parte delas, o amor não é apenas dizer eu te amo, é demostrar que o outro é o que voce sempre desejou, cultivar e regar a cada dia para que se possa crescer mais um pouquinho, o amor é muito além do eu preciso de você.
~ Obrigada por me acompanharem até aqui, nós vemos em breve um beijo Nat.
Jimin... Jimin...
— Só mais 5 minutos...
— Você entra no palco em 10. Já chega, está na hora de acordar.
O staff bateu palmas ao lado de seu rosto e Jimin se assustou com o barulho.
Estava sentado na frente do espelho, com três pessoas se revezando entre fazer sua maquiagem, pentear seu cabelo e arrumar seu figurino. Todo dia de show era assim.
— Quanto tempo eu dormi? — perguntou, depois pigarreou, procurando uma garrafinha de água para limpar a garganta.
— Uns três minutos — a maquiadora respondeu, apertando uma esponjinha com pó compacto em seu rosto.
Ele olhou para o reflexo à sua frente, estava quase completamente pronto para o trabalho. Jimin estava viajando há quase dois meses, sem pausas, numa tour que arrecadava milhões por cada lugar que passava.
O solista de Pop coreano estava em seu auge e queria aproveitar cada momento daquilo, mas tudo tinha seu preço.
Seu sono estava desregulado, ele normalmente só parava para perguntar as horas antes de alguma entrevista ou quando descia de um avião. Tudo estava indo tão rápido, que ele precisava se esforçar mais do que nunca para dar conta do recado.
Jimin levantou, arrumando a jaqueta que vestia e verificando se estava tudo em ordem para começar seu último ritual de aquecimento.
— Ainda faltam muitas cidades? Estou esgotado. Dá pra ver na minha cara?
Os staffs negaram.
— Você está perfeito como sempre — alguns disseram, entre risadinhas.
E Jimin sabia que aquilo deveria ser encorajador, mas ele estava cansado. Essa era a verdade. Precisava de um pouco de descanso e paz.
— Cinco minutos! — o produtor anunciou na porta do camarim e eles começaram a se mover.
Jimin devia chegar até onde ficava o palco e seu nervosismo tinha que se dissipar até que a plataforma subisse. Girava seu microfone na mão e recebia alguns tapinhas nas costas, sua equipe sempre presente.
— Ok, são duas horas e meia, e menos um show na conta. Pense na recompensa, na brisa, na luz do sol, nas férias que vai ter quando isso terminar.
— Certo. Vamos, vamos — respondeu, de olhos fechados, mas abrindo-os em seguida.
Ainda faltavam cerca de dez shows, mas Jimin estava sempre positivo.
Quando pisava no palco, ele dava o seu melhor, independente do que estivesse acontecendo por for a, nos bastidores. Ninguém o via doente, ninguém sabia de suas frustrações internas.
Tudo o que sabiam dele era o que Jimin queria mostrar: seu brilhante sorriso fofo, combinando com os cabelos rosados que adornavam seu rosto, ou o rebolado sexy e os movimentos coordenados de suas danças sempre impecáveis. Jimin interpretava músicas com uma destreza descomunal, num timbre único e que soava diferente de qualquer outro.
Os fãs o amavam, alguns idolatravam, mas ele se sentia pleno mesmo quando ouvia as vozes se juntando à dele, compartilhando seus sentimentos ao entoar suas canções, gritando seu nome.
Ali, valia cada gota de suor, cada coreografia que repetia na sala de práticas. Jimin entrava em êxtase e só sentia o cansaço quando tudo terminava.
Quando o carro deixava os estádios ou arenas, quando ele chegava ao hotel, esgotado, mas satisfeito com o trabalho que havia feito.
Jimin sempre dava seu máximo em todos os shows, porque por mais que ele estivesse cansado, o homem gostava de fazer seu público vê-lo como se aquele fosse o primeiro show da turnê. Ele ia com a mesma empolgação, a mesma energia, ainda que mais tarde, depois de tudo, seu corpo o cobrasse e exigisse o descanso.
Ele finalmente tirava toda aquela maquiagem, lavava o fixador do cabelo, sentava na cama e comia o seu pedido, saboreando cada momento como se fosse o último.
