Capítulo 4 NÃO ACHO QUE DEVA SUBIR II
Ashley era médica de minha sogra. O estado de saúde de Mabel era delicado e exigia cuidados. Ela teve no passado um acidente que a deixou paraplégica e também dependente de algumas medicações.
— Estou em casa — avisei o motorista.
Ele abriu a porta e afirmou:
— Só irei embora assim que a atenderem, senhora. Fui pago pela doutora para que ficasse segura.
Eu ri:
— Estou segura agora.
— Ainda assim, esperarei até que entre pela porta — reafirmou enquanto se escorava no capô do carro, parecendo decidido a cumprir a promessa que fez a Verbena.
Virei as costas e de alguma forma me senti segura por ele estar ali. Reconheci o carro de Ashley na garagem, mas o outro, vermelho, não identifiquei a marca e nem me lembrei de ser nosso. Teria Andress trocado de carro?
Abri a porta e deparei-me com a minha casa. Antes de fechá-la, espiei o motorista, que enfim pareceu decido a ir embora.
Olhei a sala em tons brancos, que eu havia escolhido. Aspirei o aroma floral e doce de lar. E fiquei confusa ao ver tudo exatamente da forma como deixei, sendo que Andress havia alegado que estava sem dinheiro para pagar meu tratamento e estadia no hospital.
Se livrar da casa seria a primeira coisa a fazer na falta de dinheiro, já que uma mansão naquele lugar em específico valia muito.
Certamente Mabel havia ficado ruim naquela noite e por isso Ashley havia vindo ajudá-la.
Estava indo em direção à escadaria de vidro quando parei. Minha mente trouxe uma lembrança de Kayde e Andress discutindo. Lembrei de algumas situações onde os dois se alfinetavam, me certificando de que não se davam muito bem.
Toquei as têmporas quando lembrei de meu avô... E todo meu coração encheu-se de amor. Desde que cheguei à casa dos Hauser e soube que Alexis era doente, passei a cuidá-lo e não levou muito tempo para que descongelasse aquele coração que tinha tanto amor dentro.
— Senhora? — Ouvi a voz de Fernanda, a governanta, reconhecendo-a imediatamente, como se nunca tivesse deixado aquela casa, já que ela estava exatamente como há um ano atrás.
— Fernanda! — Sorri, indo na direção dela e abraçando-a.
— Eu... Meu Deus! Achei que... Estivesse morta! — A voz dela mal saia.
— Está pálida. Parece mesmo que viu um fantasma — brinquei.
— Está... Viva.
— Em carne e osso. — Peguei a mão dela e a fiz tocar meu braço, o qual apertou levemente.
Percebi que suas mãos estavam trêmulas e tentei acalmá-la:
— Eu não estou morta. Não sou um fantasma, Fernanda. Acordei do coma há algumas semanas. E... Quis fazer uma surpresa a Andress e Mabel.
Ela deu um passo para trás e mordeu os lábios, nervosamente:
— Mas... Avisaram o senhor Montez Deocca?
— Não... Como eu disse, quis fazer uma surpresa. — Sorri e me dirigi novamente para a escada, sendo contida por ela.
— Não pode subir, senhora — falou com a voz fraca.
Eu ri:
— Está tudo bem, Fernanda. Andress está em casa, não é mesmo?
Ela assentiu.
— Então irei fazer uma surpresa, conforme imaginei desde que saí do coma. Acredita que me disseram que meu Andress não quis saber notícias minhas? — Ri. — Isso tudo é uma loucura.
— Senhora... Eu... Não acho que deva subir.
Olhei no relógio, que marcava onze horas da noite:
— Andress não dorme cedo. Certamente vou encontrá-lo deitado, mexendo no celular — lembrei saudosa do corpo de meu marido na cama, usando somente uma cueca, com o corpo perfeito em evidência. — E ele ficará feliz em me ver.
— Senhora...
— E Mabel? Meu Deus, que saudade da minha sogra.
— A senhora Mabel... Não está mais na casa.
— Como assim? — Voltei, dando alguns passos para trás e encarando Fernanda.
— Ela... Foi internada numa Clínica.
— O estado de saúde dela piorou?
— Eu... Não sei, senhora. Só sei que... Ela não se encontra mais na mansão.
— Onde ela está? Qual clínica?
— Não posso lhe dar esta informação, senhora... Porque realmente não sei.
Balancei a cabeça e Fernanda se pôs na minha frente:
— Senhora, não suba.
Estreitei os olhos e pedi:
— Saia da minha frente, Fernanda.
Ela abaixou o olhar e saiu, dando-me a passagem. Eu estava com medo do que encontraria lá em cima. Ainda assim respirei fundo, encarei-a e subi vagarosamente cada um dos degraus de vidro, com o coração acelerado.
Andei pelo corredor iluminado pelas lamparinas acopladas à parede até chegar ao final dele, onde avistei a porta do meu quarto. Ouvi sons vindo do lado de dentro... E risadas.
Embora eu não quisesse admitir, já sabia o que estava acontecendo ali.
Vagarosamente girei a maçaneta, tentando não fazer nenhum ruído. Então, com a claridade que vinha da rua, das lâmpadas dos postes, agregada à da lua da noite bonita que fazia lá fora, avistei a silhueta perfeita do corpo de Andress sobre a mulher, enquanto beijava cada parte de seu corpo.
— Você é maravilhosa, Ashley!
— Eu sei... — Ela gargalhou.
Fiquei quase sem ar ao ouvir a voz da minha melhor amiga. Agora eu entendia o carro dela na garagem... E o fato de Mabel não estar mais na casa.
O que aqueles dois tinham feito com Mabel? Como Andress foi capaz de tirar a própria mãe de casa?
— Gostosa... — Andress abriu as pernas dela e começou a beijá-la.
Ouvi os gemidos intensos de Ashley ecoando pelo quarto:
— Me diga que será meu para sempre, Andress.
— Serei... Para sempre — ele garantiu ainda entre suas pernas.
— E se Duda acordar? — perguntou com a voz lânguida.
— Aquela tonta não vai acordar. E se acordar, exigirei o divórcio, quer ela queira, quer não. Não continuarei em hipótese alguma um casamento fracassado.
— Já vai fazer um ano... Talvez seja hora de entrar com um pedido judicial para que sejam desligados os aparelhos — ela sugeriu.
— Sinceramente... Não quero falar de Duda entre as suas pernas, amor...
Ashley riu e gritou:
— Aí, isso dói... Continua... Adoro quando morde minha boceta.
