Ligada ao Alfa Instrutor Dela

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Marina Ellington · Concluído · 230.9k Palavras

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Introdução

Sou a Eileen, a excluída da academia de metamorfos, tudo porque eu não tenho um lobo. Minha única salvação é um talento para cura que me garantiu uma vaga na Divisão dos Curandeiros. Aí, numa noite, na floresta proibida, encontrei um estranho à beira da morte. Um toque, e algo primitivo se quebrou entre nós. Aquela noite me prendeu a ele de um jeito que eu não consigo desfazer.

Semanas depois, nosso novo instrutor de combate Alfa entra na sala. Regis. O cara da floresta. Os olhos dele se fixam nos meus, e eu sei que ele me reconhece. Então o segredo que venho escondendo me acerta como um soco: estou grávida.

Ele vem com uma proposta que nos liga ainda mais. Proteção… ou uma prisão? Os sussurros ficam venenosos, a escuridão se fecha ao redor. Por que eu sou a única sem lobo? Ele é a minha salvação… ou vai me arrastar para a ruína?

Capítulo 1

Eileen

O rugido da torcida me atingiu como uma onda de verdade quando me encolhi ainda mais no canto das arquibancadas de pedra gasta. Meus dedos torciam o tecido da saia até os nós dos meus dedos ficarem brancos. Lá embaixo, na arena de treinamento, dois lobos circulavam um ao outro sob o sol que subia, as formas desfocadas pela poeira que as patas levantavam a cada passo calculado.

Eu não devia estar aqui. Alunos da trilha de Tratamento raramente assistiam às exibições da divisão de Guerreiros e, quando assistiam, com certeza não ficavam sozinhos lá no alto, na última fileira, como alguma perseguidora patética. Mas eu não conseguia evitar. Nunca conseguia, não quando se tratava de Derek Ashford.

O lobo marrom-escuro — algum aluno do terceiro ano cujo nome eu nunca me incomodei em aprender — avançou com um rosnado tão feroz que fez a multidão arfar. A forma castanho-acinzentada de Derek girou no ar, mas não rápido o bastante. O impacto o lançou contra a terra batida com um baque tão forte que eu senti no peito.

Não. Minhas unhas cavaram meia-luas nas palmas das mãos. Levanta. Por favor, levanta.

"Ele tá acabado!" alguém gritou das fileiras abaixo. "Duas lutas seguidas, não sobrou nada!"

"Só desiste, Derek!" outra voz chamou. "Não faz burrice!"

Mas Derek nunca tinha desistido. Não no ano em que eu o observei das sombras, decorando cada vitória como se fosse escritura sagrada. Vinte vitórias, com lutas só duas vezes por mês. Agora entre os cinco melhores da turma. Eu conhecia o histórico dele melhor que minhas próprias notas, sabia recitar as chaves dos torneios como as ervas de cura que eu estudava até os olhos arderem.

O lobo marrom avançou com tudo, a pata enorme descendo em direção à garganta exposta de Derek. As arquibancadas explodiram em gritos. Meu coração parou.

Então Derek se mexeu.

Foi lindo — era a única palavra possível. O corpo castanho-acinzentado virou sombra líquida, rolando por baixo do golpe e enganchando as garras na nuca do oponente num único movimento fluido. O golpe por cima do ombro que veio em seguida foi de manual, perfeito, jogando o lobo maior de costas com força suficiente pra rachar as pedras de treino embaixo deles.

Por um instante, a arena ficou em silêncio.

Depois, caos. O ganido de rendição do lobo marrom cortou o ar, e a multidão explodiu. "DEREK! DEREK! DEREK!" O coro trovejou contra as paredes antigas da Academia de Santa Helena até eu achar que as próprias pedras iam desmoronar com a força daquilo.

"INACREDITÁVEL!" A voz do locutor, amplificada por magia, falhou de tanta empolgação. "Uma reversão perfeita! Derek Ashford avança para a final com duas vitórias consecutivas!"

Eu já estava de pé antes de perceber que tinha me mexido, batendo palmas com tanta força que minhas mãos ardiam, a visão embaçando com lágrimas que eu de jeito nenhum ia deixar cair. Eu sabia. Eu sabia que ele conseguia. Ele sempre é brilhante quando mais importa.

Os treinadores jogaram para os dois combatentes uns shorts improvisados pra que se cobrissem. Eles voltaram à forma humana, cumprimentaram o público com acenos rápidos e depois seguiram em direção aos vestiários.

Eu continuei de pé, ainda elétrica de adrenalina, tentando acalmar as batidas disparadas do coração enquanto a empolgação aos poucos diminuía.

"Você viu aquele golpe?" Um grupo de meninas da trilha de Guerreiros passou se esbarrando em mim, o perfume caro fazendo meu nariz coçar. "O Derek vai ganhar o campeonato, com certeza."

"Lógico. Ai, fiquei pensando quem vai ser a sortuda no baile de amanhã."

Minha respiração travou. O cartão no meu bolso — um pedaço de papel-cartão azul-claro que eu passei noites preparando, as bordas prensadas com flores-de-lua prateadas que eu tinha colhido à meia-noite — de repente pareceu pesar uma tonelada.

"Quem será que ele vai convidar?" uma delas disse, a voz brilhando de expectativa. "Ele pode ter quem quiser."

"Vai ver ele já tem alguém em mente? A gente gritou tanto que aposto que ele reparou em pelo menos uma de nós."

