Capítulo 1 DECEPCIÓN

Gracia Sanclemente já havia perdido a conta de quantas vezes seu coração se partira em silêncio.

Aquela era a terceira tentativa por meio de um procedimento para conseguir engravidar, além dos inúmeros tratamentos de fertilidade que, até então, não haviam dado qualquer resultado.

O médico analisava atentamente as imagens da ultrassonografia, enquanto o marido apertava sua mão com força. Os dois prendiam a respiração, esperando por uma resposta.

—Infelizmente, desta vez também não deu certo. Sinto muito, senhora Sanclemente.

Gracia comprimiu os lábios. Permaneceu em silêncio por alguns instantes e, então, esboçou um sorriso triste.

—O que isso quer dizer? A inseminação não aconteceu?

O médico balançou a cabeça, com uma expressão séria e compassiva.

Fernando Donovan, seu marido havia cinco anos, não conseguiu encarar seus olhos ao ouvir o diagnóstico. A decepção estampada em seu rosto feriu Gracia profundamente.

—Doutor... será que poderíamos tentar de novo? —perguntou ela, desesperada.

—Gracia, seu corpo ainda não está preparado. Você precisa se recuperar dos últimos procedimentos. Teremos que esperar pelo menos mais dois meses —respondeu ele com firmeza.

—Você ouviu o doutor, meu amor. Vamos para casa. Você precisa descansar. O mais importante agora é a sua saúde —disse Fernando, levantando-se e estendendo a mão para ela.

Gracia apenas assentiu. Saiu do consultório ao lado do marido, decidida a esperar o tempo necessário.

Os dias se arrastaram, longos e angustiantes.

Até que, finalmente, o tão esperado dia chegou.

Como de costume, Gracia se arrumou e foi até a sala de estar.

—Fernando, você já está pronto, meu amor? —perguntou, confusa, ao notar a pequena mala em sua mão.

—Gracia, meu amor... hoje eu não vou poder ir com você. Surgiu uma viagem de negócios de última hora. Precisam de mim fora da cidade em poucas horas.

—Uma viagem de negócios... justamente hoje? Fernando, esse é um dia tão importante...

Fernando aproximou-se, puxou-a para um abraço apertado e beijou o topo de sua cabeça.

—Eu sei, meu amor. E também sei que desta vez vai dar tudo certo. Nós vamos conseguir. Me perdoa por não poder estar ao seu lado. Se você quiser, posso pedir para a minha mãe ir no meu lugar. Eu te amo muito, Gracia. Você é a mulher mais importante da minha vida.

Gracia engoliu o choro e deu de ombros.

—Não precisa, Fernando. Eu consigo ir sozinha.

Mas parecia que tudo conspirava contra ela.

Quando já estava tudo preparado para o início do procedimento, Gracia começou a espirrar sem parar. Seu nariz ficou completamente vermelho, e uma gripe forte surgiu de repente, obrigando o hospital a cancelar a inseminação e remarcar a consulta para dali a dois dias.

Gracia chorou de frustração, mas suportou aqueles dois dias com impaciência. Mal conseguiu dormir. Havia um pressentimento que apertava seu peito, como se tivesse certeza de que, desta vez, finalmente realizaria o sonho de engravidar.

Mas tudo mudou no instante em que chegou ao hospital.

Ela segurava firmemente os documentos da inseminação artificial, pronta para entregá-los, quando a cena diante de seus olhos fez seu mundo desabar.

Os papéis escaparam de suas mãos e caíram no chão.

Fernando acariciava com delicadeza a barriga de sua secretária, Mariana Eslava.

A jovem loira, dona de um sorriso encantador e de um olhar travesso, retribuía o gesto com cumplicidade.

Foi como receber uma facada no peito.

Gracia não conseguiu dizer uma única palavra.

Permaneceu imóvel, completamente paralisada, enquanto uma lágrima escorria silenciosamente por seu rosto.

—Não... isso não pode ser verdade... —sussurrou.

Fernando a percebeu pelo canto dos olhos. Assim que viu sua expressão devastada, afastou-se de Mariana e correu até ela.

—Gracia, meu amor... O que você está fazendo aqui?

—Fernando... —foi tudo o que ela conseguiu dizer. Seus lábios tremiam.

—Meu amor, eu posso explicar tudo. Não é o que você está pensando. A Mariana é só minha secretária.

Naquele instante, Mariana surgiu no corredor, acariciando a barriga com um nervosismo evidente.

—Fernando, o doutor já chamou a gente... Vem comigo, por favor. Estou com medo de que tenha alguma coisa errada com o nosso bebê.

Nosso bebê?

O rosto de Gracia queimou de vergonha e incredulidade. Foi como levar um golpe em cheio.

Ela reagiu no mesmo instante e segurou o braço de Fernando com força.

—Como assim "nosso bebê"? Fernando, que diabos está acontecendo aqui?

Gracia exigia respostas.

Visivelmente nervoso, Fernando forçou um sorriso.

—Por favor, meu amor... deixa eu explicar tudo quando chegarmos em casa, com calma, tá bem? Agora me solta. Eu preciso ir.

—Não! Droga, Fernando!

Ela apertou seu braço com ainda mais força.

Fernando se desvencilhou delicadamente de seu aperto e voltou o olhar para Mariana.

—Eu já disse, Gracia. A gente conversa em casa.

Ele soltou sua mão sem tornar a olhá-la e seguiu ao lado de Mariana.

Perfeitamente consciente de quem Gracia era, Mariana lançou-lhe um olhar arrogante e desafiador antes de entrar no consultório ao lado de Fernando.

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