A Esposa Que Ele Nunca Pretendeu Amar

A Esposa Que Ele Nunca Pretendeu Amar

Luna Hart · Concluído · 159.3k Palavras

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Introdução

— Estou procurando uma esposa — ele disse. — E acredito que você pode ser adequada.

— Você não está apaixonado por mim.

— Não.

— E não pretende se apaixonar.

— Não.

— Então por que eu concordaria com isso?

— Porque não estou oferecendo romance. Estou oferecendo segurança.

Ela se casou com ele sabendo de uma coisa com clareza: amor nunca fez parte do acordo.

O casamento deles foi construído sobre termos, não sobre promessas.

Uma casa compartilhada. Uma cama compartilhada. Uma imagem pública a manter.

Nada além disso.

Ele era distante, controlado e nunca cruel — mas também nunca caloroso.

Para ele, ela era uma esposa só no nome, a solução para um problema, um papel que precisava ser preenchido.

O que nenhum dos dois esperava era como o silêncio podia se tornar perigoso.

Como a intimidade sem amor ainda podia deixar marcas.

Como desejar alguém podia acontecer muito antes de admitir.

À medida que a linha entre obrigação e desejo começa a se confundir, ela precisa decidir por quanto tempo consegue ficar onde não é verdadeiramente escolhida — e ele precisa encarar a verdade para a qual nunca se preparou.

Porque, às vezes, a coisa mais perigosa não é amar alguém demais…

É perceber que você nunca teve a intenção de amá-la.

Capítulo 1

Elara Wynn não deveria estar aqui.

O pensamento voltou a ela mais uma vez enquanto se sentava diante de Rowan Blackmere, as mãos dobradas com cuidado no colo, a postura ereta do jeito que aprendera a adotar quando se sentia deslocada. O escritório era silencioso demais, limpo demais, caro demais. Vidraças do chão ao teto emolduravam uma cidade que, daquela altura, parecia irreal — só aço, luz e distância. Em algum lugar lá embaixo, pessoas se apressavam em vidas comuns. Ali em cima, o tempo parecia suspenso.

Rowan Blackmere não a olhava como um homem olha para uma mulher que pretende encantar.

Ele a olhava como um problema que já tinha resolvido.

Elara o conhecia havia exatamente quarenta e dois minutos.

Tempo suficiente para saber que ele era mais alto do que ela esperava, que sua voz era mais grave, mais firme. Tempo suficiente para notar a ausência de movimentos desnecessários nele — nada de inquietação, nada de dedos batendo, nenhum gesto desperdiçado. Ele ocupava espaço com uma autoridade silenciosa, do tipo que não precisa se anunciar.

Ela se perguntava, não pela primeira vez desde que pisara no andar executivo do Blackmere Group, como tinha acabado numa reunião privada com um dos bilionários mais reclusos da cidade.

A resposta, ela sabia, era simples.

Circunstâncias.

— Srta. Wynn — disse Rowan, rompendo o silêncio com precisão cirúrgica. — Antes de eu continuar, quero deixar uma coisa bem clara.

Os olhos dele eram cinzentos, indecifráveis. Não frios. Controlados.

— Esta conversa não é social — prosseguiu. — E não é especulativa.

Elara ergueu levemente o queixo.

— Então o que é?

Ele a observou por um instante. Só o bastante para ser deliberado.

— É uma oferta.

A palavra caiu com mais peso do que ela esperava.

Ela não o interrompeu. Anos navegando em ambientes profissionais tinham lhe ensinado que o silêncio, quando bem usado, convida a verdade.

Rowan recostou-se na cadeira, os dedos unidos de leve à frente do corpo.

— Você foi recomendada a mim porque é discreta. Independente. E, segundo as pessoas que já trabalharam com você, capaz de tomar decisões difíceis sem dramatização.

Elara piscou uma vez.

