Casada com o Alfa Cruel

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Priscila Lupetti · Atualizando · 66.1k Palavras

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Introdução

Olivia, princesa da alcateia, acaba sendo sequestrada pelo líder da alcateia rival.
Sam a sequestra para mostrar seu poder diante de um mundo hostil, mas ele não esperava que desenvolveria sentimentos por sua prisioneira.

"Eu não vou me casar com você! O que você está pensando? Nós nos odiamos, nossas famílias estão em guerra há séculos! Por que você simplesmente não me mata e me poupa disso?"

"Olivia, quando eu disse que sua vida não pertencia a você, eu quis dizer isso, sua vida pertence a mim. Você..." - Ele hesitou por alguns minutos e me encarou com os olhos marejados "Você é minha."

Capítulo 1

O tempo estava passando, cada vez mais rápido, e as coisas ao meu redor estavam ficando cada vez mais confusas.

Aquela guerra havia começado há tanto tempo que eu nem sabia mais quais eram os motivos, faziam sentido para mim quando eu estava com meu pai, enquanto ouvia as milhares de histórias sobre como o Clã de Lúcio arrancou a cabeça da minha mãe assim que eu nasci.

Essa era uma ferida que nunca poderia cicatrizar.

Em meio aos flashbacks daquela noite, eu só conseguia me lembrar de estar amarrada, acho que fui atingida tão forte na cabeça que meus sentidos ainda estavam abalados quando abri os olhos.

"Não acredito que você pegou a filha dele"

Disse uma voz alta e gutural que parecia ecoar por todo aquele lugar com um cheiro estranho demais para minhas narinas.

"Petros está completamente louco"

Disse o outro concordando com o primeiro.

Eu fiquei quieta, qualquer erro seria fatal. Acredito que eles não pensariam muito antes de tirar minha vida ali mesmo. Eu estava com medo, minha respiração estava rápida, e meu coração batia em um ritmo frenético dentro do peito.

Eu tinha a sensação de que já tinha visto isso em meus sonhos, a venda sobre meus olhos não impedia que eu soubesse para onde estava sendo levada.

Eu só não sabia por quê.

"Vocês podem pelo menos me dizer o que vão fazer comigo?"

Eu não queria admitir que estava com medo, mas eu estava morrendo de medo. Aposto que minha pele estava branca como cera.

"Ele já vai falar com você, princesa, só aguente firme. Acho que aqui não parece com aquele castelo de merda onde você cresceu, né?"

Demorei um pouco para estabilizar minha visão e tomar consciência do meu entorno.

A escuridão da noite não me ajudava, pelo contrário, só dificultava reconhecer os lugares.

Eu estava dentro do carro em uma estrada estreita cheia de curvas, a estrada não era estranha, e a sensação de que minha vida terminaria ali também não era estranha. Era como se eu já tivesse sentido essa sensação.

Será que meus pesadelos se tornariam reais afinal?

Um deles me olhou diretamente nos olhos, seus dentes estavam saindo da boca de uma maneira que eu nunca tinha visto na minha matilha, seus olhos brilhavam, e seu rosto parecia desfigurado, a visão me repugnou o suficiente para que eu desviasse o olhar algumas vezes.

A névoa lá fora fazia minhas pernas tremerem, e as montanhas na paisagem me faziam pensar em como minha mãe se sentiu quando foi levada da mesma maneira por aqueles animais. Eu estava tentando controlar minha respiração, ignorar seus olhares de deboche, mas era muito difícil.

Será que todos eram assim? Todos os feios como as histórias que meu pai me contava. Meu coração batia forte no peito sem saber qual seria o próximo movimento daqueles monstros. Mas eu era uma princesa, eu tinha que ser forte e me comportar como uma.

Cresci ouvindo as histórias de como minha mãe se comportou bravamente quando foi levada, como ela suportou os ataques com uma expressão orgulhosa no rosto.

Finalmente, observei a ponta do castelo da área ao redor, mesmo na névoa eu podia ver as pedras e todas as estátuas de seus guerreiros, eram tão diferentes das esculturas do castelo onde fui criada que nem parecia que éramos da mesma espécie.

Eles me arrastaram para debaixo do castelo, não havia luz, e estava tão quente que meu corpo inteiro suava, uma mistura de medo, alta temperatura corporal por estar longe de casa, o forte cheiro de mofo que estava em todo lugar, e a falta de iluminação que causava desespero.

As risadas deles eram audíveis o suficiente para ficarem gravadas na minha alma, eles estavam acostumados com o ambiente, e não erravam um único corredor mesmo no escuro.

Finalmente acenderam uma tocha, e tudo o que eu podia ver era uma cela nojenta na minha frente, eles estavam lutando para encontrar a maldita chave para finalmente me jogarem lá dentro.

Será que foi ali que minha mãe morreu?

