Capítulo 3

A chuva caiu a noite toda. A água escorria pelo meu cabelo até os meus olhos, embaçando minha visão.

Três da manhã. A temperatura caiu para dois graus. A chuva deixou meus lábios roxos, minhas pernas dormentes havia muito tempo, mantidas de pé apenas pela estrutura rígida dos ossos sob a carne congelada.

Não me mexi. Porque Alex tinha dito: "Não se mova até eu mandar."

Em Eden, desobedecer ordens significava a Sala do Silêncio. Sem luz. Sem som. Apenas privação sem fim. Comparado àquilo, o frio trazido pela tempestade não era nada.

Sete da manhã. A porta da frente se abriu.

Reginald saiu de roupão, jornal na mão, aparentemente indo pegar a entrega de leite.

Quando me viu — em pé, ereta como uma estaca no meio do gramado, encharcada, com o rosto branco como papel — o jornal escorregou de seus dedos e caiu numa poça.

"Melody?!" Ele correu para a chuva, olhando para mim em total descrença. "Você... você ficou parada aqui a noite inteira?!"

Virei meus globos oculares enrijecidos na direção dele. "Sim. Não me deram permissão para me mover."

"Você ficou louca?! Debaixo dessa chuva, não pensou em entrar?!" Pela primeira vez, o pânico se insinuou na voz de Reginald. Ele estendeu a mão para me puxar para dentro, mas recuou ao tocar minha pele congelada.

"Não recebi nenhuma instrução para parar." Minha voz não carregava inflexão alguma.

A respiração de Reginald falhou. Ele me encarou como se estivesse olhando para algo não humano.

Ele já tinha desejado desesperadamente que eu fosse obediente, submissa, que nunca respondesse, que nunca causasse problemas. Mas agora, vendo essa obediência apagar todo traço de reação humana, um gelo invadiu suas veias.

"Entre... entre agora mesmo e tome um banho quente!" Ele praticamente gritou as palavras.

"Sim, senhor."

Eu me virei e comecei a andar. Minhas pernas congeladas tinham perdido toda a flexibilidade, e meu andar era tão rígido quanto o de um fantoche com defeito.

Lá dentro, Helen e Alex já estavam acordados. Ao ver o rastro de água barrenta que eu tinha deixado pelo chão da sala, Alex começou a reclamar — mas Reginald o cortou com aspereza.

"Chega! Alex, o que exatamente você mandou ela fazer ontem à noite?" Reginald lançou um olhar fulminante para o filho.

"Eu... eu só estava brincando..." Alex olhou para o meu rosto sem vida, e sua voz perdeu a firmeza.

"Brincando? Ela quase morreu lá fora!" Reginald esfregou as têmporas, frustrado, depois respirou fundo e se virou para mim.

"Vá tomar banho. Vista seu uniforme. Hoje é seu primeiro dia de volta à escola. Não me envergonhe."

Duas horas depois, eu estava sentada no carro de Reginald usando um uniforme passado com uma perfeição impossível, sem uma única dobra à vista. Eve estava no banco do passageiro, ainda a própria imagem da doce obediência.

Academia St. Jude. Este lugar que eu costumava odiar. Onde eu matava aula, fumava no telhado, ensaiava heavy metal com meus amigos da banda underground.

Mas agora, tudo tinha mudado.

Primeira aula: Cálculo Avançado. A matéria em que eu sempre tirava bomba.

O Sr. Harrison escreveu no quadro uma equação diferencial parcial impossivelmente complexa. Então se virou, deixando o olhar varrer a sala com um desprezo frio.

"Quem quer resolver isso?" Sua voz cortou o silêncio.

Silêncio absoluto.

Os olhos dele percorreram a turma e pousaram exatamente em mim. "Melody. Ouvi dizer que você voltou da sua 'escola especial'. Por que não vem até a frente e mostra para nós o que aprendeu?"

