Por que essa garota me faz agir como um idiota?

Ponto de vista de Damien

Tem alguma coisa muito errada comigo. Talvez eu tenha batido a cabeça vezes demais em campo. Talvez eu tenha nascido quebrado e isso só esteja aparecendo agora. Seja o que for, eu não sou eu mesmo.

Eu não namoro. Eu não me envolvo em relacionamentos. Não quero namorada, parceira, nem ninguém grudada em mim por muito tempo. Garotas são distrações. A maioria quer atenção, dinheiro ou motivo para se gabar, e eu nunca tive tempo para esse drama. Meu foco sempre foi simples: futebol, treino, vencer. Fim da história.

Então por que diabos eu estou de pé no chuveiro, duro como aço, pensando em Elise Hawthorne?

Por que ela?

Por que agora?

A lembrança dos lábios dela me faz gemer, e eu soco o azulejo com o punho. A dor sobe pela minha mão, mas não faz nada para tirá-la da minha cabeça.

“Dá pra calar a boca?” A voz de Adrian vem através da parede. Claro. As paredes dessa república parecem de papel. Nenhuma privacidade.

Eu gemo mais alto. “Eu não consigo!”

Adrian suspira. “Damien, estou falando sério. Estou tentando me concentrar.”

“Eu estou passando por uma crise!”, rosno.

Ele dá uma risadinha. “É, percebi. Você está repetindo o nome da Elise sem parar, gemendo, depois parando. Acaba logo com isso de uma vez.”

Eu cerro os dentes. Juro que vou matar ele. Melhor amigo ou não, ele está morto. “Para de ficar escutando que nem um tarado!”

“Não tenho culpa. Estou preso no banheiro com dor de estômago. Você é que está fazendo todo esse barulho.”

“Idiota…”, eu resmungo.

“Você sabe que podia simplesmente resolver isso”, Adrian acrescenta, presunçoso.

“Não quando você está escutando!”

“Então vai pro seu quarto e tranca a porta.”

“Eu vou, mas não por isso!”

“Claro. E eu também não vou procurar Elise Hawthorne enquanto você definitivamente não estiver fazendo isso.”

Meu sangue ferve. “Nem pensa nisso!”

Adrian ri. “O quê, ficou tímido? Todo mundo quer sair com o quarterback que parte corações, mas você nunca deixa nenhuma chegar perto. Eu só quero saber qual é o seu tipo. Ou o que te deixa excitado no chuveiro.”

“Ela não faz meu tipo!”, eu rebato.

“Não acredito em você. Você está cantando o nome dela há quarenta minutos. Desse jeito, acho que vou chamar minha primeira filha de Elise.”

“Adrian”, eu sibilo. “Vou te assassinar enquanto você dorme.”

“Ameaças vazias.”

“Estou falando sério!”

“Ah, Elise Hawthorne”, ele continua, zombando de mim. “A coisinha bonitinha das bochechas rosadas? Pequena, quietinha… nunca pensei que você tivesse bom gosto, Damien.”

“Juro por Deus que vou acabar com você!”

A risada dele é tão alta que eu tenho vontade de atravessar a parede com um soco. Belo melhor amigo ele é, transformando isso numa piada. Claramente não faz ideia de como é se sentir saindo da própria pele por causa de uma garota que você mal entende.

Cristo, eu tinha admitido isso, pelo menos para mim mesmo. Existem muitas garotas muito mais gostosas que Elise, mas nenhuma fica na minha cabeça do jeito que ela fica. Os olhos arregalados, o sorriso suave, aquelas mãozinhas.

Que diabos há de errado comigo?

“Eu me odeio”, murmuro, dando um chute na parede antes de puxar uma toalha em volta de mim. Meu corpo dói de frustração, mas não posso ceder. Não desse jeito.

Me tocar pensando em Elise pareceria errado. Ela me olha como se estivesse meio apavorada. Ela mal respira quando eu chego perto.

Inquieto e puto, entro no meu quarto feito uma tempestade e me jogo na cama, com o braço pendendo para fora. Digo a mim mesmo para não mandar mensagem pra ela. Eu sei que é melhor não. Mas minha mão já está alcançando o celular, o peito subindo rápido demais enquanto encaro a tela.

Que porra eu estou fazendo?

Eu nunca mandei mensagem para uma garota por qualquer coisa que não fosse transar. Nunca liguei, nunca me importei. E, mesmo assim, aqui estou eu, digitando uma mensagem para Elise Hawthorne como um idiota apaixonadinho.

Eu: Não me dê bolo amanhã, Hawthorne.

No segundo em que vejo “visualizado”, meu estômago dá um salto. Aí eu percebo que estou sorrindo. Sorrindo. Enquanto mando mensagem pra uma garota. Pra onde foi a porra do meu orgulho?

Elise: Você colocou seu próprio número no meu celular.

Claro que eu coloquei. Eu não podia correr o risco de ela me ignorar de novo. Não era porque eu gostava dela. Não — era controle. Prova de que ela não escaparia.

Eu: Sim.

Elise: E o que você disse antes… foi uma ameaça?

Uma ameaça? É assim que ela me enxerga? Tá, eu mexo com as pessoas, mas isso?

Eu: Não foi ameaça.

Elise: Você promete?

Eu: Prometo. Boa noite, Elise.

E lá estava eu, encarando o celular como um idiota desesperado, esperando a resposta dela. Um beijo, um toque da mão dela no meu peito, e de repente eu estava agindo como se ela fosse minha dona.

Passei os dedos pelo cabelo úmido e murmurei: “Eu sou patético.”

O celular vibrou, e eu o agarrei mais rápido do que já me movi na vida.

Elise: Boa noite, Damien.

Um sorriso idiota se abriu no meu rosto antes de eu enfiar a mão por cima dele. “Que porra tem de errado comigo?” Meu peito apertou, o pânico se insinuando. “Eu provavelmente preciso de terapia... ou de um médico.”

Meu coração martelava, minha mandíbula tremia a cada batida, meu estômago zunia como se eu tivesse engolido um raio. Era assim que um ataque cardíaco se sentia? Eu estava morrendo?

Eu me enfiei debaixo das cobertas, forçando-me a respirar mais devagar, quando outra mensagem acendeu na tela.

Elise: Obrigada por me levar pra casa hoje. Eu agradeço de verdade. A chuva começou assim que você foi embora, e eu teria me encharcado. Foi muito gentil da sua parte.

Aquela tremedeira de novo. A que eu insistia em negar. Eu sabia da previsão do tempo. Foi o único motivo de eu ter oferecido carona. Era estratégia, não gentileza. Ela não devia pensar o contrário.

Eu: De nada.

Enfiei o celular debaixo do travesseiro com um gemido. “Por que essa garota me faz agir como um completo idiota?”

A frustração pressionava meu crânio, me deixando inquieto. Eu não podia me apaixonar por ela. Não eu. Eu era Damien Lancaster. Eu não tinha sentimentos. Eu devia ser intocável, gelado como gelo, imune.

Amor era coisa de idiota.

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