Fiquei ali por pelo menos vinte minutos antes de ver a porta da prisão se abrir. Eu podia ver através da tocha pendurada do lado de fora da porta as marcas de unhas daqueles que estiveram ali em agonia antes de mim, meu coração estava prestes a sair pela boca imaginando se aquelas marcas foram causadas pelas unhas das mãos que me ninavam para dormir à noite.

Quanto ela sofreu? Quanto doeu?

A escuridão da noite já havia penetrado meus olhos e, quando percebi, uma figura masculina alta apareceu na porta, só a presença dele me fez tremer inteira.

"Quem está aí?"

Gritei assustada, tentando fixar meus olhos na figura dele, eu queria identificar quem era aquela sombra.

"Silêncio!"

Disse a voz do homem, assustadoramente gutural e baixa! Uma voz que parecia entrar nos meus ouvidos para bagunçar todos os meus sentidos, até os mais profundos da minha alma.

Conforme ele se aproximava, eu podia vê-lo mais claramente.

A IMAGEM DELE ME FEZ TREMER.

Eu o conhecia de muito tempo atrás e mesmo isso não me tornava inerte à sua presença, novamente minha respiração acelerou, eu não queria mostrar meu medo, não queria mostrar o quanto ele me assustava ou o quanto ele me fazia sair do meu próprio corpo em desespero.

Ele era alto e forte, seu cabelo castanho combinava perfeitamente com seus grandes olhos castanhos claros. Ele não havia mudado nada em todos esses anos, talvez mais alto, mas não menos arrogante. Com sua postura ereta, ele me olhou diretamente nos olhos.

Sua barba bem aparada e cuidada sobressaía em seu rosto, assim como sua atitude animalesca também se destacava ao meu olhar. A escuridão da masmorra parecia fazer sua figura brilhar ainda mais em comparação com aquelas pedras e portões.

Eu me encolhi no canto quando ele me mandou ficar quieta, ele tinha aquela postura de Alfa que eu passei minha vida inteira evitando porque eu socializava demais, a postura arrogante que me colocava em uma posição passiva.

Normalmente eu não tinha essa postura, mas o medo não me deixava revelar minha força, o medo me paralisava completamente, e ele me paralisava completamente.

Ele ficou calmamente me observando, como se eu fosse a presa mais fácil do mundo, com os braços cruzados ele continuava me olhando. Ele lambeu os lábios e me deu um sorriso maligno, eu queria saber o que ele estava pensando enquanto me devorava daquele jeito.

Finalmente criei coragem para dizer algo.

"Eu sei por que você me sequestrou, pode me matar agora mesmo e mandar minha cabeça para meu pai."

Eu estava tentando adiantar o sofrimento, não queria ter as marcas das minhas unhas eternizadas naquela masmorra imunda, não queria ter pedaços da minha alma assombrando aquele lugar para sempre.

Mas ele não fez questão de parar de sorrir, mesmo em meio ao meu sofrimento.

"Eu disse para você ficar quieta!"

Ele disse novamente, finalmente dando dois passos à frente, saindo um pouco mais da escuridão para se aproximar de mim.

"Quem é você?"

Ousei perguntar algo que eu já sabia, pela expressão que se formou no rosto dele, ele ficou irritado com minha pergunta.

A impressão que tive foi que ele se sentiu diminuído por eu não lembrar quem ele era, mesmo que seu nome ressoasse na minha cabeça um milhão de vezes.

"Eu sou Petros, mas você já sabia disso."

Ele estava com raiva, percebi isso quando ele fechou o punho e finalmente tirou o sorriso do rosto, eu estava diante do filho do maior inimigo do meu pai, e consequentemente meu maior inimigo. Vi um filme passando diante dos meus olhos.

A última vez que nos vimos éramos crianças despreocupadas aprendendo a lidar com nosso povo. Aprendendo a lidar com a maldita política que nos sufocava com tantas responsabilidades de clã. E enquanto fazíamos castelos de barro, tudo desmoronou, não entendíamos na época o porquê, mas em menos de três minutos as crianças que antes brincavam despreocupadas foram forçadas a se odiar para sempre.

Não havia uma explicação real, apenas ressentimento.

E com a morte da minha mãe, tudo piorou.

Ele era responsável, se não seu maldito pai.

Eu podia ver o ressentimento nos olhos castanhos dele, e podia ver o ódio pulsando em suas veias enquanto ele me olhava com sua postura fria e gélida ao entrar de volta na cela, ele não percebia, mas seu próprio corpo me repelindo, como um vírus mortal para ele.

"Eu não me lembrava de você assim."

Eu disse ainda em choque, o sentimento estava borbulhando dentro de mim e não era o que eu queria sentir, eu só queria ser indiferente. Para o meu próprio bem, era melhor que eu deixasse isso esfriar um pouco.

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