Capítulo 2 UMA NOVA ESPERANÇA
Gracia não parou de chorar durante todo o caminho de volta para casa. Seu coração doía como se tivesse sido despedaçado. Fernando, seu marido, o homem que ela amava acima de tudo, a estava traindo... e ela sabia que jamais conseguiria perdoá-lo.
Assim que entrou em casa, tomada pela raiva e pelo desespero, começou a arrumar as malas. Mas, em meio à confusão, suas pernas fraquejaram, e ela caiu de joelhos no chão. Sua alma se despedaçou ao recordar tudo o que havia vivido ao lado de Fernando.
Quando o conheceu, ele não tinha absolutamente nada. Era apenas um jovem empreendedor cheio de sonhos, lutando para construir o próprio futuro. Ela, por outro lado, vinha de uma família influente. Seu pai era um homem poderoso e já havia arranjado seu casamento com Maximilien Fuenmayor. Mesmo assim, Gracia escolheu o amor. Abandonou tudo, fugiu com Fernando e nunca mais voltou a ter contato com sua família.
Com o coração em pedaços, continuou colocando suas coisas na mala, tentando salvar o pouco de dignidade que ainda lhe restava.
Desceu as escadas decidida a ir embora.
Quando estava prestes a abrir a porta, ela se abriu pelo lado de fora.
Fernando havia chegado.
E não estava sozinho.
Seus pais vinham com ele.
—Meu amor! Gracia... o que significam essas malas? —perguntou, aparentando preocupação.
—Seu descarado! Estou indo embora desta casa. Não quero nunca mais olhar para a sua cara. Meus advogados vão cuidar do divórcio.
Sua voz estava embargada pelo choro, mas carregada de determinação.
Ela tentou sair, porém Fernando segurou a porta, impedindo sua passagem.
—Por favor, meu amor... eu disse que tudo tem uma explicação. Se acalma. Não é o que você está pensando.
—Não estou imaginando nada, Fernando! Eu vi com os meus próprios olhos!
Marlene, sua sogra, aproximou-se com aquele jeito doce e afetuoso que sempre lhe pareceu artificial.
Segurou delicadamente seus braços.
—Eu sei como você está se sentindo, querida... Mas escute o meu filho. O Fernando tem uma explicação que vai tranquilizar você. Às vezes, nós, mulheres, acabamos imaginando o pior... Por favor, dê uma chance para que ele explique.
Gracia largou a mala no chão com força e se deixou cair no sofá da sala.
Enterrou o rosto entre as mãos, tentando entender como sua vida havia chegado àquele ponto.
Fernando aproximou-se devagar, sentou-se ao seu lado e começou a falar em voz baixa.
—Gracia... a Mariana sempre foi apaixonada por mim. Desde o dia em que a contratamos como secretária.
Gracia permaneceu em silêncio, olhando para ele sem conseguir esconder a dor.
—É verdade. Eu rejeitei todas as investidas dela. Mas... você se lembra da festa que fizemos para os funcionários?
Ela assentiu discretamente.
—Naquela noite, a Mariana colocou alguma coisa na minha bebida. Depois disso, eu não me lembro de mais nada. Apaguei completamente.
Gracia franziu a testa.
—Do que você está falando, Fernando?
Ele abaixou a cabeça, tomado pela culpa.
—Naquela noite... eu acabei dormindo com ela. E ela engravidou. Mas eu juro, meu amor... eu não fazia ideia do que estava acontecendo. Eu estava inconsciente. Foi um erro... um terrível erro.
Marlene confirmou tudo apenas com um aceno de cabeça, reforçando cada palavra do filho.
Gracia soltou uma risada amarga.
—E você realmente espera que eu acredite nisso?
—Espero, porque eu não sinto absolutamente nada por ela. Nada. A única mulher que eu amo é você.
—Então por que você estava acompanhando as consultas dela? Por que saiu com ela e me deixou sozinha?
Fernando respirou fundo antes de responder.
—Porque... o bebê que ela está esperando é meu. E, mesmo que nada disso tenha sido planejado, eu fiz um acordo com a Mariana. Disse que não a denunciaria, desde que ela me deixasse ficar com a criança.
Gracia arregalou os olhos.
—O quê?
—É isso mesmo. Faz anos que tentamos ter um filho. Nem mesmo a fertilização in vitro deu certo. Talvez... essa seja a oportunidade que tanto esperamos. Assim que o bebê nascer, ele será nosso. A Mariana vai deixar o país e nunca mais trabalhará conosco.
As palavras de Fernando soavam frias, calculadas, como se ele tivesse ensaiado aquele discurso inúmeras vezes.
Gracia mal conseguia acreditar que aquele era o mesmo homem por quem havia sacrificado tudo.
—Não! Isso é um absurdo! Você não pode estar falando sério! Aquela mulher não pode ter um filho seu! Esse bebê... esse bebê não deveria nem nascer!
Marlene voltou a intervir, tentando aparentar serenidade.
—Gracia, por favor... estamos falando de uma vida inocente —disse em tom suplicante.— Um bebê que está vindo ao mundo para trazer alegria para todos nós. Você quer obrigar a Mariana a fazer um aborto? Nunca imaginei que existisse uma assassina na nossa família... Você ainda vai acabar me matando de desgosto!
Ela levou a mão à testa, fingindo que estava prestes a desmaiar.
Gracia olhava para todos, completamente atordoada.
Não conseguia acreditar no que estava ouvindo.
Foi então que George, o pai de Fernando, deu um passo à frente e falou com solenidade.
—Esse bebê é um Fuenmayor. Carrega o nosso sangue. Não podemos virar as costas para ele. Você pode ser a mãe dessa criança, Gracia. Finalmente poderá realizar o seu sonho. Já imaginou a felicidade de segurá-lo nos braços?
Ela mordeu o lábio inferior para conter o choro.
Seu corpo inteiro tremia.
—Eu... eu não sei... Não sei se isso é o certo...
As lágrimas voltaram a cair sem controle.
Fernando segurou delicadamente sua mão e, com a outra, ergueu seu rosto.
—Olha para mim, meu amor...
Ele tinha certeza de que ela ainda o amava.
—Por favor... aceite essa oportunidade. Nós ainda podemos ser uma família. Uma família completa, como sempre sonhamos.
Os olhos dele imploravam.
Naquele instante, algo dentro de Gracia se rompeu.
Ou talvez ela apenas tivesse se agarrado desesperadamente ao pouco amor que ainda restava em seu coração.
Um sorriso frágil surgiu em seus lábios, carregado de saudade da vida que acreditava ter vivido.
—Está bem... eu aceito ser a mãe dessa criança.
As palavras saíram baixinho, enquanto uma inquietação profunda apertava seu peito.
Fernando sorriu aliviado.
Abraçou-a com força e cobriu seu rosto de beijos, pedindo perdão repetidas vezes.
—Eu prometo que tudo vai voltar a ser como antes. Nós vamos recuperar o nosso casamento. Eu juro.
Gracia apenas assentiu.
Ainda se agarrava à ilusão de que aquele sonho pudesse ser real.
—Nós vamos ser felizes, meu amor. Com o nosso filho. Você sempre foi... e sempre será... o grande amor da minha vida —sussurrou Fernando junto ao seu ouvido.
