Capítulo 3 Capítulo três
Diana
Ela agarrou meu pulso, girou e me prendeu com as costas coladas no peito dela.
— Lenta demais — murmurou, soprando quente na minha orelha.
Minha respiração falhou. — Sério?
— Quinze mil por semana — ela negociou.
— O que você é? — rosnei. — Algum tipo de traficante de órgãos?
Pisei com força no pé dela. O aperto afrouxou. Não esperei; saí disparada, o coração martelando, meio esperando uma bala nas costas.
Meus pulmões pareciam que iam estourar, e meu coração batia descontrolado contra as costelas.
Eu não parei até o bar virar só um ruído distante atrás de mim.
Só então diminuí o ritmo, me curvando para a frente, ofegando por ar.
Meu celular tocou e, assim que vi quem era, a realidade desabou de volta em cima de mim.
Enfermeira Reyes.
Olhei a hora depressa. Eu ainda tinha quinze horas para conseguir o dinheiro.
Com os dedos inquietos, deslizei para atender.
— Diana, o Thomas está tendo uma convulsão, e está contínua.
O mundo ficou silencioso. Acenei para o táxi mais próximo e entrei, voltando para o hospital.
Corri até o quarto dele.
— Thomas? — gritei, horrorizada, e me joguei para segurá-lo.
Duas enfermeiras o mantinham contido porque ele se debatia sem controle. Colocaram um pano entre os dentes dele. Os pés e as mãos estavam encolhidos e rígidos, os olhos escuros revirados, ele estava ficando roxo.
— Thomas, a mamãe está aqui agora… por favor… — sussurrei, pressionando minha mão contra as dele, duras.
— Por que vocês estão só olhando? Porra, façam alguma coisa!
— Senhora, ele foi retirado do programa de caridade porque não atendia aos requisitos, então nada pode ser administrado a ele — explicou a enfermeira Reyes.
— C-como é? — minha voz falhou. — Por que só estão me dizendo isso agora?
— O Thomas pediu para não contar — disse a enfermeira.
— Vocês escolhem as palavras de uma criança em vez da responsável por ela?! — eu berrei.
— O problema é que precisamos de cinco mil para colocá-lo de volta num tratamento temporário. O corpo dele não aguenta mais convulsões; ele pode entrar em parada cardíaca…
Cinco mil? O dinheiro que a Suzy tinha me dado. Fiz a transferência na hora.
— Senhora, por favor, aguarde do lado de fora. — A porta bateu na minha cara.
Fiquei andando de um lado para o outro, o coração dolorosamente apertado. Eu me culpei por não ter sido mais atenta. Lembrei de todas as vezes em que eu o ignorei.
— Diana, você pode passar a noite comigo? — ele implorava.
— Agora não, eu tenho um turno.
— Mamãe, eu não quero dormir sozinho.
— Amanhã, tá bom?
Mas o amanhã nunca chegou.
Eu me deixei cair no chão gelado.
Talvez, se eu tivesse ficado com ele, só por um dia, eu teria percebido sozinha. O corpo dele estava recaindo tanto, mas eu estava ocupada demais correndo atrás de dinheiro — que nunca, nunca era suficiente — em vez de correr atrás da vida do meu filho. Thomas é a minha vida inteira, a única família que eu tenho, o único que me ama no mundo todo. Perder ele é o dia em que eu morro.
Meu celular tocou. Era a Suzy.
Um soluço engasgado escapou dos meus lábios.
Eu não aguentava. Não agora. Eu explicaria tudo para ela depois.
Em seguida chegou uma mensagem da Jezebel.
DOZE HORAS
Fechei os olhos e mordi os lábios. Meu coração estava desabando.
A porta do quarto dele se abriu. Eu me pus de pé num salto e corri até a enfermeira Reyes. As sobrancelhas dela estavam franzidas, os lábios comprimidos.
— Ele está estabilizado por enquanto.
