Capítulo 3 APENAS MAIS UMA NOITE

Acordei com uma dor de cabeça horrível. Logo os flashes da noite passada vieram à minha cabeça e comecei a sorrir ao lembrar que a Vanusa ontem estava bem dócil — até deixou a Carla participar da nossa brincadeira. Foi muito bom curtir com as duas a noite toda. Ali rolou de tudo, viu? Elas liberaram geral para o papai. Deixei até que me tocassem, só não permiti que me beijassem na boca, pois não curto essa parada de namoro. Sou moleque piranha. Mas, enfim, tenho que tomar meu banho porque já são 8h da manhã e o dever me chama.

Levanto-me, vou até o banheiro e tomo um banho daqueles para tirar todo o cheiro que ainda está em mim. Logo após, escovo os dentes, me enrolo na toalha e vou atrás de uma roupa. Visto uma bermuda marrom e uma camisa branca, coloco meu relógio de ouro no braço, calço meu tênis, pego meu celular, minha carteira e minha arma. Desço as escadas, tranco a casa e vou em direção à garagem para pegar a moto, ir até o bar da Dona Maria tomar café e partir direto para a boca.

Estaciono a moto em frente ao bar, desço e entro a fim de me alimentar, pois estou na fome. Sento na mesa e logo a neta da Dona Maria vem rebolando na minha direção. A safada não aguenta me ver e eu não nego fogo, óbvio, pois sou homem nessa porra.

— Bom dia, Terror! O que vai querer?

— Bom dia, Kelly. Agora eu quero comer um misto e um suco de laranja. Mais tarde, quero você lá na boca... — dou um sorriso safado e ela logo se anima.

— Estarei lá às 13h e vou te fazer relaxar bastante...

Quando ela ia se aproximar, percebo que foi empurrada. Olho para trás e lá estava a Vanusa.

— Queridinha, vai ciscar em outro galinheiro, pois esse homem aqui já tem dona... — Ela se senta no meu colo. A Kelly sai batendo o pé, mas não diz nada. Eu dou uma risada de canto, mas logo fecho a cara e digo:

— Quem tu pensa que é, vagabunda? Por acaso eu te coloquei no meu nome? Acho que não. Já te disse que você é apenas mais uma entre tantas outras que satisfazem o pai aqui.

Empurro ela do meu colo, saio em direção ao balcão, me viro para a dona do estabelecimento e digo:

— Coloca o meu para viagem, Dona Maria.

— Ok, meu filho. Toma aqui, seu pedido está pronto e embalado.

Paguei e agradeci a ela. Quando ia saindo, Vanusa atravessou meu caminho mais uma vez.

— Espera, Terror. Eu não acredito que, depois de tudo o que aconteceu ontem, você vai me tratar assim. O que você acha? Que outra mulher vai aceitar o que eu aceito? Hein? Me responde!

— Vanusa, entenda que foi só uma noite, porra. Para de me cobrar as coisas. Você me conheceu assim, desgraça, e eu não vou mudar. Na verdade, eu não sinto nada por você, é apenas mais uma que me satisfaz. Meu negócio é curtição, só isso, caralho. Coloca isso na sua cabeça e me deixa em paz antes que eu me irrite e te dê um corretivo bem aqui no meio da rua.

Pego minha moto e vou a mil para a boca, já estressado com essa mulher que não entende que é só mais uma.

Entro na minha sala e encontro o Deco e o Polegar jogados no sofá. Sento na minha cadeira, olho para os dois e digo:

— Bom dia, seus vagabundos.

— Bom dia, parceiro! Que demora do caralho, hein? Pensei que ia tirar o dia de folga — diz Deco.

— Isso aí é porque a noite de ontem foi boa, né? — completa Polegar.

— Terrozinho aqui aterrorizou ontem, viu? — digo dando risada.

Deco e Polegar começam a rir e a balançar a cabeça, mas logo Deco muda de assunto:

— Irmão, tem uma mulher ligando para você desde cedo e disse que o assunto é urgente. É uma tal de Júlia.

— Sim, a Júlia, mano. Não lembra dela?

O Deco fica com cara de interrogação e o Polegar continua sentado sem entrar no assunto.

— É aquela mulher que pediu um carregamento de armas, lembra? Ela ainda não me pagou e deve estar ligando para acertar a grana com o papai aqui. Eu tenho o número dela, vou retornar.

— Bom, gente, o papo está bom, mas eu preciso cobrar os noia do asfalto — diz Polegar, levantando-se.

— Espera, mano, eu vou com você até a entrada do morro, pois preciso receber o carregamento de droga — responde Deco.

Trocamos um toque de mão e logo os dois se retiram. Sento-me, pego o celular e ligo para a Júlia para saber qual é a dela. No terceiro toque, a mulher atende.

[LIGAÇÃO ON]

— Alô?

— Bom dia, Júlia. Como vai?

— Quem é?

— Sou eu, Terror. Soube que você esteve me procurando. Solta a fita.

— Terror, tenho uma proposta para te fazer.

— Qual é? Já disse, solta a fita.

— Eu quero te pagar de uma forma diferente.

Fiquei sem entender. O que será que essa mulher está querendo dizer com isso? Respondo logo:

— De que forma?

— Te vendendo a minha enteada. Te garanto que você não vai se arrepender, pois no seu morro não tem mulher como ela. É uma mulher adulta, ruiva, linda e gostosa.

Logo fiquei animado quando ela disse tudo isso, mas não posso confiar:

— O que me garante?

— Se não acredita, venha até a minha casa e verá que não estou mentindo.

— Pode crer, eu vou sim. Mas não agora, pois o morro está sozinho e preciso esperar meus parceiros voltarem. E espero que esse não seja um truque sujo seu para me passar a perna, porque você sabe do que sou capaz.

— Jamais te passaria a perna. Te aguardo às 15h, ok?

— Tranquilo. Às 15h, então.

[LIGAÇÃO OFF]

Desliguei e fiquei ali sentado na minha cadeira, resolvendo uns B.O.s do morro enquanto o tempo passava.

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