Risadinhas baixas se espalharam pela sala de aula. Todos esperavam pela minha humilhação.

Eu me levantei e fui até o quadro. Peguei o giz. Sem hesitar. O giz fez cliques rápidos e rítmicos contra a lousa.

Três minutos depois, larguei o giz. O quadro estava coberto de deduções densas, com letra perfeita de livro. A última linha: uma resposta absolutamente correta.

Silêncio total.

Os olhos do Sr. Harrison se arregalaram; a boca ficou entreaberta, sem conseguir dizer nada.

— Pronto. Posso me sentar? — olhei para ele.

— S-sim. Pode — ele gaguejou as palavras.

Nos dias seguintes, eu deixei todos os professores e alunos boquiabertos do mesmo jeito.

Seja com cálculos de física precisos até quatro casas decimais, seja com trabalhos de história impecáveis, eu funcionava como um instrumento de precisão. Eu nunca falava, a não ser quando era chamada. Nos intervalos, eu ficava sentada na minha carteira em absoluto silêncio.

Lily, que antes tocava na minha banda, me encurralou no corredor.

— Melody? O que eles fizeram com você? — os olhos dela ficaram vermelhos, a voz tremendo. Ela estendeu a mão para me tocar. — Você parece... parece que nem tem pulso mais.

Eu dei um passo para trás, evitando o toque dela.

— Sinto muito. Eu não conheço você — encarei o olhar dela, meus olhos perfeitamente opacos. — É contra a política do Eden manter associações problemáticas anteriores.

A mão de Lily congelou no ar. Ela encarou meus olhos sem vida, e as lágrimas transbordaram na mesma hora.

Ela não disse uma palavra. Só apertou a mão contra a boca e se virou, os ombros sacudindo.

Reunião de pais e mestres na sexta-feira. Reginald e Helen estavam cercados por todos os professores.

— Melody está completamente transformada! Agora está entre as dez melhores da turma, disciplina perfeita, nunca responde. Professor Reginald, como, em nome de Deus, o senhor conseguiu isso? — a diretora derramava elogios.

Reginald e Helen se banhavam nos cumprimentos, os rostos iluminados. Mas, quando o olhar deles atravessou a multidão até o canto, os sorrisos congelaram.

Eu estava encostada na parede, numa postura impecável, de manual. Durante toda a reunião de uma hora, eu não tinha falado, não tinha mudado o peso do corpo, não tinha sequer piscado em intervalos irregulares.

Eles finalmente tinham conseguido a filha perfeita que sempre quiseram. E descobriram, horrorizados, que só tinham trazido para casa uma casca perfeita.

A viagem de carro de volta para casa foi sufocante.

Eve quebrou o silêncio.

— Mãe, pai, as entrevistas de decisão antecipada da Ivy são na semana que vem. A escola só tem duas vagas de recomendação.

Helen disse na hora:

— Claro que são para você e para o Alex. Vocês são os melhores alunos.

— Mas... — Eve baixou a cabeça, com expressão de quem tinha sido ferida. — A diretora disse hoje que as notas da Melody agora são perfeitas. A escola quer dar a ela a minha vaga.

— Isso é impossível! — Reginald pisou no freio com força. — Impossível! Ela é uma delinquente, recém-saída de uma instituição socioeducativa!

— Não se preocupe, Eve. Eu vou falar com a escola. — Helen apertou a mão de Eve e então me lançou um olhar gelado. — Melody, você vai recusar essa recomendação. Ir a essa entrevista no seu... estado... seria uma desgraça para esta família.

Eu olhei para a paisagem da cidade, borrada, correndo lá fora.

— Eu entendo. Vou desistir amanhã.

Sem discussão. Sem lágrimas.

O carro voltou a ficar em silêncio.

Essa obediência absoluta, que não exigia negociação nenhuma, consequência nenhuma — em vez de trazer alívio, se enroscou na garganta deles como um laço que apertava cada vez mais.

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