Capítulo 4 Ela é um peão descartado

A multidão explodiu na mesma hora, flashes disparando enlouquecidos enquanto focalizavam o rosto pálido de Hannah.

Tom, o “protagonista masculino” desse escândalo sexual, estava sentado na primeira fila, com a expressão neutra, impossível de adivinhar o que ele pensava.

O olhar de Nicholas foi e voltou entre Tom e Hannah, até por fim se fixar em Tom.

Percebendo a atenção de Nicholas, Emily falou imediatamente: “Sr. Hill, já que citaram o senhor, por que não esclarece as coisas você mesmo?”

Tom arqueou uma sobrancelha e sorriu.

Ele pigarreou: “A srta. Nguyen e eu de fato nos encontramos algumas vezes.”

A multidão voltou a ferver, flashes iluminando o local como se fosse dia.

“Mas foram todas conversas normais de negócios!”, acrescentou Tom. “A srta. Nguyen é realmente muito esforçada. Algumas vezes ficou bem tarde, mas nós só estávamos discutindo detalhes do contrato no hotel.”

Ele fez uma pausa, deliberadamente vago: “Quanto a outras coisas, não me sinto à vontade para dizer mais. Mas, nos negócios, usar certas táticas para fechar acordos é bem comum.”

Aquelas palavras foram como uma gota de óleo no fogo.

“Então o senhor também está admitindo que a srta. Nguyen usou meios impróprios para fechar o acordo?”, um repórter pressionou de imediato.

“Eu não disse isso!”, Tom negou rápido, mas sua expressão tinha segundas intenções. “Só estou dizendo que a srta. Nguyen é muito dedicada ao trabalho.”

Isso bastava.

Aquelas duas frases bastavam para incendiar a opinião pública e condenar Hannah diretamente.

A expressão de Nicholas se fechou por completo. Ele olhou para Hannah, os olhos complexos — cheios de fúria, escrutínio e dúvida.

Hannah ficou ali, sentindo-se como se estivesse nua sob os refletores.

Ela se lembrou daquelas reuniões com Tom:

Uma vez, Tom de repente mudou o horário para as dez da noite.

Outra vez, já na etapa final do contrato, Tom disse que um documento estava sem carimbo e pediu que ela levasse o selo ao hotel dele.

E uma vez, depois de um jantar de comemoração, Tom ficou bêbado e ela chamou um motorista para levá-lo de volta.

Todas as vezes, era estritamente por causa do projeto.

Todas as vezes, ela manteve uma distância segura.

Mas agora, essas interações normais de negócios estavam sendo distorcidas em visitas noturnas e em ela ter ido para a cama com Tom por iniciativa própria.

Ela claramente não tinha mais nada e não queria mais nada.

Por que não a deixavam em paz? Por que precisavam marcá-la com tamanha vergonha?

“Chamem a polícia”, Nicholas disse de repente, frio.

A multidão silenciou na hora.

“Já que isso envolve transações impróprias, peço que as partes relevantes colaborem com a investigação.” Ele olhou para Hannah, a voz assustadoramente calma.

Hannah olhou para ele e de repente riu, mas seus olhos ficaram vermelhos enquanto ela ria.

Colaborar? Com o quê, exatamente, ele quer que eu colabore?

Colaborar com ele me jogando publicamente para servir de escudo? Colaborar com ele me sacrificando sem hesitar para proteger Emily e a reputação da empresa?

Emily puxou a manga de Nicholas no momento certo. “Nicholas, talvez a Hannah tenha sido acusada injustamente. A gente pode investigar internamente primeiro.”

Nicholas a interrompeu: “As fotos, o depoimento do Tom — as provas estão completas. Emily, a empresa tem suas regras. Não implore pela Hannah.”

Ele voltou a olhar para todos. “Até sair o resultado da investigação policial, Hannah está suspensa de todas as funções.”

Enquanto os seguranças escoltavam Hannah para fora, ela olhou para trás.

Nicholas estava consolando Emily, a mão dele acariciando de leve as costas dela, com uma ternura dolorosa.

E ele nem sequer olhou para Hannah de novo.

A polícia agiu com extrema rapidez, chegando a uma conclusão em poucas horas.

Por suspeita de suborno comercial e vazamento de informações comerciais não divulgadas, Hannah precisava cooperar com uma investigação mais aprofundada.

Quando a notícia estourou, a internet entrou em erupção.

As ações da Robinson Enterprises despencaram na abertura do pregão, mas Nicholas reagiu rápido, convocando uma reunião extraordinária do conselho naquela tarde.

Na sala de conferências, o ar estava tomado de fumaça enquanto os executivos discutiam acaloradamente, cada um com uma opinião diferente.

