
A Esposa Contratual do CEO Revida
Sophie Langston · Concluído · 406.6k Palavras
Introdução
Humilhada em público, traída e deixada sem nada, ela percebe que o amor foi sua maior fraqueza. Mas uma mulher despedaçada pode se tornar a guerreira mais perigosa. Sem mais nada a perder, ela dá início ao seu último movimento, calculado nos mínimos detalhes. Ao ir embora para sempre, ela carrega o poder de reduzir a cinzas o mundo perfeito dele.
O silêncio dela será a sua vingança, ou o arrependimento tardio dele se tornará sua punição final?
Capítulo 1
Às sete da manhã, Hannah Nguyen acordou com dor, numa poça de sangue sobre a cama do hospital, de um vermelho chocante. As lembranças da noite anterior voltaram como uma enxurrada — Nicholas Robinson, implacável e desesperado, prensando-a contra o colchão.
No instante em que o alarme tocou, ele se levantou depressa, trocou de roupa e foi embora sem dizer uma palavra.
No fim, foi ela mesma que teve de chamar a ambulância. No hospital, soube que tinha sofrido um aborto espontâneo.
O celular não parava de vibrar. Wendy Clark, do setor de RP, mandava mensagens sem parar.
[Secretária Nguyen, o Sr. Robinson está nos assuntos do momento! Ele e a Srta. Brown foram fotografados no aeroporto!]
[O telefone do RP está enlouquecendo! Quando você consegue vir para o escritório?]
Havia também uma sequência de notícias em alta. Nas fotos, Nicholas segurava com força Emily Brown, recém-viúva, como se fossem inseparáveis.
Secretária — aquela era a única identidade que Hannah tinha na vida de Nicholas, ao menos pelo que o mundo sabia.
Ninguém sabia que ela era a esposa de Nicholas. Menos gente ainda sabia que o falecido marido de Emily era, na verdade, o irmão de Nicholas.
Hannah se agarrou à pia, com o reflexo pálido como um fantasma. Puxou o ar com firmeza e digitou: [Estou indo.]
Depois do procedimento de curetagem, a enfermeira lhe entregou alguns formulários. “E sua família? Isso aqui precisa ser assinado.”
“Eu mesma assino.”
“Você é casada, certo? O convênio de maternidade pode cobrir uma parte disso.”
A caneta de Hannah parou no ar. “Sim, sou casada há três anos.”
A enfermeira pegou os papéis e, alguns minutos depois, voltou. “Tem certeza de que é casada? No sistema, você consta como solteira. Não dá pra processar o convênio.”
“Solteira?” Hannah encarou a enfermeira, sem acreditar.
Depois de um instante, Hannah ouviu a própria voz, meio distante. “Talvez... o sistema esteja errado. Eu pago do meu bolso.”
Ao sair do hospital, ela foi direto ao órgão do governo estadual. O resultado batia com o do sistema do hospital.
Estado civil: solteira.
O de Nicholas também.
Ela se lembrou de três anos antes, quando Nicholas pressionou a certidão de casamento na mão dela pela primeira vez. Ficara impressionada com a facilidade com que o dinheiro aplanava tudo — até garantir um casamento sem que ela precisasse sequer mostrar o rosto.
No fim das contas, do começo ao fim, ela e ele eram estranhos aos olhos da lei.
O celular continuava vibrando. Wendy não aguentaria segurar as pontas por muito mais tempo.
Hannah chamou um táxi às pressas e foi direto para o prédio da empresa.
Repórteres cercavam a entrada. Hannah se esgueirou por uma porta lateral, atravessando um corredor de olhares — piedosos, bisbilhoteiros, debochados.
“Srta. Nguyen!” Wendy correu até ela. “O Sr. Robinson não atende o telefone. O que a gente faz?”
“Solta uma nota oficial. Diga que o Sr. Robinson apenas foi receber, por cortesia, uma amiga recém-viúva, e que o abraço foi para confortá-la.”
Hannah falou com uma calma assustadora. “Contate a mídia tradicional. Vou dar uma coletiva em trinta minutos.”
