
A ESPOSA ÓRFÃ DO MILIONÁRIO IDIOTA
LUNA NOVA · Concluído · 120.4k Palavras
Introdução
Uma jovem de 15 anos precisa escolher entre a própria liberdade e a vida da irmã mais nova.
Eva achava que sua vida miserável não podia piorar. Mas se engana, quando é forçada, aos 18 anos, a se casar à força com um homem com deficiência física e mental.
Henry Edwards tinha sido despojado de todo o patrimônio e fortuna, dos quais agora desfrutavam justamente os parentes que ele mais odiava na vida.
Trancado em um quarto da própria mansão, fora de si e obrigado a se casar com uma mulher que nem sequer conhecia, nem havia escolhido, apenas por ordem da tia, para continuar sendo humilhado.
Eva logo descobre que passou de um calvário a outro. Mas, nessa nova prisão, nem tudo é o que parece.
Segredos e intrigas se escondem dentro da mansão dos Edwards, e ela acaba percebendo que o novo marido não é tão tolo quanto dizem, nem está tão perturbado da cabeça assim.
Quando Henry recuperar a lucidez, o que vai pensar dessa esposa com quem nunca escolheu se casar?
Será que uma jovem simples e indefesa consegue salvar o verdadeiro herdeiro dos Edwards e ajudá-lo em sua vingança? Eva vai conseguir encontrar a irmã, perdida anos atrás?
Descubra como uma união forçada entre duas pessoas tão feridas pode acabar se transformando em um amor verdadeiro.
Capítulo 1
1952
— Peguem elas, não deixem escapar! — ouviu-se uma exclamação que rompeu a quietude da floresta, seguida de vários gritos e latidos de cães.
Através das árvores na penumbra, duas adolescentes corriam de mãos dadas, suas roupas velhas e rasgadas se despedaçavam ainda mais, ao se enroscarem nos arbustos espinhosos e galhos pontiagudos, tropeçavam nas raízes espalhadas, mas se seguravam uma na outra, para não caírem completamente.
Não podiam se dar ao luxo de serem pegas novamente e levadas de volta ao inferno.
— Não podem estar muito longe, soltem os cães! — a ordem de outro homem se ouviu por cima da algazarra e dos gritos.
Por mais que corressem e seus pulmões fossem forçados ao limite, suas pernas curtas não conseguiam escapar das pessoas que as perseguiam.
Eram como animais, caçadas selvagemente na natureza.
Eva sabia disso, tinham sido descobertas cedo demais e todo o plano de fuga estava frustrado, não poderiam escapar, não poderiam correr mais que os cães.
Elsa estava no seu limite, ela a sentia ao seu lado respirando pela boca sem controle, tropeçando a cada segundo e já havia deixado até um sapato velho para trás nessa corrida louca.
Se continuassem assim, as duas seriam pegas e teriam uma vida muito mais horrível do que a que tinham antes.
Além disso, eles queriam Elsa, não podia permitir que aquela maldita mulher vendesse sua irmã.
Então, com a decisão tomada e quase ouvindo os latidos dos cães às suas costas e os captores que se aproximavam, metro a metro delas, lembrou que perto dali passava um rio onde às vezes se escondiam para brincar.
Apertou a mão de Elsa e mudou a direção da fuga.
Sua irmã nem protestou, a seguiu como sempre, sem questionar.
Logo ouviram o som do rio bravo que fluía perto de onde estavam. Apesar das sombras da noite na floresta, Eva conseguiu se orientar mais ou menos, mas a escuridão não foi sua aliada e sim, chegou ao rio, mas pela parte menos adequada para descer até ele.
Diante delas estava um penhasco com o rio passando por baixo e atrás os cães, que se aproximavam com os captores.
— Irmã, não há saída! — gritou Elsa, angustiada, caindo ao chão com as pernas tremendo, porque já não podia sustentar seu jovem corpo de 14 anos.
— Eva, temos que pegar outro caminho! — acrescentou chamando a atenção da outra jovem, que estava paralisada.
Tentou se levantar para forçar as pernas a continuar correndo e pegar a mão de sua irmã, mas esta continuava parada no mesmo lugar, olhando para o fundo do penhasco que parecia um abismo sombrio que lhe sorria sinistramente.
— Não há tempo, não podemos tomar outro caminho… — sussurrou, vendo as luzes na floresta que se aproximavam de sua posição.
Eva olhou para sua irmã mais nova tentando se levantar e lágrimas caíram de seus olhos, não sabia se o que ia fazer era o correto, talvez matasse Elsa com suas próprias mãos, mas o que era certo, era que sua irmã não podia voltar.
