Capítulo 07
"Nathan, essa foi certamente sua ideia, e agora você está tentando colocar a culpa em outra pessoa?" Ao ouvir as palavras do neto, Anna ficou ainda mais irritada. "Você se lembra que seu filho depende de você para viver? Até quando você pretende jogar com a vida dele? Uma modelo qualquer é mais importante do que a vida de uma criança?"
Anna tremia de raiva, seu peito apertava enquanto falava com o neto. Ela não conseguia compreender o que Nathan via naquela modelo - alguém que não se destacava na passarela, muito menos conseguia um papel em um filme ou série de TV britânica. Ela era totalmente submissa a ele.
Vindo de uma família de modelos, Anna desprezava a indústria, especialmente depois que sua mãe tinha sido uma e raramente tinha tempo para ela ou seu irmão. Então, quando Nathan começou um relacionamento com uma modelo, Anna foi a primeira a se opor.
"Vó, eu já te disse, a modelo tem um nome - Olivia Carson!"
Anna riu alto de como o neto protegia Olivia.
"Ela tem um nome, e daí? Ela ainda é uma modelo, não é?" Anna retrucou. "Nathan, este é meu último aviso para você. Mesmo sendo meu único neto, Liam é a coisa mais importante da minha vida, e eu não vou deixar que ele sofra por causa de alguém tão mimado como você!"
Os olhos de Nathan ficaram mais frios com as palavras da avó.
"Eu também quero que ele viva, mas isso não significa que eu precise lidar com aquela mulher. Você não se lembra do que ela fez? Por que você a está defendendo?"
Nos olhos de Nathan, havia apenas ódio e desprezo, perfurando Anna como uma adaga no coração.
"Você..." Anna estava tão chateada que as palavras ficaram presas na garganta. Tudo ao seu redor parecia girar. Apontando um dedo trêmulo para o neto, o mundo ficou preto e ela desabou no sofá.
"Mãe?" Filipo correu para verificar como ela estava.
O desmaio de Anna causou pânico na família. Filipo segurou sua mão e a carregou para o quarto.
"Ligue para o Rafael, rápido!"
Não demorou muito para que Rafael, o médico da família, chegasse e examinasse Anna. Após sua avaliação, ele concluiu que ela havia sofrido um leve ataque cardíaco devido à sua idade avançada de setenta e oito anos e ao estresse da situação. Ela precisava controlar suas emoções.
Filipo puxou Nathan de lado, seu rosto pálido enquanto olhava furioso para o filho. Sem aviso, ele levantou a mão, pronto para dar um tapa.
Quando Filipo estava prestes a dar o tapa, Carla segurou sua mão.
"O que você está fazendo? A situação já não está caótica o suficiente?"
Filipo afastou a mão da esposa e, ainda furioso, olhou para Nathan.
"É melhor você rezar para que sua avó se recupere."
Quando Anna acordou, todos estavam reunidos ao redor da cama. Abrindo os olhos lentamente, ela percebeu que todos esperavam por uma resposta. Stella a ajudou a sentar, colocando um travesseiro atrás de suas costas.
"Não se preocupem, queridos. Estou bem," disse Anna com um leve sorriso para Stella.
"Mãe, você tem certeza de que está bem?" Filipo perguntou, sua preocupação evidente.
"Estou bem, filho," Anna o tranquilizou antes de se virar para Stella. "Ella, vá ver como Liam está. Veja como ele está se sentindo."
Stella entendeu a intenção de Anna - ela queria falar em particular com Nathan e seus pais. Acenando com a cabeça, Stella se levantou e saiu da sala.
Enquanto passava por Nathan, ele a encarou. Stella riu amargamente antes de se virar e fechar a porta atrás de si.
Quando Stella entrou no quarto de Liam, sorriu para a babá.
"Você pode ir. Eu vou ficar com o Liam."
"Sim, senhora."
Liam Collins olhou para Stella, sorrindo timidamente enquanto pegava o livro de desenho que acabara de deixar de lado.
"Mamãe, olha! Eu desenhei você. Parece com você?"
Stella se aproximou, pegou o caderno de desenho e examinou o desenho cuidadosamente, acenando com a cabeça.
"Está perfeito."
A emoção a dominou enquanto puxava Liam para um abraço e beijava sua bochecha.
"Não chore, mamãe!" Liam disse, pressionando suas pequenas mãos contra o rosto dela.
Stella acenou com a cabeça e respirou fundo. Justo quando estava prestes a falar, a porta se abriu de repente.
Nathan estava parado na entrada, sua figura alta preenchendo o espaço enquanto a olhava.
"Stella, venha aqui fora. Precisamos conversar."
Liam notou a expressão severa de Nathan e se agarrou firmemente às roupas de Stella, relutante em deixá-la ir.
Stella sorriu gentilmente para Liam, segurando sua pequena mão.
"Liam, desenhe mais um pouco, tá bom? Eu só preciso conversar por um momento."
Depois de sair, Stella procurou a babá para cuidar de Liam antes de voltar para o seu quarto. Ela sabia que Nathan já estaria lá dentro, esperando.
A raiva de Nathan vinha da crença de que Stella havia contado a Anna sobre o arranjo de barriga de aluguel. Stella não tinha ideia do que havia sido discutido no quarto de Anna, mas provavelmente não agradava a Nathan.
Seu coração disparou ao entrar. Nathan estava perto da janela, um cigarro entre os dedos, seu olhar afiado fixo nela.
"Feche a porta," ele ordenou. Stella obedeceu, mas manteve distância.
"O que aconteceu hoje não foi culpa minha. Eu não tenho ideia de como sua avó poderia ter descoberto isso."
O problema não era dela, e ela se recusava a assumir a culpa.
"Eu também não disse nada. Então por que você está tão defensiva? Isso não te faz parecer mais suspeita?" Nathan apagou o cigarro com os dedos, um sorriso irônico surgindo em seus lábios.
"Pense o que quiser!" Stella retrucou, virando a cabeça. Não era culpa dela, e a tendência de Nathan de culpá-la por tudo não era novidade.
A tensão na sala era sufocante. Ela colocou a mão na maçaneta, pronta para sair, mas uma mão grande se estendeu para impedi-la.
Assustada, ela não havia notado Nathan se mover ao seu lado.
"Onde você pensa que vai?" A voz de Nathan era baixa, carregando um leve cheiro do tabaco que ele havia fumado.
"Eu não acho que há algo de útil para discutirmos."
O preconceito dele contra ela era profundo, e ela o via como um estranho. Nada de bom poderia sair de suas conversas.
A mão de Nathan apertou a dela enquanto ele a puxava para longe da porta, prendendo-a entre a madeira sólida e seu peito.
Seu hálito quente soprava em seu rosto enquanto ela virava a cabeça, evitando seu olhar. Ela podia sentir os olhos ardentes dele cheios de raiva, e não ousava olhar para cima.