— Eu sou consultora de arquitetura de interiores — disse, com voz uniforme. — Não sou estrategista.

— Você é alguém que entende de estrutura — ele respondeu. — Função. Limites.

Ela resistiu ao impulso de se mexer.

— Isso depende da estrutura.

— Casamento — disse Rowan.

A palavra cortou o ar entre os dois.

Por um breve momento — breve o bastante para que depois ela questionasse se tinha mesmo acontecido — Elara esqueceu como se respirava.

Casamento.

Não parceria. Não contrato. Não proposta no sentido abstrato.

Casamento.

Ela sustentou o olhar dele.

— Desculpe — disse, com calma. — Acho que você precisa repetir isso.

Rowan não repetiu. Apenas inclinou a cabeça de leve, como se reconhecesse que a confusão era esperada.

— Estou procurando uma esposa — disse ele. — E acredito que você possa ser adequada.

Aí estava. Sem enfeite. Sem hesitação. Sem preâmbulo sobre destino, conveniência ou circunstância.

Apenas adequação.

Elara sentiu algo se acomodar no peito — não pânico, não empolgação, mas algo mais frio. Ele não estava brincando. Isso era óbvio. Rowan Blackmere não lhe parecia um homem que testava reações por diversão.

— Por que eu? — ela perguntou.

Não foi insegurança que motivou a pergunta. Foi lógica.

— Você não tem vínculo com ninguém — disse ele. — Sua vida profissional permite flexibilidade. Você não está socialmente envolvida com meu círculo. E — o olhar dele se aguçou, quase imperceptivelmente — você não confunde atenção com afeto.

Os dedos dela se fecharam um pouco.

— Essa é uma avaliação bem específica — ela disse.

— Eu não tomo decisões vagas.

Elara absorveu aquilo em silêncio. O pulso dela acelerara, embora o rosto permanecesse composto. Ela passara anos treinando-se para parecer inabalável mesmo quando o chão se movia sob seus pés.

— E o que — perguntou — o casamento resolve para você?

Rowan a estudou como se estivesse pesando se a honestidade era eficiente.

— Estabilidade — disse por fim. — Controle. Certas expectativas que não podem ser atendidas por meio de arranjos temporários.

— Isso parece — disse Elara, devagar — uma fusão empresarial.

— Em muitos aspectos, é.

Ela quase riu. Quase.

Em vez disso, assentiu uma vez.

— Você não está apaixonado por mim.

— Não.

A resposta foi imediata.

— E não pretende estar.

— Não.

Ela soltou o ar pelo nariz.

— Então por que você presumiria que eu aceitaria isso?

O olhar de Rowan não vacilou. — Porque eu não estou oferecendo romance. Estou oferecendo segurança.

A palavra ecoou no espaço entre eles.

Segurança.

Elara recostou-se um pouco, permitindo-se uma fração de distância. — Não me lembro de ter pedido isso.

— Não pediu — ele disse. — Mas você está num ponto da sua vida em que isso seria vantajoso.

Aquilo deveria tê-la ofendido.

Em vez disso, a deixou inquieta.

— Você não sabe nada sobre a minha vida — ela disse.

— Sei o suficiente — Rowan respondeu. — Os problemas de saúde do seu pai. A aposentadoria antecipada da sua mãe. Seu status de freelancer. Sua relutância em se vincular a um único escritório, apesar da demanda constante.

A garganta dela se apertou.

Ela odiou que ele tivesse investigado. Odiou ainda mais que tivesse feito isso tão bem.

— Eu não estou desesperada — ela disse, baixinho.

— Eu não disse que estava.

— Mas você insinuou—

— Eu insinuei que você é prática — ele interrompeu. — E que entende o custo da incerteza.

Elara sustentou o olhar dele, procurando alguma coisa — crueldade, condescendência, divertimento.

Não encontrou nada disso.

Apenas determinação.

— Digamos que eu considere isso — ela disse, depois de um momento. — O que exatamente você está propondo?

