A Máfia Luna do Alfa

A Máfia Luna do Alfa

Vivi An · Concluído · 370.1k Palavras

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Introdução

Duzentos milhões de dólares — esse era o preço da minha alma.

Eu estava em pé no palco do leilão, correntes cortando meus pulsos, enquanto homens mascarados davam lances por mim como se eu fosse gado. Eu achei que minha vida tinha acabado. Aí ele falou:
— Duzentos milhões.

Alpha Damian Wolfe. O Rei da Cidade. O homem que mata sem piscar.

Ele não me comprou pra me libertar. Ele me comprou pra me manter.

— Você me pertence agora, Selene — ele sussurrou, me arrastando pro mundo dele de sangue e seda. Ele me trancou numa gaiola dourada, me vestiu de alta costura e me obrigou a assistir à execução de traidores em bailes de gala. Ele é um monstro. Mas, meu Deus, que monstro lindo.

Eu tentei fugir. Eu tentei lutar contra ele. Mas toda vez que eu empurrava, ele puxava com mais força.

— Eu preciso que você me marque — eu supliquei uma noite, desesperada por proteção contra o Conselho. Eu estava no quarto dele, nua e vulnerável, oferecendo meu pescoço.

Ele recusou.
— Eu não vou te marcar porque você precisa ser salva — rosnou, os olhos ardendo de um desejo sombrio. — Eu vou te marcar quando você for forte o bastante pra carregar o peso da minha alma.

Mas antes que esse dia chegasse, eu fui tomada. Arrancada debaixo do nariz dele por um fantasma chamado Mark.

Agora eu estou acorrentada de novo, mas desta vez é diferente. Porque eu sei que o Damian está vindo. E ele não está vindo pra negociar. Ele está vindo pra ver o mundo queimar.


Selene perdeu tudo em uma única noite — sua matilha, seu pai, sua liberdade. Arrastada para um leilão clandestino, ela espera a morte. Em vez disso, é comprada pelo Alpha mais perigoso da Itália, Damian Wolfe. Ele não quer uma escrava; ele precisa de uma Luna de fachada para consolidar seu poder. Mas Selene não é do tipo que se submete. Trancada na fortaleza dele, ela descobre que ser propriedade do Alpha pode ser mais seguro do que estar livre... até perceber que a única coisa mais perigosa do que os inimigos dele é o jeito como ele olha pra ela. Será que ela vai escapar da gaiola dourada ou vai se tornar a Rainha do império criminoso dele?

Capítulo 1

POV da Selene

Uma Noite Normal

O vento trazia o cheiro de pinho e terra molhada enquanto eu caminhava pela vila da Alcateia Lua de Sangue, minhas botas rangendo de leve contra o caminho de terra. A fogueira no centro brilhava quente e dourada, tremeluzindo contra o céu escuro. Era uma noite pacífica — uma das últimas que eu teria.

Eu só ainda não sabia disso.

— Selene! — minha melhor amiga, Naia, veio trotando ao meu lado, o longo cabelo loiro preso numa trança frouxa. Ela me lançou um sorrisinho sabido. — Você tá remoendo coisa de novo.

Eu suspirei, prendendo uma mecha rebelde atrás da orelha.

— Não tô remoendo. Só… pensando.

Naia bufou.

— O que, no seu caso, geralmente quer dizer remoendo.

Eu dei uma cotovelada nela, e ela riu, mas o peso no meu peito não diminuiu.

Tinha algo errado naquela noite.

A celebração era pelo meu pai — o Alfa Matthias Moreau — e pelas negociações bem-sucedidas que ele tinha finalizado com as alcateias vizinhas. Era pra ser uma noite de união, de força. Mas, mesmo com as risadas enchendo o ar e os guerreiros passando canecas de cerveja de mão em mão, eu não conseguia afastar o mau pressentimento que se enroscava no meu estômago.

Olhei para o meu pai, em pé perto da fogueira com o Beta dele, Darius. Ele era um homem forte — ombros largos, cabelo escuro já prateando nas pontas, olhos cor de avelã afiados que não perdiam nada.

Ele me pegou olhando e levantou uma sobrancelha. “Tudo bem?”

Eu assenti, mas ele não se convenceu. O olhar dele permaneceu em mim por mais um segundo antes de voltar à conversa.

Eu queria ir até ele. Perguntar se ele também sentia — aquela sensação silenciosa de que algo estava errado, rastejando pela noite.

Mas eu não fui.

E me arrependi disso mais do que de qualquer outra coisa.

Os Primeiros Sinais de Perigo

Eu estava sentada na cerca de madeira perto do campo de treinamento, observando a Naia flertar com um dos guerreiros. Minha casa de infância ficava logo atrás de mim — uma cabana robusta de toras, encravada entre altos pinheiros. A vila da alcateia estava quieta agora, os filhotes mais novos já tinham ido dormir, mas eu ainda ouvia, ao longe, o murmúrio da celebração vindo da fogueira.