“Mas aquelas fotos...”
“As fotos só provam que eles se abraçaram — nada além.” Hannah entrou no elevador e apertou o botão do último andar. “Só faça o que eu mandei.”
As portas do elevador se fecharam, abafando todo o barulho lá fora.
Ela se encostou na parede, a dor no baixo-ventre atacando seus nervos sem cessar.
A coletiva correu bem. Era a décima sétima vez que ela esclarecia a relação entre Nicholas e Emily. Já tinha prática.
Quando Hannah voltou para o seu escritório, a assistente dela, Tina Smith, entrou logo atrás, baixando a voz de propósito. “Srta. Nguyen, o Sr. Robinson acabou de assinar uma ordem de transferência. A Srta. Brown começa na semana que vem como gerente de Desenvolvimento de Produto.”
As mãos de Hannah pararam enquanto ela organizava os arquivos. Aquele cargo deveria ser dela.
Ela passara seis meses trabalhando naquele projeto. Virara três noites seguidas redigindo o contrato.
“Entendi”, ela se ouviu dizer.
“E também...” Tina falou com certa dificuldade. “O Sr. Robinson transferiu vários dos seus projetos para a Srta. Brown. Ele disse que, como o contrato já está assinado, a Srta. Brown pode cuidar do acompanhamento.”
Hannah assentiu com um sorriso, com os olhos ardendo um pouco.
Ela se lembrou da noite anterior, quando Nicholas estava por cima dela e, em meio ao ardor, murmurou um nome.
“Emily...”
Na hora, Hannah achou que tivesse entendido errado. Agora, sabia que não.
Havia uma decisão que ela vinha considerando havia algum tempo.
E agora parecia que não devia mais hesitar.
Hannah pegou a carta de demissão, que havia preparado naquela manhã, e levou direto ao RH.
“O Sr. Martin sabe?” A gerente do RH, Ella Garcia, olhou para a carta de demissão, surpresa.
Hannah respondeu com calma: “Ele não é meu supervisor direto. Não precisa avisá-lo. Só processe normalmente.”
Lembrando que Nicholas havia emitido pessoalmente a ordem de transferência de Emily naquela manhã, Ella hesitou e então, por fim, assentiu.
“Certo. Depois do período de trinta dias de transição, você pode sair.”
“Obrigada.”
Hannah se virou e saiu. De volta ao seu escritório, soltou um longo suspiro.
Ela deveria agradecer por Nicholas ter lhe dado uma certidão de casamento falsa; poupou-a da confusão de um divórcio. Em apenas trinta dias, poderia ir embora para sempre.
Abrir mão de tudo, inclusive dele.
O celular dela vibrou. Uma mensagem de Nicholas.
[Traga analgésicos e leite quente. Hotel Golden Delight, quarto 010.]
Curta e objetiva.
Logo em seguida, surgiu uma mensagem no Facebook, de Emily.
[Hannah, voltei para o país. Nicholas disse que vai fazer uma festa de boas-vindas para comemorar meu novo começo. “Eu sei que é cedo demais depois da morte do Charles para ser tão público, mas Nicholas diz que eu preciso recomeçar. Você está feliz por mim, né?”]
Hannah encarou a tela e riu, gelada.
Feliz por ela?
Feliz porque o corpo do marido dela, Charles Robinson, mal esfriou e ela já está indo atrás do irmão dele, Nicholas? Feliz porque ela está tomando o projeto pelo qual eu trabalhei durante anos? Ou feliz porque ela está me mandando esse convite nojento logo depois do meu aborto espontâneo?
Hannah pegou as chaves do carro e entrou no elevador.
No reflexo do elevador, seu rosto estava pálido como um fantasma, e os olhos ardiam com uma luz antinatural. Hotel Golden Delight, sala privativa.
Hannah empurrou a porta e viu Nicholas sentado na cabeceira da mesa, com Emily bem ao lado dele.
Ao lado deles estava o parceiro de negócios, Tom Hill, além de vários executivos da Robinson Enterprises.