Elas se dissolveram em risadinhas enquanto desciam os degraus, as vozes se misturando ao burburinho geral da multidão que se dispersava. Eu desabei de volta no banco de pedra, a mão indo pro bolso sem pensar, os dedos roçando o cartão cuidadosamente dobrado através do tecido.

Ele pode ter quem quiser. As palavras ecoavam na minha cabeça, cada repetição enfiando a faca da dúvida um pouco mais fundo. Mas o Derek não era assim — não era do tipo que escolhe a admiradora mais barulhenta ou o rosto mais bonito. O Derek que eu conhecia era diferente. Atento. Gentil.

Meus dedos deslizaram de novo pelo contorno do cartão, e eu me permiti lembrar.


Aquela noite, um ano atrás, no jardim de ervas, parecia ter sido ontem. Eu ainda estava na academia básica naquela época. Todo mundo sabia que eu era quebrada, sem lobo, uma vergonha para o nome Wylde. Mas eu me recusava a desistir, despejando toda a minha esperança nas artes de cura que eu amava e nas quais me destacava, desesperada para compensar o que a natureza tinha me negado.

O jardim estava vazio ao anoitecer, o lugar perfeito para colher capim-orvalho-noturno para a minha prova prática. Eu estava tão focada em encontrar os caules mais frescos que não ouvi quando elas se aproximaram, até ser tarde demais.

— Olha, olha. O que uma aberraçãozinha sem lobo está fazendo no nosso jardim?

Eu ergui o rosto e vi três garotas Beta bloqueando o caminho, a mão da líder já vindo em direção ao meu cabelo. Eu conhecia ela — todo mundo conhecia. Ela seria expulsa dois meses depois por roubo, mas naquela noite era a rainha do seu pequeno reino, e eu era a invasora.

— Por favor — sussurrei quando ela agarrou minha trança, puxando com força suficiente pra encher meus olhos de lágrimas. — Eu só preciso disso pro meu trabalho—

— Trabalho? — Ela riu, um som como vidro se partindo. — Sem lobo não se forma, querida. Você tá só fazendo todo mundo perder tempo.

O cesto voou longe. O precioso capim-orvalho-noturno — horas de busca cuidadosa — foi esmagado sob os pés delas enquanto me empurravam contra a parede. Minhas costas bateram na pedra com força suficiente para arrancar o ar dos meus pulmões, minhas costelas gritando em protesto.

— Inútil — uma delas sibilou, erguendo a mão para um tapa que eu sabia que ia deixar marcas. — Igual à sua linhagem patética—

— Três contra uma parece meio injusto, não acha?

A voz era baixa, controlada, mas tinha um corte que fez as três congelarem. Por entre as lágrimas, eu o vi — uma silhueta alta recortada pelo sol poente, se movendo como se fosse dono do mundo.

Ele se colocou entre nós sem hesitar, a mão dele agarrando o pulso da líder no meio do movimento. — Caiam fora. Agora.

Elas dispersaram como coelhos assustados. E então ele se virou pra mim, se agachando com uma delicadeza tão cuidadosa que alguma coisa dentro do meu peito se abriu em mil pedaços.

— Ei — ele disse baixinho. — Você tá bem? Consegue ficar de pé?

Deus. Eu encarei ele, completamente atônita. Um estranho estava me ajudando? Perguntando mesmo se eu estava bem — e esperando a resposta? Nem a minha própria família tinha falado comigo com aquele tipo de preocupação suave. Nunca tinha me olhado como se eu valesse a pena ser protegida.

A gentileza na voz dele era tão estranha pra mim que, por um momento, eu esqueci como se respirava. Meu Deus, quando foi a última vez que alguém se importou se eu me machucasse?

A mão dele era quente, seca e firme quando me ajudou a levantar. O pôr do sol o pintava de dourado, transformando-o em algo saído dos contos de fadas que eu lia antigamente. Ele ainda me ajudou a juntar o que restava das minhas ervas destruídas.

— Aqui. — Ele tirou a própria jaqueta — couro caro, que provavelmente custava mais do que o meu guarda-roupa inteiro — e colocou sobre meus ombros. — Não deixa elas verem você chorar, tá?

Ele me acompanhou até os escritórios da divisão de Tratamento e, pouco antes de ir embora, bagunçou meu cabelo como se eu fosse uma criança. — Se alguém te encher o saco de novo, vem me procurar. Promete? Ah, é, meu nome é Derek Ashford.

— Eu sou a Eileen — sussurrei, as palavras mal escapando dos meus lábios. Assenti, o coração se enchendo de gratidão e de um calor estranho para o qual eu ainda não tinha nome. Alguma coisa criou raiz naquela noite.

Mas depois eu descobri que ele pertencia à Academia Avançada, enquanto eu ainda estava na Divisão Júnior. Embora a gente dividisse o mesmo campus, nossos mundos quase não se cruzavam — salas de aula separadas, horários separados, tudo separado. Nunca entendi o que tinha levado ele aos jardins de Herbologia Júnior naquele dia e, apesar de eu ter ficado rondando por lá cheia de esperança nas semanas seguintes, nunca mais o vi.

Mas o destino tinha outros planos. No começo do novo semestre, a minha pesquisa em herbologia me rendeu algo quase inédito — uma promoção direta para o Programa de Cura da Academia Avançada.

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