
A Acompanhante - CEO
IDA GARCIA Campos · Concluído · 127.5k Palavras
Introdução
Formada, pós-graduada, fluente em três idiomas e determinada a construir uma carreira brilhante, ela acreditava que mérito e competência seriam suficientes para conquistar seu espaço. Mas uma entrevista humilhante com Arthur Ribeiro, o poderoso e arrogante CEO da Beleza Black, destrói seus sonhos profissionais e a obriga a aceitar uma realidade muito diferente daquela que imaginou.
Dois anos depois, Yve trabalha como auxiliar de produção na mesma empresa que a rejeitou. Mãe solo, responsável pelo sustento da família e pela saúde do filho, ela vê sua vida mudar quando recebe uma proposta impossível de recusar: acompanhar um executivo milionário em um jantar por uma única noite.
O problema?
O executivo é justamente Arthur Ribeiro.
Rico, influente e acostumado a conseguir tudo o que deseja, Arthur não reconhece a mulher que um dia desprezou. Entre provocações, choques de personalidade e uma atração cada vez mais intensa, os dois se veem presos em um jogo perigoso de orgulho, desejo e segredos.
Enquanto Yve luta para proteger sua identidade e sua dignidade, Arthur começa a descobrir que a mulher que julgou anos atrás é exatamente aquela capaz de desafiar todas as suas certezas.
Entre diferenças sociais, conflitos familiares, ambições profissionais e uma paixão explosiva, ambos precisarão decidir se estão dispostos a derrubar os próprios preconceitos para viver um amor que jamais deveria acontecer.
Porque algumas pessoas entram em nossas vidas para provar que a primeira impressão pode ser o maior dos enganos.
Capítulo 1
Yve de Paula
Entrei na universidade cheia de sonhos e metas. Dentro da graduação, a maioria dos professores nos colocava na realidade. Sempre tinha um para dizer: Vocês entram aqui merda nenhuma, e saem daqui pouca merda. Só a graduação não vai lhe levar a lugar algum.
Foi por causa desses conselhos, que me preparei para o mercado de trabalho. Não queria chegar aos 30 como uma fracassada. Pós, NBA e mestrado. Falava inglês, mandarin e dava aquela arranhada em espanhol.
¿Quién no habla un tantito del portuñol?
Me enchi de esperança quando pleiteei uma vaga de supervisor na empresa Beleza Black. Afinal, o meu colega de classe, Robson Rangel, conseguiu uma vaga de assessor da presidência apenas com a graduação. Meu currículo acadêmico era mil vezes melhor do que o dele.
Assim como eu esperava, passei em todas as etapas. Bem, quase todas… só faltava uma. A entrevista com o CEO da Beleza Black. O homem gostava de conversar com todos os colaboradores que seriam contratados para a área de estratégia da organização.
Era um ponto bastante positivo, pois criava uma relação de comando hierárquico.
Para o dia da entrevista, investi em um terninho. Nem era um dinheiro que eu poderia gastar. Mas valeria a pena. Calça social, blusa de gola rolê, colete e blazer, tudo na cor marrom. Somente a blusa na cor marfim, para dar um contraste no visual.
Para variar, minha irmã, Eva, não estava em casa. E eu precisava da opinião de alguém que não fosse minha mãe. Para dona Irani, tudo sempre estava bom. Pela chamada de vídeo, Eva disse que o terno tinha cor de merda. Por ela, eu vestiria algo vermelho.
Nada de maquiagem, fiz um coque baixo, prendendo todo o meu Black, dando um ar ainda mais formal. Sai de casa, confiante de que não teria ninguém melhor do que eu para a vaga. Poderia ter igual, melhor, não.
(...)
Já na sala de espera, antes da entrevista com o poderoso chefão, achei super estranho quando tinham somente duas mulheres, contando comigo. Os demais dos sete candidatos eram homens.
Em média, a entrevista estava durando entre 15 e 20 minutos, até que a única mulher, além de mim, foi chamada para entrar, e saiu de lá apenas em dois minutos e aos prantos. Cheguei a cogitar que aquela mulher foi tratar de outro assunto que não teria nada a ver com a vaga.
Após mais um candidato, finalmente chegou a minha vez. A secretária, uma loira alta, com um vestido midi colado em um tom azul-royal, abriu a porta para mim.
A sala era muito bem planejada, com móveis na cor mogno, sobre um carpete grosso na cor vermelho, cravado com o nome Beleza Black. O homem negro e robusto, estava sentado na cadeira ergométrica, mexendo em um ofício sobre a madeira, bem ao lado de uma placa dourada escrita: Arthur Ribeiro. Chief Executive Officer.
Fui andando até a mesa e lhe cumprimentei com um bom-dia — que não foi correspondido. Puxei a cadeira de frente para ele e iria me sentar, quando, no mesmo instante, fui interrompida por sua voz preenchendo o ambiente.
— Não falei que podia. — Discorreu sem olhar para mim.
— Perdão, senhor. — Respondi constrangida e pus a cadeira no lugar.
— Agora, sim, bom dia — Ao menos ele mostrou educação. — Excelente currículo, senhorita Yve Rosendo de Paula! — Ele exclamou e eu me empolguei. — Posso te indicar para uma vaga de supervisão de um de nossos institutos de beleza.
No mesmo instante, minha face de sorriso pelo elogio da minha formação acadêmica se dissipou.
— Obrigada, senhor. Contudo, sou uma seguidora desta organização como um todo e sei que o cargo de supervisão dos institutos não cabe as minhas competências. São supervisoras de procedimentos estéticos. O senhor pode constatar que toda minha formação está voltada para a área de sistema de informação gerencial.
Sem olhar para mim, ele continuou a grifar de verde fluorescente um currículo que não era o meu.
— E quando você tiver filhos?
— Como? — Realmente não entendi sua pergunta.
— Filhos. A senhora sabe o que são filhos, creio eu. — Deus do céu! Que homem arrogante!
— Sim, senhor, minha cabeça não está focada em filhos no momento. O meu foco é total no profissional.
E finalmente ele olhou para mim.
— Sim, mas pode sair daqui agora e, no ônibus, com o cara que sentar ao seu lado, mudar esse foco. Mulheres sempre estão abertas aos sentimentos. E depois disso, são oito meses, no mínimo, que perco de análise de uma importantíssima parte da empresa. Supervisão de estética qualquer um aprende. Agora, o meu analista de SiG¹, não posso me dar ao luxo de ficar sem ele mais do que trinta dias. Por favor, obrigado pela sua presença. Já que não te interessa a vaga em nossos institutos, pode se retirar e peça para o último entrar.
Era surreal o que eu estava ouvindo. Me virei, atônita, rumo a saída, cheguei a segurar na maçaneta da porta e a entreabrir alguns centímetros, mas voltei a fechar e regressei, me pondo novamente de frente para o homem.
— Deixa eu ver se entendi bem… o senhor está me escorraçando porquê eu tenho útero? — eu realmente precisava entender. Havia uma necessidade latente em esclarecer essa história com o misógino à minha frente.
— Se vai chorar igual a última que saiu, a toalha de papel fica no banheiro… Essa porta atrás de você à direita. — Sem olhar para mim novamente, ele apontou na direção do cômodo.
— Sabe quem não é qualificado para estar nessa cadeira? — Ele me olhou. — O senhor. Como pode avaliar uma pessoa por ela usar vestido, maquiagem… enfim, pelo gênero dela?
Nesse momento o homem negro tinha um olhar inquisidor e coercitivo. Escaneou todo o meu corpo, muito bem coberto pelo terninho, mesmo assim seu olhar me deixou constrangida.
— Se tivesse vindo de vestido e maquiada, talvez eu tivesse outra vaga para te indicar. — Ele falou de maneira que beirava a obscenidade. — Mas não. Vestida assim, não poderia ser minha secretária.
— Você não passa de um idiota! — o homem conseguiu me tirar do sério.
— Saia da minha sala. Por favor, não me faça perder mais tempo. — se limitou a dizer.
E essa foi a minha pior experiência em um processo seletivo. Ainda tive muitas portas na cara, mas nenhuma espancou o meu nariz como fez Arthur Ribeiro, o CEO da Beleza Black.
(...)
Dois anos depois que um vírus maldito assolou o mundo e a escassez de emprego se tornou pior, tive que parar de sonhar com um emprego dentro da minha realidade acadêmica. E aonde vim parar? No chão de fábrica da Beleza Black. Me tornei auxiliar de produção.
Por sorte, colaboradores de nível 4 como eu, não precisavam fazer entrevista com a gestão. Para manusear maquinário, fazendo movimentos repetitivos até contrair uma LER², não era necessário o aval de nenhum pulha, misógino e arrogante.
Estava em mais um final de expediente, derrotada, esgotada e vi Robson, o meu amigo da faculdade, que conseguiu o emprego de assessor nesta digníssima empresa — o que tinha um currículo inferior ao meu. Ter um saco escrotal garantiu a ele habilidades necessárias para conseguir a vaga. Ele vinha pelo corredor e, antes que eu entrasse no vestiário, me chamou.
— Yve, espera!
Eu bufei, ao mesmo tempo que debrucei meu rosto sobre o braço na parede. O que ele queria agora no final do meu expediente? Me auto questionei.
— Fala, Rob. — falei sem humor.
— Está afim de ganhar um extra?
— Não. Nem adianta, que não irei me ferrar naquela caldeira, fazendo hora extra para ganhar mais 35 reais no meu salário. — deixei claro que não me interessava.
— Não é na caldeira, é de acompanhante.
— O quê? — Não aceitaria isso nem que eu perdesse o meu emprego! Mas iria enfiar minha mão na cara desse abusado. — Olha aqui, Robson…
— Ei…! Ei…! Ei…! Não é esse tipo de acompanhante que você está pensando. Apesar da maioria delas aceitarem a proposta quando os magnatas se interessam.
— Explica, que não estou entendendo. — discorri com uma certa irritação.
