Capítulo 2
—Guarda segredo —acrescentei.
Do outro lado da linha, Lily soltou um grito de pura empolgação. —Quando a gente chegar em Yale, tem alguém que eu preciso te apresentar. Confia em mim: diferente do Hunter, ele de verdade entende como valorizar a sua cabeça e a sua alma.
Desliguei. Meu peito se apertou, uma dor sufocante subindo até o fundo da minha garganta.
Por muito tempo, State College tinha sido meu objetivo final, absoluto.
Tudo porque, no primeiro ano, o Hunter tinha riscado minha lista de universidades sem cerimônia. —Fica na Califórnia. Perto de mim. Se você não estiver na arquibancada, eu não consigo me concentrar no jogo.
Por causa daquela frase barata, fácil, eu aceitei embotar o fio cortante das minhas notas impecáveis, encolhendo todo o meu futuro para caber dentro do raio do Hunter.
Eu odiava a cultura da State, mas, como uma idiota completa, me agarrei teimosamente àquela promessa por três anos inteiros.
Entrei no banheiro e enchi a banheira com água escaldante.
Quando tirei a roupa, os hematomas roxos florescendo pela minha pele pálida arderam nos meus olhos no espelho.
Eram as marcas que o Hunter tinha deixado em mim na noite anterior.
O calor de ser esmagada contra o peito dele, o sopro pesado que ele pressionou na minha orelha — tudo ainda se agarrava a mim como um fantasma.
Naquela época, eu tinha ficado tão eufórica, achando que era amor. Agora, só fazia meu estômago revirar de náusea.
Como eu pude me deixar ficar tão patética?
Peguei a bucha mais áspera que eu tinha e esfreguei minha pele com fúria.
Eu só parei quando o meu corpo inteiro estava vermelho, quando aqueles chupões pareciam quase sangrar. A ardência aguda e abrasiva rasgou brutalmente a minha dormência, obrigando meu cérebro a puxar de volta uma lasca de lucidez há muito perdida.
Eu precisava me desintoxicar dele. A partir de hoje à noite.
Me sequei e saí do banheiro, encontrando o celular que eu tinha jogado na cama vibrando como louco.
Um link para o fórum do campus tinha sido encaminhado para mim uma dúzia de vezes. Toquei para abrir o tópico em alta.
No vídeo, Hunter estava com Serena presa contra ele, beijando-a fundo e com força. Os braços de Serena estavam enganchados com firmeza no pescoço dele. Eles pareciam absolutamente inseparáveis.
Os comentários embaixo eram como lâminas cegas e enferrujadas arrastando pelo meu coração.
“O Rei e a Rainha finalmente juntos!”
“E aquela nerd, a Chloe? Dizem que o Hunter já tirou a virgindade dela e enjoou.”
“Ela é só um lixo barato de peitão. À disposição quando ele quer. Deve ser uma puta completa entre quatro paredes.”
Eu queria chorar, mas as lágrimas já tinham secado. Meus olhos só ardiam, doendo com uma picada seca, vazia.
Naquela noite, minha febre disparou.
De manhã, já estava acima de 39.
Mandei e-mail para meus professores avisando que eu estava doente e fiquei em casa.
No fim da tarde, batidas violentas sacudiram a porta do apartamento.
Arrastei minhas pernas pesadas até a entrada.
No instante em que abri uma fresta, a estrutura enorme do Hunter se enfiou para dentro.
—Que porra é essa? Tá me dando atitude? —ele rosnou. —Não atende, ignora minhas mensagens. Você quer mesmo brincar desse joguinho comigo?
Eu me apoiei no batente, tremendo por causa da febre.
Quando não reagi a nada —nem com meu pedido de desculpas ensaiado de sempre, nem com submissão—, Hunter soltou um riso de desdém, irritado. Ele se inclinou, baixando a cabeça para forçar um beijo em mim.
Virei o rosto por instinto, empurrando o peito dele com as duas mãos. Mas, com meus um metro e sessenta, eu não conseguia nem mexer um quarterback do time titular. Ele não se moveu um centímetro.
Em vez disso, Hunter percebeu uma coisa. Ele girou a mão e prendeu meu pulso num aperto de ferro.
— Você está pegando fogo. Você tá doente de verdade?
Então soltou uma risadinha curta.
— Tá, tanto faz. Já que você tá mesmo doente, eu vou te perdoar dessa vez.
— Mas sumir só porque tá doente? Você tem noção do quão mal isso me faz parecer? — Hunter ralhou. Qualquer preocupação meia-boca que ele tivesse se transformou na mesma hora de volta em pressão arrogante.
Era um absurdo completo. Ontem à noite ele estava se agarrando com a Serena, e hoje ainda tinha a cara de pau de ficar aqui me provocando?
Aproveitando meu acesso de tontura, a mão grande de Hunter de repente escorregou por dentro da gola do meu pijama.
— Deixa eu ver — murmurou, com um sorriso torto se formando enquanto o toque dele ficava nojento, agressivamente possessivo. — Você colocou o presente que eu trouxe?
A palma quente dele passeou sem pudor pelo meu peito, e a respiração pesada roçou meu pescoço como um fantasma.
Eu lutei para me soltar, mas ele só me puxou ainda mais contra ele.
Ontem à noite ele estava passando a mão em outra pessoa e hoje queria me usar como brinquedinho conveniente pra aliviar o estresse?
O luto e a raiva que eu vinha engolindo finalmente chegaram ao limite.
— Sai de cima de mim! — rosnei.
Ergui o joelho com força, mirando sem piedade direto na virilha dele!
— Porra!
Hunter uivou. O rosto dele ficou de um vermelho escuro, e ele se dobrou na hora, agonizando.
Aproveitando a brecha, joguei o último fiapo de força que me restava para empurrá-lo porta afora.
Fiquei arfando, ouvindo as pancadas abafadas de Hunter chutando a porta e xingando com violência no corredor.
No terceiro dia, levei de volta para a escola meus materiais complementares, confirmando que meu histórico escolar e minhas cartas de recomendação finalmente tinham sido processados.
No instante em que saí do prédio da administração, Hunter me puxou com violência para o corredor.
Sussurros explodiram na mesma hora. Uma dúzia de pares de olhos se fixou em nós.
— Já terminou com essa birra? — ele exigiu. — É por causa daquela merda idiota que você viu ontem na internet? Tá com ciúme?
Puxei o braço com força, mas o aperto dele era um torno.
— Chloe, a gente é adulto. Essas coisas de festa consensuais não significam nada. Você ficar no meu pé desse jeito sufoca. Foi só uma brincadeira, para de ser tão mesquinha.
Eu parei de tentar me soltar e apenas encarei ele, em absoluto silêncio.
Ele tinha visto tudo.
A humilhação, as insinuações, a lama em que arrastaram meu orgulho, os nomes nojentos que me chamaram — ele sabia de tudo.
Ele sabia exatamente o quanto aquelas palavras destruíam uma garota, e mesmo assim não tinha dito uma única sílaba em minha defesa!
Porque, aos olhos dele, eu não merecia respeito nenhum. Eu não passava de um acessório — algo que ele não precisava valorizar, algo que podia chamar e descartar quando bem entendesse.
Sem hesitar por um segundo, ergui a mão que estava livre.
O tapa acertou em cheio o rosto de Hunter.
— Hunter, acabou.
