Capítulo 2 Capítulo dois

DIANA

O bar estava lotado e fervilhando, o ar cheirava a uísque e pecado, a música pulsava lentamente ao fundo, em sintonia com o clima. Esfreguei as palmas das mãos na saia, os olhos indo ao relógio de vez em quando.

— Novata, você tem um encontro quente ou alguma coisa? — perguntou o barman, mascando chiclete alto, abrindo um sorriso para mim enquanto limpava o balcão.

— Meu nome é Diana, e o que isso tem a ver com você? — lancei um olhar fulminante.

Ele ergueu a mão no ar, em rendição. — Uau… calma. Eu só estava tentando puxar assunto. Você já olhou praquele relógio pela centésima vez hoje.

— Ah… desculpa… só estou tendo um dia ruim — pedi desculpas, sentindo culpa por não dever ter falado com ele daquele jeito.

— Tranquilo… todo mundo tem dias ruins. Eu sou Nicholas, mas todo mundo me chama de Nicki. — Ele estendeu a mão para um aperto.

Encarei as unhas vermelhas, bem feitas, depois voltei o olhar para o sorriso doce e desarmante dele. Ele é gay, ele é seguro. Fiquei repetindo isso na cabeça, mas minha mão não se mexia.

A lembrança de um quarto vermelho, correntes, palmas ásperas e respiração pesada cintilou atrás dos meus olhos. Em vez disso, dei um pequeno passo para trás.

A voz de Candy cortou o constrangimento.

— Nicki, temos especiais. Uma garrafa de Beluga Gold Line para a mesa quatro.

Os olhos de Nicholas se arregalaram. Ele recolheu a mão depressa e entrou em ação.

Meus olhos correram para o relógio de novo. Soltei um suspiro. Faltavam dez minutos para o meu horário de sair. O gerente concordou em me adiantar cinco mil. O total agora era dez mil. Eu ainda precisava de mais cinco mil. Eu teria que vender qualquer coisa de valor na minha casa. Thomas é a minha vida inteira. Eu não troco ele por nada neste mundo.

— Diana… Diana!

Voltei à realidade num sobressalto. Vi a mão de Nicki no ar, quase tocando meus ombros. Recuei num reflexo.

Ele me encarou, com a confusão estampada no rosto. — Pedido da mesa quatro.

— S-sim — engoli em seco. — Entendi.

Peguei a bandeja com as mãos trêmulas e segui para a parte do bar com luz baixa.

O ar ficou frio e pesado. Meu coração martelava contra as costelas enquanto eu serpenteava entre os corpos.

Aonde quer que eu olhasse, homens se tocavam, se beijavam com profundidade, mãos escorregando por baixo de camisas; um casal, num canto escuro, perdido em algo muito mais íntimo. Minha pele se arrepiou. A bile subiu na minha garganta.

Não olha, só anda, deixa a bebida e vai. Eu repetia isso na cabeça.

Forcei um sorriso apertado quando cheguei à mesa quatro e coloquei a garrafa cara sobre a mesa.

— Sua bebida, senhores. Aproveitem.

— Obrigado, linda — disse um careca, abrindo um sorriso com um dente de ouro.

A mão dele veio por trás e agarrou minha bunda, apertando.

Meu corpo ficou rígido.

Por um segundo, eu não consegui respirar.

Quarto vermelho.

Correntes.

Mãos me prendendo.

Uma voz no meu ouvido—

Alguma coisa dentro de mim estalou antes que eu pudesse impedir. Agarrei a garrafa pesada e a quebrei na cabeça dele com toda a força que eu tinha.

O homem rugiu de dor, agarrando o couro cabeludo ensanguentado.

Todos os olhos no bar se fixaram em mim.

— Sua puta do caralho — ele xingou. O sangue escorria pelo rosto.

Os homens da mesa se levantaram, os rostos em brasa de raiva.

— Peguem ela agora! — ele berrou.

O gerente correu para a frente.

— Minhas desculpas, senhor. Ela é nova aqui e não conhece as regras...

O careca desferiu um soco brutal, tirando o gerente do caminho.

Meu coração disparou, as palmas das mãos ficaram úmidas. De repente, senti uma tontura quando eles se aproximaram de mim. Apertei a bandeja com força, como um escudo, e recuei.

O careca puxou uma pistola, apontando direto para o meu peito.

— Ajoelha e chupa meu pau — ele rosnou. — Talvez eu te poupe.

Por que todos eles queriam me ver de joelhos? Mantive minha posição, tentando ser corajosa, mesmo com as pernas tremendo.

— Covarde. Pra que puxar uma arma? Você estava tão ansioso pra pôr essas mãos imundas em mim… tá com medo agora?

A expressão dele se fechou ainda mais. Eu sabia que tinha ferido o orgulho dele.

Ele largou a arma no chão, estalou os nós dos dedos e avançou na minha direção.

— Spike — uma voz feminina, baixa e autoritária, cortou o caos.

Ele congelou no meio do passo.

O grupo que estava prestes a atacar se curvou em reverência. Os outros clientes desviaram o olhar. O bar ficou assustadoramente silencioso.

— Chefe! Eu quero ensinar uma lição pra essa vadia. Olha o que ela fez com a minha cabeça — Spike se apressou até o lado dela.

Ela não olhou para ele.

Os olhos dourados dela continuaram presos no meu rosto. Eu não conseguia ler o que se passava na mente dela.

Ela deu um passo à frente como se o ar se movesse para ela. Tinha pelo menos um metro e noventa e cinco; tatuagens negras serpenteavam da mão e desapareciam sob o vestido, reaparecendo no pescoço; o cabelo preto e liso caía pelos ombros como seda.

Engoli o nó que se formara na minha garganta.

A música que tocava no bar parou.

— Diana — ela chamou, lançando um olhar para o meu crachá.

— E você é…? — ergui o queixo, tentando não me sentir intimidada.

— Mostre respeito — Spike rosnou. O grupo apontou as armas para mim.

Ela ergueu uma única mão, e todas as armas baixaram.

Minha respiração falhou quando ela parou diante de mim. Ela se inclinou, mais perto. Perto demais; eu sentia o calor irradiando do corpo dela.

— Seja minha noiva — disse ela, a voz acima de um sussurro e segura. — Eu vou recompensar você generosamente.

Por um segundo, achei que tinha ouvido errado.

— Isso é uma piada?

— Dez mil por semana — veio a resposta à minha pergunta.

Meus olhos se arregalaram com a oferta. Aquele dinheiro era suficiente para quitar minha dívida com Jezebel e ainda dava para o tratamento do Thomas. Pisquei. Eu estava desesperada, sim, mas havia algo nisso que não parecia certo.

Olhei para os rostos boquiabertos dos homens, encarando a mulher estranha e as armas em suas mãos.

Limpei a garganta.

— Vamos conversar lá fora… a sós.

Ela me estudou por um segundo, não discutiu e seguiu na frente, sabendo que eu iria atrás.

No corredor deserto, ergui a bandeja, mirando a cabeça dela.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo