Capítulo 3 3
Capítulo 3
Layla
...
Ele inclinou levemente a cabeça, os olhos azul-profundo cravados em mim. A escuridão opressiva ao redor dele era sufocante, fazendo parecer que cada grama de coragem que eu possuía — a minha própria existência — não significava nada diante da presença dele.
Vi a mandíbula dele se contrair enquanto o olhar percorria meu corpo devagar, demorando-se na minha pele meio nua, estendida sobre a grama selvagem.
Mas...
Eu não conseguia me mexer.
A simples presença dele despedaçou o resto de coragem que eu tinha, deixando meu corpo tremendo de forma incontrolável.
Antes que eu pudesse ao menos me cobrir — antes que eu pudesse esconder a pele exposta que, de algum jeito, tinha virado o objeto da atenção dele naquela manhã...
RUGIDO!
Um rugido ensurdecedor explodiu do fundo da floresta, quebrando o silêncio como um trovão.
Minha respiração travou na garganta.
Morte...
Ela vinha atrás de mim de novo.
Tentei gritar com tudo o que tinha, mas nenhum som saiu dos meus lábios. A frustração subiu como uma onda. Mordi com força o lábio inferior até sentir o gosto de sangue, esperando que a dor aguda forçasse meu corpo congelado a se mover.
Não adiantou... Nem a dor conseguia me arrancar desse pesadelo.
Bum.
Bum.
Cada impacto estrondoso sacudia o chão sob mim. Uma criatura gigantesca, envolta em trevas, avançava direto na nossa direção.
Eu vou morrer...
De novo?
Virei o rosto para o estranho, implorando em silêncio para que ele me salvasse.
Eu não queria morrer.
O grito preso dentro do meu peito ameaçava me sufocar, e, ainda assim, tudo o que eu via era a curva sutil de diversão nos lábios dele.
Ele estava sorrindo. Como se o meu pavor o divertisse.
Bum. Bum.
A cauda enorme do Titã esmagava todas as árvores altas no caminho, lançando lascas de madeira para todos os lados. A floresta tremia a cada impacto ensurdecedor, enquanto a morte, mais uma vez, se erguia bem diante dos meus olhos.
Então...
Vuuush!
Num piscar de olhos, ele agarrou o Titã negro e monstruoso com uma mão. Uma onda de choque violenta explodiu no ar quando o punho dele atingiu o alvo; só a força do golpe já lançou uma rajada poderosa que rasgou a floresta.
Eu só conseguia encarar.
Algo que deveria existir apenas em romances de fantasia ou em filmes estava acontecendo bem diante dos meus olhos.
"Hah..."
"Hah..."
Cada respiração queimava meus pulmões.
O homem absurdamente bonito, com aqueles olhos azuis penetrantes, tinha matado o Titã monstruoso... com um único soco.
"Hm." Ele olhou para a própria mão como se nada de extraordinário tivesse acontecido. "Usar as mãos nuas realmente é mais fácil."
A expressão dele permaneceu completamente calma, mesmo quando o corpo enorme do Titã caiu no chão, sem vida.
Só então ele voltou a olhar para mim.
"Estou rastreando esse Titã a noite toda, mas ele se escondeu na escuridão, mascarando o cheiro." A voz dele era calma, quase casual. "Só saiu porque sentiu o cheiro do seu sangue..." Um lampejo de curiosidade atravessou seus olhos.
"Que estranho." Ele caminhou até mim com passos lentos, sem pressa, e parou ao lado da minha cabeça.
Então se inclinou, virando a cabeça de leve. Aqueles olhos azuis cortantes brilhavam como chamas azuis, ardendo em silêncio na escuridão.
"Talvez..." O olhar dele se prendeu ao meu. "Eu devesse usar você como isca para atrair mais Titãs." Os cantos dos lábios dele se ergueram no mais tênue dos sorrisos.
"O que você acha... garotinha?" A voz dele não se elevou. Continuou calma. E, de algum modo, isso o tornava muito mais assustador do que o Titã que ele acabara de matar.
O quê?
Isca?
Droga... quem diabos é esse homem assustador?
Por que eu não consigo falar...?
Por que eu não consigo nem me mexer?
Meu peito subia e descia de forma irregular.
Ele me olhou uma última vez, os olhos azuis penetrantes impossivelmente frios.
Por um breve instante, eu esqueci como se respirava. A pressão que emanava dele era tão esmagadora que parecia que meus pulmões tinham esquecido a própria função.
"Desta vez..." ele disse com calma, desviando o olhar de mim, "eu vou poupar você, humana." Ele se virou e começou a se afastar. "Mas se você ousar aparecer diante de mim de novo..."
Ele parou, e a voz desceu para um sussurro baixo que parecia agitar o próprio vento. "Eu vou devorar você."
A floresta mergulhou no silêncio.
Nunca, em toda a minha vida, eu tinha me sentido tão completamente insignificante. Tão absolutamente impotente.
Neste mundo estranho, eu não passava de uma humana frágil, destinada a ser caçada e morta.
Eu nem conseguia me mexer depois que ele foi embora.
Era como se a pressão invisível que ele tinha liberado ainda me mantivesse presa ao chão.
— Princesa Swan!
— Princesa Swan, onde você está?
Vozes distantes ecoaram pela floresta.
Alguém estava me procurando.
Minhas criadas... Elas deviam ter percebido que eu tinha sumido do meu quarto.
Só então o peso invisível pressionando o meu corpo finalmente desapareceu.
Puxei o ar num suspiro trêmulo e baixei os olhos. A marca de nascença no meu pulso ainda estava ali.
Franzi a testa.
Eu sentia. Sem a menor dúvida... este era o meu corpo. Eu não tinha despertado dentro do corpo de Layla Swan. Eu tinha despertado no meu próprio. E, ainda assim, de algum jeito, todo mundo acreditava que eu era Layla Swan.
Minha cabeça ainda latejava de dor, mas me obriguei a ficar de pé e fui saindo da floresta devagar.
Uma brisa suave passou pelos meus cabelos ondulados enquanto meus olhos verdes percorriam aquele entorno desconhecido.
Tinha que haver um motivo para eu ter voltado à vida. Tinha que haver um motivo para eu ter vindo parar neste mundo. E a única forma de descobrir a verdade era sobreviver.
— Oh, Deusa da Lua! Princesa Swan, o que aconteceu com você? Você está péssima! — Uma jovem criada vestida com roupas simples correu até mim e, de imediato, envolveu meus ombros com um manto grosso de pele.
— Quem é você? — estreitei os olhos.
O rosto dela empalideceu na hora. — Sou eu... Rina, sua criada. — A voz tremia. — Oh, Deusa da Lua... o que aconteceu com você, Princesa? Você bateu a cabeça? Você... se esqueceu de mim? — Ela parecia prestes a chorar.
Antes que eu pudesse responder, ela disparou outra pergunta.
— É por causa do Alfa Hendry Gargan, que veio te repreender hoje de manhã? Ah, Princesa... o que eu faço?
Não consegui evitar o sorriso fraco que repuxou meus lábios.
Rina era mesmo tagarela. Mas eu percebia que ela se importava de verdade com Layla Swan.
— Se você é a Rina... — olhei por cima do ombro dela. — Então ela deve ser...
Antes que eu terminasse, outra jovem deu um passo à frente e se curvou respeitosamente.
— Sim, Princesa Swan. Meu nome é Shana.
Eu a observei em silêncio.
Shana — uma meio-humana que, em segredo, servia como espiã do meu pai... o Rei Herman Darges Noir.
O Rei da Humanidade. Um governante brilhante. Um homem com incontáveis esposas e ainda mais filhos.
Eu era sua quadragésima nona filha. Uma princesa vendida aos nobres lobisomens como prova da lealdade do meu pai em manter o comércio com o Reino dos Lobisomens.
Para ele...
Layla Swan não passava de uma moeda de troca. Uma filha descartável, que podia morrer a qualquer momento.
Mas eu não era Layla Swan. Eu era Layla Luris. E eu me recusava a morrer.
A primeira pessoa que eu precisava encontrar era o Rei dos Lobisomens — Alexander Hagard Raizel.
O homem de beleza estonteante, com olhos azuis penetrantes. O rei mais poderoso vivo. Um governante que desprezava humanos por causa das cicatrizes deixadas pelo passado.
Ele tinha incontáveis inimigos. Mas eu ia ajudá-lo.
Eu ia mudar tudo.
...
Espera...
Alexander Hagard Raizel.
O nome fez meu coração disparar.
Enquanto eu caminhava pelo campo de flores silvestres, parei de repente e me virei para a floresta imponente atrás de mim.
Meus olhos se arregalaram. Minha respiração ficou pesada. A visão daquelas árvores antigas e gigantescas fez meu sangue gelar.
Será que...
Eu tinha acabado de encontrá-lo?
Um arrepio percorreu meu corpo.
Não.
Isso não podia ser possível. Não tinha como eu ter cruzado, por coincidência, com o esquivo Rei Lycan.
Que tipo de destino era esse?
Só de pensar em encontrar o Rei dos Lobisomens, cada nervo do meu corpo latejava.
Fiquei paralisada onde estava, enquanto minha visão começava a embaçar aos poucos.
Só então eu percebi o que tinha acontecido.
A aura avassaladora que o Rei Lycan tinha liberado antes drenara até a última gota de força do meu corpo.
— Princesa Swan!
Ouvi, ao longe, Rina me chamando... e então eu não consegui ouvir mais nada.
...