“Temos que cortar laços completamente. As ações da Hannah prejudicaram seriamente a reputação da empresa.”

“Mas a srta. Nguyen está com o sr. Robinson há tantos anos... não deveríamos...?”

Nicholas estava sentado na cabeceira da mesa, com um cigarro entre os dedos, mas não estava fumando.

Emily pigarreou de leve. “Nicholas, por que não dar mais uma chance à srta. Nguyen?”

Emily olhou para Hannah, que estava de pé no canto; o tom dela era especialmente sincero. “Afinal, ela trabalhou duro todos esses anos, mesmo que não tenha conseguido muita coisa.”

A polícia não tinha provas concretas de que Hannah havia violado a lei, mas encontrou algumas pistas, o suficiente para detê-la.

Foi Emily quem a manteve ali temporariamente, fazendo com que participasse da reunião do conselho — que também era o julgamento dela.

“Eu acredito no caráter dela”, Nicholas finalmente falou, com a voz um pouco rouca. O coração de Hannah se apertou.

Então ela ouviu a voz fria de Nicholas: “Mas a opinião pública precisa ser acalmada. Já que ela causou essa bagunça, tem que assumir a responsabilidade.”

“E se isso não for verdade?”, alguém perguntou.

Nicholas ficou em silêncio por um longo tempo, tanto tempo que Hannah mal conseguia se manter em pé.

“Então ela ainda vai ficar detida por alguns dias.” Ele apagou o cigarro, a voz sem qualquer calor. “Dar uma explicação ao público. Quando as coisas se acalmarem, ela naturalmente será liberada.”

As palavras eram sutis, mas todos ali entenderam — Hannah tinha virado um bode expiatório.

Quando a polícia chegou, Hannah permaneceu tranquila no mesmo lugar, como se tivesse congelado em gelo.

Nicholas tratou da entrega com os policiais, sem olhar para ela nem mais uma vez.

Emily se aproximou e disse com sinceridade: “Srta. Nguyen, não se preocupe. Vou fazer o Nicholas dar um jeito de tirar você daí. Errar tudo bem. Confesse direitinho na detenção, e o time jurídico da Robinson Enterprises com certeza vai lutar por uma pena mais leve para você.”

Hannah ergueu a cabeça, os olhos cheios de sarcasmo.

Enquanto a polícia a levava, ela permaneceu em silêncio o tempo todo.

O que precisava ser explicado, o que precisava ser defendido — ela já tinha dito repetidas vezes por horas.

A polícia não parava de olhar para ela com desconfiança, e até Nicholas disse para ela “confessar para pegar leve”.

Ela sabia que, por mais que falasse, era inútil, porque naquele momento a posição dela era esta: um escudo, um sacrifício.

Ele não sabia que ela estava indo embora, mas podia, com toda a razão do mundo, destruir o futuro dela.

Centro de detenção.

Hannah foi conduzida a uma sala pequena.

O policial fez algumas perguntas de rotina e então lhe disse: “A Robinson Enterprises forneceu alguns registros financeiros mostrando transferências de fundos anormais entre você e o Tom.”

“Que registros?”, Hannah ficou atônita.

“A conta pessoal do secretário do Tom transferiu 200 mil dólares para você, com a anotação ‘taxa de gratificação do projeto’.”

Hannah sentiu um frio até os ossos.

Ela nunca tinha recebido 200 mil dólares.

A não ser que alguém tivesse aberto uma conta que ela desconhecia usando os dados de identidade dela.

A única pessoa que poderia fazer isso era Nicholas — ele sabia tudo sobre ela, até mesmo as senhas da conta bancária.

“Eu quero ver meu advogado”, ela disse.

“O sr. Robinson já contratou um advogado para você”, o policial hesitou antes de acrescentar: “Mas ele exige que você coopere com a investigação.”

Exige?

Hannah fechou os olhos.

Essa era a tal “confiança” de Nicholas.

Ele a mandou para a detenção e exigiu que ela cooperasse com a investigação, usando a vida dela para acalmar a opinião pública.

“E se eu não cooperar?”, ela perguntou baixinho.

O policial suspirou, com certa compaixão: “Srta. Nguyen, o time jurídico da Robinson Enterprises é muito forte. Se você insistir em não cooperar, o resultado pode ser ainda pior.”

Hannah entendeu.

Ela não tinha escolha.

A mão dela tremeu quando assinou a declaração.

Antes de sair, o policial disse mais uma coisa: “O sr. Robinson pediu para eu lhe dizer: ele vai cuidar das coisas lá fora, então não tenha medo.”

Hannah riu em meio às lágrimas.

Não ter medo?

A pessoa de quem ela tinha medo agora era o Nicholas, não era?

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