Capítulo 6 Capítulo Seis
Ponto de vista de Alessia
Ele afastou a mão de mim com a velocidade de um relâmpago, indo buscar a arma sob a camisa.
Reagi antes que ele conseguisse puxá-la; meu joelho acertou o pulso dele com força. A arma voou pelo chão.
— Porra!! — Ele se lançou para pegá-la.
Puxei a faca presa à minha panturrilha e a golpeei contra ele. A lâmina se cravou nas costas dele.
Ele gemeu e caiu no piso gelado, mas continuou se arrastando em direção à arma, os dedos raspando no chão.
Eu me levantei e o observei.
Essa era a melhor parte.
A cada segundo, os movimentos dele ficavam mais lentos por causa do veneno na faca.
— C-chefe, p-por favor...
— Você devia ter acreditado nos boatos.
— E-eu... era o diabo...
Meus lábios se curvaram. — Então vai lá dizer a ele que eu mandei um oi. — Torci a faca e a puxei para fora.
Eu a enfiei direto no coração dele.
Observei enquanto ele sangrava, a vida se apagando dos olhos.
Puxei a faca e a limpei na roupa dele.
— Mandem a cabeça dele como meu presente de aniversário para a Chiara.
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Ponto de vista de Diana
Eu mal consegui chegar à estrada principal, o corpo encharcado de suor como se eu tivesse corrido uma maratona. Eu tentava conseguir um táxi disponível, mas não havia nenhum; caminhei pela via, ofegante.
Liguei de volta para a enfermeira Reyes, já que eu tinha perdido a ligação dela mais cedo. A bateria do meu celular morreu.
— Merda! — praguejei.
Uma SUV preta e elegante parou bem ao meu lado; o vidro baixou, revelando o rosto da mulher que tinha bloqueado meu caminho de volta para a casa de praia.
— Ela mudou de ideia?.. Isso é problema dela, mas eu não vou voltar até eu terminar—
— Eu estou voltando para a cidade. Se você já tem outra opção, eu vou— — ela me cortou antes que eu terminasse.
— Não — eu não tenho — disse na hora.
Abri a porta e pulei no banco do passageiro.
— Posso usar seu carregador?
Ela apontou para ele, e então o carro arrancou.
Conectei meu celular, batendo os dedos nas pernas com impaciência, esperando o aparelho voltar a ligar.
— Seu filho está bem agora? — ela perguntou, calma.
Virei a cabeça num estalo para encará-la.
— C-como você sabe do meu filho? — minha voz ficou afiada na mesma hora.
— Eu te conheci ontem, debaixo da chuva.
Minha mente voltou ao meu momento de desespero e medo.
— Você pediu ajuda com a promessa de pagamento. Mas desapareceu sem pagar.
Aquilo era uma coincidência pura ou tinha sido planejado?
Ela me lançou um olhar sereno, como se entendesse meus pensamentos. — Não tem nada a ver com sua esposa...
Que esposa?
Ah... certo. Eu era casada agora.
— Eu estava trabalhando... e caí num golpe—
Pisquei antes de acenar com a mão para ela. — Não... eu não te dei golpe. Foi uma emergência... mas eu vou pagar, de verdade...
Ela não me respondeu de novo.
Eu a observei pelo canto do olho. Os traços dela eram marcantes: pele morena, olhos amendoados e afiados que suavizavam o rosto severo; o cabelo vermelho era um mar de cachos presos num coque frouxo, com mechas escapando nas têmporas. O nariz era torto, como se tivesse sido quebrado algumas vezes.
Ela parecia uma lutadora.
Alguém que não se dobrava com facilidade.
Meu celular vibrou na minha mão, desviando meu olhar.
Era uma mensagem da enfermeira Reyes.
Thomas só queria falar com você porque estava preocupado.
O alívio me inundou tão rápido que eu soltei o ar e desabei de volta no banco.
Conferindo a hora, fiz rapidamente uma transferência para Jezebel, tanto dos juros quanto do principal. Guardando prova do pagamento.
— Encosta... ali... — apontei para uma loja de brinquedos. Ela obedeceu.
— Sou a Diana, aliás... agora nós duas temos o mesmo chefe, então... é melhor a gente se conhecer. — estendi a mão para um aperto.
Ela me lançou um olhar.
— Kendrick. — disse, mal olhando para a minha mão, e destrancou a porta do carro.
Ai. Doeu.
Puxei a mão de volta e saí, depois hesitei.
— Kendrick, será que dá pra manter meu filho meio em segredo... Eu posso acrescentar um dinheiro a mais por isso...
Vi o carro deslizar para longe e tomei o silêncio dela como aprovação. Comprei tudo de que Thomas já tinha falado. Roupas novas, sapatos, conjuntos de Lego Transformers de edição limitada e lanches.
Ignorei todos os olhares das enfermeiras enquanto seguia até o quarto dele.
— Mamãe — soou mais como um alívio.
— Sim, meu amor. — larguei as sacolas e beijei as bochechas dele. — Eu trouxe todos os seus favoritos...
Abri a sacola, tirei alguns brinquedos e entreguei a ele; depois vieram as roupas novas.
— Você não precisa mais usar aquele uniforme velho do hospital.
Ele me encarou sem reação no rosto, sem tocar em nada.
Eu parei.
— Você não gostou? Se não gostou, eu posso ir trocar... — comecei a guardar tudo de volta.
— Eu gostei, sim, mas, Diana, de onde você tirou dinheiro pra comprar essas coisas todas?
Sentei ao lado da cama dele.
— Uma boa samaritana me ajudou... ela me ofereceu um emprego em tempo integral... eu falei de você, então ela me ofereceu um adiantamento... — menti.
— Sério? — ele me olhou com alegria.
Eu assenti.
— Agora a gente nunca mais vai precisar se preocupar com dinheiro... a gente tem que focar em você melhorar.
O sorriso dele quebrou alguma coisa dentro de mim.
— Uau! Eu tô tão feliz, mamãe... — ele pegou o brinquedo e as roupas.
— Eu também vou passar a noite aqui com você, e você pode me contar tudo o que eu perdi...
Ele me abraçou forte. Minha visão embaçou. Eu podia sobreviver a qualquer coisa, contanto que ele estivesse feliz e aqui comigo.
— Me mostra o que você comprou pra você... — ele perguntou, animado.
— Eu não...
— Por que não? — ele franziu a testa. — Você tá com essa roupa há dois dias...
— Amanhã... tá bom? Agora deixa a mamãe te preparar pra dormir...
— Mamãe, esse é o Megatron, o Optimus Prime, o Starscream, a Arcee e o meu favorito de todos, o Bumblebee... — por dez minutos seguidos ele não parou de falar. Eu ouvi, limpando o corpo dele com uma toalha molhada.
— Vira — pedi.
Ele virou.
Então aconteceu: memórias e vozes forçaram passagem para dentro da minha cabeça.
“Eu quero essa aqui...”
“Leva ela pra sala vermelha...”
O quarto inclinou, o ambiente mudou...
“Pookie... Pookiee...”
Minha respiração travou — quando o rosto mascarado apareceu...
— Não encosta em mim! — eu gritei.
Agarrei a tigela ao lado e a arremessei...
— DIANA!! —