Apesar da grande fama, Jimin, no entanto, possuía uma vida solitária.
Ele não tinha tempo para manter um relacionamento, e nas vezes que conseguiu, a mídia havia ficado tão em cima dele que mal conseguiu desfrutar daquele sentimento.
Aceitou, por várias vezes, que o único consolo que tinha eram as vezes que ficava com alguém sem pretensão nenhuma.
Às vezes ele nem se dava ao trabalho de conhecer a pessoa direito, pois só se veriam uma vez, então não valia a pena.
Era mais seguro, para não correr o risco de se apaixonar.
Jimin havia se acostumado a apreciar sua própria companhia e não via problema nisso, afinal, sendo um idol mundialmente famoso, o que não faltavam eram oportunistas esperando qualquer chance de ter algo com ele. Fosse uma manchete, ou até mesmo um filho.
Ele optava por se preservar e continuar naquela condição, solteiro, até que sua carreira estivesse menos agitada, pois ele gostava do que tinha e lutou muito para ter tudo aquilo. Não era justo que perdesse aquele momento por conta de um affair comprometedor.
Do outro lado do mundo, numa cidade da Coreia do Sul, Min Yoongi pegava a mochila de seu filho, depois de mais um dia inteiro de trabalho na cafeteria.
Seus melhores amigos, Kim Seokjin e Kim Namjoon haviam inaugurado uma nova parte do bar que já tocavam.
Yoongi trabalhava pela parte da manhã numa fábrica de móveis projetados e sempre que sobrava algum tempo de tarde, ele tocava violão no bar, restaurante — e agora cafeteria — dos amigos.
Era um dinheiro extra, que Yoongi já começava a reservar para os estudos de YeJun.
YeJun tinha sete anos e passava a maior parte do tempo na escola. Entre lições de casa e algum tempo no videogame, o garoto não dava muito trabalho, ele entendia desde sempre que eram apenas os dois naquele mundo inteiro.
Mesmo que tio Nam e tio Jinie — como ele chamava — estavam sempre dispostos a ajudar, eles também tinham sua própria vida. Assim, YeJun cooperava. Yoongi e ele conversavam muito, dentro do que era possível conversar com uma criança daquela idade, e ele procurava não ser um peso para o pai, mesmo que Yoongi sempre tenha deixado claro que YeJun era tudo para ele. Sua motivação e seu gatilho para querer sempre crescer como pessoa e como pai.
YeJun se orgulhava de ter alguém como Yoongi para se inspirar, nunca tinha sentido necessidade de outra pessoa entre eles para se sentir amado, mas o garoto também observava a forma como todas as outras pessoas — adultas e com filhos — ao seu redor continuavam a viver, tinham seus paqueras e até se casavam de novo.
Yoongi, no entanto, gastava todo seu tempo livre apenas se dedicando a YeJun.
O garoto já tinha perguntado por que o pai também não arrumava uma namorada, já que sua mãe o tinha deixado tão cedo, mas o Min sempre desconversava, dizendo que não estava pensando naquilo por agora.
YeJun não insistia, respeitava o espaço do pai porque quando ele precisava do seu próprio, Yoongi também o respeitava.
Naquela tarde, em específico, YeJun passou a maior parte do tempo lendo e resolvendo suas lições escolares enquanto Yoongi tocava no palco improvisado do restaurante.
Ele gostava de ouvi-lo também, e assim como o pai, adorava rimar. Yoongi tinha estudado música, mas nunca trabalhou na área. Com um YeJun pequeno para criar, ele precisava de um trabalho fixo e de salário razoável. Então, deixou mais aquele sonho no porão.
— Yejun, recolha suas coisas enquanto eu vou falar com Jin hyung, ok? Você comeu alguma coisa? — o homem de cabelos escuros e olhos pequenos perguntou ao filho, olhando para os cadernos abertos sobre uma das mesas.
O restaurante nunca ficava completamente lotado, então sempre sobrava algum espaço para o garoto ficar.
— Tio Nam me deu chocolate e biscoitos. Eu não comi tudo, guardei alguns pra depois do jantar. — Ele mostrou um saquinho que havia enfiado na mochila e Yoongi sorriu, orgulhoso.
— Muito bem, garoto. Já volto.