Rowan se levantou então, sem pressa. Caminhou até a janela, as mãos entrelaçadas atrás das costas, a cidade se estendendo abaixo dele como um mapa conquistado.

— Um casamento civil privado — ele disse. — Sem cerimônia pública. Sem expectativas românticas. Você terá proteção financeira total e autonomia dentro dos limites do acordo. Sua carreira não será interferida.

— E em troca?

— Você vai cumprir o papel de minha esposa.

Elara franziu a testa. — Isso é vago.

— Aparições públicas quando necessário — Rowan esclareceu. — Residência compartilhada. Discrição. Lealdade.

Ela captou a palavra na hora. — Defina lealdade.

Ele se virou para ela. — Nada de envolvimentos emocionais que comprometam o casamento.

— Você quer dizer fidelidade.

— Sim.

— E você? — ela perguntou.

— Vou seguir o mesmo padrão.

Ela o estudou. — Você está pedindo exclusividade sem afeto.

— Estou oferecendo transparência sem engano.

Elara ponderou aquilo.

— Existe um prazo? — ela perguntou.

Rowan hesitou.

— Não — ele disse. — Isso seria... por tempo indeterminado.

De repente, o cômodo pareceu menor.

— E se eu quiser sair?

— Haverá cláusulas.

— Cláusulas escritas pelos seus advogados — ela disse, seca.

— Serão negociáveis — ele respondeu. — Dentro do razoável.

O silêncio se instalou outra vez.

Elara fitou a superfície polida da mesa, seu reflexo tênue. Pensou na resiliência silenciosa da mãe. No orgulho do pai. Na própria vida cuidadosamente equilibrada, precária, mas sua.

Isso viraria tudo de cabeça para baixo.

— Isso não é sobre companheirismo — ela disse.

— Não.

— Não é sobre desejo.

— Não.

— Nem sequer é só sobre aparências.

— Não.

— Então é sobre o quê, afinal, senhor Blackmere?

Ele sustentou o olhar dela por completo agora.

— Controle — ele disse. — Sobre variáveis que ameaçam a estabilidade a longo prazo.

Os lábios dela se comprimiram.

— Você é muito honesto — ela disse.

— Acho eficiente.

— E você não se importa que isso soe... — ela procurou a palavra — ...frio?

— Eu me importo com resultados — Rowan respondeu. — Não com interpretações.

Elara se levantou devagar, alisando o casaco. Suas pernas pareciam firmes. Aquilo a surpreendeu.

— Eu preciso de tempo — ela disse.

— Claro.

— Sem pressão?

— Não — ele disse. — Mas não ilimitado.

Ela assentiu uma vez. — Vou pensar.

Rowan inclinou a cabeça. — Deve pensar.

Quando caminhava em direção à porta, a mão repousando por um instante na maçaneta fria de metal, Elara parou.

— Mais uma coisa — ela disse, sem se virar.

— Sim?

— Se eu concordasse com isso — ela disse com cuidado —, eu não ficaria calada.

A testa de Rowan se franziu levemente.

— Eu não vou fazer um papel que me apague — ela continuou. — Eu não vou ser ornamental.

Ele a encarou, pensativo.

— Eu não teria oferecido se acreditasse que você fosse — ele disse.

Elara abriu a porta e saiu para o corredor silencioso.

O coração dela batia mais rápido agora, a reação tardia finalmente alcançando-a.

Casamento.

Não amor. Não esperança. Não um sonho que ela algum dia tivesse se permitido imaginar desse jeito.

Apenas uma proposta.

Uma que mudaria a vida dela, aceitasse ou não.

Ela caminhou em direção ao elevador, coluna ereta, expressão composta.

Atrás dela, Rowan Blackmere voltou para a mesa, já calculando resultados.

Nenhum dos dois ainda percebia o quão irreversível seria a escolha diante deles.

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