
CASADA COM UM SENHOR DO CRIME
chalista saqila · Concluído · 261.3k Palavras
Introdução
Depois de inúmeras tentativas frustradas de arranjar alguém pra mim, minha mãe ameaçou cancelar o fundo fiduciário que meu pai tinha deixado. Três dias antes do meu vigésimo oitavo aniversário, eu fui a um evento beneficente.
Desesperada e embriagada de champanhe, eu me aproximei do homem mais intimidador daquele baile de gala beneficente. Ele era frio, arrogante, e me olhou como se eu fosse um pedaço de carne. Eu não estava nem aí. Entreguei a ele meu cartão de visita, com a mão tremendo.
Ele não pegou. Em vez disso, me seguiu até a sacada. “Você não veio aqui por negócios, Talia”, ele sussurrou, com a voz sombria e sedutora. “Você veio pra ser tomada.”
Antes que a noite acabasse, eu já estava na cama dele. Nua, satisfeita e sonolenta. Eu disse que queria me casar com ele. Ele disse que sim e concordou em se casar comigo imediatamente. Eu adormeci sem perceber que tinha acabado de pedir em casamento o banqueiro mais poderoso de Nova York.
Eu devia ter fugido. Eu não sabia que ele era Alexander Cielo Morgan, o banqueiro mais implacável de Nova York. Eu não sabia que uma noite com ele me custaria a minha liberdade para sempre. Mas já era tarde demais pra desistir. Eu estava presa num casamento com ele. E eu descobri que perder cem milhões de dólares de um fundo fiduciário era muito melhor do que entregar a minha vida a Alexander Cielo.
Capítulo 1
“Que desculpa você tem desta vez, Talia?”
Eu cerrei a mandíbula e passei reto pela minha mãe, que estava parada em frente à porta principal. Eu tinha acabado de chegar do trabalho, mas ela nem se deu ao trabalho de segurar a raiva até eu trocar de roupa e lavar o rosto.
“Sua mãe estava falando, e você simplesmente me ignorou. Que falta de educação.”
Rosnei de irritação e parei perto da escada.
“O que você espera, mãe? Eu não consigo te dar nada do que você quer, por mais que você grite comigo. E, além disso, eu tenho vinte e sete anos. Você não devia gritar comigo como se eu fosse uma menina de cinco.”
“Você tem vinte e sete, então não devia agir como uma menina de cinco. Por que você não foi almoçar no clube com o Caleb? Ele está te esperando há duas horas.”
Minha mãe cruzou os braços sobre o peito, as narinas dilatando de raiva.
“Você já parou pra pensar em como esse seu comportamento infantil pode prejudicar os outros? O Caleb não é um desocupado. Ele é um homem ocupado e perdeu duas horas só esperando você.”
Eu bufei, exasperada.
Eu tinha meus motivos para não ter ido almoçar com ele.
“Hoje eu estou atolada no hotel. Um monte de hóspedes fazendo check-in.”
“Ah, para. Eu sei que você tem uma hora de almoço.”
“Eu pulei o almoço porque o hotel estava daquele jeito. Só tinham três recepcionistas de plantão, e nós três estávamos afogadas de tanto hóspede.”
“O Mike entenderia se você pedisse pra ir ao clube ver o Caleb. Além disso, você podia trocar o turno com alguma amiga. Que outras desculpas você vai jogar em cima de mim, hein?”
Revirei os olhos, cansada.
“Eu estou lá pra trabalhar, não pra brincar. Eu não quero abusar da confiança do tio Mike. Ele foi tão bom comigo, me dando um emprego no hotel dele. Um monte de gente que se formou comigo está sem trabalho, e eu consegui um logo de cara.”
“O Mike devia ter te dado um cargo de gerente, não de recepcionista”, minha mãe resmungou.
“Eu gosto do meu trabalho de recepcionista. Eu converso com os hóspedes e ajudo a encontrar uma acomodação adequada. É muito mais prazeroso do que ficar sentada num escritório com uma pilha de papelada na mesa. É um tédio”, suspirei.
