Capítulo 2 2
Capítulo 2
...
— Que tipo de teatrinho você está fazendo agora, Layla? Hein?!
Hendry Gargan avançou na minha direção, com a fúria incendiando os olhos; sua presença era tão esmagadora que parecia que ele podia me esmagar num instante.
— Humanos como você me enojam, Layla. Eu sei que você é obcecada por mim — foi por isso que você afastou toda mulher que ousou se aproximar de mim.
Ele parou bem na minha frente.
Ergui o queixo, com a expressão calma, enquanto analisava o rosto dele.
“Hum… ele é mesmo bonito. Alto, forte… não é à toa que a Layla deste livro era tão louca por ele…”
Nem eu conseguia negar a aparência dele.
— Mas, Layla — ele continuou, cerrando a mandíbula, respirando pesado com a raiva contida —, eu não tenho a menor intenção de ficar com você. Então, em vez de eu mandar você de volta para o seu pai, é melhor pedir desculpas à Nagia.
— AGORA — ele rosnou, num tom carregado de ameaça.
Virei para olhar Nagia Hayys, que estava ali chorando, com as mãos cerradas com força.
Eu conhecia essa cena.
Do livro que eu tinha lido e relido — Layla Swan a tinha punido forçando-a a ficar submersa na água, com mãos e pés amarrados, deixando-a tremendo a noite inteira… tudo porque Nagia tinha ousado se aproximar do Alfa Hendry Gargan e ainda tinha colocado veneno na bebida de Layla.
— Layla Swan, eu juro que vou cancelar nosso noivado se você não... — a raiva de Hendry cresceu; os olhos dele ardiam, a respiração ficou mais pesada, e a voz ganhou um rosnado baixo e perigoso.
Antes que ele terminasse, cruzei os braços sobre o peito, ainda com a cabeça erguida.
Eu não era Layla Swan.
Não a mulher patética que faria qualquer coisa por um Alfa que não a amava.
Eu era Layla Luris.
E eu faria qualquer coisa para sobreviver, voltar para o meu mundo e me vingar do lixo que tinha me traído.
A dor de ter sido assassinada por Desmon ainda queimava dentro de mim.
Eu não conseguia mais segurar.
— Não precisa disso — eu disse friamente, com o olhar afiado. — Eu mesma vou cancelar o noivado.
Apertei os lábios, inflando um pouco as bochechas.
Eu vi com clareza — o choque no rosto de Hendry, o jeito como as sobrancelhas dele se franziram, a confusão piscando nos olhos.
— Sou eu que estou terminando, Hendry Gargan. E eu não vou pedir desculpas à sua amante, Nagia.
Meu olhar deslizou até ela, frio e cortante.
— Ela ousou envenenar meu chá. — Minha voz continuou calma, mas o ar ao redor só ficou mais pesado... — Eu vou fazer você pagar por isso, Nagia. Você não precisa de veneno só porque quer Hendry Gargan.
Inclinei levemente a cabeça, semicerrando os olhos.
— Se você quer ele… então fica com ele.
Nagia imediatamente caiu num choro ainda mais alto, se escondendo atrás de Hendry como se estivesse apavorada comigo.
Claro que ele a defenderia.
Afinal, na história que eu tinha lido, Layla Swan deveria ter morrido ontem — no instante em que Nagia a envenenou.
Sim.
Layla Swan estava destinada a morrer logo no começo.
— Alfa Gargan… eu nunca faria uma coisa dessas… — Nagia soluçou, fraca. — A Princesa Swan só está com raiva porque você me deu atenção… por favor, não machuque ela… eu mereço esse castigo…
Curvei os lábios de leve, estreitando os olhos.
Que encenação.
Ela sabia exatamente como fazer ele sentir pena.
Soltei um suspiro baixo enquanto via Hendry puxá-la para os braços com uma preocupação gentil.
— Layla Swan — ele disse entre dentes, me fulminando com o olhar —, você realmente é uma humana ardilosa e nojenta.
— Eu juro que vou me livrar de você. Eu juro que vou fazer você pagar por cada lágrima que Nagia derramou.
— Como você ousa machucar alguém tão puro e bondoso quanto ela?! — A voz dele transbordava fúria; os olhos ardiam enquanto ele me encarava como se eu fosse algo imundo.
— Hic… hic…
Os soluços de Nagia ficaram mais baixos, porém mais lamentáveis, e Hendry, cheio de preocupação, a conduziu para fora do quarto.
E então...
silêncio.
O tempo pareceu parar.
Eu nem percebi em que momento desabei no chão, com o peito se contraindo numa dor lancinante.
— Ugh…
Doía.
Tanto que meu rosto ficou vermelho.
Agarrei o peito com força, enquanto minha visão embaçava e as lágrimas escorriam pelo meu rosto sem controle.
Eu me lembrava dessa dor.
Era a mesma dor que eu senti quando vi Desmon me traindo com a minha melhor amiga.
“Layla Swan… você realmente amava aquele desgraçado?”
“Você sofreu como eu sofri?”
