Capítulo 7 7
Ele dá uma risadinha. “Como deve. Eu, porém? Tenho uma abordagem diferente.” Ele passa os dedos pela borda da lapela, o que normalmente não teria nada demais, mas como sou eu quem está usando o paletó, aquelas pontas dos dedos estão chegando perto demais do meu peito nu. “Acho que certas coisas têm que ser levadas até o limite de quebrar. De novo, e de novo, e de novo. E então — só quando provarem que merecem — você dá a elas o pouquinho de violência que vêm pedindo.”
“Ah… bem, isso é… certamente uma coisa.” Engulo o nó enorme na garganta. “Mas eu sei me virar muito bem.”
Considerando o calor que está se formando dentro de mim, eu definitivamente vou me virar, sim. Talvez duas ou três vezes seguidas.
Eu formei minha opinião sobre homens como esse há muito tempo. Homens ricos e poderosos em ternos caros que bebem conhaque envelhecido. Eles estão acostumados a conseguir o que querem na vida, nada menos que isso. Quando lhes negam, não têm medo de tomar à força.
Parada aqui só com um paletó, um zumbido suave se espalhando pelas minhas veias, eu deveria estar apavorada. Ele poderia se aproveitar de mim. Poderia me arrancar deste paletó se quisesse.
Mas não vai.
Não sei como eu sei disso, mas sei.
“Sabe, eu provavelmente devia ir.”
No momento em que as palavras saem da minha boca, eu sei que é a escolha certa. Sair daqui antes que eu faça alguma coisa — ou com alguém — de que vou me arrepender. Além disso, eu não vi a Jorden. Tenho certeza de que ela já virou mais algumas taças de champanhe desde que eu a deixei. Ela vai estar bêbada e vai precisar da minha ajuda pra levar aquele corpo mole pra casa.
“Depois de tudo isso, você vai embora sem se despedir?”
A voz dele é melaço quente no meu ouvido, suave e cheia.
Olho para a direita e vejo a porta. A saída.
E sei na mesma hora que não vou pegá-la.
Droga. Eu estava tão perto de fazer a coisa certa, uma vez na vida.
“Pra um chefe de segurança, você é bem presunçoso”, eu rouco.
Ele arqueia uma sobrancelha e ri. “Pra uma mulher pelada no meu escritório, você é bem arisca.”
“Eu não — Espera.” As palavras congelam na minha língua. Cada centímetro de mim se torna gelo até eu virar uma geleira nos braços fortes desse homem. “Você acabou de dizer… seu escritório?”
O sorriso do Príncipe Testosterona se alarga mais um pouco. “Disse. Eu sou Ivan Pushkin. É um prazer conhecer você.”
8
CORA
O nome dele está ecoando nos meus ouvidos. Ele é Ivan. Ivan é ele. Eu estou sozinha numa sala com o homem com quem todo mundo quer ficar sozinho numa sala.
Caralho. Meu Deus do céu.
“Uau. Ah, ok. Bom, foi ótimo conhecer você também, mas como eu disse, eu realmente devia ir. Isso não é a minha praia.”
“Não? Então me diga: que praia você prefere?”
“Eu sei que você não consegue imaginar um mundo além dessas paredes de palácio”, digo, com sarcasmo escorrendo de cada palavra. “Mas alguns de nós não vivem num conto de fadas. Alguns de nós vivem no mundo real. Com contas e empregos das nove às cinco e… e… e a gente tem que lavar a própria louça.”
“Então lavar louça é a sua praia?”
“Talvez!” Cruzo os braços e dou um passo para longe dele. “Não tudo, óbvio. Eu tenho… eu tenho outras coisas também.”
“Conte.”
Ele chega mais perto. O resto do mundo desaparece na mesma hora. É como se um cone de silêncio tivesse descido sobre nós. Sou eu e Ivan. Ivan e eu.
Nada mais existe.
“Eu tenho… amigos.”