Ele se afastou. YeJun era tão responsável que ele até questionava como poderia ter tido um filho tão bom assim. Lembrava que quando tinha a mesma idade, ele só queria brincar no parque, correndo e jogando lama nos outros garotos. Talvez fosse um reflexo de quanto Yoongi tinha mudado.
Desde que sua ex-namorada apareceu em sua porta, entregando a ele um bebê que era sua cara xerocada, dizendo estar viajando para a América do Norte, Yoongi havia amadurecido rápido demais.
Na época, ele havia registrado o bebê, mas a garota morava na casa da mãe. De repente, ela estava indo embora e deixando o menino para Yoongi.
Filho não era algo que se deixava sozinho, então o Min deu seu jeito de se ajustar.
Aos trancos e barrancos, Yoongi tinha criado YeJun como podia, mas tinha dado certo, até então.
— Nós não vamos abrir na semana do feriado. Vamos aproveitar e descansar um pouco — falou Namjoon, servindo um pouco de chocolate para ele. Yoongi desejou que aquele chocolate tivesse conhaque, ele estava cansado.
Olhou por cima do ombro e viu YeJun guardar suas canetas e lápis de cores.
— Sem extra, então.
— Vocês podiam vir com a gente — sugeriu Seokjin. — É feriado, a escola de YeJun não vai funcionar.
— Você perguntou a ele? — Yoongi questionou e Seokjin assentiu.
— São só duas horas daqui. Vai ser bom sair um pouco. Eu acho que ele convive com adultos demais. Nesse idade, ele devia estar comendo terra ou algo do tipo, não? Não ajudando os comediantes a fazerem o roteiro do stand up.
Namjoon apertou a bochecha dele.
— Só você comia terra com essa idade.
— O quê?! Talvez por isso eu seja o único bonito aqui!
Yoongi riu, olhando para os amigos. YeJun nunca tinha questionado sobre o relacionamento deles, mas ele tentou explicar um dia. YeJun quase o fez morrer de vergonha ao perguntar o que tinha de mais em duas pessoas que se amam. Talvez Seokjin estivesse certo, ele convivia com adultos demais, entendia mais do que era esperado para sua idade.
Ele mesmo não falava sobre sua sexualidade com o filho. Ainda não se achava pronto, nem considerava ser o momento para fazer aquilo. Yoongi falava com ele sobre educação sexual, sim, mas respeitando os limites etários do garoto.
Talvez fosse bom levar o filho para um passeio na praia, deixá-lo brincar com outras crianças e fazer algumas amizades.
— Podem dar uma carona no carro? — perguntou, e os dois concordaram.
— Claro! E nos responsabilizamos pelo aluguel da casa também, não precisa se preocupar.
Eles eram bons demais para serem de verdade, porém Yoongi concordou.
— Mas vou ajudar com a comida.
— Do que estão falando? Comida de quê? Alguém vai fazer aniversário?
YeJun havia chegado ao lado deles e Yoongi o abraçou pelos ombros.
— Quer viajar para a praia no feriado?
Os olhinhos de YeJun brilharam e ele assentiu, fazendo todos rirem. Ele era um ótimo garoto e Yoongi se sentia sortudo ao saber disso.
Dias mais tarde.
Jimin desceu as escadas de acesso ao espaço abaixo do palco depois da última música e sentou ali mesmo, sendo amparado pela equipe de staffs.
— Terminamos, Jimin! Foi uma tour e tanto! Parabéns!
Essas e outras felicitações não eram nada perto do alívio de saber que completou todos os shows que sua agenda marcava.
Ele saiu do estádio e foi para o hotel, cansado, e olhou as notícias sobre o fim de sua turnê mundial.
Estava terminado. Havia feito um trabalho excelente e precisava de descanso imediato.
Pegou o telefone e ligou para seu produtor.
— Precisa de algo?
Não deu tempo do homem responder, não estava aberto à discussões. Ele precisava de descanso e teria. Não queria saber da mídia no pé dele, nem de trabalho naqueles dias.
Apenas paz e o mar.
[?]