Preferiria vê-la morta mil vezes, a entregá-la para ser violada por um velho nojento e pedófilo e, no final, morrer sob uma tortura horrível.
Enquanto ela estivesse viva, isso nunca aconteceria.
— Lá, estão no penhasco, não deixem escapar! — ouviram-se os gritos e os cães estavam praticamente sobre elas.
Eva levantou Elsa pelos ombros com força, a abraçou chorando e sussurrou:
"Viva bem, minha irmã e se liberte deste inferno, seja livre como o anjo que você é"
Elsa não entendia o que estava acontecendo, quis abrir a boca para perguntar a Eva, mas de repente se viu caindo no vazio, sem aviso prévio.
Agitou as mãos no ar, enquanto sua boca gritava o nome da irmã, mas só via sua silhueta parada na beira do penhasco, enquanto sentia as águas frias e furiosas do rio a engolirem completamente.
— AAAAAHHHHH! — gritou Eva, quando sentiu uma dor lancinante na perna; um dos cães raivosos havia mordido cruelmente, para evitar que ela pulasse no rio.
— Não solta, Felón! — ordenou o homem mais cruel que Eva já tinha conhecido, Sebastián Jones.
Ela quase desmaiou de dor ao sentir o rottweiler apertar mais a mordida e os ossos da perna se quebrarem dolorosamente.
— Onde está a outra? A irmã mais nova? — gritou o outro homem.
Na verdade, eram apenas duas pessoas, mas não precisavam ser mais. Dois homens grandes com três cães contra duas adolescentes de 14 e 15 anos, não era justo de forma alguma.
— Me diga, onde está a outra, onde está Elsa! — gritou de repente Sebastián, cheio de raiva, puxando cruelmente o cabelo dela e levantando sua cabeça a um limite extremamente doloroso.
Eva mal conseguia ver o que estava à sua frente, apenas sombras diante dos olhos. A dor na perna com os dentes do cão cravados era agonizante; ela tinha mordido a língua de susto quando caiu no chão, arrastada pelo rottweiler que impedia que ela pulasse.
O gosto de ferro e sangue preenchia a boca e os pulmões, que ainda não se recuperaram da corrida suicida que tinham feito.
Mas, mesmo assim, ela sorriu na cara dos captores com um sorriso sinistro cheio de sangue.
— Vocês jamais a terão — disse ela, cuspindo na cara daquele filho da puta.
— Maldita cadela! — ouviu alguém gritar, ao mesmo tempo que um tapa ressoava em seu rosto e a lançava na escuridão da inconsciência que estava buscando, para ver se ao menos por alguns minutos, poderia escapar dessa vida de merda que o destino havia lhe dado.
— Você tem que levá-la a um médico mais especializado, porque eu não tenho os equipamentos necessários para salvar a perna dela!
— Parece que ela quebrou a fíbula ou a tíbia, ou talvez ambos.
— Como é que vocês deixam um cão tão perigoso por perto, em um lugar com crianças?
Eva ouvia em transe a voz do médico, que sempre vinha ao orfanato atender as crianças quando estavam doentes. Gemeu de dor em todo o corpo, mas principalmente na perna, sentindo como se a tivessem esmagado com um martelo, osso por osso.
— Nós a levaremos, claro, doutor, mas o senhor conhece a situação precária do orfanato. Não temos muitos fundos disponíveis, então, por favor, pode me deixar alguns medicamentos para a febre e para manter a infecção sob controle, até conseguirmos levá-la para a cidade?
— Está bem, está bem, mas aviso que, se essa perna não for tratada corretamente, ela pode perdê-la para sempre.
— Madre, não encontramos a outra menina. Parece que conseguiu escapar pelo rio. O que faremos agora com o pagamento daquele homem?
— Não se preocupe, já vamos bolar algo. Tudo por causa dessa estúpida.
— E pretende levá-la para cirurgia, como disse o doutor Müller?
— Você está louco? Acha que vou gastar meu dinheiro com uma órfã?
— Esta foi uma desgraça que ela mesma procurou, mas não vou deixá-la morrer para ela se livrar tão facilmente.
— Petra! Dê os medicamentos para a infecção e a febre, troque as ataduras de vez em quando.
— Não tão seguido, não vou comprar mais!
— Ela vai ter que se virar com isso e, se não der, que cortem a perna, não me importa.
— Os medicamentos para dor, só quando ela estiver gritando. Economize, ou descontarei do seu salário!
— Sim, senhora.
Eva ouvia no meio da inconsciência, mas apesar de que em breve mergulharia em outro nível mais doloroso de sua vida, faria isso com a satisfação de ter salvado sua irmã. Isso era o que importava e nada mais.
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——
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