— Um executivo precisa de uma mulher bonita para acompanhá-lo até um jantar de negócios chique. Ele tinha já uma programada, mas a mulher adoeceu e a única mulher que conheço educada e gos… bonita é você, mesmo se disfarçando de feia.
— Minha resposta é não. Primeiro, não tenho roupa adequada. Segundo, meu cabelo está um lixo. Terceiro, que mesmo não sendo aquele tipo de acompanhante, o engraçadinho pode tentar alguma coisa e eu irei perder meu emprego. Pois comigo não irá arrumar nada.
Logo após a negativa, tentei mais uma vez me enfiar no vestiário, mas o Robson não parava de falar.
— Sobre a roupa, eu iria te pagar agora e você pode comprar uma cara e de grife. O cabelo, vou ligar para um de nossos institutos para que tenha carta branca no que quiser de serviço e, sobre o não para o cara, caso ele queira algo mais… não precisa e nem deve dizer que trabalha aqui.
Não podia negar que eu precisava de dinheiro. Rob já estava mesmo me alugando, então ouviria a proposta.
— De quanto estamos falando?
— 3.500.
— O quê? Esse valor é quase o dobro do que ganho aqui em trinta dias de trabalho infernal. Vão me pagar mais de três mil só para sentar em um restaurante chique e ouvir homens falarem de negócios e se gabarem de quem tem o pinto maior?
— Não somos assim! Quero dizer, somos, sim. Isso quer dizer que aceita? — Perguntou empolgado.
— Quem é o executivo?
— Rachuribeiro… — Robson tossiu e limpou a garganta.
— Quem? Não deu para entender.
Ele enfiou a mão fechada na frente da boca, como se fosse tossir novamente.
— Rachuribeiro!
— Fala direito, homem! Não está dando para entender.
— Arthur Ribeiro...!
— Não, ele não! Desiste… Ele nunca!
GLOSSÁRIO DE ADMINISTRAÇÃO
SIG¹ - Sistema de Informação Gerencial
LER² - Lesão por Estorno Repetitivo
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Última Atualização: 7/26/2026
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Do lado de fora do salão, ela foi até ele enquanto ele fumava perto da porta, querendo pelo menos se explicar.
— Você ainda está com raiva de mim?
Ele jogou o cigarro longe e olhou para ela com um desprezo evidente.
— Com raiva? Você acha que eu estou com raiva? Deixe-me adivinhar: a Maya finalmente descobre quem eu sou e agora quer "se reconectar". Mais uma chance, agora que ela sabe que meu sobrenome vem acompanhado de dinheiro.
Quando ela tentou negar, ele a interrompeu.
— Você foi um mero detalhe. Uma nota de rodapé. Se não tivesse aparecido esta noite, eu nem teria me lembrado de você.
Lágrimas arderam nos olhos dela. Ela quase lhe contou sobre a filha deles, mas se conteve. Ele apenas pensaria que ela estava usando a criança para prendê-lo e ficar com seu dinheiro.
Maya engoliu tudo a seco e foi embora, certa de que seus caminhos nunca mais se cruzariam — apenas para que ele continuasse aparecendo em sua vida, até ser ele aquele a se rebaixar, implorando humildemente para que ela o aceitasse de volta.
O Contrato do Ator
Todos ligados ao mesmo destino. E não importa o que aconteça – eles sempre estarão juntos.
Dizem que toda história tem um começo. Talvez o começo possa ser falso... mas o destino é sempre real.
Eu sou Enrique Blackburn. Um garoto de São Francisco. Do tipo rico e famoso – um ator, um modelo, um playboy. Mas estou me escondendo atrás de muros. Sou marcado pelo meu passado. Talvez eu aja como um robô para não me machucar. Talvez eu acredite que não tenho um coração. Talvez eu não mereça ser amado. Talvez eu goste da minha vida falsa.
Então eu a encontrei. Ela é a perfeição.
Talvez seja porque eu fiquei um pouco mais velho. Talvez seja por tudo que passei. Talvez seja como me vejo com ela. Ela traz à tona o meu verdadeiro eu. Ela vê através da atuação.
Agora os muros que eu estava construindo estão começando a desmoronar. Ela está roubando as coisas que eu conheço. Talvez robôs tenham corações. Talvez a vida real seja melhor do que os filmes.
Para tê-la, eu assinei um contrato. Para mantê-la, lutei como um leão. Para amá-la, derrubei os muros.
Dizem que toda história deve terminar. Talvez você seja consumido pelo fogo do desejo. Talvez você encontre sua direção.
Eu? Eu tive que dizer as palavras.
V de Virgem!
Sim, eu sou essa garota.
Aquela garota estranha que sempre pede o impossível e que, por acaso, está secretamente apaixonada por seu melhor amigo, que, com razão, não percebe nada. Mas meu nome não é Desgraça. É Cassie.
E com meu acordo improvisado para ser mãe de aluguel devido à instabilidade financeira, estou em uma enrascada. Perder minha virgindade para um bebê não é meu sonho ideal. Tenho talvez um mês para convencê-lo antes que o processo de fertilização in vitro comece. Claro, ele e o namorado dele não sabem absolutamente nada disso.












