Quem é aquela garota

Rome não sabia o que pensar sobre a ligação que acabara de fazer. A Sinders Cinema Marketing era a empresa que os produtores do filme que ele acabara de terminar estavam usando para fazer o marketing. Quais eram as chances de ele ligar para eles acidentalmente quando queria ligar para o Mark? Como os números podiam ser tão parecidos?

Além disso, a garota com quem ele tinha falado—Ella—tinha sido muito legal. O sotaque dela chamou sua atenção imediatamente. Ele não conseguia identificar de onde era o sotaque no início, então quando ela mencionou que era originalmente de Los Angeles, mas tinha passado muito tempo na França, tudo fez mais sentido. Ele imaginou uma jovem e bela garota francesa com cabelos e olhos escuros. Ela disse que tinha vinte e dois anos, apenas alguns anos mais nova que ele. Rome ficou tentado a convidá-la para sair, ali mesmo no telefone, mas isso seria meio estranho, e ele não queria ser esse tipo de cara.

Ainda assim, ele realmente tinha a intenção de ligar para ela de novo. Ela parecia ser o tipo de garota com quem ele poderia conversar por horas sem se entediar. Ele apostava que ela tinha muitas aventuras para compartilhar, especialmente por ter passado tanto tempo na Europa. Ele se sentou no sofá e se imaginou andando de mãos dadas com uma garota bonita, rindo, talvez molhando os pés nas ondas da praia. Talvez essa ligação tivesse sido mais do que sorte. Talvez tivesse sido destino.

Marge tinha ligado para perguntar sobre a audição, e ele disse que tinha ido bem. Então, ela disse que conseguiu uma audição para outro filme. Esse papel era ainda maior do que o que ele tinha interpretado em The Way You Hurt Me. Rome concordou em fazer a audição, mesmo sabendo que havia uma boa chance de a produtora do filme usar a Sinders Cinema Marketing, o que deixaria seu pai furioso. Ele teria que superar isso, no entanto. Praticamente todas as outras produtoras em Hollywood usavam a Sinders, exceto a empresa de seu pai, Verona Productions.

Ele honestamente não sabia qual era o grande problema, de qualquer forma. Então, Lloyd Sinders tinha cobrado mais por uma campanha de marketing do que havia originalmente cotado. Isso levou a uma briga que já durava mais de duas décadas. Monty Verona era um homem teimoso, para dizer o mínimo, e Rome não queria ficar do lado ruim dele. Mas tudo parecia um pouco ridículo para ele. No final das contas, foi resolvido no tribunal com um pagamento da Sinders e um aviso severo do juiz de que as duas partes deveriam simplesmente se manter afastadas uma da outra. Isso não significava que seria um problema para Rome estar em filmes produzidos por empresas que usavam a Sinders, no entanto. Os atores não tinham nada a ver com o marketing, além das promoções agendadas por seus próprios agentes e posar para fotos muitas vezes tiradas por fotógrafos freelancers—não pela empresa de marketing.

Rome suspirou e digitou o número de Mark, notando que era um um e não um sete perto do final dos dígitos. "Cara, estive esperando para sempre você me ligar."

"Cara... por que você não me ligou?" Rome perguntou, balançando a cabeça para seu melhor amigo idiota.

"Porque eu não queria estragar tudo para você. Seu telefone tocando no meio de uma entrevista seria muito chato."

"Audição—não entrevista. Você é um ator. Deveria saber disso."

"Tanto faz, cara. Não vou a uma entrevista... audição há anos, mano. Uma das vantagens de estar em um programa de TV. Mas estou pensando nisso, depois do seu recente sucesso."

Ignorando o que era para ser um elogio, mas só o deixava constrangido, Rome disse, "Certo. Bem, foi bem. Devo ter uma resposta em alguns dias."

"Legal. Certo. E aí, onde vamos festejar hoje à noite?"

"Não sei, cara. Não estamos ficando um pouco velhos para sair todas as noites da semana?"

"De jeito nenhum, mano. Isso é LA. Temos que ser vistos. Que tal o Lucky Red? Faz tempo que não vamos lá. Aquela garçonete gata que você gosta trabalha lá, a de cabelo ruivo."

"Mark, todas as garçonetes do Lucky Red têm cabelo ruivo. É meio que o tema."

"Ah, certo, mano! Não tinha pensado nisso. Legal! Então... Lucky Red, então? Ver a Rosa?"

Rome pensou na garota no estacionamento, a loira que tinha dito que iria para lá naquela noite. Ela provavelmente pensaria que ele estava lá para vê-la. Mas Rosa era gata, e ele tinha certeza de que havia mais nela do que se poderia pensar. Ela tinha dito que estava trabalhando como garçonete enquanto estudava para ser enfermeira, então não era como se ela fosse apenas mais uma boba, aspirante a modelo trabalhando como garçonete enquanto esperava sua grande chance. "Certo, cara. Lucky Red, então."

"Legal. Me pega às 9:00?"

"Não é um pouco cedo?"

"Mano, preciso começar a beber logo, ou vou ficar sóbrio."

Rome riu, esperando que ele estivesse apenas brincando, considerando que tinha trabalhado mais cedo naquele dia. "Certo. Te vejo às 9:00."

"Avise o Bart."

"Pode deixar." Rome balançou a cabeça. Mark era tão louco. Um dia desses, ele ia acabar em sérios problemas se não controlasse essa bebedeira e festas. Isso não combinava bem com seu temperamento explosivo.

Rome colocou o telefone de lado, mas não conseguia parar de pensar na ligação que tinha feito antes de ligar para Mark. Havia uma chance de Ella, da Sinders Cinema Marketing, estar no clube hoje à noite? Ele duvidava. Mas então, o destino o fez ligar para o número dela mais cedo... então talvez ela estivesse. A ideia trouxe um sorriso ao seu rosto. Ele definitivamente queria saber como ela era—e definitivamente ia ligar para ela de novo. Mas não agora. Isso seria estranho e desesperado. E ela provavelmente já tinha saído do trabalho também. Não, ele não ligaria para ela hoje à noite, mas ele ligaria. Em breve.

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