Capítulo 6 O bebê se foi

Zachary também viu Sophia.

Paula, aninhada de forma protetora em seus braços, percebeu sua momentânea distração.

Ela apertou ainda mais o abraço em torno da cintura bem definida de Zachary, enterrando o rosto contra o peito dele.

— Zachary, eu tô com tanto medo!

A voz de Paula carregava um tremor evidente, claramente abalada pela cena caótica ao redor.

Zachary foi forçado a voltar ao presente e a levou rapidamente para fora do salão de baile.

Quando eles finalmente conseguiram se espremer para fora do local e respirar o ar fresco do lado de fora, muitas pessoas estavam levando a mão ao peito, exclamando o quanto tudo aquilo tinha sido assustador.

Paula se agarrou a Zachary, dizendo com um leve tom de satisfação:

— Zachary, nós demos muita sorte. Quase ficamos presos lá dentro.

Mas Zachary não estava ouvindo. Na cabeça dele, o olhar de Sophia se repetia sem parar.

O olhar dela estava cheio de decepção e frieza, completamente diferente da doçura e ternura que ele lembrava.

Depois de um breve descanso, Zachary soltou Paula e voltou a passos largos em direção ao salão.

Paula rapidamente agarrou o braço dele de novo.

— Zachary, você enlouqueceu? Tem fogo lá dentro! A cozinha pode explodir a qualquer momento e, com esse monte de gente, você vai acabar sendo pisoteado indo contra a multidão!

Quanto mais Paula falava, mais o coração de Zachary esfriava.

Ele a empurrou.

— Fica aqui!

Sem dizer mais nada, Zachary entrou de volta no salão sem hesitar.

A maioria das pessoas já tinha conseguido sair, enquanto outras ainda se espremiam na porta. Quanto mais desesperadas tentavam escapar, mais presas ficavam.

Zachary mal conseguiu se enfiar lá dentro. A fumaça branca vinda da cozinha começava a tomar conta do salão, encobrindo quase toda a sua visão.

Ele só pôde abandonar qualquer dignidade e gritar o nome de Sophia o mais alto que conseguia.

No caminho, encontrou vários conhecidos, mas Zachary não tinha tempo para cumprimentos.

Cada segundo de atraso era um segundo a mais que Sophia ficava em perigo.

Numa hora dessas, isso podia ser fatal.

— Sophia, onde você está? — Perdido naquela névoa branca, Zachary já estava desorientado, com a sensação de estar andando em círculos.

— Tô aqui.

Depois de procurar por uns três ou quatro minutos, Zachary finalmente ouviu a voz de Sophia.

Ela estava fraca, como se tivesse sido arrancada à força da garganta.

— Continua falando, eu tô indo te buscar!

Seguindo a voz quase inaudível, Zachary finalmente encontrou Sophia ajoelhada no chão.

A testa dela estava úmida de suor, e o penteado cuidadoso agora grudava no rosto, deixando-a completamente em desalinho.

— Levanta! — Zachary se abaixou para erguer Sophia, mas ela afastou a mão dele, sem forças.

— Numa hora dessas você ainda tá de birra? — Zachary franziu a testa, a voz carregada de urgência e preocupação.

Sophia balançou a cabeça devagar. Ela não tinha nem forças para falar.

A dor aguda no baixo-ventre fazia com que ela sentisse que ia desmaiar a qualquer momento.

Ela quase tinha conseguido ficar de pé antes, mas foi derrubada de novo pela multidão que tentava fugir.

Dois impactos seguidos torceram o tornozelo dela e deixaram seu abdômen latejando com uma dor surda, como se alguém tivesse desferido vários socos ali.

Só então Zachary percebeu que havia algo muito errado. Ele acompanhou o olhar de Sophia para baixo.

O vestido lilás claro estava coberto de marcas de sapato e, embaixo de Sophia, formava-se uma pequena poça de sangue vermelho vivo.

As pupilas de Zachary se dilataram em choque.

Sophia estava grávida!

Ao se dar conta disso, a ansiedade de Zachary disparou de novo.

Mas, depois de um momento de pânico, outro pensamento cruzou a cabeça dele.

O pai daquela criança era desconhecido, e Sophia se recusava a dizer quem era.