“Mas o seu pai era gerente de operações na rede de hotéis dele. O Mike devia ter te dado um emprego melhor do que recepcionista. Pelo menos isso mostraria o respeito dele pela dedicação do seu pai, que já se foi.”
Eu ignorei o sermão da minha mãe e subi a escada até o meu quarto.
Ela repetia aquilo mil vezes desde que eu comecei a trabalhar no Grand Hudson Hotel, cinco anos atrás. Ela sempre achou que a dedicação do meu pai ao hotel merecia mais do que o tio Mike tinha feito por nós até então. Ela esquecia que o tio Mike pagou toda a minha faculdade e ainda nos dava uma mesada. O tio Mike nem descontava isso da pensão do meu pai. O dinheiro ia direto pra minha conta, como um fundo fiduciário que meu pai tinha deixado pra mim.
“Talia, eu ainda não terminei com você.”
“Eu tenho compromisso hoje à noite. Preciso tomar banho e me arrumar.”
“O Caleb aceitou te encontrar depois de amanhã. Não me faça passar vergonha de novo.”
“Eu não quero que você me empurre pra ele, mãe”, eu resmunguei, frustrada.
Eu estava a um passo de arrancar os próprios cabelos e explodir na frente da minha mãe.
“Ele não faz o meu tipo. Ele é infantil e tarado.”
“Então qual é o seu tipo, hein? Você já dispensou dez homens que eu arranjei pra você. Você vai fazer vinte e oito em três dias. Você precisa, no mínimo, ter um namorado, ou eu vou cancelar o seu fundo. O dinheiro vai pra uma instituição de caridade.”
“O quê? Você não pode fazer isso!”, exclamei, em pânico. “Esse dinheiro é meu. Eu já tenho planos pra ele.”
“Então arrume um namorado e case.”
“Mãe, por que você é tão obcecada por casamento?”, reclamei, frustrada.
“Não é só obsessão. Se dependesse de mim, você teria se casado assim que se formou. Ninguém sabe o que o futuro reserva. Seu pai morreu cedo demais, antes de a gente poder passar mais tempo juntos. Se você tivesse se casado antes, teria tido mais tempo pra aproveitar com o seu marido. Pelo menos você não teria vivido como eu.”
Eu suspirei baixinho.
Eu já não conseguia mais ficar com raiva dela quando ela fazia aquela cara triste. Minha mãe nunca se recuperou do luto pela morte do meu pai. Eu até entendia por que ela estava tão ansiosa para eu me casar, mas sempre acreditei que nossos destinos eram diferentes. O que aconteceu com a minha mãe não necessariamente aconteceria comigo. Eu já tinha tentado explicar isso umas cem vezes, mas ela não ouvia. Eu até cheguei a considerar morar sozinha num apartamento para fugir das implicâncias da minha mãe, mas sempre acabava desistindo, porque eu não suportava a ideia de deixá-la sozinha em casa.
— Eu falei sério o que disse antes. Eu vou cancelar o seu fundo fiduciário...
— Tá bom — interrompi antes que minha mãe pudesse me ameaçar ainda mais. — Me dá um tempo. Eu vou arrumar meu próprio marido.
— Não, eu não acredito em você. Você disse isso dois anos atrás, e até agora não trouxe homem nenhum pra casa.
Era porque eu nunca levei a sério essa história de procurar marido. Eu queria focar em desenvolver minha carreira. Eu mentia pra minha mãe quando dizia que preferia ser recepcionista a gerente. Eu queria, de verdade, ser gerente um dia. E se eu virasse gerente, não seria por causa do tio Mike, e sim por mérito meu. Se eu não conseguisse ser gerente no Hotel Grand Hudson, eu poderia tentar em outro lugar. Mas, por enquanto, o Grand Hudson ainda era o melhor pra mim, e eu não queria me mudar pra lugar nenhum.