A viagem de Yoongi até a praia foi animada, com YeJun ao seu lado, com fones nos ouvidos enquanto assistia desenho animado. Seokjin e Namjoon estavam animados também, pois desde a abertura do restaurante não tinham conseguido nem dois dias de férias. Os amigos conversaram o caminho todo e quando Yoongi se deu conta, já estavam no litoral.
— Uh! Ale é a casa em que vamos ficar — Jin falou, animado.
Yoongi olhou pela janela do carro e percebeu que não se tratava de uma casa, mas sim de um hotel pequeno e muito bem arrumado.
— Nam...
— Nem olhe pra mim, foi ele quem escolheu ficar aqui.
— Nós merecemos, Yoon. Nós merecemos.
YeJun olhou pela janela também, chamando o pai com tapinhas fracos.
— Aquilo ali são barcos de pesca? — perguntou, e Seokjin assegurou que sim. — Nós podemos ir lá, tio Jin?
— Em alto-mar? Não — Yoongi falou, vendo o garoto sentar, com um biquinho.
— Não dessa vez. Mas prometo que em breve faremos isso, ok?
— Tá bom! — Concordou YeJun.
Yoongi o alertou para ficar na cadeirinha, pois ele já tinha soltado o cinto de segurança.
Fizeram o check-in e entraram, indo para seus determinados quartos. Yoongi e YeJun teriam um só para eles, claro, pois o casal queria aproveitar a viagem como deveriam, então tinham uma suíte enorme apenas para eles também.
YeJun estava animado, fotografando tudo o que via de novo. Não costumava sair daquele jeito com o pai, no máximo ia para a piscina, mas era a primeira vez que estava realmente na praia. Estava cedo, então Yoongi entregou a ele o calção de banho e uma camisa de proteção ultravioleta. Queria deixar o filho brincar à vontade, mas sem deixar de protegê-lo.
Logo após o almoço, os quatro foram para a praia, onde YeJun encontrou algumas crianças para brincar na areia. O ambiente era bem familiar, apenas algumas poucas pessoas passeavam por ali, a maioria fugindo das vidas agitadas da cidade, então tudo estava tranquilo.
Yoongi bebia um drink leve enquanto observava o filho no sol, pois assim como ele, YeJun quase nunca saía de casa.
— Obrigado por nos convidarem, YeJun está se divertindo — disse, enquanto observavam o menino mais ao longe.
— Sabe que não é dificuldade pra gente.
— Amamos ver YeJun contente e amamos sair com você. Nos lembra dos tempos da faculdade — Namjoon completou a fala do marido.
Yoongi riu.
— Ah, claro, os tempos que eu já era uma vela.
— Você nunca se importou — retrucou Seokjin.
— Não mesmo. Contanto que não fiquem se beijando na minha frente...
Namjoon olhou para o marido porque sabia que Seokjin estava a ponto de falar o que não deveria, mas não o segurou.
— Sabe, Yoon, eu acho que está na hora de encontrar uma pessoa.
O Min olhou para ele, erguendo uma sobrancelha.
— O quê? Pra quê? Eu estou bem do jeito que estou.
— Você não sente falta de ter alguém para dividir as coisas?
— Alguém para dar uma metidinha? — Seokjin completou e os outros dois riram.
— Seokjin, eu transo, ainda que você não acredite — Yoongi assegurou, bebendo mais um pouco e olhando para o filho. — Eu só não quero apresentar uma pessoa nova na nossa vida e isso se tornar um caos.
Yoongi já havia tentado algumas vezes. Saiu com algumas pessoas e até se encontrava por um espaço de tempo, mas quando ele contava que tinha um filho, normalmente a pessoa recuava. Não tinha como julgar, ele sabia, afinal, aquela geração estava mais preocupada com trabalho do que com uma família. Ele amava YeJun, mas precisava abdicar de muito porque tinha que cuidar do menino.
— Talvez aconteça, eu só não estou com pressa. YeJun já está com sete, daqui a pouco ele é quem vai estar namorando, saindo de casa, eu não quero perder o crescimento dele.
— Você pode ver seu filho crescer e ser feliz ainda assim — Seokjin falou, mais afetado pelo álcool.
— Eu sou muito feliz com ele — Yoongi respondeu.
— O que Jin quis dizer é que talvez YeJun também precise disso — Namjoon comentou.
