Capítulo 5 Capítulo Cinco

Diana

Por um segundo, tudo ficou imóvel.

A mão dela veio até a minha cintura, segurando-me com firmeza para que eu não caísse mais.

Minha respiração travou na garganta. Eu sentia o calor dela através do tecido fino do meu vestido. O cheiro de chocolate amargo e tabaco invadiu minhas narinas, forte e inebriante.

Meu rosto ficou perigosamente perto do dela.

O olhar dela desceu devagar, avaliando onde minha mão se agarrava com força, antes de voltar aos meus olhos.

— Eu não disse — ela murmurou, a voz baixa e precisa — que a noite de núpcias podia começar imediatamente.

Meu rosto corou de um vermelho vivo.

Eu me afastei dela na hora, como se ela fosse um forno em brasa.

— E-eu também não quero isso... — ergui um pouco a voz, atrapalhada.

Dei um passo para trás, criando espaço entre nós, com os pensamentos se atropelando.

— V-você não ia me deixar ir embora, e é urgente, então eu pensei em levar você comigo... — disparei, evitando olhar nos olhos dela. — Eu não quis... — apontei para o peito dela, sem coragem de dizer as palavras.

Ela inclinou a cabeça de leve. Falou sem levantar a voz.

— Relaxa. Não tenho interesse em tirar de você nada que você não esteja disposta a dar.

Isso não me acalmou.

— Por favor... — minha voz baixou. — Posso ir?

O olhar dela segurou o meu por mais um segundo, antes de ela se recostar um pouco.

— E se eu disser não?

Alguma coisa estalou dentro de mim.

— Eu vou sair daqui à força.

Peguei o copo de vidro da mesa e o bati contra a quina. Ele se estilhaçou na minha mão, e pedacinhos se cravaram na minha pele.

Antes que eu pudesse pensar melhor, apanhei um caco afiado e apontei para ela.

Ela examinou o caco, depois meu rosto, e soltou uma risada baixa que fez um arrepio descer pela minha coluna. Ela não recuou nem procurou uma arma. Em vez disso, se recostou um pouco, os olhos dourados brilhando de interesse.

— Só fogo e dentes quando importa.

— Estou impressionada — ela admitiu, com palavras quentes e sinceras.

— Você pode ir.

Não perdi um segundo, para ela não mudar de ideia. Saí correndo.

Ponto de vista de Alessia

— Coisinha feroz — murmurei, ainda rindo, enquanto a porta batia atrás dela.

Fazia tanto tempo que estava tudo tão entediante por aqui.

— Alessia — Kendrick chamou com cautela. — Você acha que ela vai voltar? Você simplesmente deixou ela ir embora com sessenta mil dólares.

Tirei um cigarro, acendi e puxei fundo, deixando a fumaça subir em espirais até o teto.

— Ela vai.

Levantei e peguei do chão um pedaço do vidro quebrado que tinha uma gotinha de sangue, girando a borda afiada entre os dedos.

— Ela não é perfeita para o papel?

— Vamos descobrir — disse Kendrick do outro lado da sala, onde estava de braços cruzados sobre o peito.

Deixei o caco na mesa e lancei um olhar para o contrato assinado, ainda aberto sobre a mesa.

— Mal posso esperar para ver ela atuar.

— Alessia...

— Você conseguiu? — interrompi, estendendo a mão.

Kendrick me passou um celular. Apertei o play. O som de gemidos e grunhidos crus, desesperados, encheu o quarto silencioso. Observei a tela por alguns segundos e então encerrei o vídeo. Minha expressão continuou neutra, mas a irritação arranhou de leve por baixo da pele.

Kendrick me encarou como se tivesse mais perguntas, e eu não estava com disposição para responder a nenhuma. Dei uma longa tragada antes de soltar a fumaça.

— Quanto mais rápido você quiser ela de volta aqui, mais cedo você deve levá-la para onde ela precisa estar.

Kendrick baixou um pouco a cabeça e saiu sem dizer mais nada.

Encostei as costas na ilha, observando o mar revolto. Minha mente voltou para a garota loira e para o fogo queimando nos olhos azuis dela. O fato de ela não se dobrar por ninguém me excitava. Os olhos dela, quando ela quebrou o vidro e o estendeu, eram hipnotizantes.

Um sorriso lento puxou meus lábios de novo.

Isso ia ser muito mais divertido do que eu esperava.

A porta se abriu. Nem me dei ao trabalho de virar.

— Chefe — a voz de Spike soou, com medo entranhado nela.

— Mais cedo… eu não sabia que ela era sua convidada. Se eu soubesse, e-eu não teria parado ela…

— Ela não é mais uma convidada. — Voltei para o meu lugar e me servi de mais um copo de uísque.

— Ah… — Um sorriso sinistro apareceu no rosto dele.

— Eu imaginei… essa coisa de noiva era só fachada, né? Você só queria brincar com ela… — ele riu. — Eu posso ficar com as sobras, certo?

Ele riu alto.

— Pegue um copo e se junte a mim.

— Obrigado, chefe.

Ele se mexeu rápido, pegou um copo e uma garrafa e correu de volta para a mesa.

— As pessoas falam um monte de coisas ruins sobre você, mas eu sei que, no fundo, você não é tão frio quanto dizem.

Ele disse isso enquanto se servia, até o líquido transbordar pela borda.

Eu não respondi. Meu olhar ficou preso no curativo enrolado na cabeça dele; meu indicador batia de leve no apoio de braço.

Ele virou um copo atrás do outro.

Tomando meu silêncio como permissão, ele se levantou e se aproximou.

— Chefe, eu sei o motivo de a gente ter ido ao bar gay. Você precisa de um homem pra casar, como seu avô mandou. — Ele sorriu, exibindo o dente de ouro.

Soltei a fumaça devagar.

Ele estendeu a mão e a pousou na minha coxa. — Me escolhe. Me usa como quiser. Eu vou ser seu brinquedinho obediente.

Meu olhar desceu para a mão dele e depois voltou para o rosto. — Você já contou pra Chiara? — perguntei, casualmente.

O desejo no rosto dele desapareceu.

— O-o quê?

— E-eu não… ela veio até mim… pedindo pra eu te vigiar… eu juro que não… — ele gaguejou.

— Ela é uma vadia, né?

— S-sim, ela é. Acredite em mim, eu nunca te trairia.

— Hum.

O alívio lavou o rosto dele. Encorajado, ele se ajoelhou; a mão dele abriu minhas pernas.

— Chefe, eu posso te fazer relaxar.

Eu deixei.

Derrubei o cigarro dentro do copo.

— Eu tenho pensado naquela remessa — eu disse, sem pressa.

Ele congelou.

— A rota do vinho. — Inclinei a cabeça para o lado. — Estranho como isso vazou.

A mão dele parou.

— Eu só contei pra uma pessoa.

Tudo ficou em silêncio.

Eu me inclinei para a frente.

— Adivinha quem é?

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