“Srta. Nguyen, você chegou!” Os olhos de Tom brilharam. “Perfeito! O Sr. Robinson disse que a Srta. Brown vai assumir seu cargo e vai gerenciar o projeto a partir de agora. Venha, venha, você precisa brindar à Srta. Brown pela transição!”
Emily rapidamente acenou com as mãos. “Não brinque, Sr. Hill. Eu jamais poderia substituir alguém tão competente quanto a Srta. Nguyen. Eu só quero ajudar a aliviar a carga do Nicholas.”
“Emily, você é humilde demais. Eu confio em você.” Nicholas interrompeu, e seu olhar ficou gélido ao se voltar para Hannah. “Onde estão o remédio e o leite?”
Hannah colocou os itens sobre a mesa.
Emily ofereceu um pedido de desculpas frágil. “Eu disse para ele não incomodar você, mas o Nicholas ficou tão preocupado comigo que insistiu que você mesma trouxesse o remédio.”
A presunção era inconfundível. Nicholas abriu a caixinha para ela, testou a temperatura para garantir que estivesse perfeita, e então entregou.
Hannah ficou ali, em silêncio, observando a cena, e finalmente entendeu uma frase: quando há amor — ou quando não há — dá para ver num relance.
“Chegar atrasada com o remédio merece punição.” Tom riu e empurrou três copos de bebida para a frente. “Vire três copos como penalidade.”
“Desculpe, eu tomei antibiótico. Não posso beber álcool”, Hannah recusou com calma.
“Você sabia que ia ter bebida, então tomou antibiótico de propósito?” Emily piscou, com uma inocência fingida. “Hannah, se você não quer que eu volte para o projeto, é só dizer. Eu posso falar com o Nicholas.”
“Ela não teria coragem.” Nicholas a cortou, mas o jeito como olhou para Hannah carregava um aviso. “É só um pouco de bebida, não vai te matar. A Emily não está se sentindo bem hoje. Brinde ao Tom por ela.”
Hannah olhou para o líquido transparente, sentindo o estômago se contrair.
Ergueu o olhar, ainda com um sorriso nos lábios. “Ontem à noite, quando a gente estava transando, eu estava sangrando. Você não viu isso também?”
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— Julian... o que você faria se eu engravidasse? — perguntei, me agarrando a uma esperança boba.
Ele avançou com força; o calor do gozo dele se espalhou entre minhas coxas.
— Você? Gerar meu herdeiro? — a risada dele foi gelada. — Filha de empregada nunca vai ser digna do sangue Sterling.
Eu sou Elena — a filha da empregada que ousou amar Julian Sterling.
Ele é o herdeiro implacável que se casou comigo por vingança.
— Você não passa de uma vadia interesseira — ele sussurrou. — Você achou mesmo que eu algum dia ia amar alguém como você?
Ele me usou. Me quebrou. Me fez implorar por migalhas enquanto desfilava o primeiro amor dele dentro da nossa casa.
Naquela noite, eu fiquei na ponte, encarando a água escura lá embaixo.
Eu tinha perdido tudo. Minha mãe. Minha dignidade. Minha vontade de lutar.
Cinco anos depois, num shopping lotado:
Minha filha puxa a manga de um estranho.
— Moço, você pode me ajudar a encontrar a minha mamãe? Eu me perdi.
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— Qual é o seu nome, querida? — a voz dele sai quebrada.
— Lila! E o seu, tio?
— Julian.
Minutos depois, ele vem andando na minha direção, com a mão da minha filha na dele, o rosto sem cor.
— Elena.
Meu nome na boca dele soa como sofrimento.
Antes que eu consiga responder, ele já atravessou a distância entre nós. Os braços dele me envolvem com uma força desesperada.
— Meu Deus, você está viva. Eu achei que... — a voz dele falha. — Me perdoa... eu sinto muito...
Ele se inclina, procurando minha boca.
Minha mão se mexe por instinto.
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— Com licença? — eu dou um passo para trás, gelada, puxando Lila para trás de mim. — Por favor, se controle, senhor. A gente se conhece, por acaso?
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O estilista do Mafia Don
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