Uma brisa fria me fez arrepiar.

Então—

Um rosnado baixo.

Veio da escuridão além da linha das árvores.

Meu corpo enrijeceu. Minha loba, inquieta sob a pele, emitiu um aviso, como um impulso.

— Naia — chamei, escorregando da cerca.

Ela se virou pra mim, ainda sorrindo, mas quando viu o meu rosto, o sorriso sumiu.

— O que foi?

Examinei a linha das árvores. Silêncio. Imobilidade.

Talvez eu tivesse imaginado.

— Nada — murmurei, forçando o ar para fora. — Eu só achei que…

Um grito.

Não meu. Não da vila.

Das árvores.

O mundo pareceu congelar. Então—

Caos.

O primeiro lobo saltou das sombras, cravando as presas em um dos nossos sentinelas antes que ele pudesse reagir.

Outros vieram atrás.

Rugidos. Garras rasgando carne. Sangue espirrando no chão.

Naia agarrou meu braço.

— Selene — CORRE!

Mas eu estava paralisada.

Observei enquanto os guerreiros avançavam, mas os atacantes eram mais rápidos, mais fortes. Aqueles não eram renegados comuns.

Os olhos deles brilhavam em vermelho.

Virei, empurrando Naia na direção das cabanas.

— Encontra o meu pai!

Ela hesitou, o medo passando pelo rosto, mas então correu.

Me virei de volta justamente quando meu pai entrou no campo de batalha.

— Defendam a matilha! — ele rugiu, mudando de forma no meio do passo. Seu enorme lobo era um borrão de pelo escuro e presas cintilantes.

Corri até ele, começando a mudar parcialmente — garras se alongando, presas afiando — quando um peso enorme me atingiu por trás.

A dor explodiu nas minhas costelas quando fui jogada no chão. Um renegado surgiu sobre mim, rosnando, as garras erguidas—

Dei um chute, jogando-o para trás. Depois ataquei, minhas garras abrindo um corte profundo no peito dele.

Ele cambaleou, o sangue jorrando dos ferimentos. Mas antes que eu pudesse atacar de novo—

Uma sombra se moveu atrás dele. Mais rápida do que eu consegui perceber.

Então — uma lâmina atravessou o pescoço dele.

Ofeguei quando o Beta do meu pai, Darius, arrancou a espada, deixando o corpo do renegado cair.

— Selene! — ele latiu. — Vá até o Alfa — AGORA!

Eu me virei, procurando meu pai, mas—

Uma flecha de prata atravessou o ombro dele.

Eu gritei.

Ele caiu de joelhos, sua forma de lobo vacilando enquanto lutava contra o veneno misturado à prata.

Disparei na direção dele.

— Pai!

Ele olhou para mim — não com dor, não com medo.

Mas com fúria.

— CORRA! — ele ordenou.

— NÃO—

Uma segunda flecha. Direto no peito.

O mundo se despedaçou.

Me lancei na direção dele, mas braços se fecharam ao meu redor, me puxando para trás.

Darius.

— Selene, a gente precisa IR!

Lutei contra ele. Gritei. Meu pai desabou no chão, sufocando com o próprio sangue—

— Eu te amo — ele arfou. — Corra.

Darius me jogou por cima do ombro e correu.

E eu não pude fazer nada além de assistir enquanto meu pai — o homem mais forte que eu já conheci — dava o seu último suspiro.

Eu não parei de gritar.

Nem quando Darius me carregou para o fundo da floresta.

Nem quando ouvi os sons da minha matilha morrendo atrás de mim.

E nem quando as figuras sombrias alcançaram a gente.

Um borrão de movimento — um dardo no pescoço de Darius. Ele cambaleou, o aperto em mim afrouxando.

Depois — dor. Uma fisgada aguda na minha lateral.

Ofeguei, sentindo meus membros ficarem dormentes. O mundo inclinou.

Vi as figuras surgirem. O líder deles — um homem alto, de cabelos escuros e olhos cruéis.

Então — escuridão.

Acordei acorrentada.

Meus pulsos ardiam por causa das algemas de prata. Minha garganta estava seca.

Eu estava numa jaula.

Uma câmara de pedra pouco iluminada. O cheiro de lobos, suor e sangue.

Eu não estava sozinha.

Outras jaulas forravam as paredes. Dentro delas — lobos da minha matilha. Naia. Darius. Guerreiros, Ômegas.

Os restos da Bloodmoon.

Engoli em seco, a náusea subindo.

Nós tínhamos perdido.

Passos ecoaram.

Uma figura se aproximou — não era da minha matilha, nem um renegado.

Um homem de terno escuro. O leiloeiro.

— Ótimo — ele murmurou, lançando um olhar para mim. — Você acordou.

Os lábios dele se curvaram num meio-sorriso.

— Você é a mais valiosa daqui.

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