Os sintomas que ela apresentava agora pareciam de um aborto espontâneo.

Se essa criança tivesse sido perdida nesse acidente, será que Sophia ainda assim insistiria em deixá-lo?

O corpo de Sophia ficou totalmente mole nos braços dele, os olhos virando antes de ela perder a consciência por completo.

Depois de um breve momento de hesitação, Zachary se levantou.

...

O cheiro forte de antisséptico deixou claro para Sophia exatamente onde ela estava.

Ela fez força para abrir os olhos e foi recebida por um branco ofuscante.

Sua garganta parecia ter sido raspada com lixa; qualquer tentativa mínima de emitir um som fazia uma dor aguda cortar suas cordas vocais.

Ao lado do leito, uma enfermeira enchia uma seringa com medicação.

Sophia tentou se erguer na cama.

A enfermeira largou a seringa depressa e correu para ajudá-la a se sentar.

“O que aconteceu comigo?” A cabeça ainda latejava de dor. Sophia só se lembrava de que a última pessoa que tinha visto antes de desmaiar fora Zachary.

A enfermeira trouxe um copo d’água e a ajudou a tomar um gole. “Você inalou muita fumaça tóxica no local e também foi pega na correria.”

Sophia respirou fundo, levando a mão instintivamente ao baixo-ventre.

“E o meu bebê?”

Ela ainda se lembrava da dor aguda, como se algo tivesse despencado na barriga, pouco antes de apagar.

Aquilo não podia ter sido imaginação.

A expressão da enfermeira ficou esquiva. “O bebê se foi. Você precisa manter o pensamento positivo — ainda é jovem, vai ter muitas oportunidades de ter filhos no futuro.”

Aquele consolo suave teve o efeito de arrancar a casca de um ferimento que mal começava a cicatrizar, expondo de novo a carne viva e sangrando.

Os olhos de Sophia brilharam.

“Que injeção você ia me dar agora?”

A enfermeira lançou um olhar nervoso por cima do ombro, a voz tremendo de leve. “Ah, isso? É a preparação para a curetagem. Como você teve um aborto espontâneo, ficou um pouco de tecido placentário que não foi expelido, então...”

“Eu só estava com um mês de gestação. Já teria tecido placentário?” Sophia perguntou, com uma lucidez surpreendente.

O comportamento suspeito da enfermeira a deixava cada vez mais desconfiada.

Se o bebê já tinha mesmo ido embora, por que não realizaram o procedimento enquanto ela estava inconsciente?

O hospital não estaria preocupado com possíveis complicações nesse período de espera?

A enfermeira ficou completamente sem resposta.

Sophia forçou um sorriso.

“Vocês são os profissionais. É só seguir o protocolo padrão de vocês para cirurgia.”

“Minha cabeça está doendo um pouco. Você poderia chamar um médico para ver o que está acontecendo comigo?”

Era uma enfermeira jovem, e Sophia apertou a mão dela com um ar de desespero. “Eu tô sentindo tanta dor agora que mal consigo aguentar.”

Para reforçar o que dizia, Sophia tossiu algumas vezes de propósito, encenando um sofrimento intenso.

A enfermeira, inexperiente, nunca tinha lidado com algo assim e entrou em pânico na hora, saindo às pressas em busca do médico responsável.

Mas, quando voltou, a paciente que deveria estar descansando tranquilamente na cama tinha simplesmente desaparecido.

Enquanto isso, Sophia se escondia na escada de emergência do hospital, usando uma máscara no rosto e arfando.

Seu pé ainda disparava pontadas que subiam pela perna. Arrastando o corpo machucado, Sophia foi avançando, degrau por degrau, em direção à saída do hospital.

Ela se recusava a acreditar que seu filho tinha simplesmente desaparecido assim.

Mais ainda, não confiava naquela enfermeira que nem para mentir servia direito!

Depois de finalmente sair do hospital, Sophia chamou um táxi.

Recostando-se no banco e tentando recuperar o fôlego, ela disse:

“Hospital Evergreen!”

Mesmo que o bebê tivesse ido embora, ela precisava confirmar isso com os próprios olhos.

Acariciando de leve a barriga, o olhar de Sophia ficou cada vez mais decidido.

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