Ele assente, fazendo um gesto para eu continuar.
— Jorden e F— —eu me interrompo, lembrando das minhas mentiras. — Jorden. Eu trabalho com ela.
— Uma amiga só. E tanto acontecimento assim.
Agora eu sei que não estou imaginando — isso é julgamento, sem dúvida.
— Tenho certeza de que você e seu grupinho superíntimo de centenas de conhecidos vagos aqui não conseguem se identificar. É tão normal dar uma festa em que todo mundo que comparece só está aqui porque quer se casar com a fortuna da sua família. É isso que eu deveria almejar?
Ele dá de ombros.
— Almeje o que você quiser. Você disse que não estava aqui para se casar comigo, mas, se mudou de ideia, fique à vontade para entrar na fila.
— Não foi isso que eu... ah, pelo amor de Deus, eu não estou falando de querer me casar com você! Não é por isso que eu estou aqui.
— Então me diga: por que você está aqui?
Não consigo evitar a sensação de que ele já sabe o que eu vou dizer antes mesmo de eu abrir a boca. Talvez seja por isso que eu tente pegá-lo desprevenido com algo inesperado.
— Para conseguir um furo sobre você e vendê-lo para a revista de fofoca que der o maior lance.
Eu solto a frase com toda a confiança que consigo reunir dentro do meu conjuntinho de blazer. Ele imediatamente ri na minha cara.
— Não, não vai.
Eu me irrito.
— Não seria tão difícil, se fosse o caso. Todo mundo aqui está cochichando sobre você.
Ele se inclina para perto. Sinto um toque de sândalo. Sabonete de gente rica, penso. Minha mãe mantinha sabonete líquido de sândalo no banheiro da suíte dela e do meu padrasto. Estranhamente, o cheiro não me traz lembranças ruins agora. Eu só quero me inclinar para mais perto.
— Todo mundo está sempre cochichando sobre mim —ele diz, em voz baixa. — Faz parte do território.
— Do território de ser rico como Deus?
— Disso —ele concorda. — E também do território de ter a aparência de um.
— Ah, que nojo. Você já era tão convencido assim um minuto atrás? Não me lembro de sentir essa vontade constante de revirar os olhos.
Ele sorri, nem um pouco incomodado.
— Você veio aqui com a sua amiga.
— Isso é uma pergunta?
— Não. Só estou tentando entender se isso é uma operação investigativa em dupla que vocês estão realizando. —Ele aponta um dedo na minha direção. — E se o acidente com o seu vestido foi algum tipo de distração. Se foi, foi... completo. Eu fiquei bastante distraído.
Meu corpo se aquece. Eu daria qualquer coisa para estar de moletom no meu sofá agora mesmo. Longe desse mundo, desse homem e da atenção inebriante dele.
— Você checou com a segurança do portão para ver com quem eu cheguei? Ou estava me observando por câmera? —Olho para o teto do corredor. — Quantas câmeras tem nesta casa?
O rosto dele permanece perfeitamente neutro.
— Gosto de saber mais sobre quem convidei para entrar na minha casa. Tenho certeza de que você pode entender.
Tenho certeza absoluta de que não posso. Se alguém está na minha casa, eu já sei quem é. Principalmente porque meu apartamento tem cinquenta metros quadrados, não quinhentos cômodos.
Eu poderia dizer a ele que não sou Francia Delacour e que só usei o nome dela para entrar, mas então ele perguntaria meu nome verdadeiro, e isso abriria uma caixa de Pandora que eu realmente prefiro manter fechada.
Ainda estou me atrapalhando toda para decidir o que fazer e dizer quando, de repente, ele coloca uma mão no meu quadril e me puxa para junto dele.
— Você parece indecisa sobre estar interessada em mim —ele comenta.
— Então deixa eu esclarecer: não estou.
Ele pressiona a palma da mão contra o peito.
— Um homem mais fraco ficaria magoado com isso.