Yoongi deixou seu drink sobre a mesa e olhou para o garoto que corria atrás dos outros agora.
— Ele disse isso pra vocês?
— Não desse jeito. Não disse que sente falta da mãe, mas ele está crescendo, está começando a entender as coisas. — Namjoon suspirou antes de continuar. — Ele observa a pessoas, observa Jin e eu, observa você, e é claro que ele sente que falta algo. Não entre vocês, mas para você, em específico.
Yoongi conhecia bem seu filho e sabia que aquilo era completamente possível, pois YeJun já havia perguntado para ele se o pai tinha intenção de se casar algum dia.
— YeJun não é bobo — Seokjin falou, olhando para ele. — E qualquer pessoa a metros de você percebe o quanto está solitário. Qual é, Yoon... não estou falando dos seus encontros no Tinder. É sobre alguém para reclamar, alguém dormir agarradinho, essas coisas cafonas que amamos fazer.
O Min riu, assentindo. Ele sentia falta de algo assim também, apesar de nunca lembrar de ter tido.
Yoongi foi pai antes de construir uma família e naqueles sete anos, só teve casos eventuais, nada muito sério.
— Isso não depende só de mim. YeJun já sabe dizer do que gosta e do que não gosta, minha prioridade sempre vai ser meu filho — afirmou.
YeJun cansou de brincar e correu até ele, então Yoongi o abraçou e afastou seus cabelos de seu rosto.
— Água? — perguntou, vendo-o assentir.
— Sim, por favor.
Yoongi não queria quebrar aquilo que tinham, não queria colocar outra pessoa numa posição que apenas YeJun conseguia ter. Ele podia viver sozinho até o dia que o filho o deixasse, não fazia mal. O que ele não queria era que o garoto se sentisse desconfortável ou pressionado por aquilo.
Mais tarde, já de noite, Yoongi o ensinava a passar hidratante para cuidar da pele bronzeada. YeJun repetia suas ações, cuidando de alcançar toda a parte queimada.
— Você se divertiu? — Yoongi perguntou, e ele deitou na cama, cansado.
— Tanto que ainda estou cansado.
— Sério? Nem o jantar fez com que se sentisse mais revigorado?
Yoongi fez cócegas na barriga dele, e YeJun se protegeu, rindo.
— Só me deixou com mais sono — disse em meio a um bocejo.
— Bom, então é hora de apagar as luzes.
— Tio Jin disse que ia pro bar com tio Nam. Você não vai com eles?
— Hmmm... acho que não. O sol também me cansou.
— Você nem ficou no sol, pai — retrucou o menino. — Por que não vai se divertir também? O quarto tem câmeras de segurança.
Yoongi olhou para os cantos do quarto, estranhando, já pensando em avisar os amigos, mas escutou a risada do filho.
— Do lado de for a, bobo.
— Ainda bem — respondeu para YeJun. — Seus tios iam ter um processo a caminho...
O menino franziu as sobrancelhas, mas Yoongi se deitou ao seu lado e o cobriu.
— Estou realmente cansado, não só de hoje. Ainda temos mais alguns dias. Hoje eu quero dormir.
YeJun não contestou, fechando os olhos quando o pai mandou, deixando um beijo em sua testa e o abraçando.
Em poucos minutos, o garoto já estava dormindo, mas Yoongi ainda estava pensando no que havia conversado com o casal de amigos na praia. YeJun estava mesmo preocupado consigo e não queria que o filho se sentisse mal por achar que estava atrapalhando sua vida amorosa, então conversaria com ele quando voltassem de viagem.
Os dois outros dias que passaram ali, foram regados a diversão e calmaria. Yoongi estava aproveitando o tempo livre para curtir o filho, chegou até a entrar no mar, apesar de achar que estava muito gelado.
Jogou futebol e fez castelos de areia, ensinou YeJun a subir pipa e tomaram sorvete até não aguentarem mais.
Era a última noite deles ali, Seokjin e Namjoon tinham bebido bastante nas noites anteriores e como iam dirigir, preferiram deitar mais cedo. Yoongi já estava indo para o quarto também quando Namjoon o chamou na recepção. O Min ainda estava de bermuda, camisa florida e sandália.
— O que foi, Joon? Algum problema? — perguntou ao se aproximar mais dele.