Sussurrei baixinho, falando comigo mesma — com Layla Swan, a personagem insignificante desta história.
Uma personagem que, ao que parecia, tinha sentido a mesma dor que eu.
Meus dedos se fecharam com força enquanto meu peito continuava doendo.
E, por um instante...
Eu chorei por ela, tanto quanto chorei por mim, com os dedos cerrados e o peito latejando numa dor insuportável.
Mas eu precisava ser forte.
Eu precisava voltar para o meu mundo.
Eu precisava me vingar de Desmon e Cassie.
Sem hesitar, peguei o vaso de flores do quarto, apertando-o contra o peito antes de seguir para os fundos do pavilhão.
Eu tinha acordado neste lugar porque aquele desgraçado tinha me acertado com um vaso.
Se eu fizesse a mesma coisa... talvez eu pudesse voltar.
Continuei andando, deixando o pavilhão para trás e atravessando o vasto jardim de flores.
Eu sabia que minhas criadas pessoais nunca parariam de ficar em cima de mim se eu ficasse ali, então fui para algum lugar silencioso. Um lugar onde ninguém me incomodasse.
Se eu queria voltar para o meu próprio mundo...
Eu tinha que fazer isso sozinha.
Ainda vestida com minha camisola branca, vaguei sem rumo pela manhã, deixando meus pés me levarem para onde quisessem.
Quanto mais eu andava, mais fraca a luz do sol da manhã ficava. Uma brisa fresca roçou minha pele enquanto árvores imensas engoliam aos poucos o caminho à frente.
Sem perceber, eu tinha entrado na floresta proibida.
Por fim, parei diante de uma árvore ancestral gigantesca. Baixando os olhos, encarei o vaso de porcelana em minhas mãos.
Era isso.
Respirei fundo e ergui o vaso acima da cabeça com as duas mãos.
"...Ah." Um gemido pequeno escapou dos meus lábios. Apertei os olhos.
Na verdade, estourar aquilo na minha própria cabeça não era nem de longe tão fácil quanto eu tinha imaginado.
"Hah..." Soltei um suspiro trêmulo e comecei a andar de um lado para o outro.
Não.
Eu tinha que fazer isso. Eu tinha que voltar.
Eu precisava voltar para o meu mundo e matar Desmon e Cassie com as minhas próprias mãos.
Eu...
Minha respiração voltou a ficar irregular.
Cerrei a mandíbula, apertei o vaso com mais força e o ergui acima da cabeça outra vez.
No instante em que eu ia fazê-lo despencar...
BAM!
Uma flecha gigantesca atravessou o vaso nas minhas mãos. A porcelana explodiu em incontáveis pedaços.
A força da flecha a lançou direto contra a árvore enorme atrás de mim, cravando-se tão fundo que o tronco colossal gemeu antes de começar a tombar.
"Hã...?" Meus olhos se arregalaram.
O vaso estilhaçado. A flecha enorme enterrada na árvore. O tronco imenso caindo na minha direção... Tudo aconteceu tão rápido que minha mente não conseguiu acompanhar.
O medo apertou meu peito.
Ah, não, não!
Eu não conseguia me mexer.
A árvore gigantesca veio despencando sobre mim, e tudo o que eu consegui fazer foi encarar.
Então...
Alguém agarrou meu pulso. A força do aperto era inacreditável. E...
Tump.
Fui puxada para o chão. O corpo de um homem pairou sobre o meu. Por um instante... eu me esqueci de respirar.
Olhos azul-escuros. Cabelo preto. Um rosto tão absurdamente bonito que parecia irreal.
A expressão dele permaneceu calma. E, de algum jeito, isso só o fazia parecer ainda mais perigoso.
Meu coração disparou contra as costelas enquanto o medo ameaçava me engolir inteira.
— Que ousadia. — A voz grave dele ecoou pela floresta, carregando uma autoridade que exigia obediência absoluta. — Você se atreve a manchar minha terra com seu sangue, humana?
Engoli em seco.
A mão dele ainda apertava meu ombro.
Doía... tanto que parecia que meus ossos iam se partir sob os dedos dele.
BOOM!
Um estrondo ensurdecedor ecoou atrás de nós.
A árvore enorme que quase me esmagou bateu no chão e se partiu em incontáveis pedaços.
Minha respiração ficou mais pesada enquanto lágrimas escorriam em silêncio pelas minhas bochechas. Não importava para onde eu fosse, a morte sempre parecia me encontrar. Nada mais estava acontecendo como deveria. Encontrar aquele homem nunca deveria ter acontecido.
— Que garotinha frágil. — A crueldade se escondia sob a calma da voz dele. Ele ergueu meu queixo com uma confiança sem esforço.
O rosto estonteantemente bonito e os olhos azuis marcantes quase escondiam a frieza implacável por trás deles. — Está tentando me seduzir?
— ...Hã? — Meus olhos se arregalaram.
Instintivamente, baixei o olhar.
Só então percebi... minha camisola branca tinha ficado completamente transparente.
E...