— Todos os homens que eu apresentei pra você são bons homens, com carreiras brilhantes. As famílias deles também são perfeitas. Por que você dispensou todos, Talia?
— Porque eu não me senti bem com eles.
— Ah, então você ia me dizer se eles não fossem o seu tipo, né?
— Eles não eram o meu tipo. O primeiro homem que você me trouxe era um crianção reclamão. O segundo era um velho tarado. O terceiro era extremamente possessivo e me deu um ultimato: eu tinha que largar meu emprego antes de virar esposa dele. O quarto era um covarde — eu zombei, enojada, lembrando do Arthur.
— Ele é grandalhão, mas morre de medo de uma barata bonitinha. Quase destruiu um restaurante inteiro por causa da fobia dele de baratas. O quinto homem...
— Chega. Eu não quero ouvir mais nenhuma das suas desculpas. O ponto é que eles não atendem aos seus critérios perfeitinhos demais. Você tem que lembrar que não existe homem perfeito neste mundo. Todo mundo tem defeitos.
— Eu sei muito bem disso. Eu também sei que eu não sou uma mulher perfeita. Eu tenho muitos defeitos. É injusto exigir que meu futuro marido seja perfeito. Mas eu vou encontrar o mais perto disso.
— Então como você vai fazer? Como você vai encontrar esse homem?
Minha mãe me encarou com atenção, os braços cruzados no peito.
Mordi o lábio, nervosa. Eu não sabia como ia encontrar um homem assim. Eu nem sabia se um homem assim existia. Eu só tinha, no fundo do coração, a crença de que um dia eu encontraria. Mas ainda havia a chance de eu estar errada.
— Talia?
— Eu vou encontrar esse homem, com certeza — gaguejei.
— Eu-eu...
— Seu fundo fiduciário vai direto pra caridade se você não me trouxer um marido no dia do seu aniversário.
— Eu vou ao evento beneficente hoje à noite e vou encontrar esse homem.
— Você tem certeza de que consegue?
— Não é qualquer evento beneficente. Hoje à noite, todo mundo rico e generoso vai estar reunido no átrio. Eles vão doar dinheiro pra boas causas. Eu vou encontrar um marido no meio dessas pessoas maravilhosas e generosas. Eu prometo.
Que inferno?!
Por que eu fui prometer uma coisa que eu não podia cumprir?
Eu tive vontade de me dar um tapa na boca e voltar atrás.
— Você vai ao evento beneficente?
— Hm... A Liliane me pediu pra cobrir ela. Ela tem um encontro com o Joseph hoje à noite e não vai conseguir ir.
Minha mãe suspirou baixinho.
— Eu queria que você fosse como a Liliane. Ela tem uma ótima carreira, e o noivo dela é CEO de uma rede de lojas.
Tentei ignorar, mas, no fundo, eu fiquei irritada por a minha mãe me comparar com a Liliane. Eu e ela tínhamos caminhos diferentes na vida. Liliane ocupava o cargo de vice-presidente porque era a única filha do tio Mike. Ela e o Joseph tinham sido apresentados um ao outro há uns três anos. E a Liliane tinha sorte, porque todos os colegas de negócios do pai dela eram pessoas ótimas. Ela não tinha motivo nenhum pra rejeitar o Joseph, porque ele era perfeito daquele jeito.
— Eu tenho que me arrumar pra ir pro átrio. Eu já perdi quinze minutos só ouvindo o seu sermão, mãe.
— Tá bom. Não esqueça a sua promessa. Você tem que trazer um marido pra casa antes do seu aniversário, daqui a três dias.
Que se danem os maridos!
Eu estava farta da mentalidade ultrapassada da minha mãe.
Entrei pisando duro no meu quarto e bati a porta.
Eu só esperava que a sorte estivesse do meu lado hoje à noite, ou eu perderia todo o meu fundo fiduciário e daria adeus aos meus planos pro futuro.
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Nossa Luna, Nosso Companheiro
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