Capítulo 7 Não a culpe

Na manhã seguinte, a atmosfera na sala de reuniões estava sufocante.

Os membros centrais da empresa ocupavam os dois lados da mesa comprida, com Nicholas sentado na cabeceira e Emily bem ao lado dele.

Hannah foi colocada no canto mais distante.

— O objetivo da reunião de hoje é revisar a crise de opinião pública decorrente do lançamento do projeto Sunrise City e quantificar o impacto financeiro resultante.

A voz de Nicholas era fria e dura.

— Como ponto focal do escândalo, Hannah precisa participar e explicar a situação.

Todos os olhares se voltaram para Hannah — cheios de desprezo, escrutínio e uma satisfação mal disfarçada.

Emily, porém, exibia uma máscara de preocupação meticulosamente calculada.

— Nicholas, isso não é cruel demais com a Hannah? Ela já foi punida. — Ela fez uma pausa. — Mesmo que o Sr. Hill tenha vindo a público esclarecer, a opinião pública ainda teve um impacto considerável na empresa.

— Erros exigem responsabilidade — Nicholas interrompeu, cortante, virando-se para Hannah. — Comece.

Hannah puxou o ar, prestes a se levantar, quando Emily a antecipou com elegância ao ligar o projetor.

— Antes de a Srta. Nguyen falar, eu gostaria de mostrar alguns dados a todos.

Gráficos do preço das ações e relatórios de análise de opinião pública surgiram na tela.

— Depois do lançamento, o preço das ações da empresa caiu por três dias consecutivos. O esclarecimento do Sr. Hill teve efeito limitado, e tópicos sobre “a secretária da Robinson Enterprises trocando favores por benefícios” ainda estão em alta.

— Vejam estes comentários mais curtidos: [Se a Hannah não tivesse feito essas coisas, o Tom inventaria acusações do nada?] [Ouvi dizer que a Hannah já fazia essas palhaçadas três anos atrás]... Esses comentários prejudicaram gravemente a reputação da empresa.

Um murmúrio ansioso percorreu a sala de reuniões.

Emily suspirou.

— Há mais uma complicação. Embora o Sr. Hill tenha esclarecido, os acionistas da empresa dele estão questionando a parceria com a Robinson Enterprises. O Sr. Hill ligou hoje de manhã dizendo que, se a opinião pública não for completamente apaziguada, o projeto pode ser suspenso por tempo indeterminado.

Finn, o diretor financeiro, franziu a testa.

— Nós já abrimos mão de três pontos percentuais do lucro. Ele ainda não está satisfeito?

— A concessão de três pontos só os manteve à mesa. — O olhar de Nicholas varreu Hannah.

Hannah prendeu a respiração. Ela conhecia as margens de lucro desse projeto melhor do que qualquer um. Nicholas tinha dilacerado a rentabilidade do projeto só para salvá-lo — não admira que ele parecesse querer estraçalhá-la.

— O Sr. Hill propôs que, para continuar com o projeto, precisamos resolver a imprensa negativa, e ele também está solicitando formalmente um novo responsável pela interlocução do projeto — Emily continuou.

— Espera, concessão de três pontos? — Lynn, a gerente de marketing, elevou a voz. — Isso nos deixa com apenas dois por cento de lucro líquido! Os bônus de fim de ano de todo mundo vão ser afetados!

Outros assentiram em concordância.

— Estou fazendo hora extra há meio ano... é brincadeira?

— Tudo porque alguém não soube se comportar e trouxe essa confusão enorme pra empresa.

— Por que não dá pra abafar a opinião pública? Tem mais alguma coisa que a gente não sabe?

A fúria coletiva dos executivos se concentrou em Hannah.

Emily interveio na hora perfeita.

— Pessoal, por favor, se acalmem. O Sr. Hill já esclareceu esse assunto, mas os internautas simplesmente não acreditam. Talvez achem que o esclarecimento do Sr. Hill foi oficial demais, ou talvez achem que o comportamento habitual da Srta. Nguyen...

Ela escolheu as palavras com cuidado.

— Não podemos culpar a Srta. Nguyen por isso. Ela, de fato, costuma ter jantares de negócios tarde da noite, bebendo com clientes até bem tarde, mas isso mostra dedicação ao trabalho. Só foi distorcido de forma maldosa por oportunistas.

As palavras de Emily eram astutas — pareciam defender Hannah enquanto, na prática, confirmavam que ela tinha “problemas de conduta”.

O clima na sala ficou ainda mais constrangedor.

Hannah ergueu o queixo, a voz excepcionalmente clara.

— Todos os meus jantares de negócios têm relatórios de despesas corporativas e registros de itinerário. Os horários, locais e participantes estão todos documentados.

Ela encarou Emily diretamente.

— Qualquer pessoa com dúvidas está convidada a auditar.

— Srta. Nguyen, não me entenda mal — Emily pareceu um pouco aflita, mas insistiu em continuar. — Eu sempre acreditei em você. Caso contrário, eu não teria pedido ao Nicholas que arranjasse um advogado para você.

— Este incidente não só causou prejuízos à empresa, como inegavelmente comprometeu a reputação da empresa. O projeto Sunrise City é o foco da empresa neste ano, e agora o lucro encolheu tanto...

A voz dela ficou rouca.

— Todo mundo vem fazendo hora extra nisso há tanto tempo, e agora tudo foi afetado por uma coisa dessas. Como gerente, eu preciso assumir a responsabilidade pelas consequências.