— Não, só estava adiantando nossa saída. Jinie já foi dormir, eu ia chamar você pra uma cerveja, mas meu marido já mandou mensagem me proibindo de ir.
— YeJun já dormiu também, eu vou em seguida.
Namjoon olhou para ele e pressionou os lábios numa linha fina.
— Yoon, sei que o hyung às vezes fala umas coisas sem sentido, mas dessa vez eu acho que ele tem razão. Não sobre você se casar, mas sobre pensar em você também. — Ele olhou seu telefone. — Está cedo. É a última noite. YeJun está cansado e não vai acordar agora. Deixe a chave do quarto comigo, eu vou verificar de vez em quando.
— Não precisa fazer isso, Jin vai querer trepar, é o último dia das férias de vocês.
Namjoon Riu.
— Ele está acabado. Já fizemos mais vezes do que ele normalmente aguenta. Vamos ver um filme. Vai beber alguma coisa, tira um tempo pra você. A gente cuida do YeJun, não precisa se preocupar.
Yoongi mordeu o lábio, pensativo.
Uma parte dele não queria se afastar, mas outra sabia que ele merecia.
— De uma em uma hora. Por favor, Nam, não esquece, não quero que ele acorde e pense que eu o deixei sozinho.
— Duvido muito que ele chore se acabar acontecendo. No máximo vai ligar a TV ou jogar até ter sono outra vez.
Yoongi sorriu. Era verdade, então assentiu.
— Não vou demorar, de qualquer forma.
— Aproveita — Namjoon frisou, dando tapinhas em seu ombro e pegando a chave de sua mão antes de seguir para a suíte em que estava.
Yoongi apenas saiu como estava em direção a um pequeno luau que acontecia na praia.
[...]
Jimin chegou ao litoral e uma casa completamente mobiliada já estava à sua espera. Ele tinha desbotado o cabelo, para não ser facilmente reconhecido, e fez tudo o que queria fazer naqueles dias antes da tour terminar: dormir.
O idol quase hibernou por dias seguidos, acordando apenas para comer e postar alguma coisa em suas redes sociais, fingindo ainda estar na cidade.
Seus seguranças e staffs o mantinham informado acerca de tudo o que precisava saber, mas no geral, ele estava finalmente em paz.
Pegou sua xícara de café e observou o nascer do sol do último dia que ficaria ali. Comeu chocolate na hidromassagem e assistiu alguns filmes que sempre via quando tinha algum tempo livre.
Ainda não queria dizer adeus àqueles dias, mas precisaria voltar em breve. Naquela noite, viu uma fogueira, ao longe e decidiu que iria até lá.
— Não é seguro você ir sozinho — um staff alertou.
— Só tem idosos aqui, basicamente. Eu vou de máscara e óculos, ninguém vai me reconhecer.
— Óculos escuros à noite? Melhor colocar um boné.
— Boa ideia! — exclamou, pegando a peça da mão do homem que sorria para ele.
— Só lembre de não beber demais e voltar no horário. Temos compromissos amanhã, então não seja exagerado.
— Ok, ok. Podem deixar comigo. Quando eu decepcionei vocês? Nunca. Não vou demorar, qualquer coisa eu corro e ligo para irem me buscar.
Todos torciam para que não precisasse, mas era algo que podia acontecer.
Jimin estava "disfarçado", com roupas simples e sem a maquiagem. Embora ainda estivesse com um pouco de medo de ser reconhecido, sua vontade de curtir o fez caminhar pela areia, chegando até perto da fogueira.
Não havia tanta gente assim. Aparentemente, estavam tão entretidos que nem percebiam quem passava.
O idol, porém, analisava cada um, pensando que talvez aquilo fosse tão natural para eles, sentarem na praia, assistir o sol se pôr, enquanto ele precisava de todo um aparato para aquilo. Mas o que chamou sua atenção de verdade, foi um homem que bebia, assim como ele, a uma distância razoável de tudo aquilo.
Parecia tranquilo, degustando de uma cerveja, olhando o céu, no entanto. Parecia estar mais interessante do que tudo ali.
Jimin sentiu vontade de perguntar o que ele estava admirando e, sem pensar demais, foi até ele.
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