Eu nem sabia que estava prendendo a respiração.
— Quero falar com você. Por aqui, por favor.
Eu a segui até não conseguir mais. Eu a agarrei.
— Por favor... meu filho está morrendo? — fiz a pergunta que eu mais temia. Eu só queria saber.
— A convulsão aconteceu por causa da baixa contagem de glóbulos vermelhos. Ele ficou um tempo sem receber transfusões de sangue, por isso o gatilho. Ele precisa de um tratamento além de transfusão, Diana.
Passei a mão pelos cabelos, soltando o ar com um tremor.
— Você vai precisar pagar dez mil dólares para colocá-lo no programa de caridade. Há uma vaga reservada, se você conseguir trazer o dinheiro até amanhã.
— Por que existe uma cobrança para caridade? — sussurrei.
— O hospital também precisa de recursos — ela explicou.
Coloquei as duas mãos na cabeça.
— Como você vai conseguir esse dinheiro?
Respirei fundo.
— Tem um casal dos Estados Unidos que visitou o hospital. Eles se apaixonaram pelo Thomas e estão dispostos a adotá-lo.
— Não... — balancei a cabeça.
— Você ainda é tão jovem, Diana, e precisa viver. O Thomas tem dez anos... ele não consegue esquecer você... esse casal é rico, e pode cuidar do tratamento dele, dar uma vida melhor, e ele vai vir procurar você no futuro...
— Para!! — eu gritei. As lágrimas desabaram dos meus olhos. — Eu vou dar um jeito de conseguir o dinheiro para o tratamento do meu filho. Mais uma vez, obrigada. — Passei por ela, enxugando as lágrimas.
Empurrei a porta do quarto do Thomas. Ele já estava acordado.
— Oi, meu amor — sorri, sentando ao lado da cama. Uma das mãos dele estava ligada a um soro; a outra, ao sangue.
— Você chorou? — ele perguntou, fraco, erguendo a mão para tocar meus olhos inchados.
Balancei a cabeça.
— Mentira, mentirinha, calça pegando foguin... — ele cantou, sorrindo.
— Tá bom, só um pouquinho. — Pousei a mão na bochecha dele. — Por que você não me contou que estava com dor?
— Se eu contar, você vai ter que arrumar mais um trabalho de novo, e eu não quero isso... a gente já está com dificuldade.
— Eu não me importo, Thomas... — meus olhos brilharam — contanto que você melhore.
— E se eu não melhorar? — ele perguntou, me olhando como se tivesse perdido a esperança no mundo.
Aquilo atravessou meu coração. Eu não queria aquilo.
— Você vai. — Levantei. — Eu vou garantir. — Depositei um beijo na testa dele.
— Dorme.
Cheguei à recepção.
— Enfermeira Reyes, por favor, você pode me fazer um favor e trocar a ala do Thomas?
Ela assentiu.
Assim que cheguei em casa, fiquei de boca aberta. Tudo o que eu tinha estava do lado de fora, encharcado pela chuva.
Corri para procurar a única coisa que eu tinha da minha mãe. Tinha sumido.
— Finalmente chegou, hein? Já aluguei seu quarto pra outra pessoa. — A voz da proprietária ecoou da varanda do primeiro andar.
— Onde diabos está? — rosnei para ela.
— Vadia, não grita comigo... você ainda me deve aluguel atrasado. Eu vou chamar a polícia se você não sair daqui! — ela berrou.
Corri para as escadas. Quando cheguei à porta da frente dela, já estava trancada por dentro.
— Por favor, se você está com o meu colar de diamantes, por favor, devolve. Eu preciso pagar o tratamento do meu filho — eu disse, batendo, desesperada.
Nenhuma resposta. Os vizinhos me observavam com pena nos olhos.
Eu escorreguei até o chão.
Meu celular apitou. Tirei do bolso, e um cartão caiu junto.
Peguei o cartão; tinha dados de contato.
A mulher estranha do bar.