— Sra. Brown, não diga isso. A senhora acabou de voltar para o país; não tinha como saber.

— Isso foi uma indiscrição pessoal da Hannah. Por que os outros deveriam pagar por isso?

— Ela deveria compensar a empresa pelas margens perdidas!

— Isso! Compensação!

A discussão foi ficando mais alta, e a expressão de Nicholas foi ficando mais sombria.

Ele deu uma batida na mesa. — Silêncio!

A sala de reunião ficou muda na mesma hora.

Ele olhou para Hannah; havia algo complexo no seu olhar. — Qual é a sua defesa?

— Eu não fiz essas coisas. — Hannah estava excepcionalmente calma. — O esclarecimento do Sr. Hill foi a verdade. Quanto ao motivo de a opinião pública continuar se espalhando, sugiro que a empresa investigue quem está financiando as fazendas de trolls que estão alimentando essa narrativa.

Emily cerrou os punhos, mas manteve a expressão serena.

Porque acreditava que Nicholas sabia pesar os prós e os contras — continuar investigando os lançaria num ciclo interminável e caótico de autojustificativas.

— Chega. — O tom de Nicholas carregava impaciência. — Agora não é hora de brincar de detetive. Precisamos encerrar este caso, não deixar a opinião pública continuar se espalhando.

— Considerando que este incidente causou danos financeiros catastróficos à empresa, após discussão, a diretoria decidiu.

— Primeiro, todos os bônus e o salário da Hannah deste ano serão retidos.

— Segundo, Hannah será removida da equipe do projeto Sunrise City e terá vinte e quatro horas para concluir uma entrega completa.

Os dedos de Hannah se contraíram levemente. — Vinte e quatro horas é fisicamente impossível.

Os arquivos do projeto incluíam mais de trinta contratos centrais, centenas de materiais suplementares, além de todas as atas de reunião e registros de comunicação dos últimos seis meses.

Não havia como ela terminar em um dia.

— Esse é o seu problema. — Nicholas respondeu, frio. — O prazo começa agora.

Ele se levantou, varrendo a sala com o olhar. — Reunião encerrada.

As pessoas foram saindo aos poucos e, ao passarem por Hannah, lançavam-lhe olhares que continham compaixão, mas, com mais frequência, insatisfação e culpa.

Hannah fechou os olhos por um instante e então se virou, saindo da sala de reunião com firmeza.

Nicholas observou a figura dela se afastar. Uma irritação inexplicável subiu no peito.

Percebendo o humor dele, Emily o consolou em voz baixa: — Nicholas, eu sei que você não aguenta, mas se não punirmos com severidade desta vez, como vamos liderar a equipe no futuro? Todo mundo vai achar que você é injusto, e isso vai afetar a união da empresa.

Nicholas resmungou, concordando.

Ele achou que Emily tinha razão.

Ele estava fazendo aquilo pela empresa.

Hannah era uma profissional; ela entenderia a necessidade do seu sacrifício.

De volta à sua baia no canto, entulhada de arquivos, Hannah respirou fundo e abriu o computador para começar a trabalhar.

O sol se pôs e o escritório foi esvaziando, até que apenas o canto dela permanecesse iluminado.

A dor no baixo-ventre ficou mais intensa. Hannah cerrou os dentes e aguentou, com pequenas gotas de suor frio se formando na testa.

Ela sabia que o corpo tinha chegado ao limite, mas também tinha plena consciência de que, se não entregasse os arquivos no dia seguinte, tudo o que a esperava era uma punição ainda mais dura.

Nicholas não teria pena; apenas a rotularia de incompetente.

Às duas da manhã, Hannah finalmente terminou de organizar o último arquivo.

Ela tentou se levantar, mas sua visão escureceu de repente, e ela desabou pesadamente no chão.

Naquela noite, Nicholas voltou dirigindo para a empresa, inquieto.

Disse a si mesmo que só estava voltando para pegar um arquivo necessário para a reunião da manhã seguinte, definitivamente não porque estivesse incomodado com o fato de Hannah não estar em casa.

Mas, quando empurrou a porta do escritório e viu o corpo encolhido de Hannah no carpete, seu coração parou.

— Hannah!

Ele correu até ela e a encontrou inconsciente. Na mesma hora, a pegou no colo.

Quando estava prestes a sair, a porta do escritório se abriu de novo.

— Nicholas? Por que você ainda está na empresa? — Emily parecia surpresa. Ao ver Hannah nos braços dele, sua expressão mudou. — O que aconteceu com a Hannah?

— Ela desmaiou. Estou levando ela para o hospital. — disse Nicholas, já se movendo para sair.

— Espera. — Emily o deteve. — Olha para ela… a pele está pálida, mas a respiração está regular. Se ela estivesse realmente inconsciente, como poderia estar tão quieta?

Ela se abaixou e pegou do chão um frasco de remédio. — Analgésicos?

Ela olhou para Hannah e depois para Nicholas. — Nicholas, será que a Hannah sabia que você voltaria hoje à noite para pegar arquivos e, por isso, desmaiou de propósito aqui para chamar sua atenção?

Nicholas hesitou.

Emily continuou: — Esses analgésicos importados dão sono depois que a gente toma. Ela provavelmente tomou uma dose e simplesmente se deitou para esperar você “encontrá-la”.

— Afinal, antes ela recorreu à automutilação no centro de detenção. — Emily suspirou baixinho. — Ela só quer a sua atenção, demais. Você realmente não pode culpá-la por tentar.

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